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Mostrando postagens com marcador Christian McBride. Mostrar todas as postagens
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Os 10 Melhores Álbuns de 2011 compreendidos em gêneros diversos.

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Gary Burton
 Passou o ano de 2011, no qual tivemos muitas surpresas -- shows, álbuns, debates, a cena de São Paulo com uma pá de bons músicos (novos e veteranos) e em sintonia com outras cenas internacionais e etc --, e agora o que nos resta é fazer restropectivas e torcer para que o ano de 2012 não seja tão apocalíptico como alguns "nostradamus" já pressuporam. Neste post, dou uma pincelada acerca dos possíveis melhores álbuns do ano, alguns dos quais foram resenhados aqui -- mas, claro, também vou indicar álbuns que foram resenhados em outros holofotes: jornais, portais e blogs que acompanhamos através dos links aqui dispostos e da página "MIDIA", com menu disposto no topo deste blog. Lembro, antes de mais nada, que nossas escolhas para os 10 Melhores Álbuns do Ano compreende, além do nosso gosto pessoal, outros álbuns relacionados às estéticas música instrumental brasileira, improvisação livre e música erudita contemporânea, bem como a repercussão de outros álbuns indicados por amigos que acompanhamos ou que nos acompanham. Uma pena que devido ao nossos empregos não dê para resenhar devidamente todos os álbuns que temos contato auditivo, mas isso é compensado com o pouquinho que cada blogueiro, jornalista e amigo nos passa. Adiantando um pouco, algumas das surpresas desta compilação é a volta esplêndida do vibrafonista Gary Burton ao topo dos holofotes, o álbum de parcerias do contrabaixista Christian McBride, o álbum de Steve Reich em memória ao 11 de Setembro e o estonteante álbum do avant-garde-trompetista Peter Evans, de quem falarei mais em breve. Acessem aí! Para ler a resenha dos álbuns basta apenas clicar em suas imagens. Boa Viagem!

Entrevista - Melissa Walker & Christian McBride: a conexão entre músico e cantor e o desafio de "jazzificar" o pop moderno!

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Entrevista: Vagner Pitta & Luís Delcides
Fotos: Mila Maluhy & Luís Delcides


Seguindo com mais uma das entrevistas que realizamos com os músicos presentes na 3ª edição de Brigestone Music Festival, ocorrida de 19 à 22 de Maio de 2010, apresento-vos as respostas da cantora canadense Melissa Walker e do seu marido, o já legendário contrabaixista norte-americano Christian McBride. Melissa, na condição de cantora benquista pela crítica, e McBride, como um dos contrabaixistas mais requisitados das últimas décadas, nos falaram sobre o porquê de ser tão comum o fato dos músicos e cantores de jazz abastecer seus repertórios de canções da música pop, haja vista que o show daquela noite não seria pautado apenas por standards antepassados, mas por canções do pop moderno, entre elas, por exemplo, “Don't Give Up”, de Peter Grabriel (um dos cérebros da banda de pop e rock progressivo Gênesis, antes de seguir carreira solo) –- isso, segundo eles, é um dos elementos inerentes à própria tradição e cultura do jazz. Além disso, o casal também explicitou suas impressões sobre a música e o povo brasileiro, bem como falaram de algumas das suas influências –- Melissa até nos adiantou que cantaria “Flor de Lis” de Djavan, o que ocorreu, de fato, sem a pegada do nosso samba, mas com graça e requinte. Na verdade, a entrevista beirou a um bate papo descontraído, apesar de ter sido realizada num período apertado, de mais ou menos vinte minutos. Christian e Melissa foram super simpáticos e víamos que eles se sentiam a vontade conosco ali nos estofados do camarim. Melhor assim.

Após apresentações formais, Christian não deixou de notabilizar a presença do gaitista Gregoire Maret junto à sua banda naquela noite, já que a formação do seu quinteto, o Inside Straight, não pôde estar presente com ele dessa vez aqui no Brasil. Ele disse: “Você conhece esse cara? Esse cara toca Charlie Parker na harmônica como ninguem”! Tímido, o gaitista apenas deu um sorriso modesto e acompanhou a entrevista quase todo tempo calado. E de fato, a presença de Maret no show foi um adendo mais do que especial: algumas pessoas com as quais conversei lá no evento, e outras com as quais troquei mensagens no Twitter acharam que sua performance superou até mesmo a presença da cantora, Melissa Walker – quando, na verdade, seus solos deveriam ser apenas um complemento. A cada solo efusivo – com vôos que pareciam querer romper os limites do pequeno instrumento – a platéia presenteava Maret com aplausos mais do que calorosos.

