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Jazz Contemporâneo - Retrospectiva 2000-2010: os principais músicos da década (e do século 21)!!!


Nos últimos meses de 2010 -- e continuando no início de 2011 --, comecei a publicar no blog da MTV, uma sequência de posts com áudios e resenhas sobre os álbuns, projetos e músicos os quais considero mais importantes para a primeira década deste século. Se nas décadas de 80 e 90, o trompetista Wynton Marsalis protagonizou e liderou sua geração rumo à conscientização em prol da manutenção da tradição e cultura do   jazz, a década de 2000 já trouxe uma linha diferente de jazzistas: jovens músicos que, a despeito da rígida e erudita formação universitária, cresceram ouvindo variações pós-modernas de rock, pop e hip hop e, portanto, eles passaram a mostrar tais influências em suas obras. A lista de nomes que divulgo abaixo, reflete minha apreciação e observações pessoais, mas também tenta passar um reflexo da abordagem da mídia especializada -- portanto, caro leitor, tento ser o mais imparcial possível, ainda que minha preferência lhe possa parecer protagonista e arbitrária. Mas seus protestos e suas sugestões são, desde já, muito bem vindos! A pergunta é a seguinte: Quais foram os músicos e quais foram os álbuns que realmente trouxeram novos sons ao que se convencionou chamar "jazz contemporâneo"? Bem...vamos lá...

Pois bem. Ao terminar 2010, encerramos a primeira década do século 21. E o que isso significa em termos de jazz? Resposta: significa que -- ao contrário do anúncio da sua morte, decretada por Miles Davis, quando ele se debandou para as vias do rock, da parafernália eletrônica e do pop, na década de 70 -- o jazz chegou em seu centenário  mais vivo do que nunca: desta vez, ele superou seu desafio de conseguir  manter-se autêntico e, ao mesmo tempo, multiplicar seus tentáculos, impondo-nos um surto de ecleticidade que dispensa verdades absolutas e delimitações exatas do que venha a ser um determinado estilo de jazz -- straight-ahead,  neo-bop, m-base, modern post-bop, modern creative, improvised music foram alguns dos rótulos criados pela crítica especializada para denominar e caracterizar os estilos vigentes no universo do jazz contemporâneo, mas delimitá-los e explicá-los não é tarefa de ninguém mais, senão dos próprios músicos, críticos e estudiosos; para o ouvinte despretencioso, o necessário -- e interessante -- é encarar o jazz como uma linguagem universal e curtir as novidades que vão surgindo, sem se bitolar com a "matemática" dos rótulos ou conceitualizações que venham lhes dar um nó no cérebro. Aliás, as próprias audições de álbuns de estilos diferentes, quando constantes ou regulares, já ajudam o ouvinte a ir diferenciado um estilo do outro de forma natural e sem frustrações -- e essa experiência tende a ser ainda mais eficiente quando adicionada ao hábito da leitura de notas, resenhas e biografias acerca dos músicos, seus estilos e seus projetos, bem como regulares idas às shows e concertos. Ou seja, a essência do jazz não é ser uma música pop, uma modinha ocasional, uma música ambiente ou algum tipo de música de entretenimento, mas ele é, por natureza, uma música de constante atenção e pesquisa: tanto para o músico e crítico quanto para o ouvinte. Para quem não tem preguiça e dispõe de curiosidade, há uma multidão de músicos -- tanto 'inovadores' como 'renovadores' do jazz -- que estão aí para serem investigados (muitos dos quais, podem ser encontrados em resenhas, downloads e citações aqui no Blog Farofa Moderna): abaixo cito alguns deles!


Fazendo uma retrospectiva do que aconteceu no jazz nesta década, concluímos o seguinte: a década de 2000 foi a década do piano!  Se formos citar só os novos e principais pianistas que foram responsáveis por grande parte das novidades ocorridas no jazz nos últimos anos -- e que foram consideravelmente documentados pela mídia especializada --, teremos aí, mais ou menos, uma dezena deles, todos distintos entre si: Jason Moran, Brad Mehldau, Hiromi Uehara, Matthew Shipp, Vijay Iyer, Satoko Fujii, Ethan Iversson (do trio The Bad Plus), Robert Glasper, Esbjorn Svensson, Gerald  Clayton, Aaron Parks, David Kikoski e Aaron Goldberg -- isso pra não citar os veteranos progressistas ou aqueles que se adaptaram à contemporaneidade, tais como Ahmad Jamal, Andrew Hill (que, após ser esquecido, ganhou visibilidade no início dos anos 2000), Geri Allen, Herbie Hancock, Chick Corea, Keith Jarrett, Marilyn Crispell e Fred Hersch.

Talvez, a bateria, depois do piano, seja o instrumento que mais se beneficiou de uma linhagem nova de bateristas, pois além do trabalho contínuo de alguns e da evidência de outros que já atuavam na década de 80 e 90, tais como Jeff "Tain" Watts, Lewis Nash, Matt Wilson, Hamid Drake, Brian Blade, Gerry Hemingway, Bill Stewart e John Hollenbeck, surgiram novos e instigantes bateristas como Jamire Williams, Ali Jackson, Kendrick Scott, Nasheet Waits, Terreon Gully e Eric Harland, todos esses representantes do novo jazz do século 21.

