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Músicas no Plural 204: exemplos do que há de contemporâneo, no jazz, no erudito e na free improvisation européia!!!

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O quarteto de Nova Iorque The Thirteenth Assembly em Station Direct, o trio francês Daunik Lazro + Benjamin Duboc + Didier Lasserre em Pourtant les Cimes des Arbres e o pianista americano Guy Livingston em Don't Panic! 60 Seconds for Piano.

Guy Livinsgton

O podcast Músicas no Plural -- disposto no site da Fundação Gulbenkian, uma das principais e mais importantes fontes de música de Portugal -- traz, em sua edição de número 204, um programa repleto de música contemporânea criativa, indo do jazz americano, passando pela improvisação livre européia e aportando-se na música erudita -- mas, lógico: é música contemporânea para ouvidos contemporâneos. O programa, apresentado por Rui Neves, começa com o quarteto americano de jazz contemporâneo The Thirteenth Assembly: constituído pelo trompetista Taylor Ho Bynum, pela violista Jéssica Pavone, pela interessantíssima guitarrista Mary Halvorson (de quem já falei aqui: pesquisem nas tags, na página de lançamentos ou no nosso buscador) e pelo baterista Tomas Fujiwara -- todos músicos da nova geração do avant-garde jazz --, o quarteto acaba de lançar seu segundo álbum, Station Direct, onde a linhagem modern creative, com suportes de improvisações livres, momentos em diálogos contrapontísticos e nuances eletro-acústicas, é o standard da coisa -- a estruturação e o rítmo, portanto, ganham uma evidente importância dentro das composições apresentadas. Em seguida, no segundo bloco, Rui Neves nos apresenta um trio francês de improvisação livre que foca-se em fazer arte com ruídos instrumentais de uma forma intimista muito peculiar: trata-se da interação do saxofonista Daunik Lazro, do contrabaixista Benjamin Duboc e do baterista Didier Lasserre, os quais acaba de lançar o álbum Pourtant Les Cimes des Arbres, onde eles improvisam texturas atmosféricas multifônicas inspiradas num “haiku” do poeta japonês Basho. Por fim, Neves nos apresenta uma interessantíssima empreitada do pianista virtuose Guy Livingston, um dos grandes intérpretes de John Cage: em seu álbum Don't Panic! 60 Seconds for Piano, o pianista apresenta ao piano solo, às vezes com tênues pitadas eletrônicas e vocais, 60 miniaturas de diversos compositores americanos, holandeses, britânicos, canadenses  e etc -- um trabalho de três anos de garimpagem que, pela sequência bem arranjada, afirma-se quase como uma suite, irônica e hipermoderna. Listen Here!!!

First Listen - O compositor polônes Krzysztof Penderecki com o guitarrista inglês Jonny Greenwood, da banda Radiohead!!!

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Dando umas olhadas nas novidades do Portal da National Radio Public (NPR, a radio pública americana), encontrei, na seção "first listen", um interessante e recentíssimo projeto colaborativo entre duas grandes -- e, afinal, díspares -- legendas da música contemporânea: trata-se do álbum que o importantíssimo compositor erudito polônes Krzysztof Penderecki acaba de lançar em parceria com o  guitarrista inglês  Jonny Greenwood, que é o cérebro por detrás da banda Radiohead e um grande fã da música erudita moderna e contemporânea!!! Em 2011, Greenwood já havia participado de um concerto com Penderecki no festival polonês Sacrum Profanum. Agora, em 2012, a excelente gravadora Nonesuch acaba de disponibilizar o fruto dessa parceria, que pode ser apreciado gratuitamente na íntegra na seção "first listen" da página "classical" da NPR. O disco contém duas releituras das já célebres peças de Penderecki, que são Polymorphia e Threnody for the Victims of Hiroshima (essa composta em memória das vítimas da Bomba de Hiroshima), e duas inéditas de Greenwood, que são Popcorn Superhet Receiver (inspirada em Threnody) e 48 Responses to Polymorphia (respostas à Polymorphia original) -- e, fazendo um link com um projeto anterior, alguns elementos de Popcorn apareceram na trilha sonora que Greenwood compôs para o filme "There Will Be Blood". As peças são interpretadas pela orquestra de cordas Polish AUKSO Orchestra, sob regência do próprio Penderecki e do maestro Marek Mos. É muito interessante conferir o talento composicional de Greenwood. Interessante, também, é conferir como que Penderecki sabe fazer uma orquestra de cordas -- violinos, violas, cellos e contrabaixos -- soar extremamente atonal, ruidosa e rica de efeitos cacofônicos e timbrísticos. Aliás, esse post da NPR me deu uma excelente idéia: escrever um post aqui sobre as andanças desse grande colosso da música erudita chamado Krzysztof Penderecki. Um dos mais importantes nomes da música ainda vivo, Penderecki já lançou obras seminais para a música erudita do século XX, já escreveu célebres trilhas sonoras e também já lançou trabalhos  em parceria com improvisadores e músicos de jazz (como o trompetista Don Cherry, por exemplo). Em breve escreverei sobre ás várias facetas do compositor polonês -- aguardem!!! Para se dirigir à pagina de onde se pode ouvir o novo álbum de Penderecki com Jonny Greenwood, clique sobre a imagem acima!!!

Jazz meets Eletronic Music - Jazzanova, Flying Lotus, St. Germain e etc!