O companheiro jornalista Luis Delcides, também presente na entrevista, havia sido o contato pela produção do Bridgestone naquele mesmo dia para fazer toda uma correria atrás de um contrabaixo elétrico de confiança que atendesse às recomendações de McBride. Atuante no segmento de Assessoria de Imprensa, Delcides explicou ao contrabaixista como funcionou a “correria”: uma busca em sua agenda, contatos via telefone, e-mail, Twitter e Facebook com alguns dos maiores contrabaixistas paulistanos, entre eles Bruno Migotto, Nino Nascimento e Arismar do Espírito Santo. Por fim, o legendário Arismar foi quem emprestou seu experimentadíssimo instrumento ao contrabaixista americano. McBride, por sua vez, agradeceu Delcides e elogiou todo o empenho da produção.


Segue, abaixo, a entrevista:

Qual são as impressões e expectativas de vocês em relação ao publico brasileiro? É a primeira vez que vocês vem ao Brasil?

Melissa Walker: É minha segunda vez. Chris já veio ao Brasil três vezes. Na verdade, aqui em São Paulo é primeira vez. A primeira vez que vim ao Brasil foi em 98, através do consulado americano. As pessoas aqui são muito alegres e gentis. Na época que fiz turnê aqui, era a época do campeonato mundial de futebol – Copa do Mundo que o Brasil ganhou --, e fiquei impressionada com a festa gigantesca que presenciei aqui, pois parece maior que qualquer festa que já presenciei nos EUA. Passei por Vitoria, Rio de Janeiro e Amazonas. Mas nessa época eu ainda não conhecia e não era casada com Chris (risos).

É sabido que, além de líder de banda, você tem muita experiência em acompanhar cantoras e cantores. Qual a diferença entre acompanhar cantores e tocar música puramente instrumental?

Christian McBride: São muitas. Acompanhar cantores exige grande sensibilidade e dinâmica. Mas o que eu tento fazer é trazer pra atualidade a tradição dos grandes contrabaixistas -- como Ray Brown, por exemplo --, que escutavam os cantores e os considerava como parte da banda, como se fosse mais um instrumento, mais uma voz da banda do que algo à parte dela -- por essa prática, aliás, Ray Brown foi um dos mais requisitados contrabaixistas da história. Percebo que em algum momento da história da música essa conexão forte entre cantores e a banda passou a inexistir ou já não existe de forma tão integrada como era antes, pois hoje em dia ou os músicos se colocam à parte ou o cantor se coloca distante da banda, como algo superior. Não tem sentido isso, não sei como isso foi acontecer...

Na década de 1980 e 1990 presenciamos uma geração de jovens que tiveram como ênfase estudar as tradições do jazz.Você é um dos principais contrabaixistas das últimas décadas e tem lançado interessantes discos de vertente contemporânea. Quais as tendências do jazz neste inicio de século?

Christian McBride: Não acho que dê pra segmentar, agora, todas as tendências do jazz – é uma tarefa para depois. E também, as tendências variam de lugar pra lugar. Mesmo nos EUA não há uma tendência dominante: New York, San Francisco, Chicago, New Orleans... -- nesses lugares há um grande público de jazz e as tendências variam conforme a cultura de cada região. Há tendências que surgem em outros países também. No Brasil mesmo há um público considerável de jazz. A bossa nova foi uma das grandes tendências nos anos 60, por exemplo. Todo músico de jazz passou a ser influenciado pela bossa nova.

Vocês gostam da música brasileira? Gostam de algum músico brasileiro em especial?

