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Podcast - A expressividade dos saxofones na história do Jazz. Seis saxofonistas: de John Coltrane à Joshua Redman.

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Este programa de podcast, gravado em meados de 2009 no Portal MTV, aborda a família do saxofone com saxofonistas de vários estilos e épocas, partindo do jazz moderno e englobando o contemporâneo.  Aqui apresento seis saxofonistas -- três, pioneiros do jazz moderno; e três pioneiros do jazz contemporâneo -- em quatro tipos diferentes de saxofone -- sax alto, sax tenor, sax soprano e sax barítono --, fazendo um link entre passado e presente. Sabe-se que se o trompete -- instrumento de sonoridade intensa, aguda e poderosa -- teve uma trajetória determinante para o início do jazz e para o início da sua modernidade enquanto música-arte dotada de técnica, o saxofone, por sua vez, foi o instrumento mais expressivo e dinâmico deste gênero,  aquele que, inicialmente atrelado ao romantismo jazzístico, seria o responsável pelas principais mudanças estéticas do gênero a partir dos anos 50:  isto é, hoje em dia o saxofone já não é o principal instrumento do jazz -- talvez por causa   da banalização que o mesmo sofreu nas últimas décadas do século XX, através de músicos que aderiram às estéticas comerciais de sonoridade melosa e brega --, mas nas décadas de 40, 50 e 60 foram principalmente os saxofonistas -- Lester Young, Charlie Parker, Sonny Stitt, Sonny Rollins, John Coltrane, Ornette Coleman, dentre tantos outros -- quem embalaram as gigs e ditaram as mudanças que esta música sofreu eu seu apogeu já com áurea de principal arte musical americana da era moderna. Uma curiosidade é que o naipe do saxofone era o que mais tinha duelos entre os músicos, bem como diversidade de estilos e sonoridades: isto é, enquanto Charlie Parker, Sonny Rollins e John Coltrane levavam a galera dos jazz clubs à histeria com seus vôos pirotécnicos através de um bebop veloz e intrincado, românticos como Lester Young e Paul Desmond eram capazes de fazer a galera chorar, tamanha a expressividade melódica e a sonoridade "cool" e suave que conseguiam emitir.

A Love Supreme, com John Coltrane em Antibes: vídeos raros !!!

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A suíte espiritual A Love Supreme é uma das obras mais cultuadas - senão a mais cultuada - da discografia de John Coltrane. O disco, composto pelo legendário quarteto de Trane no final de 1964 e lançado no mercado em 1965, talvez seja o mais mitológico registro da história do jazz no que se diz respeito à atrelar a alma, a inquietação e evolução de um músico à sua própria obra: é uma devoção pessoal de Trane à sua concepção do Deus, o Criador, além de mostrar as características singulares da interatividade entre os membros de um quarteto que foi, no mínimo, um dos maiores combos da história do jazz. Os músicos do quarteto são o próprio Trane no sax tenor, McCoy Tyner no piano, Jimmy Garrison no contrabaixo e Elvin Jones na bateria, e o selo pelo qual a obra foi lançada foi a lendária Impulse Records, tendo a masterização do engenheiro de som Ruddy Van Gelder, que operava num estúdio próprio situado em Englewood Cliffs, New Jersey. Além da gravação em estúdio, Coltrane ainda tocaria partes da suíte em um concerto ao vivo no Festival de Antibes, na França, em 27 de Julho de 1965: foi o único concerto ao vivo onde o quarteto tocou partes da obra. Para a alegria dos que não viveram na França em 1965, já se tinha a notícia de que um vídeo com partes da A Love Supreme fora gravado em Antibes (aliás, já era possível apreciar partes do legendário concerto em vídeos incompletos no Youtube, ainda que em péssimas resoluções), mas, até então, era um videotape raro que apenas parecia estar perdido ou que "um ou dois" colecionadores mais articulados possuíam em bom estado de resolução. É verdade que o concerto chegou a ser editado em discos de áudio, e nesse caso as partes da suíte estão inclusas: basta apenas procurar pelos registros Live In Antibes 1965 do selo French Radio Classic Concerts, Live In Antibes 1965 do selo LeJazz (relacionado à Charly Records) ou pela própria edição de luxo da Impulse! (reeditada recentemente em sincronia com o livro A Love Supreme: A Criação do Disco, de Ashley Kahn); porém, o suposto vídeo com A Love Supreme, na resolução original, estaria perdido nas mãos de algum colecionador ou nos arquivos da National Audiovisual Institute (INA) em Paris. Contudo, um usuário acaba de disponibilizar o documento cortado ao meio em dois vídeos com pouco mais de 12 minutos e em ótima resolução: trata-se das partes Acknowledgement e Resolution sendo tocadas pelo quarteto de Trane, justamente as partes do legendário concerto em Antibes que estavam perdidas; há um corte no solo de improviso de McCoy Tyner na parte "Resolutions" e a terceira e quarta partes, Pursuance e Psalm, não estão inclusas, mas não deixa de ser um grande achado - poder apreciar em um bom vídeo o quarteto de Trane tocando duas partes da sua obra mais mitológica é uma ótima oportunidade. Ademais, para complementar suas coleções dessa fase post-bop e avant-garde de John Coltrane - falo dos discos originais pela Impulse!, o livro do Ashley Kahn, mais esses vídeos que podem ser baixados no Youtube - os coltraneanos mais fanáticos poderão tentar adquirir o DVD lançado pela Disconforme ao preço de 18.95 dólares: neste há uma compilação de vídeos tais como o próprio concerto do Antibes Jazz Festival, em 27/07/65 ( com duas das faixas restantes - afora as partes da A Love Supreme -, Naima e Blue Valse), há tambem o vídeo do concerto de Baden Baden, Alemanha, em 04/12/61 (com as faixas My Favourite Things, Everytime We Say Goodbye, Impressions) e o vídeo do concerto de San Francisco, em 07/12/63 (com as faixas Afro-Blue, Alabama, Impressions). Acredito que as pessoas de bom senso, que dispõe de alguns trocados para seus hobbys, sempre compram - pelo menos quando o bolso permite comprar - esses e outros registros preciosos de Jazz, ao invés de apelar ao comodismo dos downloads na internet. No entanto, como sabemos que nem todos podem se dar ao luxo de criar coleções comprando CD's à preços exorbitantes, o blog Farofa Moderna disponibiliza downloads de alguns registros históricos: caso queira baixar a A Love Supreme em áudio, basta clicar na tag "John Cotrane" abaixo deste post e baixar este e outros registros do mestre saxtenorista.