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Flying Lotus
Uma das interações musicais contemporâneas mais instigantes -- e que, acredito eu, ainda tem muito que ser explorada, tanto no âmbito do avant-garde como no do mainstream -- é a mistura de música orgânica com música eletrônica -- ou, melhor dizendo, o uso inteligente, elaborado ou improvisativo dos recursos eletrônicos e digitais junto aos instrumentos musicais orgânicos que demandam uma técnica mais artesanal. Já citei, por exemplo, o uso inteligente de laptop nas gravações do cornetista de Chicago Rob Mazurek -- quem se interessar atente para o post anterior ou pesquise o nome do cornetista aqui no blog. Neste post, eu indico uma publicação de um blog do portal da National Public Radio, o "A Blog Supreme" (sim, uma paráfrase ao álbum "A Love Supreme", do mestre Trane), no qual o editor indica cinco álbuns no estilo "Jazz meets Eletronic Music": vocês ouvirão, em faixas separadas, o DJ francês St. Germain (aka Ludovic Navarre), o produtor britânico Matthew Herbert atuando com uma big band, o DJ e guitarrista Nicola Conte num sample sobre um rítmo de bossa nova, o batidão do interessante DJ Flying Lotus (aka Steve Ellison) e o já conhecido coletivo alemão de DJ, músicos e produtores Jazzanova, que já se tornou uma espécie de grife do estilo "Nu Jazz". Para quem não sabe, o rótulo "nu jazz" (que parece ser mais uma modernização do estilo acid jazz) é frequentemente usado para definir grupos, bandas, músicos e DJ's que trabalham com essa interação de jazz com música eletrônica nos estilos house, techno, drum'n'bass e etc. Para quem quer cair de cabeça, baixar ou comprar esse tipo de som, destaco, entre os artistas citados, o DJ Flying Lotus -- que, por ser sobrinho do mítico saxofonista John Coltrane, às vezes usa uma concepção bem jazzy, soulful e cósmica na sua eletrônica -- e o coletivo berlinense Jazzanova, que já lançou álbuns que são um verdadeiro primor do estilo. Acesse o link do "A Blog Supreme" abaixo e boa viagem!

O que está acontecendo de novidade no campo da música erudita e seus arredores? João Marcos Coelho nos diz...

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Minhas primeiras aventuras sonoras aconteceram ouvindo a Rádio Cultura FM de São Paulo, quando, recém chegado à adolescência e começando a aprender música na igreja e no conservatório, comecei a escutar os clássicos eruditos -- as óperas e a música do período clássico nunca me foram atrativos indispensáveis (não demorei pra descobrir que não gostava, por exemplo, das sumidades Verdi e Mozart), mas através de um daqueles walkmans japoneses e um daqueles rádios micro system de fita K7 eu ouvi e gravei inúmeras peças de Bach, Vivaldi, Beethoven, Debussy, Stravinsky, Sibélius, Shostakovitch e etc; e de todas as peças, uma das quais ainda ecoa na minha cabeça até hoje é o genial, divino e melodioso Concerto para Violino em Ré maior de Brahms, genial compositor romântico do final do século 19. Depois, já chegando à fase adulta, o jazz me pegou de sobressalto: ouvi, ouvi, ouvi e re-ouvi praticamente toda a galera do bebop, hard bop, alguma coisa do fusion e do free jazz e, consequentemente, a música erudita perdeu seu espaço dentro do meu rol de interesses. Com a chegada da conexão banda larga, vislumbrei a possibilidade de tentar descobrir o caminho evolutivo do jazz: criei este blog e, no decorrer dos anos e das pesquisas, acabei sendo certificado de que o próprio jazz, do início da sua modernidade até sua chegada ao status de avant-garde music, bebera grandes doses de influências das fontes da música erudita moderna -- isso, aliás, já me tinha ficado claro quando ouvi o álbum Out to Lunch, de Eric Dolphy. Desde então, além de continuar a explorar o jazz, voltei a ter uma incessante curiosidade e busca por novas audições no campo da música erudita, preferindo, quase sempre, a música moderna e contemporânea: ou seja, nos últimos anos além de voltar a ouvir ocasionalmente Bach, Vivald, Beethoven, Brahms, Debussy, Stravinsky, Sibélius, Shostakovitch e outros que já ouvia, minhas pesquisas auditivas pessoais começaram a se afunilar para tipos de músicas inovadoras, exóticas, chocantes, complexas ou estranhamente simples de compositores modernos e pós-modernos dos quais a mídia especializada brasileira ainda não se deu conta -- daí o motivo da minha recente empreitada em publicar posts sobre compositores como Frank Zappa, Alfred Schnittke, Luciano Berio e Elliot Carter. A Rádio Cultura (103,3 FM), por sua vez, não mudou muito sua identidade de programação -- mesmo com a chegada da internet, que foi capaz de trazer a todos um boom quase infinito de novas possibilidades, inclusive facilitando o acesso a novos repertórios. Contudo, o programa "O que há de novo", produzido e apresentado pelo jornalista e crítico musical João Marcos Coelho, deveria ser ouvido sempre por qualquer apreciador de musica contemporânea: indo ao ar sempre aos sábados (às 18 horas) e domingos (às 11 horas), o programa atualiza seus ouvintes com os novos lançamentos da música erudita moderna e contemporânea, incluindo algumas passagens ocasionais por empreitadas de músicos ousados que relêem os clássicos de maneira nada convencional, passagens por músicos de jazz que flertam com os aspectos da música erudita e outros músicos eruditos que trabalham com elementos do pop de forma criativa. Exemplos? Pois bem: no programa de Coelho, vocês poderão ouvir coisas como as experimentações do seminal Kronos Quartet, as composições de Thelonious Monk sendo interpretadas com novos arranjos por conjuntos de câmera contemporâneos, novos lançamentos de nomes  pouco ou nada conhecidos por aqui como o compositor ucraniano Nikolai Kasputin, as últimas obras de célebres compositores contemporâneos como Górecki, Penderecki e Arvo Pärt e até empreitadas criativas de jazzistas como o trompetista Paolo Fresu e o pianista Brad Mehldau são algumas das abordagens. O link da Cultura FM já estava disposto na nossa página intitulada MÍDIA (vide topo do blog), mas eu ainda não tinha me dado conta de que existia os arquivos dos programas especiais disponíveis para serem acessados via internet a qualquer hora. Lá vai, então, o link que dá acesso às edições do programa "O que há de novo", de João Marcos Coelho. Acesse e boa viagem!


40 álbuns que retratam o jazz dos anos 80, pela The Wire - 40 LPs that cover the entire spectrum of 80s jazz.

