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Perfil: o pianista Dave Brubeck, o saxofonista Paul Desmond e o quarteto ímpar – literalmente ímpar !!!

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Dave BrubeckPaul Desmond

  The Way You Look Tonight [Jazz At Oberlin, 1953] Blue Rondo a La Turk [Time Out, 1959] Take Five [Time Out, 1959] Far More Blue [Time Further Out, 1961] Unsquare dance [Time Further Out, 1961] Bru's boogie woogie [Time Further Out, 1961] It's A Raggy Waltz [Dave Brubeck Quartet at Carnegie Hall] Tokyo Traffic [Jazz Impressions of Japan, 1966] Coração Sensível [Bossa Nova USA, 1962] World's Fair [Time Change, 1963] Shim Wa [Time Change, 1963] Tritonis [Tritonis, 1980]

O "progressive jazz" de Stan Kenton, o mago inovador das big bands!!!

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Poucas coisas são tão agradáveis do que ouvir as trilhas metálicas de Stan Kenton depois de um certo tempo de desapego do tradicional swing jazz. Caso estivesse vivo, Stan Kenton teria completado 100 anos. Baseado neste centenário, o Jazz at Lincoln Center, de Wynton Marsalis, fará uma homenagem ao mago das orquestras de jazz que começou a incendiar as paradas já a partir dos anos 40. Por sua vez, o blog A Blog Supreme do Portal da NPR (National Public Radio, EUA) publicou um interessante post que recorda a carreira do bandleader e arranjador em cinco faixas de áudio de cinco respectivos discos da sua discografia -- quem lê em inglês com certeza desfrutará de boas informações e observações dispostas no post. Stan Kenton -- eu já falei um pouco dele aqui, onde vocês podem até baixar um álbum seu -- foi um dos mais inovadores chefes de orquestras da história do jazz, sendo, também, um dos pioneiros da estética "third stream": seus arranjos eram influenciados pela orquestração exuberante de Stravinsky e outros mestres da música erudita; sua orquestra, quase sempre explosiva, as vezes expressava uma delicadeza ímpar claramente advinda das idéias impressionistas de Debussy; em seus arranjos ele se mostrava um obcecado pelo brilhantismo dos metais, as vezes exagerando no número de trompetes ou nos efeitos com notas agudas impressos pelos mesmos...-- e por consequência desses e doutros elementos idiossincráticos, seu jazz, que ele chamava de "progressive jazz", foi muitas vezes taxado de não dispor de swing e de ser por demais pretensioso, o que era mais provocação do que verdade. Mas Kenton, que estava mais interessado em experimentar novos efeitos orquestrais do que produzir música de swing para dança, seguiu adiante até a década de 70 com sua concepção única. Abaixo o link para quem quiser ouvir as cinco faixas dispostas pela NPR.

East Coasting - Charles Mingus 1957

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SharingPioneiro do jazz moderno e excelente contrabaixista, Charles Mingus percorreu do bebop ao post-bop tocando com inúmeros músicos do jazz por quatro décadas. Além de um dos maiores bandleaders, foi compositor de mais de 300 músicas e participou da gravação de mais de 100 álbuns. O ano de 1957 de Mingus deu ao mundo grandes frutos, sendo um desses o álbum "East Coasting", o menos conhecido de Mingus entre os amantes do jazz. No entanto, trata-se de uma preciosidade fonográfica que não pode faltar na estante dos fãs do contrabaixista. Este é um álbum de características mais cool, mais tranqüilas e comportadas, considerando a intensidade das outras obras deste gênio visceral e de vanguarda. Aqui, Mingus não ousa tanto em arranjos como o faz em suas suites mais rebuscadas, mas dá luz à um disco de extraordinária qualidade musical, com um sexteto de tirar o folego. E que sexteto!. Ao lado dos habituais Jimmy Knepper e Dannie Richmond - companheiros de longa data - ouvimos Clarence Shaw, Curtis Porter e ninguém menos ninguem mais que Bill Evans - sim, esta foi a primeira e a última colaboração do sensível pianista em trabalhos do grande contrabaixista. Alguns pontos altos deste album é a sensibilidade encontrada no maravilhoso standard "Memories Of You" de Andy Razat e James Hubert Blake, a quase-turbulenta "West Coast Ghost" e a comovente "Celia", composição do proprio Mingus que confere ao álbum um swing característico do Hard Bop. Para mim, um admirador do Mingus-revolucionário, foi uma grata surpresa conhecer algumas de suas composições mais tranqüilas, mas, como sempre, de altíssimo nível. Não! Você não entratará neste álbum nenhum vestígio de polifonia, agressividade rítmica ou aquelas mensagens políticas e antiracistas como se encontra em suas obras masi revolucionárias. Mas, ao contrário, encontrará muita elegância, além da desconhecida sensibilidade de Mingus compartilhada com um dos mais refinados e sensíveis pianistas do Cool Jazz . Gravado em Agosto de 1957 em New York City. Originalmente lançado pela Bethlehem Records. Clique na imagem do disco para baixá-lo!!!

