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Mostrando postagens com marcador Jazz Composers Collective. Mostrar todas as postagens
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Jazz Composers Collective: Ron Horton

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No Brasil é assim mesmo: chegam-nos apenas resenhas de músicos mais conhecidos que a mídia adora expor, já que eles geralmente são clássicos conhecidos e, por consequência, mais vendáveis. Os jornais brasileiros, por exemplo, ainda estão falando do Kind of Blue e do A Love Supreme e, quando muito, reservam um pedacinho de página para indicar clássicos ou lançamentos de ícones da era do fusion tais como o próprio Miles Davis, o tecladista Chick Corea, o pianista cult Keith Jarret, o guitarrista Pat Metheny, dentre outros músicos que conseguem ser vendáveis e palatáveis ao gosto do público leigo - lembrando que o fato de serem vendáveis nem sempre significa que eles sejam inferiores ou menos artísticos que os músicos undergrounds que prezam pela arte crua e desprezam os deleites impostos pela cultura de massa.

Mas o Farofa Moderna, dentre os poucos canais brasileiros que trazem novidades a um pequenino público ávido por música criativa, segue aqui com sua missão, apresentando-vos mais um músico do jazz norte-americano totalmente desconhecido aqui em solo tupiniqim: trata-se do trompetista Ron Horton, um dos músicos e compositores que faz parte do moderno grupo nova-iorquino chamado Jazz Composers Collective, também composto pelo contrabaixista Ben Allison, pelos saxofonistas Michael Blake e Ted Nash e pelo pianista Frank Kimbrough.

Ron Horton nasceu em 1960 e desde os início dos anos 80 está ativo no cenário do jazz norte-americano. Logo após terminar seus estudos no Berklee College of Music e passar por uma fase de início com colaborações à músicos menos conhecidos, passou a ser requisitado como colaborador de músicos midiáticos tais como Lee Konitz, Jane Ira Bloom e Andrew Hill. Com Hill, o trompetista obteve grande experiência: foi membro do Andrew Hill Sextet de 1998 à 2003 (conferir sua aparição no aclamado disco Dusk, lançamento de Hill pela Palmetto Records) e também foi diretor músical e co-arranjador da big band do icônico pianista (conferir o disco A Beautiful Day, lançamento em 2002 também pela Palmetto). Com Jane Ira Bloom ele colaborou como sideman em 1992 no disco Art and Aviation, dividindo atenções com o grande trompetista Kenny Wheeler, outro grande ícone do trompete e uma de suas grandes influências, por sinal.

Download
Ron Horton, trumpet and flugelhorn
John O'Gallagher, alto sax
Tony Malaby, tenor sax
Frank Kimbrough, piano
Mike Sarin, drums
Masa Kamaguchi, bass
John Hebert, bass



Em 1999, Ron Horton inicia sua carreira como líder, lançando seu primeiro disco intitulado Genius Envy, onde participam a moderna saxopranista Jane Ira Bloom e o saxtenorista John McKenna. Desde então, Horton lançou quatro discos, todos com críticas favoráveis que enaltecem a sua criatividade ao transitar da tradição ao avant-garde com invejável fluência, praticamente não deixando arestas ou incoerências, contribuindo, assim, com a proposta do grupo de compositores Jazz Composers Collective que é, justamente, fazer uma transição entre a tradiçao do Jazz Moderno das décadas antepassadas com a mais recente pluralidade imposta a partir da década de 90. Estilisticamente, Ron Horton segue entre o sopro ao estilo do ja citado trompetista Kenny Wheeler e as multiplas abordagens de Dave Douglas, imprimindo, a partir daí, uma roupagem que, mesmo mainstream, é criativa. A proposta de Horton como músico e compositor associado ao JCC é, portanto, conduzir projetos onde a criatividade englobe estilos variados, valorizando tanto os fraseados do mainstream moderno como também as intrincações do avant-garde através de composições que unam toda essa pluralidade de técnicas e estéticas impostas desde os primórdios do jazz moderno, passando pelo post-bop, até as mais recentes misturas do Modern Creative. No disco Everything In A Dream (Fresh Sound, 2006), gravado numa formação de septeto com dois contrabaixos, Ron Horton mostra uma gama de abordagens que vai de baladas e temas líricos (como se presencia em "Lua Cheia Sobre Lisboa" e "Lamento d'Arianna") à temas que evocam o free-style (como se observa em Grovellin'). "Lamento d'Ariana", por exemplo, é dedicada ao grande trompetista Lester Bowie e seu grupo Art Ensemble of Chicago, pois é baseada num clássico chamado Les Stances A Sophie, desse mesmo grupo vanguardista liderado por Bowie na década de 70. Mas também há partes que mostram vestígios do hard bop, como na faixa "Bring It On/Phoenix". Enfim, os discos de Ron Horton, bem como de todos os músicos do Jazz Composers Collective, mostram que a estética do free jazz caminha para se tornar tão mainstream quanto o hard bop passou a ser a partir da década de 70 e, justamente por isso, Horton e seus companheiros não fazem acepção de estilos mas, ao contrário, se fazem contemporâneos e progressistas através das multiplas abordagens ou da "linguagem múltipla" característica do Modern Creative, estética que nada mais é do que uma fusão e confusão desses estilos ou, talvez, uma busca por novas linguagens através da mistura de todos os dialectos já dantes explorados. Concluindo, o Jazz sempre se estabeleceu através de fusões: algumas foram e são feitas para serem facilmente deglutidas pela massa, outras são estritamentes e naturalmente artísticas.