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40 LPs that cover the entire spectrum of 80s jazz - the major trends, leading personalities, most inspiring musical moments - and taken 100 words per album to say just what makes them special. 40 albums from the 80s -- Taí uma lista interessante e abrangente -- do neotradicionalismo de Wynton Marsalis, passando pelo fusion de Miles Davis e John Scofield até as radicalizações de John Zorn -- elaborada pelos colaboradores da aclamada revista inglesa The Wire, especializada em música pós-moderna. Porém, ao meu ver não se trata de uma lista rigorosa, completa e/ou definitivamente exata, mas trata-se de uma lista meramente ilustrativa: digo isso porque os caras cometeram o pecado de deixar de fora álbuns interessantíssimos  e reveladores dos anos 80 --  período que, para muitos críticos, iniciou um verdadeiro "renascimento do jazz" -- como os que documenta o inusitado projeto Lester Bowie's Brass Frantasy (alguns pela ECM), o African Game de George Russell (Blue Note, 1983), o On the Edge of Tomorrow de Steve Coleman (álbum lançado em 1986 pela JMT Productions, o primeiro que documenta o conceito do M-Base já como um estilo formado e independente) e o Random Abstract (Columbia, 1987) de Branford Marsalis. Além disso, sob meu critério de escolha, eu faria algumas substituições: o melhor álbum de Wynton Marsalis nos anos 80 não foi o pedante Standard Time Vol. 1, mas sim o autoral Black Codes - From the Underground (Columbia, 1985);  e do Mile Davis, eu indicaria Tutu (Warner, 1986); de John Zorn também já há vários projetos da época os quais poderia me levar a fazer outras escolhas (Spy versus Spy, News for Lulu, Naked City, o projeto Cobra, e etc). Mas compensa dar uma olhada e, quem sabe se sobrar um tempo, dar uma garimpada em alguns álbuns indicados que forem do gosto de cada um de vocês, leitores. Tem David, Murray, Paul Bley, Sun Ra, Keith Jarrett, John Zorn...e etc. Clique no link abaixo e acesse:

UOL That Jazz - O festival "Jazz na Fábrica", um ótimo exemplo de mostra instrumental !

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O blog Farofa Moderna sempre foi um espaço para amizades e informações, mas também um espaço de críticas e discussões. Numa recente postagem de Abril (que vocês podem ler clicando aqui), eu explicitei uma crítica sobre as mostras e os festivais de jazz e música improvisada aqui em solo tupiniquim e nela expus três pontos críticos relacionados a esses eventos: o primeiro foi sobre concepção conservadora de alguns produtores em detrimento do desconhecimento musical (pois um produtor musical, que se preze, não deveria apenas ter curso superior, falar inglês e ter uma agenda de bons contatos, mas também deveria ter, óbvio!, um tanto de curiosidade em relação à música -- pelo menos enquanto apreciador --, e procurar entender os desdobramentos contemporâneos, afim de não ficar perdido no tempo); o segundo ponto foi o preço exorbitante e elitista dos ingressos; e, por fim, a terceira queixa foi sobre o descaso desses produtores em relação aos músicos brasileiros, que perdem espaço para o "jazz importado" e acabam confinados em "inferninhos" dessa cinzenta cidade chamada São Paulo, dentre outros casos em outras cidades brasileiras. Pois bem...o Jazz na Fábrica, festival paulistano em andamento no ótimo ambiente do SESC Pompéia, já promete solucionar essas três tretas e outras mais já em sua primeira edição -- e isso será o máximo se ele, por vias do sucesso do empreendimento, vir a acontecer nos próximos anos. O produtores responsáveis compuseram um cast list bem dosado e rico: valorizaram o jazz contemporâneo ao chamar músicos da nova geração (The Bad Plus, Christian Scott, por exemplo); valorizou a influência de músicos experimentais e europeus (como o saxofonista sueco Mats Gustafson); também chamaram medalhões ligados à tradição e aos movimentos antepassados do jazz (a cantora Dee Dee Bridgewater e o saxofonista Archie Shepp, por exemplo); valorizaram os músicos brasileiros, entre eles os paulistas e paulistanos (bandas e músicos nacionais emblemáticos como o pianista André Marques, o guitarrista Toninho Horta, o multiinstrumentista Arismar do Espírito Santo, a flautista Léa Freire e a Zerró Santos Big Band); e, por fim, conseguiram comprimir os preços dos ingressos a custos acessíveis a qualquer classe social: os shows de bandas nacionais e internacionais mais disputados variam de R$ 15 a R$ 30 reais. Iniciado no começo de maio, o Jazz na Fábrica vai até o final do mês e, em alguns casos, os jazzófilos, músicos e amantes da boa música -- em geral -- ainda poderão adquirir ingressos e marcar sua participação em workshops e jam sessions. Abaixo, um link do UOL That Jazz, da Radio UOL, tocando várias faixas dos músicos relacionados na programação do Jazz na Fábrica. Ouçam! Para acessar a programação do Jazz na Fábrica, no Sesc Pompéia, acesse nossa página SHOWS & CONCERTOS no topo do blog, onde nós ja tínhamos divulgado este evento desde o mês de abril. Na foto abaixo, o legendário saxofonista Archie Shepp!



"I Heart Jazz" - O Ministério da Saúde adverte: jazz pode emocionar mais do que seu coração possa aguentar (rs)...

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Jazz é preponderantemente emoção, mas também pode ser humor (rs)! Este vídeo foi selecionado pela Associação de Jornalistas de Jazz dos EUA (Jazz Journalist Association), para concorrer ao prêmio na categoria "vídeo do ano" (VIDEO SHORT FORM OF THE YEAR) no Jazz Jornalist Awards (vide o referido post abaixo). O autor desta animação é o produtor e cartunista Allan Mesquida, que também é saxofonista de jazz -- inclusive é dele o solo de saxofone tocado pelo personagem do vídeo, Smigly. Para assistir mais vídeos emocionantes, acesse nossa página de VIDEOS disposta no topo do blog!

More "Best Jazz Albums of 2010": A lista do The Village Voice numa playlist da AccuJazz!