Melissa Walker: Sim gostamos muito da música brasileira. Gostamos de Ivan Lins, Milton Nascimento, Djavan e muitos outros...Christian tocou com Ivan Lins há dois anos atrás e também tocou com Tom Tobim dois meses antes dele falecer. Eu, particularmente, adoro a música de Djavan. Lembro quando ele estourou, quando o sucesso dele chegou na América: foi um grande impacto para mim; achei uma música linda, de um lirismo impressionante.

Gregoire Maret: Eu acho impressionante o lirismo da música brasileira. Como eu toco harmônica, um instrumento lírico, esse é um dos fatores que mais me inspiram...

Christian McBride: Wow, man, Tom Jobim! Lembro desse show com Tom Jobim. Foi um show no Carneggie Hall com vários músicos em homenagem ao 50 anos de aniversário da Verve Records. O contrabaixista convidado era Charlie Haden, que não pôde estar presente em todas as faixas. Pat Metheny, então, me convidou para uma curta substituição. Dois meses depois ele faleceu: foi um grande choque. (partes desse shows foram compilados no excelente disco Carnegie Hall Salutes The Jazz Masters: Verve 50th Anniversary)


Seus repertórios contém temas da música “pop”. Há uma tendência dos cantores e músicos de jazz atualizar o repertório do jazz inserindo temas de outros gêneros? Por quê?

Melissa Walker: Acontece que o jazz sempre foi popular. Os cantores e músicos de jazz escreviam para a Brodway e muitos temas de cantores e compositores populares também viraram standards do jazz. E até hoje essa conexão não acabou. Ella Fitzgerald é pra mim um grande exemplo: ela cantou inúmeras canções populares que não foram escritas por músicos de jazz – de Beatles à Tom Jobim.

Então, pop é só uma questão de rótulo? Assim como os músicos de jazz usavam temas populares de Cole Porter e Irving Berlin, é natural vermos temas do pop contemporâneo no jazz?

Christian McBride: Sim...veja... Cole Porter, Frank Sinatra, Stevie Wonder, Irving Berlin, Harold Arlen, Beatles, Sting, Peter Gabriel...todos foram ou são “pop”. Assim, como os músicos de antigamente, temos nossas referências na música popular atual e a usamos, traduzimos para nossa linguagem...

Melissa Walker: Na verdade, sabemos que desde o início o jazz também se baseava através de elementos populares que não são do jazz, propriamente dito, mas que foram traduzidos para nossa linguagem. E fazer isso não é fácil: isso sempre será um desafio.

O seu ultimo disco, Kind Of Brown, é uma paráfrase do Kind of Blue de Miles Davis ou uma homenagem ao contrabaixista Ray Brown?

Christian McBride: Ao contrario do que alguns críticos estão dizendo, meu ultimo álbum não faz uma homenagem exclusiva ao Ray Brown, nem à James Brown e nem parafraseia o Kind of Blue do Miles Davis: não foram essas as intenções. Mas lógico que Ray Brown é uma referência importante: não só pra mim, mas para todos os contrabaixistas. No meu caso, Ray Brown foi pra mim mais do que uma grande influencia, foi um mestre, um amigo pessoal com o qual toquei e convivi (no projeto Super Bass, principamente, com o também contrabaixista John Clayton).

Curiosidades: para quem quiser saber mais sobre a biografia, discografia e ouvir faixas da cantora Melissa Walker e do contrabaixista Christian McBride, clique nas imagens e acesse seus respectivos sites. Acesse também resenha em português, aqui do Farofa Moderna, sobre os excelentes lançamentos de McBride.


O prolífico Christian McBride: atualizando o passado, ditando o presente !