Assista também Impressions, com Coltrane em Antibes e muitos outos vídeos: acesse a minha seleção de vídeos no Multiply >

A Love Supreme – A Criação do Álbum Clássico - 2002

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Há músicos que, não bastassem ser exímios intérpretes de seus instrumentos, criam sua linguagem, inovam, rompem fronteiras e projetam sua influência para além de suas próprias vidas. O saxofonista norte-americano John Coltrane (1926-1967) foi um desses talentos e um dos grandes momentos de sua inventividade e virtuosismo está no álbum A Love Supreme, lançado em 1965. O disco é considerado por muita gente – muita mesmo – como sua obra-prima. Lançado em 2002 nos Estados Unidos e em 2007 aqui no Brasil pela editora Barracuda, A Love Supreme – a Criação do Álbum Clássico de John Coltrane, do jornalista, produtor e professor americano Ashley Kahn, não só traz minúcias sobre a gravação do famoso álbum como reúne importantes dados biográficos e profissionais de Trane em toda a sua trajetória. Kahn também é autor de outro livro sobre um disco não menos importante do jazz: A Kind of Blue, do trompetista Miles Davis. Não vou entrar em detalhes sobre os escritos de Kahn sobre Trane, mesmo porque são muitos. Melhor mesmo é se debruçar sobre a publicação e se deleitar com informações sobre as gravações, o clima em que ocorreram, técnicas usadas e várias novidades. Ashley dedica páginas a falar do excelente momento pessoal pelo qual John Coltrane passava quando gravou A Love Supreme, livre das drogas e mergulhado na espiritualidade. O A Love Supreme do título (amor supremo, em português) é uma oferenda e um agradecimento do instrumentista à sua concepção do Deus Todo Poderoso. De certa forma o álbum representou um retorno às suas raízes religiosas. Religioso ou não, impossível um ouvinte manter-se insensível às quatro fenomenais partes da música, de uma beleza de improvisos, harmonias e melodias de ímpares. Por um lado, além do espiritual, o álbum significou um rompimento de barreiras que sinalizaram para os caminhos de liberdade musical que ele tomaria a partir de então, chame-se isso de Avant-Garde, Free Jazz, New Thing ou o que seja. Não à toa, os rumos explorados por Trane serviram de referência naquele momento em que se clamava por caminhos mais justos nos Estados Unidos. Coltrane e sua arte viraram um dos símbolos na luta de ativistas políticos, jazzistas experimentalistas, roqueiros e vários outros. Kahn ainda enfoca figuras centrais no álbum, como os instrumentistas do famoso quarteto de John, o pianista McCoy Tyner, o baixista Jimmy Garrison e o baterista Elvin Jones, com o produtor Bob Thiele e o engenheiro de som Rudy Van Gelder. Fora todo o manancial de textos sobre A Love Supreme, o livro narra momentos importantes de Coltrane que precederam o revolucionário álbum, como a fase tumultuada e ao mesmo tempo extremamente produtiva do ponto de vista musical em que integrou a banda de Miles Davis, com o qual gravou discos como Kind of Blue. O autor escreve também com destaque sobre os rumos tomados depois do disco que é considerado sua obra-prima, em que seguiu pela estrada do free jazz, com a colaboração de músicos como o saxofonista e flautista Pharoah Sanders, até sua morte, vítima de um câncer de fígado. Com base em pesquisas e depoimentos com músicos que tocaram com Coltrane, de familiares, como a pianista e esposa Alice Coltrane, falecida recentemente, e até de roqueiros como Patti Smith, Carlos Santana e Bono, Ashley Kahn traça um painel do enorme leque de seguidores do som do saxofonista. Destacaria ainda informações do livro como a existência de uma segunda sessão de A Love Supreme, nunca lançada, que contou com a participação do saxofonista Archie Shep e do baixista Art Davis, e a única performance completa da peça, na cidade francesa de Antibes, em 1965. Alías, o material do show na Riviera Francesa saiu em CD. A peça tem 48 minutos, 18 a mais que a versão de estúdio. Gostaria de agradecer aos meus amigos Alessandro, Tatiana, Luci, Clara, Heloísa, Giovana, Márcia e Regina por terem me presenteado com esse excelente livro, uma viagem informativa e emocional na arte de um dos gênios imortais da música. Salve, Coltrane!. As fotos foram tiradas pela Enid Farber Fotography na noite do dia 11 de Dezembro de 2002 - NYC, no lançamento do Ashley Kahn's Making Love Supreme, livro com tragetoria e desempenho do album A Love Supreme de John Coltrane. Uma leitura obrigatoria pra que gosta ou deseja conhecer o perfil de um dos clsssicos do jazz. Fonte: Tijoloblog (Livro aborda obra-prima de Coltrane, por Marcelinho 31/07/2008) . Boa leitura.

Boa leitura - Namastê.
Colaboração: Borboletas de Jade


One Down, One Up: Live at the Half Note - John Coltrane 1965

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O legado de Trane para o jazz é caracterizado por uma magistral criatividade, com a qual estabeleceu, de forma ímpar, marcos discográficos que entraram para a esfera de "divisor de águas", de forma que até podemos enchergar o "espírito do jazz" antes e depois de Coltrane: e aí nesse período podemos ver o quanto o jazz evoluiu no quesito "espiritualidade" e improvisação. O albúm duplo "One Down, One Up", da fase áurea de John Coltrane com seu Quarteto clássico, reflete isso com soberba maestria, mostrando a genialidade que marcou sua "ascenção cósmica", como ele mesmo se auto-caracterizava e dizia das suas musicas.

Gravado em 26 de Março de 1965 (no primeiro albúm) e 07 de Maio do mesmo ano (no segundo) nos palco da Half Note Club em New York, e transmitido por radio difusão (moda da epoca) em duas parte no total de 45 munitos cada, este disco mostra o clássico John Coltrane Quartet (John Coltrane - sax tenor e soprano, McCoy Tyner - piano, Jimmy Garrison - baixo acustico e Elvin Jones - bateria) no auge da sua atuação, com uma gravação de ótima qualidade, além do som alto e puro. "One Down One Up" traduz bem a linha que Trane empregou no classico "A Love Supreme" de 64, onde a Impulse Records o deixou à vontade para que ele compusesse a partir do seu talento e das suas idéias, criando e inovando a partir de um sopro e fraseado único já marcado por sua ascendência free e espiritual ( lembrando que Trane também passou pela
Prestige,Blue Note e Atlantic).
A minha única queixa, se é que posso aqui expressar, é a locução de Alan Grand que vai ditando as faixas que se seguem, pois ele realmente acaba falando muito, matando um pouco do espaço de tempo dos musicos e dos temas. A qualidade da gravação ao vivo aqui é excelente. Tudo é em estéreo, e, apesar do aspecto da sonoridade prístina, as faixas soam bem densas aos ouvidos mais puristas. Vê-se, portanto, que a Impulse fez um excelente trabalho quando transferiu os sets para este album, considerando que a gravação da transmissão radiofonica foi realizada em rolos. Enfim, se você já é um fã de Trane, este ábum é mais um registro do "power quartet" para guardar em sua estante. Se há alguém que ainda não descobiu John Coltrane, fica aqui um excelente exemplo de um show de talento com este quarteto clássico, entre tantos outros bom albuns de Trane que estão disponíveis aqui. Nas palavras de Mike Canterino, fundador da Half Note (estensão da Impulse), encerro essa resenha - "I Just Wanted The Music And to Let The Guys go Ahead And do What They Want to do." Relançado em 11 de Outubro de 2005 pelo selo Classic/Impulse.