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A rádio on-line AccuJazz, que pretensiosamente se intitula "The Future of Jazz Radio", é a melhor rádio de jazz da internet: ela tem inúmeros canais que abrange os vários estilos de jazz, do ragtime e dixieland até o free jazz e o jazz contemporâneo, bem como canais que são separados por categorias de instrumentos, compositores, lançamentos do ano e etc -- e ela é tão relevante para nossa abordagem aqui no blog, que coloquei um badge/link dela no final da página, relacionando-a como um dos sites que devemos visitar sempre que possível. Um dos canais mais interessantes e mais relevantes para quem quer estar por dentro do que anda sendo registrado no jazz contemporâneo é o recente canal "Best Jazz of 2010", uma playlist com faixas dos melhores álbuns de jazz lançados em 2010, segundo o jornal nova-iorquino The Village Voice: trata-se de uma das listas de lançamentos mais abrangentes e democráticas que eu pude presenciar até o presente momento -- lembrando que muitos desses lançamentos também foram citados e/ou resenhandos aqui mesmo no Farofa Moderna, ou seja, apostamos que estes seriam os melhores do ano bem antes de qualquer especulação midiática. Outras listas de "melhores álbuns de 2010" podem ser encontras na página "MÍDIA" que pode ser acessada através do respectivo link no topo do blog: lá tem uma lista dos "10 Melhores Álbuns de Jazz de 2010" segundo a National Public Radio, esta comentada por este que vos escreve; e tem uma lista dos "50 Melhores Álbuns de Jazz de 2010" segundo a revista Jazz Times, esta última comentada em matéria do Jornal do Brasil pelo jornalista Luiz Orlando Carneiro. Apesar dessas listas sempre gerarem sabores em uns e dissabores em outros, acredito que estas, as quais tenho mostrado aqui, são listas altamente relevantes para quem quer se inteirar dos estilos de sons que estão acontecendo no jazz contemporâneo. Ouça aqui na AccuJazz os Melhores Álbuns de 2010, segundo o The Village Voice!



Brad Mehldau
Charles Lloyd
Chris Lightcap
Christian Scott
Chucho Valdes
Conrad Herwig
Danilo Pérez
Dave Holland
Dee Dee Bridgewater
Fred Hersch
Geri Allen
Gregory Porter
Guillermo Klein
Henry Threadgill
Ideal Bread
James Moody
Jason Adasiewicz

Vijay Iyer
William Parker
Jason Moran
Keith Jarrett
Marc Ribot
Mary Halvorson
Mike Reed
Mostly Other People Do the Killing
Myra Melford
Nels Cline

Paquito D'Rivera
Pat Metheny
Paul Motian
Randy Weston
Regina Carter
Rudresh Mahanthappa
The Bad Plus
The Claudia Quintet
The Either Orchestra
The Microscopic Septet
                                    Tomasz Stanko

Live at Village Vanguard - Aaron Goldberg Trio + Mark Turner

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Aaron Goldberg em recente turnê pela Europa: da esquerda para a direita, Josh Redman, Aaron Goldberg, Mark Turner, Eric Harland, Reuben Rogers.
Acaba de sair do forno a gravação da fantástica apresentação que o pianista Aaron Goldberg e seu trio -- com Eric Harland na bateria e Reuben Rogers ao contrabaixo -- realizaram no legendário clube nova-iorquino Village Vanguard: a gravação realizada pela rádio WBGO, de New Jersey, foi ao ar dia 02 de fevereiro e já está disponível para audição no site da National Public Radio (NPR), que costuma ter parcerias com grandes rádios regionais afim de divulgar toda a música que inunda os EUA, do pop e hip hop ao blues, jazz e música erudita -- aliás, a ênfase que a NPR tem dado ao jazz tem sido muito enriquecedora ao gênero e aos seus fãs. Além dos membros do seu trio -- um trio "da pesada", diga-se de passagem --, Aaron Goldberg teve como convidado especial o fantástico saxofonista Mark Turner. A sequência de faixas inclui:

"The Rules"
"One Life"
"OAM's Blues"
"Lambada De Serpente" (Djavan)
"Moose The Mooche" (Parker/arr. G. Klein)
"Isn't She Lovely" (Stevie Wonder)

Aaron Goldberg, nascido em 1974, é um dos maiores pianistas ligados ao estilos contemporâneos conhecidos como "neo-bop" e "modern post-bop", embora seu nome ainda não esteja à mesma altura da fama de, por exemplo, Jason Moran ou Brad Mehldau. Seus estudos focados no jazz começaram a acontecer em 1991 quando, aos 17 anos, ele começou a estudar na New School for Jazz and Contemporary Music. Depois ele estudou na Universidade de Harvard , onde ganhou o International Association of Jazz Educators 'Clifford Brown/Stan Getz Fellowship e tornou-se membro do programa Betty Carter 's Jazz Ahead. Depois de se formar em Harvard, em 1996, atuou como sideman do saxofonista Joshua Redman durante alguns anos. Recentemente, Aaron passou a excursionar e a gravar com o jovem guitarrista Kurt Rosenwinkel (um dos "gurus" do jazz contemporâneo quando se fala em guitarra). Em 2005, Aaron Goldberg excursionou por aqui, na América Latina, com Madeleine Peyroux e passou seis meses atuando com o Wynton Marsalis Quartet, bem como com a Lincoln Center Jazz Orchestra. As colaborações de Aaron Goldbger como sideman inclui trabalhos com músicos como Guillermo Klein , Terry Gibbs e Buddy DeFranco , John Ellis , Jimmy Greene e Degibri Eli. Seu álbum de estréia como líder foi Turning Point (J Curve, 1999). Seu lançamento mais recente é Home (Sunny Side, 2010). Uma curiosidade interessante é que uma faixa do seu álbum Worlds (Sunny Side, 2006) , "OAM's Blues" , pode ser encontrada na pasta Amostra de Música (Sample Music, em inglês) do Windows Vista, uma das últimas versões do sistema operacional da Microsoft. Queridos colegas, não percam este nome de vista: Aaron Goldberg!!! Abaixo o link para a transmissão ao vivo do show no Village Vanguard e um vídeo que, certamente, poderá animá-los (rs):


O instrumental de Ed Motta: scat vocal soulful, altas doses de funky e improvisos jazzísticos razantes!!!