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Conheço algumas pessoas – dentre elas colegas próximos – que só consideram gigantes os músicos do passado: simplesmente porque já há todo um legado em torno deles e se criou toda uma nostalgia e uma mitificação em torno dos seus talentos e das suas façanhas, de forma que até seus pecados e limitações são exaltados com descrições nostálgicas e poéticas. Essas pessoas não aceitam que músicos e compositores das últimas décadas, que já são legendários – como um Wynton Marsalis, por exemplo –, sejam considerados lendas vivas ou sejam postos no mesmo patamar de gênio que alguns músicos e compositores do passado – como Charles Mingus ou Miles Davis – são postos pela critica especializada. Ou seja, para essas pessoas um músico e compositor como Wynton Marsalis precisaria envelhecer, morrer, ter seu legado e suas história analisada afim de garantir um “peso histórico”, ser amplamente aceito pelo público jovem das gerações futuras como um “músico beatificado” para, enfim, ser considerado lenda ou mito com uma importância relevante na história do jazz tanto quanto Charles Mingus possui – é uma opinião até coerente e aceitável. No entanto, todos nós sabemos que até os mitos precisam, de tempos em tempos, de uma ajudinha do mercado para se manterem em voga: um exemplo disso são as recentes homenagens e os relançamentos do álbum histórico Kind of Blue, os quais vieram em 2009, ano do 50º aniversário do lançamento original, a fim de reafirmar a importância que esse trabalho de Miles teve dentro da história, bem como reafirmar o seu legado dentro do jazz contemporâneo – ou seja, até os mitos entram e saem da moda, podendo voltar aos holofotes de tempos em tempos. Mas também sabe-se que em toda a história da música sempre houve, de fato, casos raros de músicos e compositores vivos – alguns deles ainda jovens – que foram considerado gênios e lendas vivas em suas épocas: isso já aconteceu ou pelo viés do tradicionalismo ou pelo viés do vanguardismo. Eu, particularmente, não só aceito que haja músicos do presente que podem ser colocados no mesmo patamar de “gênio” que os músicos do passado, como também acredito que alguns já ultrapassam os mestres com feitos e façanhas gloriosos: e essa resenha destaca, sobretudo, alem do citado Wynton Marsalis – que ultrapassou trompetistas com sua completude e ultrapassou compositores com sua escrita erudita – o contrabaixista Christian McBride, principal e mais aclamado nome do contrabaixo da atualidade.


Se McBride encerrasse sua carreira hoje, aos 38 anos, ele já teria seu nome posto na história como um dos maiores contrabaixistas de todos os tempos. Com devoção confessa à mestres como o “pai” do funk James Brown e os contrabaixistas Ray Brown e Paul Chambers, Christian McBride surgiu, inclusive, através das mãos abençoadas de Wynton Marsalis quando ainda tinha 14 anos, na década de 80. Wynton, já em sua fase de precoce consagração aos 25 anos de idade, descobriu o jovem McBride em um workshop quando estava em turnê pela Philadélphia, em 1986, convidando-o para tocar em um projeto que ele estava desenvolvendo com a Academy of Music. Apenas alguns poucos anos, entre os direcionamentos de Wynton – que pregava um revival ao jazz acústico e às tradições como um novo ponto de partida para o jazz pós-fusion –, os estudos na High School of Performing Arts, a breve passagem pela Julliard School of Music e sua fase inicial como sideman dos mais variados músicos, foram suficientes para que Mcbride iniciasse a década de 90 já como a principal revelação do contrabaixo: em 1989, por exemplo, ele foi escolhido por Ghunter Schuller para executar a dificílima suíte de Mingus, intitulada Epitaph; e em 1992, ele foi considerado pela revista Rolling Stone como um dos principais músicos de jazz do ano. Mas isso estava acontecendo de forma precoce porque o próprio jovem McBride largara os estudos na Julliard School para tocar com os mais variados músicos do jazz e fora dele: talvez por considerar que, por já ter uma agenda extremamente cheia, a sua principal escola seria tocar com o maior número de músicos e bandas possíveis ao invés de ficar confinado em uma sala estudando conceitos musicais. Essa fase inicial da sua carreira é marcada pelas colaborações com os principais “Young Lions” da época, bem como com muitos músicos consagrados: a começar por Wynton Marsalis, o saxofonista Bobby Watson (que, ao lado do trompetista, foi quem mais lhe ajudou), o trompetista Roy Hargrove, o saxofonista Joshua Redman, a jazz singer Betty Carter (outra das suas entusiastas), os veteranos trompetista Freddie Hubbard e o saxofonista Benny Golson, até o guitarrista Pat Metheny, que o convidaria para integrar seu acústico Pat Metheny’s Special Quartet. 