01 - Introduction And Announcements (Alan Grand)
02 - One Down, One Up
03 - Announcements
04 - Afro-Blue

01 - Introduction And Announcements (Alan Grand)
02 - Song Of Praise
03 - Announcements
04 - My Favorite Things

John Coltrane - Sax. Tenor & Soprano
McCoy Tyner - Piano
Jimmy Garrison - Baixo Acustico
Elvin Jones - Bateria

downlod CD1
downlod CD2

 

Bags & Trane - John Coltrane & Milt Jackson 1959

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Milt Jackson (Detroit, Michigan, 01 de Janeiro de 1923 – Manhattan, 09 de outubro de 1999) foi um vibrafonista de jazz norte-americano e um dos primeiros no gênero bebop. Apelidado de “Bags”, foi o principal vibrafonista do jazz pós-swing, e talvez o maior de todo o jazz. Começou tocando violão e piano, antes de se decidir pelo vibrafone na adolescência. Se tornou um vibrafonista respeitado, superando até nomes de suma importância para o vibrafone dentro do Jazz, como dois dos históricos vibrafonistas: Lionel Hampton e Red Norvo, os quais ficaram na ativa durante muito tempo como os maiores nomes desse instrumento, conseguindo notoriedade até na década de 60 em que já despontavam jovens e modernos vribrafonistas como Gary Burton (1943) e Bobby Hutcherson, outras duas grandes lendas vivas do vibrafone. Milt Jackson, por sua vez, vinha da década de 40 com um estilo bem variado, englobando Bebop, Cool, blues e baladas mais tradicionais, além das experiências com música erudita. Sua estréia profissional foi cantando em um grupo gospel. Dizzy Gillespie o descobriu em Detroit e ofereceu-lhe um emprego no sexteto que havia formado e na sua orquestra em 1946. Assim Milt Jackson, gravando ao lado do trompetista, rapidamente se tornou popular e solicitado por outros músicos. Após tocar com o Gillespie Sextet, Jackson formou com o pianista John Lewis, o contrabaixista Percy Heath e o baterista Kenny Clarke o Modern Jazz Quartet aquele que seria, na historia do jazz, o primeiro dos quartetos a abordar a música erudita e, consequentemente, se encaixar nos moldes do Third Stream, termo cunhado por Gunther Schuller para denominar a atual corrente de músicos, do início da década de 50, que fazia uso dos arranjos da Música Erudita.

Neste álbum, aqui postado, enconta-se um evidente propósito dos dois músicos, Milt Jackson e John Coltrane, em sincronizar os instrumentos um ao outro. Coltrane ataca mais enérgico, com seu fraseado ligeiro e ligado, enquanto Milt Jackson adocica com ressonâncias suaves e vibrantes. Em "The night we called a day", pode-se ouvir como eles se escutam com atenção, obtendo uma sintonia perfeita entre o solista e a base. Bags & Trane é o único álbum de Milt Jackson gravado em conjuto com Coltrane. O título vem dos próprios apelidos dos dois músicos: Bags - Milt Jackson e Trane - John Coltrane. Gravado em Janeiro de 1959, "Bags & Trane" só foi liberado pela Atlantic Records em Dezembro de 1961. O relançamento mais recente é em 25 de Outubro de 1990 pelo selo Rhino Atlantic. Outro dos aspectos mais notáveis é o conhecido abuso de Coltrane em relação ao comprimento dos solos, com vista a eliminar qualquer limitação temporal que pudesse comprometer o improviso, o que elevou os critérios e as necessidades de mais estudo: daí surge as questões quanto ao espírito solícito de Coltrane que, em algumas faixas, fazia com que ele improvisasse solos de trinta minutos sem interrupção). Enfim, a produção deste disco ficou a cargo de Nesuhi Ertegün & Bob Porter, com fotografias de Lee Friedlander.

01 - Stairway To The Stars
02 - The Late Late Blues
03 - Bags And Trane
04 - Three Little Words
05 - The Night We Called a Day
06 - Be-Bop
07 - Blues Legacy
08 - Centerpiece

Musicos:
John Coltrane - sax. Tenor
Milt Jackson - Vibrafone
Hank Jones - Piano
Paul Chambers - Baixo Acustico
Conny Kay - Bateria


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Boa audição - Namastê.

Uma Colaboração do Blog Borboletas de Jade


My Favorite Things - John Coltrane 1961

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My Favorite Things é considerado por muitos críticos e ouvintes uma significante e histórica gravação. Foi a primeira sessão gravada por Coltrane para o selo Atlantic e a primeira a apresentar o novo quarteto que Trane acabara de formar: McCoy Tyner - Piano, Elvin Jones - Bateria e Steve Davis - Baixo. É um álbum com profunda mudanças do estilo bop, introduzindo revisitações harmônicas mais complexas, pricipalmente nas músicas: "My Favorite Things" (uma valsa de Richard Rodgers & Oscar Hammerstein, usada no filme Noviça Rebelde de 1965), e "But Not For Me" (de George Gershwin). Em uma época em que o saxofone soprano se tornava obsoleto por alguns musicos, Coltrane demonstrou uma inventiva habilidade para o idioma do jazz. O standard "Summertime" é notável por seu ritmo alegre, e pela demonstração da técnica sheets of sound (folhas de som, muito usado por Coltrane), uma total antítese à melancolia de Miles Davis na versão lírica de Porgy and Bess. "But Not For Me" é reharmonizada usando outra técnica de John Coltrane chamada Coltrane changes, apresentando um longa coda sob uma progressão em II-V-I-vi. A faixa título é uma versão modal de autoria de Richard Rogers e Oscar Hammerstein do musical The Sound of Music. A melodia é escutada diversas vezes por todos os 14 minutos de duração, e ao invés de solar sobre os acordes escritos, tanto Tyner quanto Coltrane tocam os solos sob vamps de dois acordes tônicos "E" menor e "E" maior. O solo de Tyner ficou famoso por ser extremamente cordal e rítmico ao contrário de desenvolver melodias. No documentário The World According to John Coltrane, o narrador Ed Wheeler diz: "Em 1960, Coltrane deixa Miles Davis e forma seu prórpio quarteto para explorar o estilo modal, com livres direções com certa influência Indiana. Eles transformaram "My Favorite Things", a famosa e alegre canção de The Sound of Music, uma hipnótica dança abdal. A gravação virou um hit tornando-se a gravação de Coltrane mais requisitada. Gravado em 21, 24 e 26 de Outubro de 1960 na cidade de Nova Iorque.