Jazz Composers Collective

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A despeito do livro de Stuart Nicholson - que foi uma grande piada para o mundo e um insulto aos jazzistas norte-americanos - sempre me apeteço em deixar por aqui amostras do refinadíssimo jazz que está a elaborar-se na Big Apple contemporânea. A onda do maisntream moderno ou Neo-Bop que começou em meados dos anos 80 transformou-se numa "bola de neve" no sentido de vir conscientizando, ano após anos, os músicos novos e veteranos a valoriar as heranças jazzísticas e suas tradições culturais; os músicos que surgiram na década de 90, por sua vez, já surgiam fascinados por essa onda de revalorização do Jazz como maior indentidade musical norte-americana. A comparar com a segunda metade da década de 60 - quando o jazz desfalece ao perder Eric Dolphy e John Coltrane - e com toda a década de 70, o Jazz renasce não só no sentido de ter retornado com força total ao mercado fonográfico, mas o Jazz renasce e se enriquece no sentido de que os músicos dessa nova era procuraram mostrar que eles também podiam ser um Duke Ellington, um Charles Mingus ou um John Coltrane, além do cuidado de retomar e preservar a identidade jazzística após duas décadas de experimentalismos, de retomar o swing, o aspecto bluesy, reforçando, ainda, o uso da composição modal (iniciada por Miles Davis) e uma maior preocupação em mostrar capacidade de ser um bom compositor.



Michael Blake, Ron Horton, Ted Nash, Ben Allison, Frank Kimbrough


Agora no atual século 21, por exemplo, há um bom número de grandes compositores que já podem se considerar criadores perpétuos da história do Jazz a ser contada num futuro próximo: a começar por Wynton Marsalis, o maior deles, podemos citar alguns gigantes como Maria Schneider, Terence Blanchard, Dave Douglas, Avishai Cohen e etc. Mas há em Nova Iorque, a tal Big Apple citada, um grande número de compositores tão geniais quanto subestimados: trata-se dos componentes do Jazz Composers Collective, uma organização sen fins lucrativos lideradas por quatros compositores inventivos que passaram a realizar, de 1992 a 2005, uma série de concertos e workshops para expor as suas criações e as criações de novos e inventivos compositores. Talvez o fato que explica a tal subestimação é que a maioria dos músicos e compositores que compõe as realizações do JCC são representantes dos anos 90 e do cenário atual, do jazz que ainda está a elaborar-se nesse início de século 21, ou seja, muitos deles ainda não foram devidamente analisados e reconhecidos como grandes compositores do Jazz Contemporâneo, sendo que os número de músicos veteranos que participaram dos programas e projetos geridos pelo JCC é uma minoria. O JCC não chega a ter sua essência apenas no avant-garde e nem é rotulado como tal, mas é um grupo progressista que preza o Modern Creative, ou seja, a composição moderna de escrita apurada, valorizando tanto as heranças do chamado Jazz Moderno quanto as novas sonoridades do pós-modernismo como a eletrônica e o avant-garde; o JCC é um grupo similar a outros grupos já vistos como Arnold Schoenberg's Society for Private Musical Performances, Charles Mingus' Jazz Composers Workshop e Jazz Composers Guild. Enfim, devido a essa grande conscientização pela qual passou o Jazz norte-americano na década de 80 e 90, o JCC também é composto de representantes e aficionados pelo Mainstream, mostrando a preocupação e sentimento que o compositor e músico norte-americano tem de inovar e, ao mesmo tempo, de preservar a indentidade do Jazz norte-americano. Os músicos-compositores que lideram o movimento são o saxofonista-alto Ted Nash (conhecido também como ilustre colaborador de Wynton Marsalis), o contrabaixista Ben Allison, o trompetista Ron Horton, o pianista Frank Kimbrough e o saxtenorista Michael Blake. Dentre os músicos que já participaram e são convidados frequentes estão o trombonista Wycliffe Gordon, o trompetista Ralph Alessi, o pianista Vijay Iyer, os baterista Brian Blade e Jeff Ballard, a saxofonista Jane Ira Bloom, o contrabaixista Mark Helias, o trompetista Wynton Marsalis, o baterista Michael Sarin, o tubista Marcus Rojas e muitos outros...