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Genialidade e talento são virtudes inerentes às artes. Assim sendo, pessoas geniais em idéias originais e talentosas em técnicas de como se fazer arte merecem ser veneradas e imortalizadas -- não como "deuses" ou como "entidades" perfeitas, intocáveis e acima de quaisquer suspeitas (como muitas vezes o genial e errático Miles Davis é errôneamente tratado, por exemplo), mas como heróis que transpuseram um mar de dificuldades a aprendizados em busca de transformar o mundo, ainda que esse mundo seja um restrito mundo de artistas e apreciadores de gêneros e espécies de arte. E o cantor e multiinstrumentista Ed Motta é um daqueles artistas brasileiros pelo qual devemos ter orgulho: ele não apenas traz, em sua voz de estilo soulful, a celebração e a continuidade à arte do seu tio, Tim Maia -- aquele que misturou soul e funk com música brasileira e criou, portanto, um novo gênero nacional --, mas ele também traz uma mente abençoada, uma visão de música que é aberta a vários estilos, várias técnicas, várias vertentes: das vertentes comerciais às vertentes vanguardistas, passando pelas vertentes da música negra de raiz -- do nosso brasileiro samba à black music americana. Aliás, muito além da sua concepção de cantor brasileiro, do talento vocal e da visão musical aberta, ele próprio é um excelente compositor e multiinstrumentista que se dá ao trabalho de se experimentar por caminhos mais ousados, como é o campo da música instrumental -- isso sem contar que ele também é produtor, além de nutrir paixão por hobbies diversos, como ser colecionador de discos e apreciador inveterado de vinhos, história em quadrinhos, chás e cervejas. Falando estritamente da sua obra, sua discografia já conta com uma dezena de lançamentos: entre eles, há pelo menos dois álbuns dedicados totalmente à música instrumental, os quais são os álbum Dwitza (2002) e Aystelum (2005). Abaixo, deixo um link de acesso aos videos do show instrumental que Ed Motta realizou no SESC com base nestes dois álbuns -- e,sim, ele não apenas toca, mas também usa a sua voz explendorosa, mas a usa como um instrumento, entoando e improvisando na forma de scat vocal, técnica que domina com maestria. Sinceramente, fiquei surpreso com o som instrumental idealizado por Ed -- e não o fiquei por não saber que ele fosse capaz de sair dos limites da música cantada, mas justamente por constatar que seu trabalho instrumental chega a ter mais requinte e mais modernidade que muitos trabalhos de músicos especializados totalmente em jazz e música instrumental brasileira. O segredo, ao meu ver, é o seguinte: Ed não se prende aos elementos do folclore e nem aos manjados cancioneiros da música popular, pois ele tem uma concepção urbana de música -- e à essa concepção, ele acrescenta pitadas de brasilidade, resultando no seu estilo próprio e cativante. Acesse o link abaixo: lá no site do Instrumental Sesc Brasil , basta apenas clicar sobre as músicas para assistir todos os vídeos! Ouçam e assistam!


Ed Motta no Instrumental Sesc Brasil

Journey to Brazil - The Music of Moacir Santos

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Moacir Santos, pernambucano nascido em Flores de Pajeú, foi um dos maiores compositores e arranjadores brasileiros ao lado de Villa-Lobos, Tom Jobim e Hermeto Pascoal. Em novembro de 2010, publiquei um programa de podcast dedicado à estilosa e moderna música do Maestro Moacir Santos no nosso blog do Portal MTV. Antes, eu já ficara sabendo da homenagem Journey to Brazil - The Music of Moacir Santos que os músicos Mario Adnet (violonista) e Zé Nogueira (saxofonista) empreenderam no Jazz at Lincoln Center, residência da big band Lincoln Center Jazz Orchestra e o grande centro do jazz de Nova Iorque, dirigido pelo trompetista Wynton Marsalis -- detalhe: Wynton, um americano, parece estar mais preocupado em propagar a genialidade do maestro lá nos EUA do que nossos próprios "mecenas" aqui no Brasil. Agora, a gravação do show que Adnet e Nogueira produziram no palco do Rose Theater, no Jazz at Lincoln Center, com músicos brasileiros -- o saxofonista Teco Cardoso, o trompetista Jessé Sadoc, dentre outros --  já está disponível para audição na sessão Jazz at Lincoln Center Radio. Para ouvir a minha versão em podcast -- comentada e gaguejada por eu mesmo (rs) -- basta clicar na foto acima. Para ouvir a versão da homenagem Journey to Brazil gravada no Rose Theather, JALC, e apresentada pelo ator e músico Wendell Pierce, clique no link abaixo.

Small bands of street musicians enlivened the streets of Flores do Pajeú, hometown of Brazilian composer and saxophonist Moacir Santos. He painted those hometown landscapes in musical scores. In the Rose Theater, guitarist Mario Adnet and saxophonist Zé Nogueira capture the spirit of Brazil and this little-known composer. Wendell Pierce hosts.


Os 10 melhores álbuns de 2010 segundo a National Public Radio

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O The Blog Supreme, blog oficial do portal da NPR -- a gigante radio pública americana que, nos últimos, anos tem sido de grande importância para a difusão do jazz -- divulgou uma lista dos 10 melhores álbuns de jazz do ano de 2010. Apesar de eu seguir aqui no blog uma certa amostragem iconoclasta do jazz e não ser muito afeito a listas prontas -- já que sou adepto da ecleticidade e constato que sempre rola, aí, uma certa arbitrariedade em prol do conservadorismo ou do vanguardismo --, posso dizer que gostei da lista do The Blog Supreme: o blog, assim como a própria NPR, mostra uma concepção atual e abrangente de jazz contemporâneo  ao incluir projetos de músicos que estão fora da esfera elitista das principais revistas e jornais americanos -- haja vista que, independente dos músicos que já gozam de um certo estrelismo, o jazz está mesmo muito mais abrangente do que em qualquer outra época da sua história já parabenizada com 100 anos de desenvolvimento --; e também, quatro álbuns que abordamos aqui, três deles com resenhas e dispostos para consulta na sessão LANÇAMENTOS, foram incluídos na tal lista: Ten (do pianista Jason Moran), Harvesting, Semblances and Affinities (do saxofonista Steve Coleman), Saturn Sings (da guitarrista Mary Halvorson) e Flying Toward the Sound (da pianista Geri Allen) -- lembrando que esses álbuns foram resenhados aqui duarante o ano e, portanto, nao sabíamos que eles entrariam em nenhuma lista dos "melhores".