Nota: Em 3/3/1998 foi relançado pela Atlantic - WEA com duas faixas bonus: My Favorite Things pt. I e pt. II (Single Version)


01 - My Favorite Things
02 - Everytime We Say Goodbye
03 - Summertime
04 - But Not for Me

John Coltrane - Sax. Soprano (Faixas 1 & 2), Sax. Tenor (Faixas 3 & 4)
McCoy Tyner - Piano
Steve Davis - Baixo
Elvin Jones - Bateria

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Boa audição - Namastê

Uma Colaboração do Blog Borboletas de Jade

1957 - Prestige 7105 - John Clotrane

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“Trane era o saxofonista mais ruidoso e mais rápido que eu já ouvi. Tocava rápido e alto ao mesmo tempo, o que é difícil de fazer. Porque quando a maioria dos músicos tocam alto, se travam. Já vi muitos saxofonistas se enrolarem tentando tocar assim. Mas Trane fazia isso e era fenomenal. Era como se estivesse possuído, quando levava aquele instrumento à boca. Era muito apaixonado – feroz – e ao mesmo tempo muito tranqüilo e delicado quando não estava tocando. Um cara puro.
Jamais compôs coisa alguma durante o tempo que esteve em meu conjunto. Tudo que fazia era começar a tocar. A gente conversava muito sobre música nos ensaios e a caminho do trabalho. Eu lhe mostrava muita coisa, e ele sempre escutava. E eu dizia:
- Trane, tome aqui estes acordes, mas não é pra tocar assim o tempo todo, não, sabe? Isso quer dizer que você tem dezoito, dezenove coisas diferentes pra tocar em dois acordes.
Ele ficava ali sentado, de olhos arregalados, absorvendo tudo. Trane era um inovador, e a gente tem de dizer a coisa certa às pessoas desse tipo. Por isso que eu mandava que ele começasse no meio, pois era assim que sua cabeça funcionava mesmo. Ele buscava desafios, e se a gente lhe desse o troço errado, ele não escutaria. Mas era o único músico que podia tocar aqueles acordes que eu lhe dava sem fazê-los soar como acordes.

Depois do trabalho, ele voltava pra seu quarto de hotel e praticava, enquanto todos os demais andavam pela rua. Praticava durante horas, depois de acabar de tocar três sets. E mais tarde, em 1960, quando lhe dei um sax soprano que conseguira com uma conhecida de Paris, uma antiquária, isso teve um efeito no seu tenor. Antes de ganhar aquele soprano, ele ainda tocava com Dexter Gordon, Eddie “Lockjaw” Davis, Sonny Stitt e Bird. Depois de ganhar o instrumento, seu estilo mudou. Depois disso, não tocava mais como ninguém a não ser ele mesmo. Descobriu que podia tocar mais suave e mais rápido no soprano que no tenor. E isso realmente o deixou ligado, pois não podia fazer no tenor o que podia no alto, porque o soprano é um instrumento direto, e como ele gostava do registro baixo, descobriu que também podia pensar e ouvir melhor com o soprano do que com o tenor. Quando tocava o soprano, depois de algum tempo, parecia mais uma voz humana, um lamento.

Depois que gravamos aqueles últimos lados pra Prestige, em outubro de 1956, levei o grupo de volta ao Café Bohemia, e foi lá que aconteceu muita coisa entre Coltrane e eu. Essas coisas já vinham se acumulando há algum tempo. Cara, era uma merda ver o que ele fazia consigo mesmo, a essa altura já se achava realmente dependente da heroína, e também bebendo muito. Chegava atrasado e cabeceava no palco. Uma noite, fiquei tão puto com ele que lhe dei um tapa na cabeça e um soco na barriga, no camarim. Thelonious Monk estava lá nessa noite; fora ao camarim dar boa-noite e viu o que eu fiz com Trane. Quando viu que Trane não reagia e apenas ficava ali sentado como um bebezão, se revoltou. Disse a Trane:
- Cara, do jeito que você toca saxofone, não tem de aceitar essa merda; pode vir tocar comigo quando quiser. E você Miles, não devia bater nele desse jeito.

Eu estava tão puto que pouco ligava pro que Monk dizia, porque, pra começar, não era da conta dele. Despedi Trane essa noite, e ele voltou pra Filadélfia, pra tentar se livrar do vício. Me senti mal mandando-o embora, mas não via que mais podia fazer nas cincunstâncias.
Por mais que eu gostasse de Trane, nós não andávamos juntos depois que deixávamos o estrado, porque tínhamos estilos diferentes. Antes, era porque ele vivia afundado na heroína, e eu acabara de sair dessa. Agora ele estava limpo e quase não saía, voltava direto pro hotel, pra praticar. Sempre levara a música a sério, e sempre praticara muito. Mas agora era quase como se estivesse numa espécie de missão. Me dizia que já fizera muita confusão, perdera muito dinheiro e não dera muita atenção à sua vida pessoal, à sua família e, acima de tudo, à sua música. Portanto, só se preocupava em tocar sua música e crescer como músico. Era só no que pensava. Não podia ser seduzido pela beleza de uma mulher, porque já fora seduzido pela beleza da música, e era fiel à sua esposa. Quanto à mim, depois que acabava a música, eu saía logo buscando a dona boa com quem ia ficar naquela noite. Cannonball Adderley (vocal) e eu conversávamos e saíamos às vezes, quando eu não estava com alguma mulher. Philly e eu ainda éramos amigos, mas ele vivia se enchendo de droga, ele, Paul e Red. Mas éramos todos amigos e todos nos dávamos muito bem juntos.” (“Miles Davis, a Autobiografia” - pp 180, 194 e 195)

Prestige 7105 é um álbum fantástico que reúne alguns dos clássicos de John Coltrane, um dos saxofonistas mais cultuados do jazz, que começou sua carreira tocando em big bands, fez parte do grupo de Miles Davis, durante cinco anos, além de ter liderado, a partir de 1960, um quarteto com o pianista McCoy Tyner, o baixista Jimmy Garrison e o baterista Elvin Jones. São seis faixas com o melhor de seu estilo, entre elas, "Violets for Your Furs" e "While My Lady Sleeps", alguns dos destaques. Algo que não pode faltar em sua coleção. Gravado em 31 de Maio de 1957

Dica: Les Musiciens de Jazz et Leurs Trois Voeux - Pannonica de Koenigswarter (Ed. Ruchet-Chasiel). Boa leitura.