Christian McBride & Ray Brown




















(Kind of Brown)


Mas se por um lado Christian McBride passou a ser o contrabaixista de jazz mais requisitado da sua geração, por outro lado essa resenha tem a função de mostrar a faceta mais pessoal e autoral da sua carreira, que já conta com 9 títulos originais. O primeiro trabalho solo do contrabaixista, o álbum Gettin' To It, foi lançado em 1995, logo após assinar um contrato com a gravadora Verve: trata-se de um trabalho na linha do neo-bop wyntoniano que contou com músicos da linhagem dos “young lions” : o pianista Cyrus Chestnut, o trompetista Roy Hargrove, o saxtenorista Joshua Redman e o baterista Lewis Nash. Essa predominância do neo-bop, uma tendência revivalista iniciada por Marsalis que consistia em resgatar o swing e atualizar as variações do bop, foi o ponto de partida para que McBride chegasse adotar uma estética mais eclética a partir do final dos anos 90 – ainda que sem deixar de celebrar a influência dos mestres –, afirmando-se , logo depois, como um dos expoentes do modern post-bop, uma das estéticas que caracterizam o jazz produzido nesses últimos anos. Em sua fase “young lion” McBride lançou mais dois albuns onde observa-se com nitidez uma atualização das formas acústicas do bebop, hard-bop e post-bop do passado: em Number Two Express, McBride usa e abusa da linguagem bop através de diferentes combinações entre músicos jovens e veteranos, onde participam os sax-altos Kenny Garrett e Gary Bartz, o vibrafonista Steve Nelson e os pianistas Chick Corea e Kenny Barron, o percussionista Minu Cinelu e o baterista Jack DeJohnette; já em Fingerpainting: The Music of Herbie Hancock, McBride atua em trio com o trompetista Nicholas Payton e o guitarrista Mark Whitfield para prestar uma homenagem acústica e sem bateria ao lendário pianista Herbie Hancock, músico que fez história no post-bop sessentista e no fusion setentista. Porém, os lançamentos de Cristian McBride a partir de 1998, assim como os da maioria dos chamados young lions, entraria nessa fase mais recente do modern post-bop, englobando influências diversas como o neo-soul, o jazz-funk, o fusion e o hip hop. Em A Family Affair e Sci-Fi, últimos álbuns lançados pela Verve (em 1998 e 2000, respectivamente), Christian McBride usa não só contrabaixo acústico como também o elétrico, mostra performances intrincadas onde fica evidente a admiração por contrabaixistas do fusion como Jaco Pastorius e Stanley Clarke e usa composições de James Brown, Stevie Wonder, Sting, dentre outros compositores do além-jazz.

Gettin' To It (Verve, 1995)
































Essa personalidade eclética, com um pé na tradição dos mestres e outro na ousadia de tocar das mais variadas formas, viria a acontecer não só porque Christian McBride estava aderindo à essa recente corrente do jazz contemporâneo onde já não existe um “ismo” ou uma estética dominante, mas, sobretudo, porque desde o início McBride se dispôs a tocar com os mais variados músicos e bandas, não fazendo juízo de valores, ainda que acertando nas escolhas entre os projetos mais comerciais e os mais intrincados. Do início dos anos 90 ao início dos anos 200, McBride já havia tocado com uma multidão de músicos e bandas que não se limitava apenas ao espectro do jazz: desde Freddie Hubbard, Joe Henderson, McCoy Tyner, Herbie Hancock, Pat Metheny, Diana Krall, Roy Haynes, Chick Corea, Wynton Marsalis, Joshua Redman, Ray Brown's , John Clayton, até com músicos do hip-hop, pop e neo-soul, tais como The Roots[1], Kathleen Battle, Carly Simon, Sting, Bruce Hornsby, James Brown e Chris Botti. Entre 2001, em um outro exemplo de versatilidade, McBride lançou um projeto com o pianista Uri Caine chamado "The Philadelphia Experiment”, projeto que reuniu um trio inusual de músicos da Philadélphia com diferentes estilos – Uri Caine (pianista e tecladista mais caracterizado pelo modern creative), Ahmir "Questlove" Thompson (baterista com fluência no funk e hip hop) e o próprio McBride (com seu neo-bop e modern post-bop) –, o que resultou no disco homônimo lançado pela gravadora Ropeadope nesse mesmo ano (posteriormente, com o sucesso desse projeto, a gravadora lançaria os semelhantes The Detroit Experiment e The Harlem Experiment, com músicos com técnicas distintas de Detroid e de Nova Iorque, respectivamente).