Os saxofones -- tenores, altos, sopranos, barítonos -- não tiveram os anos 2000 como a melhor década no quesito do surgimento de tantos novos instrumentistas. Mas houve músicos e trabalho interessantes: tanto no que diz respeito aos veteranos como aos saxofonistas que foram revelados nos anos 80 e 90. Tivemos o trabalho contínuo daqueles que outrora foram chamados de neo-conservadores e "young lions", tais como Branford Marsalis, James Carter e Joshua Redman, bem como a evidência de saxofonistas da linhagem do post-bop como Ted Nash, Ravi Coltrane, Chris Potter, Mark Turner e Seamus Blake. Na seara do free jazz  e do modern creavive, o brasileiro Ivo Perelman e o revelador saxofonista Ken Vandermark, os quais já vinham atuando desde a década de 90, atingiram, nesta década, ainda mais expressividade. Afora esses, veteranos como Joe Lovano, Wayne Shorter, Sonny Rollins, Ornette Coleman e David S. Ware lançaram projetos de grande visibilidade na mídia especializada. Já Steve Coleman, o grande inovador do M-Base, teve mais seu legado ampliado como uma voz influente do que brilhou como bandleader ou instrumentista. Greg Osby também seria um dos que não tiveram grande êxito, mas ainda, ainda assim, foi bem representativo com um ou outro álbum.


Os trompetistas também não tiveram nesta década a sua melhor fase. Talvez, o trompetista de melhor fase foi Dave Douglas que, apesar de passar a priorizar uma linhagem mais mainstream, continuou a lançar trabalhos ecléticos na linhagem do modern creative. Mas devemos lembrar também de trompetistas que  não tiveram visibilidade, mas lançaram trabalhos interessantes: Ralph Alessi e Alex Sipiagin são dois exemplos. Já Wynton Marsalis brilhou mais como compositor, bandleader e indutor de projetos do que como instrumentista. Terence Blanchard também foi um dos jazzistas que mais brilharam nos anos 2000, lançando uma sequência de discos bem aclamados e também ganhando prêmios como compositor e solista. Roy Hargrove e Nicholas Payton não tiveram tanta visibilidade quanto nos tempos dos "young lions", mas lançaram, cada um, um ou outro trabalho que contribuíram para a contemporaneidade do jazz. Afora esses, surgiram novos trompetistas como Irving Mayfield, Jeremy Pelt, Christian Scott (considerado a principal revelação da década) e Maurice Brown. Na seara avant-garde devemos lembrar de Taylor Ho Bynum e Peter Evan.

Os contrabaixistas não tiveram seu pior período, mas muitos deles ficaram na obscuridade. Afora toda a atenção que é dada para o ex-young lion Christian McBride e o veteraníssimo Dave Holland, evidenciou-se excelentes contrabaixistas da linhagem post-bop como Ben Allison, Avishai Cohen, Scott Colley, Omer Avital, Vicent Archer, Stephan Crump, Ben Williams, Larry Grenadier, Esperanza Spalding, dentre outros. Mas veteranos, como os frejazzers Mario Pavone e William Parker, também conseguiram se situar e lançar trabalhos interessantes.

A respeito do jazz cantado, tivemos uma grande renovação no gênero através de trabalhos interessantes de cantores como Kurt Elling, Cassandra Wilson, Diana Krall, as brasileiras Luciana Souza e Ithamara Koorax, Jamie Cullum e as novas musas reveladas nos últimos anos tais como Roberta Gambarini, Esperanza Spalding  Gretchen Parlato, Melody Gardot, dentre outras

Já em relação aos outros instrumentos podemos citar dois ou três nomes à cada um deles: de guitarristas cito Peter Berstein, Bill Frisell e Kurt Rosenwinkel; de flautistas cito a grande Nicole Mitchell; de violinistas cito  Regina Carter e Mark Feldman; de clarinetistas cito Anat Cohen e Don Byron; de vibrafonistas cito Stefon Harris, Joe Locke e Steve Nelson; de bandleaders e big bands cito Wynton Marsalis e sua Lincoln Center Jazz Orchestra, a Mingus Big Band, o Large Ensemble de John Hollenbeck, a Maria Schneider Orchestra e, mais recentemente, Darcy James Argues. 