Os outros seis abordados pelo The Blog Supreme são: Domador de Huellas (do pianista argentino Gillermo Klein), Joy Spring (do pianista Bill Carrothers), The Cicle o Love (do trompetista Maurice Brown), All Is Gladness In The Kingdom (com Fight The Big Bull feat. Steven Bernstein), Bigmouth 'Deluxe' (do contrabaixista Chris Lightcap) e People, Places And Things, 'Stories And Negotiations' (do baterista Mike Reeds) -- albuns os quais, pode-se dizer, abordam desde o a estética do modern post-bop até as aventuras do modern creative. É claro que a lista não é um parâmetro definitivo do que esta a acontecer de interessante no jazz, pois se cada um de nós que frequentamos este espaço pudéssemos explicitar aqui uma lista, seriam centenas delas, cada um com dicas diferentes -- vide a própria sessão de comentários do post do The Blog Supreme, onde alguns leitores deixaram listas bem interessantes. Mas a lista em questão é, enfim, um prato cheio pra quem tem sede de novos sons, pra quem gosta de estar antenado ao que anda acontecendo de novidade no jazz contemporâneo. Ademais, nós aqui no Farofa Moderna também fazemos nossa lição de casa: pra quem quer saber quais novos sons abordamos em 2010, é só entrar na sessão LANÇAMENTOS para ter acesso às respectivas resenhas e áudios. Abaixo o link: acesse e ouça  as respectivas dez faixas dos álbums. 

Jazz Europeu - O reduto jazzístico italiano: do bebop ao lirismo das baladas; do free jazz ao jazz contemporâneo!!!

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O UOL That Jazz, canal da Rádio do Portal UOL, apresentou recentemente um programa com ênfase na riqueza musical do reduto italiano em termos de jazz. Achei bem pertinente divulgá-lo aqui, já que uma das minhas promessas para com os visitantes do blog foi abordar mais músicos europeus, falar mais do jazz produzido no Velho Continente -- e mesmo que eu discorda que a Europa tenha suplantado os EUA em termos de jazz contemporâneo, tese estapafurdia do crítico inglês Stuart Nicholson, a idéia é apresentar alguns dos principais músicos europeus: já falamos, inclusive, do sueco Esbjorn Svensson, do francês Baptiste Trotignon, Moscow Art Trio, dentre outros. Como bem salientou Rodrigo Barradas, o apresentador do programa, o reduto jazzistico italiano desenvolveu-se de forma consistente mesmo não recebendo uma imigração intensa de músicos norte-americanos, como aconteceu na Dinamarca e na França, por exemplo. O programa, que abre com o legendário trompetista Enrico Rava, aborda do bebop, passa pelo free jazz até chegar ao jazz contemporâneo -- não necessariamente nessa ordem e lembrando que, sobretudo, o free jazz foi, desde sempre, a influência mais determinante para o desenvolvimento do jazz italiano após os anos 60. Abaixo, a sequencia de faixas. Ouçam!


01. Enrico Rava - "Happiness is to win a big prize in cash" (Rava) (9:19)
02. Nunzio Rotondo - "Noi e Loro" (Rotondo) (4:49)
03. Eraldo Volonté Quartet - "On Green Dolphin Street" (Washington) (8:20)
04. Bonafedegruppo Jazz - "Verano" (Trovesi) (8:27)
05. Tullio de Piscopo – "Garrison My Dear" (Piscopo) (6:52)
06. Gil Cuppini Big Band – "Well Said!" (Cuppini) (5:12)
07. Giorgio Gaslini Big Band - "All Origine" (Gaslini) (6:17)
08. Claudio Fasoli – "Days Off" (Fasoli) (6:14)
09. Piero Bassini Quartet – "One for Solitude" (Bassini) (6:48)
10. Paolo Fresu - "Goodbye Pork Pie Hat" (Mingus) (4:45)
11. Enrico Pieranunzi - "In That Dawn of Music" (Pieranunzi) (7:39)
12. Enrico Rava e Aga Taura Confab - "Chico" (Chivo Borraro) (14:56)




Renee Rosnes Quartet Live At The Village Vanguard

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Ela é uma das grandes "divas" da verve instrumental do jazz mainstream -- podendo ser, aliás, de uma grandeza tão considerável quanto as de outras grandes legendas femininas como, por exemplo, a veterana Geri Allen, pianista do estilo do M-Base --, mas aqui no Brasil é muito pouca conhecida entre os amantes do gênero. Nos anos 90, ela foi uma das discretas "young lions", chegando a ser muito requisitada para acompanhar novos e veteranos músicos como Joe Henderson, Wayne Shorter, J.J. Johnson, Branford Marsalis, Roy Hargrove, dentre muitos outros. Ela também tem uma carreira solo já concretizada em mais de uma dezena de discos, sem contar as gravações colaborativas. Com uma reputação e carreira já bastante celebradas -- ainda que ela seja discreta e de pouco estrelismo --, esposa do pianista Bill Charlap e pianista efetiva do grande coletivo San Francisco Jazz Collective -- que já abrigou feras como o trompetista Nicholas Payton, o saxtenorista Joshua Redman e o vibrafonista Bobby Hutcherson e agora conta com outros feras como o trompetista Dave Douglas, o altoísta Miguel Zenon, o saxtenorista Joe Lovano e o vibrafonista Stefon Harris --, a canadense Renee Rosnes não é um apenas um toque de beleza num meio de marmanjos virtuoses; e muito menos é uma instrumentista mediana que acabou sendo superestimada no meio musical. Se na mídia especializada seu nome não aparece no top dos rankings e das listas, entre os músicos ela é uma unanimidade: seus dedos destilam improviso e sua energia, quando alçada ao êxtase, pode ser comparada à energia de um Kenny Kirkland ensandecido.


Seu mais recente projeto, além dos discos e da maratona de shows que tem realizado com o SF Jazz Collective, é o disco em duo com o marido, lançado recentemente em 2010 pela Blue Note: trata-se do álbum Double Portrait, um dueto de pianos, onde esposa e marido exploram o improviso em torno de temas de grandes compositores do jazz (como, por exemplo, Wayne Shorter e Joe Henderson) e do songbook do pop tradicional americano (como George e Ira Gershwin, Howard Dietz e Arthur Schwartz). Para quem quiser acompanhar a destreza da moça, o link abaixo dá acesso para uma performance musical sua no lendário clube Village Vanguard (gravado pela NPR, National Public Radio). E vejam só quem são os feras que a acompanham: o vibrafonista Steve Nelson, o contrabaixista Peter Berstein e o baterista Lewis Nash -- só alguns dos monstros movidos a adrenalina. Ouçam! Os temas são:

"Summer Night" (Warren)
"Traveling Blues" (Tyner)
"Supper Time" (Berlin)
"Mirror Image" (Rosnes)
"Travessia" (Nascimento/Brant)
"Let The Wild Rumpus Start" (Rosnes)
"Mr. Gentle and Mr. Cool" (Ellington/Baker



Jazz & Art: Romare Bearden, Stuart Davis, Mondrian, Matisse, Pollock and others!