1. Memories Of You
2. East Coasting
3. West Coast Ghost
4. Celia
5. Conversation
6. Fifty-First Street Blues
7. East Coasting (Alternate Take 3)
8. Memories Of You (Alternate Take 3)

Musicos:
Charles Mingus - Baixo Acustico
Clarence Shaw - Trompete
Jimmy Knepper - Trombone
Curtis Porter - Sax. Alto & Tenor
Bill Evans - Piano
Dannie Richmond - Bateria


Stairway to The Stars - Chet Baker 1965

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Gravado em 23,24 e 25 de Agosto de 1965 numa maratona de tres dias nos estúdios Englewood Cliffs - New Jersey e com supervisão do engenheiro de som Rudy Van Gelder, Chet grava com o recem formado quinteto, tendo a frente o saxofonista tenor George Coleman (George Edward Coleman) como peça chave de sua musicas, logo depois de ter feito parte do Miles Davis Quintet. Um autentico West Coast que só Baker poderia representar.


Chet Baker - Flugelhorn
George Coleman - Sax. Tenor
Kirk Lightsey - Piano
Herman Wright - Baixo Acustico
Roy Brooks - Bateria

01 - Cherokee
02 - Bevan Beeps
03 - Comin' On
04 - Stairway To The Stars
05 - No Fair Lady
06 - When You're Gone
07 - Choose Now
08 - Chabootie
09 - Carpsie's Groove
10 - I Waited For You
11 - The 490


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Theme Music From "The James Dean Story" - Chet Baker & Bud Shank 1957

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James Byron Dean (James Dean 1931-1955) em alguns círculos, foi o epítome do Cool. Seu "viver rápido e morrer jovem" traduziu uma rebeldia palpável para uma geração fervilhada de grande influencia. Passou pela existência em brancas nuvens, deixando um legado que a muito aspira novos debutes sem êxito ou primazia. Assim como Dean, o trompetista Chet Baker também foi símbolo de arrefecer. Assim faz todo o sentido que o trompete de Baker agridoce fosse escolhido para desempenhar um papel importante na música para o filme-documentário A História de James Dean, em 1956. Este álbum de Chet Baker foi e é algo diferente do que apenas mais uma outra gravação dentro da sua discografia. Certamente que não me refiro a essa como sendo uma das mais valiosas sessões gravadas por Chet. Mas este álbum é mais um esforço coletivo de extraordinária delicadeza do que apenas um grupo de músicos reunidos para tocar com Chet, alguns ao longo das datas. É puro West Coast Jazz do mais alto calibre com todas as coisas preciosas que eram relevantes para cada um dos musicos deste estilo: a fluência entre o Cool e o Bebop. Quer dizer, não há aquele swing exarcebado, mas é adocicado. Não é apenas um conjunto de temas com sopros ligeiros visto nas corriqueiras sessões dos beboppers de outrora, mas é algo mais elaborado. Assim, sendo uma trilha sonora para o documentário sobre a vida de James Dean, segue-se uma espécie de conceito e os fluxos da música tenta-nos dizer a história dos diferentes momentos da vida do homem do “topete hollywoondiano” que era. A lista de músicos é absolutamente incrivel: Monty Budwig, Mel Lewis, Claude Williamson, Don Fagerquist, Charlie Mariano, Bud Shank, Pepper Adams e assim por diante, com uma simetria entre os instrumentos que deixa claro como as idéias e as aspirações são bem divididas. A modalidade do arranjo fica a cargo de dois dos maiores arranjadores da época, Johnny Mandel e Bill Holman. O ano é 1956 e a produção ficou a cargo de Richard Bock e Woody Woodward.
O filme (veja no Youtube), dirigido por Robert Altman e George W. George, fornece uma visão espacional de uma brilhante presença cada vez mais poderoso de James Dean e sua irreverência como ator e ser humano que era. Rodado após a sua morte e narrado por Martin Gabel, este filme apresenta uma colagem de clipes do cinema e da televisão, como entrevistas com seus familiares e amigos, bem como ainda fotos de toda a sua breve, mas intensa e lendária vida. Uma autentica prévia do Smooth Jazz da época, esse Cool Jazz pela Pacific Jazz Records. Gravado em Los Angeles em 8 de novembro de 1956. As faixas 3, 7 e 11 são mono.

Nota: O menor canal esquerdo drop-outs nas faixas 2 e 10 estão em fitas master originais. Reeditado em 2000. James Dean era filho único, seu nome foi uma homenagem da mãe ao poeta inglês Lord Byron. Filho de Wilton Dean um protético e metodista fazendeiro de Mildred Dean.