Jazz Composers Collective - Michael Blake

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Kingdom of Champa 1997


1. Champa Theme, The
2. Dislocated in Natrang
3. Folksong
4. Purple City
5. Mekong
6. Hue Is Hue?
7. Perfume River


Michael Blake (tenor & soprano saxophones, bass clarinet); Steve Bernstein (trumpet, cornet, slide trumpet); Thomas Chapin (flute, bass flute, piccolo, baritone saxophone); Marcus Rojas (tuba); Rufus Cappadocia (cello); Bryan Carrott; (vibraphone); David Tronzo (slide guitar); Tony Scherr (acoustic & electric basses, moonlute); Scott Neumann (drums); Billy Martin (percussion)



Michal Blake é mais uma feliz descoberta! Ele faz parte dessa nova onda estilística que denominam como Modern Creative, uma corrente do Jazz Contemporâneo que tem mostrado a capacidade de unir as tradições e ingredientes inerentes do Jazz às ultimas inovações e possibilidades da música pós-moderna: "For over two decades the Brooklyn based saxophonist/composer/arranger Michael Blake has presented an array of innovative bands and compositions that display a keen ability to simultaneously embrace jazz history while challenging it head on" é o que diz o início da sua biografia que em seu site. Michael Blacke nasceu no Canadá, passou por Califórnia e Vancouver, mas acabou por fixar residência em Nova Iorque, sendo um dos mais inquietantes e inovadores compositores da Big Apple contemporânea: ao seu redor estão músicos nova iorquinos e de outros cantos como Stefon Harris, Miguel Zenon, Jane Ira Bloom, Ted Nash, Ben Allison, Jeff Ballard, Matt Wilson, dentre outros compositores e músicos de peso do novo Jazz.


A música de Michael Blake me soou linda e ao mesmo tempo perturbadora! Algo que já tinha me acontecido quando ouví Jason Moran, Vijay Iyer e Ken Vandermark pela primeira vez! A música de Blake está repleta de efeitos eletrônicos ao mesmo tempo em que valoriza as harmonias bluesy: há uma preocupação de perturbar o ouvinte com criações timbrísticas inusitadas, como a união do timbre quente e encorpado dos instrumentos acústicos com as sonoridades secas, cruas e artificiais da música eletrônica. Com uma escrita composicional apuradíssima, Blake nos mostra que os vários estilos que permeiam o Jazz Moderno e Contemporâneo são nada mais do que ingredientes, dentre os quais figuram desde as frases parkerianas, passando pelo pós-bop, modal, até englobar o Free Jazz para formar, assim, a estética contemporânea maracada pela ecleticidade e pluralidade de técnicas e estilos dantes explorados. As formações instrumentais e orquestrais são igualmente intrigantes e inusuais. Kingdom of Champa, de 1997, esse é o primeiro disco solo de Michael Blake, onde o tenorista e compositor usou o Vietnam como temática para produzir um disco de sonoridade única.


Outros Excelentes Sites Informativos (mais sites nas páginas de mídia e links)