01 - Bakai
02 - Violets For Your Furs
03 - Time Was
04 - Straight Street
05 - While My Lady Sleeps
06 - Chronic Blues

John Coltrane - Sax. Tenor
Johnnie splawn - Trompete
Sahib Shihab - Sax. Barito
Red Garland - Piano (1-3)
Mal Waldron - Piano (4-6)
Paul Chambers - Baixo Acustico
Albert Heath - Bateria


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Boa audição - Namastê

Uma colaboração do Blog Borboletas de Jade


Thelonious Monk with John Coltrane 1961

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Ele foi o mais importante saxofonista surgido depois de Charlie Parker, desenvolvendo um novo modo de tocar que ampliou os horizontes do jazz. Evoluiu do hard bop para o jazz modal e o free, incorporando estruturas da música indiana e imbuindo suas interpretações de forte carga emocional e mística. Suas "sheets of sounds" (sequências de notas tão rápidas e longas que davam a impressão "folhas" ou camadas de som) tornaram-se um desafio para os saxofonistas. John William Coltrane nasceu em Hamlet - Carolina do Norte em 23 de setembro de 1926. Tocou em grupos de rhythm & blues e depois com Dizzy Gillespie e Johnny Hodges. Atingiu a maturidade musical no lendário quinteto de Miles Davis nos anos 50 no qual permaneceu de 55 a 60 tendo participado do lendario "Kind of Blue" marco do jazz modal. Nesse período também fez uma histórica colaboração com Thelonious Monk e lançou, em 59, "Giant Steps", sua primeira grande obra como líder na qual já esboçava as "sheets of sounds". Ao deixar Miles formou o clássico quarteto que incluía McCoy Tyner (piano) e Elvin Jones (bateria). Ainda em 60 lançou "My Favorite Things", outra obra-prima. Suas experimentações começam a atingir a plenitude em "A Love Supreme" de 64 onde mergulhou na música indiana e no espiritualismo. "Ascension" de 65 marca sua definitiva adesão ao free jazz. Estava no auge da carreira quando em 17 de julho de 67 morreu de infecção hepática em Huntington - Nova York.

Nos anos 30 o jazz era a melhor diversão e música para dançar. O bebop o intelectualizou, almejando convertê-lo em forma de arte. Coltrane levou-o a um novo patamar adotando uma atitude espiritualista perante a música. Ele "escreveu" seu próprio livro sagrado - o LP "A Love Supreme" de 64, que dedicou a Deus. Os quatro temas do disco sucedem-se como uma oração sem palavras (com exceção da frase mântrica que dá nome a ele) capaz de comover o jazzófilo mais ateu. Apesar de manifestar interesse pela cultura hindu, ele parecia não se vincular a uma religião específica. Sua crença era de que todas as pessoas deveriam se esforçar em prol de um mundo melhor e que a música poderia ser um veículo para transmitir pensamentos positivos. A "pregação" de Coltrane foi bem sucedida. Seus mais fiéis seguidores, o saxofonista Pharoah Sanders e a viúva Alice Coltrane também adotaram uma postura devocional e positiva diante da música e da vida. Esse álbum, Thelonious Monk & John Coltrane, traça um perfil da genialidade dos dois mestres. Coltrane tinha uma verdadeira admiração por Monk e dizia "ele é um dos poucos que realmente pensa a música. Monk é um arquiteto musical da mais alta ordem." Juntos gravaram esse albúm que apesar de registrado em rolo em Abril e Julho de 1957 só foi lançado em 1961. As seis composições do album - "Ruby My Dear", "Trinkle, Tinkle" , "Off Minor", "Nutty", "Epistrophy" e Functional" tinham sido retiradas do imenso catálogo do pianista. A parceria de Trane com Thelonious Monk, durante o ano de 1957, foi uma das mais belas da música e merece ter sua história contada em detalhes.Curiosamente: a faixa "Functional" é um longo solo apenas com Monk ao piano.


01 - Ruby, My Dear
02 - Trinkle, Tinkle
03 - Off Minor (Take 4)
04 - Nutty
05 - Epistrophy (Alternate Take)
06 - Functional (Alternate Take)


Thelonius Monk – piano (Faixas 1,2,4,6)
John Coltrane – Sax. tenor
Wilbur Ware – Baixo Acustico
Shadow Wilson – Bateria (Faixas 3,5)
Ray Copeland – Trompete
Gigi Gryce – alto saxophone
Coleman Hawkins – Sax. tenor
Wilbur Ware – Baixo
Art Blakey – Bateria


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Boa audição - Namastê

Esta postagem é uma parceria entre o blog Farofa Moderna e o blog Borboletas de Jade


John Coltrane 1960 - Giant Steps (Deluxe Edition)

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"Não estou certo do que procuro, exceto que é alguma coisa que ainda não foi executada. Mas não sei o que é. Só saberei quando conseguir tocá-la". Em poucas palavras, essa era a essência de John Coltrane, um homem que só não foi mais longe porque teve a vida precocemente ceifada pelo destino mas mesmo assim, sua herança é espantosa no legado de jazz. Coltrane, além de ser um grande instrumentista e compositor, conseguiu marcar o jazz com modulações incessantes se marcando com um importante expoente do jazz modal, Bebop e Hardbop. Giant Steps magnifico álbum de 1959 e lançado pela Atlantic Records, empresa dos irmãos Ertegun, Ahmet e Nesuhioriginais que tinha fechado um contrato de um ano renovável por mais um com o saxofonista, tão logo o antigo acordo com a Prestige expirado. Os irmãos eram fãs de Coltrane desde os tempos em que tocava com Miles e logo descobriram que tinham assinado contrato com um artista extremamente exigente e que sabia exatamente o que desejava. Segundo Nesuhi "John Coltrane era único dentro de um estúdio. Ele sabia exatamente o que ele e os músicos deveriam soar e caso não gostasse de algo que estivesse sendo tocado, dizia imediatamente. Nós tínhamos cuidados especiais em dar o som que desejava." Gravado em duas etapas: Dias 4 e 5 de maio de 1959 foram gravadas "Giant Steps", "Cousin Mary", "Countdown", "Spiral", "Syeeda's Song Flute" e "Mr. P.C.", com Coltrane no sax tenor, Flanagan (piano), Paul Chambers (baixo) e Art Taylor (bateria). Dia 02 de dezembro, as vez de "Naima", com Wynton Kelly e Jimmy Cobb nos lugares de Flanagan e Taylor, respectivamente Cobb, Kelly e Chambers eram músicos do quinteto fixo de Miles Davis. Lançadas em LP em 2 de Dezembro de 1960 era o segundo álbum a ser gravado para o selo Atlantic, marca a primeira vez em que todas as faixas eram exclusivamente compostas por Coltrane. O álbum demonstra o fraseado melódico de Trane que mais tarde viria a se chamar "sheets of sound" (termo cunhado em 1958 pelo crítico Ira Gitler da revista especializada em jazz "Down Beat" para descrever o novo e único estilo de improvisação do saxofonista John Coltrane. Gitler usou esta expressão nas notas do álbum Soultrane de 1958), apresentando também um novo conceito harmônico mais tarde conhecido como "Coltrane changes" ("mudanças Coltrane" em português). O álbum é também considerado o adeus ao estilo chamado "bebop", posteriomente entraria em um novo território chamado jazz modal. Várias faixas vieram a se tornar standards como por exemplo "Naima", "Giant Steps", "Cousin Mary", "Countdown" e "Mr.P.C." Em 2003, o álbum foi classificado em 102º na revista Rolling Stone na Lista dos 500 melhores álbuns de sempre da Revista Rolling Stone. Em 2004, foi uma das 50 gravações a serem escolhidas pela Biblioteca do Congresso para serem adicionadas ao Registro de Nacional de Gravações. Em 1983, o jogador de basquete Kareem Abdul- Jabbar nomeou sua autobiografia (escrita conjuntamente com Peter Knobler) em homenagem a este álbum. Algumas faixas desse álbum surgiram durante sua participação nas gravações de Kind of Blue do Miles Davis, álbum considerado o marco do jazz modal. Todas as faixas compostas por John Coltrane.
Curiosidaddes: A faixa "Cousin Mary" é dedicada a sua prima"Mary" que segundo ele, "é uma pessoa bem alegre, divertida e tentei manter a essência dele nesse blues". A sexta faixa "Naima" é uma homenagem á primeira esposà Juanita Naima Grubb uma muçulmana convertida a qual cariosamente chamava de Naima.
Esta postagem traz gravações originais de 1960 (Atlantic Records, vinil) e alternativos takes que posteriormente foi agragado em 1990 (Atlantic Records, CD remasterizado), 1994 (Mobile Fidelity, Gold CD - Com faixas alternativas 8-12) e 1998 (Rhino Records, CD de edição de luxo, vinil de 180 gramas - Com faixas alternativas 8-12 e faixas alternativas adicionais 13-15, mas sem faixas alternativas no vinil) para delirios de colecionadores.