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O Jazz at Lincoln Center, de Nova York, sob a direção do trompetista, compositor e diretor artístico Wynton Marsalis, tem apresentado, nos últimos anos, uma série de concertos -- com músicos e compositores convidados atuando junto à sua magnífica Lincoln Center Jazz Orchestra -- chamada Jazz and Art, a qual mostra a intersecção das artes plásticas com o jazz: enfatizando tanto pintores que se inspiraram no jazz, como Henri Matisse, Stuart Davis e Romare Bearden, bem como em compositores do jazz que se inspiraram ou se inspiram em pintores, tais como Duke Ellington fez em "Degas' Suite" e Ted Nash fez Portrait in Seven Shades", uma suíte de sete peças inspiradas em Monet, Matisse, Van Gogh, Pollock, Chagall, Dalí e Picasso, obra encomendada pelo próprio Wynton e patrocinada por sua instituição a partir de 2007 (inclusive,  há uma resenha aqui no blog sobre o compositor e a obra, bem como vídeos e aúdios para escutar as peças). A série é um sucesso de público e crítica: além de apresentar novas composições, fomentando o universo lúdico e imaginário dos compositores encomendados, tem como base um propósito pedagógico de "educar" o público, traçando paralelos criativos entre as duas artes. Na sessão do Jazz at Lincoln Center Radio já foram colocados dois programas: Jazz and Art I -- programa dedicado estritamente para apresentar a mega composição Portrait In Seven Shades, de Ted Nash -- e Jazz and Art II -- esse apresentando composições inspiradas em outros pintores, tais como Mondrian, Romare Bearden, Stuart Davis, dentre outros. Clique nos links abaixo para ouvir tais programas. E, caso queira saber mais sobre esses e outros pintores, bem como sobre as relações entre a arte do jazz com a arte da pintura, clique na tag "Jazz e Artes Plásticas" e/ou clique nas imagens apresentadas neste post. Boa Viagem!

110 St. Harlem Blues - Romare Bearden (Collage)

Music is like a painting that exists in time; painting is like music that exists in space. Bill Frisell, Papo Vazquez, Doug Wamble and the Jazz at Lincoln Center Orchestra create musical portraits inspired by the paintings of Romare Bearden, Stuart Davis, Piet Mondrian and more. Join us for this exciting mediation on the art of creation. Hosted by Wendell Pierce.



Les Codomas ( for "Jazz") - Henri Matisse

From the "Utility Wild Man" of the Jazz at Lincoln Center Orchestra - saxophonist Ted Nash - a commission inspired by 20th century paintings from the Museum of Modern Art in New York. Nash renders Monet, Van Gogh, Dali, Matisse, and more in the language of jazz - from the canvas to the stage in seven movements. Hosted by Wynton Marsalis.

Monty Alexander: a conexão musical entre Kingston, Jamaica, e o Harlem, EUA.

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Nunca falamos dele aqui,  mas se trata de um dos maiores pianistas de todos os tempos: o nome dele é Monty Alexander. Nascido em 1944, em Kingston, Jamaica, Monty Alexander começou sua carreira no final dos anos 60: tocou com Frank Sinatra, Milt Jackson, Dizzy Gillespie,Sonny Rollins, Quincy Jones e Ray Brown. Da Jamaica ele trouxe o gosto por diversos rítmos latino-caribenhos como o ska, o calipso, o mento e, mais à frente, o reggae. Nos EUA, passou a tocar bebop como poucos pianistas americanos eram capazes de tocar, além de se tornar um grande entusiasta do rock'n'roll, boogie-oogie e rhytm'nblues. Mas como pode um músico unir todos esses rítmos e aspectos regionais em uma carreira só? A resposta esta um programa do Jazz at Lincoln Center Radio, intitulado "Monty Alexander: Harlem-Kingston Express", apresentado pelo ator e músico Wendell Pierce. As faixas foram gravadas em apresentações nos palcos do Jazz at Lincoln Center, a House of Swing, onde pianista se apresenta em trio com o grande  baterista Herlin Riley (que se apresentou em São Paulo com Ahmad Jamal, no Bridgestone Music Festival, e foi pianista do Wynton Marsalis Septet por mais de 10 anos) e o contrabaixista Hassan Shukar. No programa há além standards do jazz, composições próprias de Alexander e músicas de  Bob Marley -- lembrando que ele já tinha feito um registro instrumental com músicas de Marley, no álbum Stir It Up: The Music of Bob Marley (1999), pela Telarc. Ouçam: está realmente interessante essa suposta conexão entre Kingston e Harlem!


The West Indies meet West Harlem when Jamaican-born pianist Monty Alexander and the Harlem-Kingston Express make a stop at the House of Swing. Alexander (who has played with Dizzy Gillespie, Ray Brown and Sonny Rollins) brings his disparate worlds and singular voice together to explore "New Calypso bebop" and "mento". He's joined by drummer Herlin Riley and bassist Hassan Shukar. Wendell Pierce hosts.



...passado o terror do ruído dissonante, a Monkmania!