(Live at Tonic)

Os três últimos álbuns e projetos de McBride são, sem dúvida, o sumo da sua faceta pessoal, que caracterizou sua carreira nesse início de século 21 e, por consequência, contribui para definir as roupagens do neo-bop e modern post-bop nesses últimos anos. Em 2002 ele fundou sua Christian McBride Band, um quarteto com o saxofonista Ron Blake, o pianista e tecladista Geoffrey Keezer, e o baterista Terreon Gully (quem esteve na edição de 2008 do Festival Tudo é Jazz de Ouro Preto pôde conferir a atuação da banda): com essa banda, então, ele lançou pela Warner, em 2003, o interessante Vertical Vision, que também teve a atuação do ilustre guitarrista do m-base David Gilmore, como convidado . Em 2005 ele voltou a gravadora Ropeadope para solicitar uma astuta gravação de um show ao vivo no extinto e, até então excelente, clube nova-iorquino Tonic (que fecharia as portas em 2007): o álbum Live at Tonic, lançado em 2006, contém três discos de longas performances improvisativas e viscerais, onde os estilos neo-bop, o fusion, o funk e o hip hop, bem como os timbres dos instrumentos acústicos e os timbres dos psicodélicos, se unem num resumo que caracteriza perfeitamente as fusões que estão acontecendo no jazz americano dos últimos anos e do início do século 21 – trata-se de um projeto de três noites no clube Tonic com seu já habitual quarteto (com Geoffrey Keezer, Ron Blake e Terren Gully) mais uma leva de convidados que inclui o pianista Jason Moran, a violinista Jenny Scheinman, o guitarrista Charlie Hunter e o músico de hip hop DJ Logic. Já em seu trabalho mais recente, Kind of Brown (Mack Avenue, 2009), McBride apresenta um outro quarteto, dessa vez denominado Inside Straight, com o qual parafraseia o título do álbum Kind of Blue, de Miles Davis, para prestar uma talhada homenagem ao mestre do contrabaixo Ray Brown, com quem tocou no projeto Superbass (documentado em dois discos lançados pela Telarc, um em 1996 e outro em 2001). Nas palavras do crítico Michael G. Nastos para o All Music Guide, a roupagem "straight-ahead" do álbum Kind of Brown, que mostra, junto à McBride, as atuações do jovem vibrafonista Warren Wolf , do saxofonista Steve Wilson, do pianista Eric Reed e do baterista Carl Allen, lembra os excelentes trabalhos do vibrafonista Bobby Hutcherson em parceria com saxofonista Harold Land registrados pela Blue Note na década de 70; mas é preciso lembrar que, se a intenção de McBride foi mesmo produzir um tributo alusivo ao seu mestre, é possível que ele também tenha se inspirado na gravação de Ray Brown com o vibrafonista Milt Jackson na edição de 1977 do Montreaux Jazz Festival (no DVD da serie Norman Granz’ Montreaux Festical), os quais se apresentaram com uma banda monstruosa, no dia 13 de Julho de 77, tendo atuações fantásticas de Clark Terry no trompete e flugelhorn, Monty Alexander no piano, Eddie "Lockjaw" Davis no sax tenor e Jimmie Smith na bateria. Assim, concluindo, não é preciso nenhum esforço para entender que Christian McBride, enfim, chega à segunda década do século 21 – como um dos maiores expoentes do jazz contemporâneo e como o principal contrabaixista da sua geração – atualizando o passado e ditando o presente: os discos Live at Tonic (2006) e Kind of Brown (2009) são alguns dos principais lançamentos a caracterizar o jazz genuinamente americano dos últimos anos.

Clique nas imagens para saber mais sobre Christian McBride: ou para comprar, ouvir e baixar seus discos. Na Comunidade Farofa Moderna do Orkut, o excelente disco Live At Tonic está disponível para download. Entre e baixe-o!


Outros Excelentes Sites Informativos (mais sites nas páginas de mídia e links)