Faixas:
01 - Giant Steps
02 - Cousin Mary
03 - Countdown
04 - Spiral
05 - Syeeda's Song Flute
06 - Naima
07 - Mr. P.C. (Mr. Paul Chambers) ****
08 - Giant Steps (Alt. Take)
09 - Naima (Alt. Take)
10 - Cousin Mary (Alt. Take)
11 - Countdown (Alt. Take)
12 - Syeeda's Song Flute (Alt. Take)
13 - Giant Steps (Alt. Take)
14 - Naima (Alt. Take)
15 - Giant Steps (Alt. Take)

Musicos:
John Coltrane - Sax. Tenor
Tommy Flanagan - Piano*
Paul Chambers - Baixo*
Art Taylor - Bateria*
Wynton Kelly - Piano**
Jimmy Cobb - Bateria**
Cedar Walton - Piano***
Lex Humphries - Bateria***

* Gravado em 4 e 5 de Maio de 1959: faixas principais 1-5, 7; faixas alternativas 10-12, e faixa adicional 15.
** Grav. em 02 de dezembro de 1959: faixa principal 06.
*** Grav. em 01 de Abril de 1959 (26 de Março de acordo com nota da Rhino Records): faixas alternativas 08 e 09, e faixa adicional alternativa 13 e 14.
**** Influente contrabaixista conhecido como Mr. P.C. figura notável em grande parte das gravações dos grupos dos das décadas de 1950 e 1960.


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1958 - Kenny Burrell & John Coltrane

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Poucos artistas foram influentes no jazz como o saxofonista John Coltrane. Em cada um dos vários períodos de sua carreira foram produzidos trabalhos clássicos que permanecem até o dia de hoje como modelos para os jazzistas do mundo inteiro. Começou a carreira tocando em big bands, após a Segunda Guerra. De 1955 a 1960 fez parte do histórico quinteto-sexteto de Miles Davis, tendo participado de discos memoráveis como Cookin', Relaxin', Steamin', Workin', Milestones e Kind of Blue. Essa foi a sua primeira grande fase, musicalmente falando, embora tenha sido um período difícil em sua vida pessoal, devido a um vício em heroína adquirido no final dos anos 40. (cogita que esse problema foi o motivo de Miles o demitir e recontratar duas vezes, em 1956 e 1957.) Enquanto estava com Davis, também fez várias gravações como sideman, e em 1957 fez sua primeira gravação como líder. Durante o seu último mês com a banda de Miles Davis , John Coltrane participou de uma série de gravações pela Prestige, sendo este álbum uma dessas joias. Em 07 de Março de 1958, quando esta gravação foi feita, Coltrane exerceu seu gênio criativo que, durante este período, começou a transcender a linguagem "bebop" e "cool", antecipando ainda mais os modernos desenvolvimentos no jazz que iria afetar toda uma geração de músicos.

Em Kenny Burrell com John Coltrane, ouvimos um jazz criativo em especial " Why Was I Born", um dueto que destaca os músicos não só na capacidade de saborear cada nota, mas sim no feeling, interação e composição: uma espinha dorsal de amarras que Trane já prometia. A sutileza do baixo de Paul Chambers transpoêm os limites da pegada de Kenny Burrell nas cenas liricas de sua cordas e Trane as amordaças com um HardBop já ao seu estilo, estilo esse que começava a se tornar magistral, por assim dizer.

Gravado no estúdio VAN GELDER, hackensack em 07 de março de 1958.

Tracks:
o1 - Freight Trane
02 - I Never Knew
03 - Lyresto
04 - Why Was I Born
05 - Big Paul

Pessoal:
Kenny Burrell - Guitar
John Coltrane -Sax. Tenor
Tommy Flanagan - Piano
Paul Chambers - Baixo
Jimmy Cobb - Bateria