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Thelonious Monk & Gerry Mulligan


HACKENSACK MISTERIOSO PANNONICA MONK'S DREAM BYE-YA BRILLIANT CORNERS BLUE MONK BEMSHA SWING ASK ME NOW CRISS CROSS EPISTROPHY FOUR IN ONE BRAKE'S SAKE MONK'S MOOD TEO WORK OFF MINOR INTROSPECTION THINK OF ONELOCOMOTIVE STRAIGHT NO CHASER SAN FRANCISCO HOLIDAY WELL YOU NEEDN'T GREEN CHIMNEYS


Quando o ruído e a dissonância vira deleite, é isso que acontece: http://monkmydear.blogspot.com/
























O blog Monk, My Dear é totalmente especializado em releituras do repertório Monkiano. Thelonious Monk, inicialmente um dissidente rechaçado do bebop e considerado até um charlatão em sua época -- por sua maneira esquisita de tocar piano, por seu bop angular e desrritimado e, principlamente, por suas harmonias dissonantes --, passou a ser um dos mestres mais cultuados do jazz após a revalorização da sua música entre o final dos anos 50 e meados dos anos 60. No início dos anos 60 o culto à Monk já era tanto que ele chegou a ser capa da famosa revista Time Magazine. Desde então, vários tributos e releituras do exótico repertório monkiano foram surgindo: no blog Monk, My Dear, inclusive, há centenas de exemplos de como Monk se tornou uma legenda muito além dos standards -- recriar Monk não é apenas interpretar uma canção como pede uma partitura de jazz, recriar Monk é se redescobrir ou descobrir algo que ainda parece estar oculto, mas que é muito precioso. Minhas releituras e tributos preferidos são estes abaixo.Visitem o blog e boa viagem!


Panamonk - Danilo PerezSteve Lacy & Don Cherry - EvidenceEsbjorn Svensson Trio plays MonkWynton Marsalis - Masalis Plays Monk




NPR: Historicity, o novo disco de Vijay Iyer, em amostra no Newport Jazz Festival 2009

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Site oficial de Vijay Iyer
Já foi falado aqui e em outros cantos -- e está mais do que claro pra todos os jazzófilos que acompanham a evolução do jazz -- que o pianista Vijay Iyer, junto à novos jovens-mestres do piano como Jason Moran e Matthew Shipp, causou um frisson na comunidade jazzistica americana, ainda acostumada com os ecos wyntonianos, e brindou o jazz contemporâneo com um novo espasmo de modernidade. O jazz de Iyer, seja com seu quarteto (onde colabora o excelente altoísta Rudresh Mahantappa) ou em trio, não é uma música de swing definível, de linhas melodiosas ou de harmonias claras: antes, é um jazz intrincado que entrelaça influências exóticas do jazz moderno -- como a harmonia monkiana, por exemplo --, influências vanguardistas -- pitadas da mística de Sun Ra, influências do estilo livre de Andrew Hill e da estética M-base de Steve Coleman -- com certas influências da música indiana, já que seus pais são indianos. Em seus discos iniciais, Vijay Iyer mostrou um estilo próprio com bases no free jazz -- deixando mais evidente a influência do peculiar estilo pianístico de Andrew Hill -- e no M-Base de Steve Coleman -- o album Blood Sutra, por exemplo, é um dos registros que mostra bem essa intrincância, esse entrelace de influências. Mas, como se não bastasse a indefinição da crítica quanto à rotulagem aos trabalhos de Iyer, o pianista também lançou trabalhos mais "elásticos", onde ele une esse seu estilo único com cortes do hip hop e spoken word: vide discos como In What Language? e Still Life with Commentator, ambos com a colaboração do rapper Mike Ladd. Já em seus discos mais recentes, Iyer mostra menos a influência do m-base e imprime uma roupagem mais próxima ao modern post-bop, soando um pouco mais "elástico" e "apreciável" -- talvez por uma imposição da sua nova gravadora, o selo ACT, a qual alçava o Esbjorn Svensson Trio à fama mundial (antes da morte do pianista-lider), e também por estar antenado, justamente, com os aspectos desse novo jazz imposto por novos pianistas como Robert Glasper e Aaron Parks e, lógico, o falecido Esbjorn Svenson, pianistas os quais desde sempre impregnaram, em seus temas, climas harmônicos e linha melódicas provenientes do rock contemporâneo, do hip hop e neo-soul (leia-se rhythm'n'blues contemporâneo).


Leia Resenha do disco no blog SoJazz
Historicity (Iyer)
Big Brother (Stevie Wonder)
Somewhere (Bernstein)
Mystic Brew (Ronnie Foster)
Dogon A.D. (Julius Hemphill)
Our Lives (Iyer)
Smoke Stack (Andrew Hill)



Vijay Iyer - piano, leader
Stephan Crump - bass
Marcus Gilmore - drums



Listen Now: Vijay Iyer Trio at Newport 2009




Com um trio que já começa ganhar credibilidade e reconhecimento -- formado com o contrabaixista Stephan Crump e o baterista Marcus Gilmore --, Vijay Iyer vem apresentando seu estilo ao grande público com mais veemência e flexibilidade: fazendo se valer não só de temas de compositores da vanguarda passada e das suas composições intrincadas, mas também usando temas do pop e rock contemporâneo que vai de Stevie Wonder à cantora pop M.I.A. Afora a homenagem ao lendário Dave Brubeck, a 55ª edição do Newport Jazz Festival 2009, fez questão de mostrar ao público somente legendas que estão caracterizando esse novo jazz norte-americano que parte do neo-bop do tradicionalista Branford Marsalis, passa pelo novo fusion da pianista Hiromi Uehara e aporta-se no pop vanguardista da banda The Bad Plus: e no meio de todos esses panteões do jazz contemporâneo, lá estava Iyer com seu trio, mostrando que esse frescor atual também surge com a contribuição do seu estilo único, o qual injetou um novo marco de modernidade nas produções jazzísticas atuais. A sua atuação em trio no Newport Jazz Festival 2009 consistiu em divulgar o repertório do seu novo disco, o Historicity, lançado também em 2009. No repertório eclético, o qual Iyer transfigura para mostrar sempre sua marca inconfundível, há, além das suas próprias composições, temas de Julius Hemphill, Stevie Wonder, Leonard Berstein e da cantora pop M.I.A. Para quem quiser, então, conferir como é o rosto do novo disco de Vijay Iyer, chamado Historicity, ouça sua atuação na 55ª edição do Newport Jazz Festival transmitido pela rádio FM WGBH de Boston e disponibilizado pela NPR (rádio pública americana): clique no link acima e se deleite com 60 minutos de puro improviso. E, por favor, depois, se tú gostar, compre o disco, né!!!

Outros Excelentes Sites Informativos (mais sites nas páginas de mídia e links)