Ademais, é possível que jazzófilos ainda mais antenados consigam citar diversos outros nomes os quais  consideram representativos para o século 21: tanto enquanto sidemans como enquanto líderes de projetos -- sintam-se a vontade para cita-los na sessão de comentários. Mas se você, caro leitor que se considera um jazzófilo inveterado, ainda não conhece suficientemente boa parte dos tais músicos citados, eis uma consideração sincera a fazer: talvez você despreza o jazz contemporâneo, e talvez você o faça porque ainda ainda não enxerga o jazz como uma arte que, embora atemporal, é sumariamente evolutiva; talvez você ainda esteja preso aos velhos panteões, aos estilos dos anos 40, 50 e 60, mais propriamente nos estilos do swing, bebop e hard bop. Caso queira se inteirar sobre o  jazz contemporâneo, produzido entre 2000 e 2010, eis aqui neste post uma singela lista de nomes a procurar: aliás,  alguns desses nomes também já foram ou serão abordados em nossos programas de podcasts (basta acessar a sessão PODCASTS para ficar por dentro dos sons). Esqueçam as velhas limitações conservadoras, esqueçam as velhas guerrilhas entre mainstream e  avant-garde, considerem os rótulos apenas como endereços e variações estéticas -- e não como verdades que delimitam o tempo e autencidade de um gênero musical -- e boas pesquisas!!! 

7 comentários:

fabricio vieira disse...

caro Pitta,

Oportuno e relevante seu post e listagem: sempre bato na tecla de que o jazz/free jazz e cercanias seguem ativos e criativos: “Deixem o Coltrane em paz”, como bem disse (título de uma de suas últimas composições) o Michel Leme...

É claro que sua lista, abrangente e cuidadosamente garimpada, não é ou seria igual a minha. Queria apenas apontar alguns ‘pecados’ (hahaha, pecados para mim, que fique claro) nas suas lembranças: há três figuras que surgiram/se firmaram dos 90s para cá e que são hoje, no meu entendimento, peças emblemáticas da música no século XXI e que acabaram por não ser citadas por vc:

1) o guitarrista americano Joe Morris, que criou um código novo (sem ser abstrato como o Derek Bailey) e tem gravado discos fundamentais e belíssimos, renovadores da guitarra free/jazzística;

2) o baterista norueguês Paul Nilssen-Love, parceiro constante do Vandermark, genial;

3) e o saxofonista sueco Mats Gustafsson, que considero um dos maiores do instrumento na atualidade.

ah, e de big band faltou o Chicago Tentet, do Broztamnn (que sei que vc não simpatiza muito... mas fica a citação...).

abs,
Fabricio

fabricio vieira disse...

ps: apenas para arrumar o 'Brötzmann', que saiu truncado no comentário anterior...

Vagner Pitta disse...

...

Fabricio, agradeço, como sempre, em muito suas dicas e seus comentários, pois eles acabam complementando e enriquecendo o conteúdo do post...

Sim, confesso que esqueci de tais nomes, principalmente do Mats e do Nilssen-Love, os quais até estive ouvindo recentemente, muito em função das suas abordagens lá no Free Form. Aliás, foi mesmo um pecado, pois um dia antes do show do Ken Vandermark eu ouvi o ótimo disco Dual Pleasure...rs...

Já o Joe Morris, confessso que ainda não o ouvi com profundidade...

Valeu, então, por nos lembrar!

Clayton Muriatti disse...

Vagner, vc também esqueceu dos organistas.

citaria dois

John Medeski e Lonnie Smith


Abraço

Namaguideras disse...

Citaria 2 músicos que, apesar de não serem especificamente jazzistas, constantemente flertam com o gênero: o guitarrista Marc Ribot e o compositor e saxofonista John Zorn.

Valeu pelas dicas, Vagner!

Luiz E. Galvão

Vagner Pitta disse...

...

Poxa, Clayton! Podes crer, esqueci dos organistas! hehehe...valeu por nos lembrar!

Eu citaria ainda Joey DeFrancesco, que tem lançado trabalhos interessantes tbm


Agora, Luiz...

conforme tava conversando outro dia com o Akira, nosso colega aqui do blog, o John Zorn é um cara anormal, né:

a cada ano ele lança uns 10 projetos que dispensa comentários, e isso ja vem desde a década de 90, ou seja, seria redundância dizer que o Zorn é um dos grandes músicos da década: ele é não só da década, mas nos últimos 30 anos!!!


Já o Marc Ribot também acho muito interessante e esqueci de relacioná-lo

Muito obrigado, Luiz, por nos lembrar!

Abraço a todos!

Rudemangueboy disse...

Essa retrospectiva foi muito boa, e é uma pena que este blog não seja uma revista mensal, daquelas de dar orgulho de por na mesa da sala e depois colecionar. conheço o blog a pouco tempo, e ainda estou lendo devagar todas as matérias que me interessam. Lendo esta matéria quando você começou a enumerar os artistas dessa decada percebi que você não citou nenhum souzafonista. Procurei de cabo a rabo no blog e percebi que realmente não matérias sobre nenhum. apesar de a maioria das Brass bands que se destacam na atualidade e chegam a aparecer na mídia são de funk, sei que ainda há boas bandas de jazz lá em New Orleans, e algumas européias. gostaria de sugerir uma matéria sobre as brass bands antigas e contemporâneas. Desde já, grato pela atenção e parabéns pela altíssima qualidade dos textos do blog. Um tardio voto de feliz ano novo e tudo de bom.

Outros Excelentes Sites Informativos (mais sites nas páginas de mídia e links)