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1965 - Ascension

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Gosto de dividir a carreira de John Coltrane em quatro fases. A primeira dela, como um oriundo saxofonista hardbop, mas propenso a um hardmam de luxo em bandas, em especial com Miles Davis, se firmando como um saxofonista inexpressivo. Segunda fase é quando ele começa a fazer uma releitura das formas expressivas do jazz, experimentado novos modelos de sonoridade e se recuperando da primeira queda com as drogas, com uma volta filtrada da química que corria em sua veias, tocando com T. Monk e participando do Kind of Blues de Miles. A Terceira fase é quando se lança em uma promissora carreira solo com uma impar e inigualável inspiração em cada álbum lançado até chegar a sua maior obra", A Love Supreme" com grande estrelato. E a quarta fase é em seus últimos momentos de 1965-67 quando morreu vitimado por câncer, onde dedicou quase que exclusivamente em suas gravações ao ponto de desmarcar agenda lotada de shows. A fome insaciável de coltrane por novos vocabulários foi crucial para produção de álbuns exemplares como 'Ascension', 'Meditation', 'Living Space', 'Sun Ship', 'Stellar Regions', 'Expression' e 'Interstellar Space'. Multifacetado, percorreu a trilha em direção à espiritualidade, sem jamais perder o fogo dos arranjos atonais e polirritmicos. Durante a maioria dos discos gravados entre 1965 e 1967, o clássico quarteto de sua fase mais popular e consagrada (61-64), foi trocado por formações pomposas, com sete ou dez instrumentistas, todos dedicados aos arranjos drásticos e desafiadores promovidos pelo líder. O plano era encontrar a linguagem para conversar com Deus ou, entenda-se de passagem os não ortodoxos, confabular um canto que no mínimo purificase a alma dos mais céticos. Para a gravação de “Ascension”, Coltrane recrutou sete músicos de extraordinária habilidade expressivas da época, além dos três magníficos que completavam o famoso John Coltrane Quartet, elaborado com apenas duas composição de aproximadamente 40 minutos cada, baseada em um tema curto, mas chancelada pela improvisação coletiva de uma orquestra formada por cinco saxofonistas (Coltrane, Pharoah Sanders e Archie Shepp no tenor; Marion Brown e John Tchicai no alto), dois trompetistas (Freddie Hubbard e Dewey Johnson), dois baixistas (Art Davis e Jimmy Garrison), McCoy Tyner no piano e Elvin Jones na bateria. Talvez seja o disco mais brilhante do compositor, mas carrega a fama de complexo e do experimental demais. Há quem ame, porém, muitos não o suportam. Em 1965, John Coltrane recebeu três prêmios nas categorias de "Artista do Ano", "Melhor Saxofonista" e o "Jazz Hall of. Fame", promovidos pela revista Down Beat. E é justamente nesse ano, Coltrane gravou esse seu opus magnum, intitulado Ascension, uma das obras seminais do jazz contemporâneo, que provocou enorme impacto no público do jazz (e de outros gêneros e subgêneros, como o rock psicodélico da segunda metade da década de 60), e profundas divisões na crítica, com clara separação em conservadores e progressistas. Com Ascension, cujo precedente estético fora Free Jazz de Ornette Coleman, Coltrane criou um novo paradigma na arte da improvisação colectiva e individual, pela monumentalidade da estrutura, densidade harmônica e interação entre solistas, orquestra e seção rítmica, a um nível organizacional nunca antes experimentado. É certo que Ornette Coleman já havia desenvolvido uma proposta aproximada, quando gravou com um duplo quarteto, o marcante disco “Free Jazz” (Atlantic, 1960), mas a proposta de Coltrane prolonga-se em termos de intensidade, força e libertação. Um fato curioso foi a maneira com coltrane regeu essa quase orquestra com simples acenos quando necessitado na elaboração das notas e nos improvissos que cada musico faria.

Tracks:
01 – Ascension Edition II
02 – Ascension Edition I

Pessoal:
John Coltrane – Sax. Tenor
Archie Shepp – Sex. Tenor
Pharoah Sanders - Sax. Tenor
John Tchicai – Sax. Alto
Marion Brown – Alto Sax
Freddie Hubbard - Trompete
Dewey Johnson - Trompete
Jimmy Garrison - Baixo
Art Davies - Baixo
McCoy Tyner - Piano
Elvin Jones - Bateria

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1957 - Blue Train

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Em 57,Coltrane gravou uma bateria de albuns freework, aproveitando a boa chanse que que soprava em sua direção. No final de 1956, início de 1957, Coltrane foi até os escritórios da Blue Note conversar com Albert Lion a fim de pedir alguns discos de Sidney Bechet. Ele e Alfred começaram a conversar sobre um possível contrato de gravação, mas Francis Wolff, empresário de Coltrane, estava viajando naquele dia. Coltrane acabou recebendo alguns discos de Bechet e saiu com um pequeno adiantamento em dinheiro, prometendo voltar em alguns dias. Assim Blue Train surgiu de forma inesperada. A história, segundo Michael Cuscuna no encarte do CD, em 1996 (relançamento), é a seguinte: "Em uma década fértil para o jazz, do meio dos anos 50 até meados dos anos 60, houve uma incrível proliferação de grandes discos de jazz e Blue Train - que Coltrane se referia como seu disco favorito entre todos que havia gravado -, era mais do que isso: era um álbum perfeito. Os ingredientes para tamanha alquimia não podem ser quantificados assim como o gênio que o concebeu e escreveu. Isso pode ser notado ao ouvi-lo.Nota-se claramente o virtuosismo de todos e sobretudo a liderança de Coltrane. A faixa título, que abre a obra, é longa (quase 11 minutos ) e ritmicamente com muitas “variações blues”. Um dos pontos altos de “Blue Train”. “Locomotion” também é uma melodia baseada em fraseados “riff blues”. Noutro lugar, o que seria um dos próximos LPs de Coltrane, “Giant Steps”, onde ele trabalha quebrando melódicas e harmônicas , em “Blue Train” temos um autentico álbum de HardBop da época. Dito isto, duas de suas músicas, “”Moment’s Notice” e “Lazy Bird” já antecipavam, de certa forma, o que viria pela frente. Por fim, “Blue Train” é alegre, contagiante e, ao mesmo tempo, de extrema elegância desde a abertura com a faixa título, passando por uma das mais belas baladas jazz já compostas, “I’m Old Fashioned”, e finalizando com a excelente “Lazy Bird”. Um prato cheio para os amantes de um bom Hard Bop. Este trabalho ainda continua sendo um disco extremamente popular e, em 60, durante uma entrevista, o próprio Coltrane o apontou como um de suas obras preferidas. A produção impecável, destas cinco faixas, ficou por parte de Alfred Lion e unico disco gravado pelo selo Blue Note Records. Todas as composições são de autoria de Coltrane, salvo “I’m Old Fashioned”, de Jerome Kern e Johnny Mercer.

Tracks:
01 - Blue Train
02 - Moment's Notice
03 - Locomotion
04 - I'm Old Fashioned
05 - Lazy Bird

Pessoal:
John Coltrane - Sax. Tenor
Lee Morgan - trompete
Curtis Fuller - Trombone
Kenny Drew - Piano.
Paul Chambers - Baixo
Philly Joe Jones - Bateria

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Dakar - John Coltrane 1958

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O público ficou atônito e surpreso quando Miles Davis se aproximou do microfone para dizer algumas palavras, já que Miles se dirigir ao público no meio de um show era algo impensável tanto para os fãs como até para o próprio trompetista. Porém, o motivo era mais do que especial, afinal ele tinha um triste anúncio para fazer: John Coltrane o comunicara que estava deixando o quinteto para seguir seu próprio caminho. A decisão deixou Miles arrasado, pois sabia que nunca mais teria em sua banda um músico com tal calibre. Mas se o mundo perdia a mais fantástica dupla do jazz, ganhava mais um gênio que marcaria época com sua própria banda e em outros trabalhos. John Coltrane conseguiu criar em torno de si um grande mito, de maneira intencional ou não. Dakar, gravado em hackensack, n.j. em 20 de abril de 1957 pela Prestige, é o primeiro registro depois da separação com Miles em uma carreira solo que renderia belos álbuns posteriores. Aos pescadores de fim de semana nos pesgue e pague... "aviso" - vem ai muita coisa de Coltrane. Apenas peço paciência e um pouco de credibilidade, pois pretendo posta só Coltrane,Miles e Chet aqui no farrofa.

Dica: House That Trane Built: Story of Impulse Records (Ashley Kahn)

Pessoal:
John Coltrane (Sax. Tenor)
Cecil Payne (Sax. Baritano)
Pepper Adams (Sax. Baritano)
Mal Waldron (Piano)
Doug Watkins (Baixo)
Art Taylor (Bateria)

Tracks:
01 - Dakar
02 - Mary's Blues
03 - Route 4
04 - Velvet Scene
05 - Witches Pit
06 - Cat Walk


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Boa audição - Namastê

John Coltrane - Cosmic Music

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Aproveitando que vários títulos  da discografia de Trane foi disponibilizada aqui no Farofa Moderna , deixo mais uma dica relacionada ao grande mestre: o álbum o Cosmic Music, um disco póstumo com gravações divididas em duas partes. Ao todo são quatro músicas, sendo que duas foram gravadas pelo grupo de Alice Coltrane em homenagem à seu marido. Nas sessões com Trane, temos um raro registro dele tocando clarinete-baixo. Onde se pode baixar este disco com facilidade é no excelente site Captain Crawl, um excelente buscador de milhares de blogs e sites de downloads.


 
recorded February 2, 1966:

1 & 3

John Coltrane: tenor saxophone, bass clarinet
Pharoah Sanders: tenor saxophone, flute, piccolo
Alice Coltrane: piano
Jimmy Garrison: bass
Rashied Ali: drums
Ray Appleton: percussion

recorded January 29, 1968:

2 & 4

Alice Coltrane: piano
Pharoah Sanders: tenor saxophone, flute
Jimmy Garrison: bass
Ben Riley: drums

1. Manifestation
2. Lord, Help Me To Be
3. Reverend King
4. The Sun

John Coltrane - A Love Supreme (Deluxe Edition) 1964

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Ao Farofa Moderna meus agradecimentos pela oportunidade de participar como colaborador desta fantastica espressão musical - O Jazz -, na sua linguagem universal que tanto nos fascina. Pretendo postar os artistas que tenho afeição e conhecimento, como criadores e embaixadores do jazz como Miles Davis, Chet Baker, John Coltrane e outros vangardistas do cenário jazzistico. Começo com uma pérola criada pelas maõs de um genio: "A Love Supreme" de John Coltrane.
“A Love Supreme” é uma composição em forma de suíte jazzística, criada no apogeu da capacidade artística de John Coltrane e seus companheiros McCoy Tyner (piano), Jimmy Garrison (baixo) e Elvin Jones (bateria), como uma elegia, uma canção de louvor ao Senhor. Não é um blues (embora, obviamente uma ponta apareça por conta da extrema versatilidade das influencias e do conhecimento de Coltrane), nem gospel ( inspiração existe, mas como inspiração). É jazz, no seu extremo. Feita para tocar o sentimentos humanos, beirando no sublime religioso.
Em 1962, Coltrane parte para uma nova fase em sua carreira. Monta um grupo que se tornaria o quarteto clássico de uma época marcada por fortes mudanças no cenário jazzístico. O pianista McCoy Tyner, o baixista Jimmy Garrison e o baterista Elvin Jones formaram a base para a construção de um álbum que se tornaria referência para as gerações seguintes, e provocaria reflexões quanto às estruturas musicais definidas no disco. O álbum “A Love Supreme” foi concebido por Coltrane para ser uma suíte em quatro movimentos.
O primeiro e mais conhecido, chamado “Acknowledgement” inseriu elementos de orquestra como gongo e tímpano. As quatro notas executadas pelo baixista orientam o tema, que funciona como mantra para sua execução. O título do disco é a mais pura forma de expressão alcançada pelo quarteto. No final da faixa ouve-se o mantra falado por Coltrane, estabelecendo o final do movimento. O quarto movimento chamado “Psalm” representa a transcrição de um poema escrito pelo próprio Coltrane em música. Sua execução não segue um padrão rítmico definido, oferecendo liberdade total para os músicos. O segundo e o terceiro movimentos apresentam um estrutura musical mais regular com linhas melódicas simples.
O dia 9 de Dezembro de 1964 definiu um novo rumo para a carreira musical de Coltrane. Ele estava voltado à espiritualidade, e teve em “A Love Supreme” a chance de se expressar musical e espiritualmente. A partir de 64, os seus discos de jazz apresentavam títulos com mensagens políticas. Um grande exemplo foi no final de 1963: uma explosão de bomba em uma igreja negra matou quatro garotas. Do discurso de Martin Luther King sobre o acontecido, Coltrane escreveu o tema “Alabama”, usando os padrões rítmicos do discurso.
O disco refletia um despertar espiritual e político, e cruzava fronteiras culturais. Sua intenção era usar e colocar a espiritualidade em um rumo pacifista. Sua música durante muito tempo foi objeto de análise, crítica, objeções por parte da imprensa, e principalmente, lançou as bases da filosofia que guiaria seu trabalho. “Tocar certo significava, e exigia, viver certo”, dizia Coltrane. Ele conseguiu.
O segundo album inclui o Quarteto de John Coltrane, gravado no Antibes jazz festival.
Dica: A LOVE SUPREME - Ashley Kahn (editora Barrauda).

Pessoal:
John Coltrane (vocais, saxofone tenor); Archie Shepp (saxofone tenor)
McCoy Tyner (piano)
Jimmy Garrison, Art Davis (bass)
Elvin Jones (bateria).

Disc I
A Love Supreme Part I: Acknowledgement
A Love Supreme Part II - Resolution
A Love Supreme, Part III: Pursuance
A Love Supreme, Part IV-Psalm

Disc II
Introduction by André Francis
A Love Supreme, Part 1: Acknowledgement
A Love Supreme, Part 2: Resolution
A Love Supreme, Part 3: Pursuance
A Love Supreme, Part 4: Psalm
A Love Supreme, Part II-Resolution
A Love Supreme, Part 2: Resolution
A Love Supreme, Part 1: Acknowledgement
A Love Supreme, Part 1: Acknowledgement

Download Here Part.I
Download Here Part.II


Outros Excelentes Sites Informativos (mais sites nas páginas de mídia e links)