01 - Jimmy's Theme
02 - The Search
03 - Lost Love
04 - People
05 - The Movie Star
06 - Fairmont, Indiana
07 - Rebel at Work
08 - Success and Then What?
09 - Let Me Be Loved
10 - Hollywood
11 - Let Me Be Loved (Vocal Version)


Chet Baker - Trompete e Vocais
Monty Budwig - Baixo Acustico
Mel Lewis - Bateria
Claude Williamson - Piano
Don Fagerquist - Trompete (1, 2, 4,6, 8,11)
Ray Linn - Trompete (1, 2, 4, 6, 8, 11)
Milt Bernhart - Trombone (1, 2, 4, 6, 8, 11)
Charlie Mariano - Sax. Alto (1, 2, 4, 6, 8,11)
Bud Shank - Sax. Alto & Flauta (1, 6, 8, 11)
Richie Seward - Sax. Alto
Bill Holman - Sax.Tenor (1, 2, 4,11)
Richie Kamuca - Sax. Tenor (1, 2, 4, 6, 8, 11)
Pepper Adams - Sax. Barito (1, 2, 4, 6, 8,11)
Mike Pacheco - Percurssão (1, 2, 4 , 6, 8,11)

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Chet Baker Sings - Chet Baker 1956

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Quando Chet Baker resolveu assumir definitivamente o duplo trabalho como trompetista e cantor, em 1954, boa parte da imprensa especializada norte-americana torceu o nariz . Baker dono de uma sensibilidade invejável até mesmo pelos instrumentistas mais virtuosos, era aclamado como um dos trompetistas de jazz promissores de sua época, recebendo elogios de ex-companheiros de trabalho como os saxofonistas Stan Getz, Charlie Parker e Gerry Mulligan. Dessa forma, 'ceder espaço' de sua carreira como trompetista para a 'popular' tarefa como cantor não parecia ser a opção mais segura, segundo os críticos. No entanto seu talento ficou bem claro em "My Funny Valentine", onde muitos aprenderam a respeita-lo como cantor representante da vanguarda Cool. Mas também o álbum 'Chet Baker Sings', de 56, foi um sucesso de vendas e bem valorizado pela mídia menos purista. O romântico Chet, dono de uma voz frágil, delicada, quase sussurrante, provou ser afinadíssimo, preciso e criativo também como cantor. Depois de 54, seja durante gravações de álbuns nos Estados Unidos ou pela Europa, Chet passou a reservar espaço para produções vocalizadas. Nos anos 60, Chet passou mais tempo lutando contra os problemas na justiça, as detenções e o vício pela heroína do que propriamente sua voz ou seu trompete. Somente a partir da década de 70, quando o instrumentista tentou recuperar a carreira, bons álbuns foram novamente gravados, apesar da saúde em farrapos e delibitada. Conta-se que o disco "Chet Baker Sings" mudou a vida de João Gilberto, que era um imitador de Orlando Silva (e Fafá Lemos) quando cantava no conjunto vocal Garotos da Lua (um classico). João ia diariamente à lendária Lojas Murray, no Rio de Janeiro, o ponto de encontro dos jazzófilos, e, alguns anos depois, também dos bossanovistas. Naquele tempo, as lojas de discos tinham cabines para os compradores ouvirem suas bolachas, como diziam na época. Todos os dias João instalava-se numa delas passando horas ouvindo o LP de Chet. Encantando-se pela voz de Chet, operou-se uma metamorfose inacreditável em seu estilo. Passando a emular o timbre intimista de Chet, nasceu a voz mais conhecida da bossa nova quando gravou "Chega de Saudade", pedra fundamental do estilo que conquistou o mundo. Chet Baker Sings se tornou o primeiro álbum completo de corpo vocal e trompete de Chet ao longo de sua carreira.São 14 faixas, mostrando o seu lado cantor em seus momentos de pura nostalgia, acompanhado pelo amigo e pianista Russ Freeman, o qual ficou a cargo os arranjos e Kenny Drew de Milão, seguido por orquestra e arranjos de cordas. Na realidade são varias sessões até o final desta album: a primeira com as faixas de 1 a 6, gravado em 23 e 30 de Julho de 1856 e as faixas 7 e 14 em 15 de Fevereiro de 1954 na Capito Studio - Los Angeles. Selo: Pacific Jazz 7243 8 23234 2 6. Vale a pena comprar o LP ou CD (se existir). As fotografias são do freelance William Claxton.



01 - That Old Feeling
02 - It's Always You
03 - Like Someone In Love
04 - My Ideal
05 - I've Never Been In Love Before
06 - My Buddy
07 - But Not For Me (Vocal)
08 - Time After Time
09 - I Get Along Without You Very Well (Except Sometimes)
10 - My Funny Valentine (Vocal)
11 - There Will Never Be Another You (Vocal)
12 - The Thrill Is Gone (Vocal)
13 - I Fall In Love Too Easily
14 - Look For The Silver Lining

Chet Baker - Trompete, Vocals
Russ Freeman - Piano, Celesta
James Bond - Baixo Acustico
Peter Littman - Bateria
Larance Marable - Bateria
Bob Neel - Bateria
Carson Smith - Baixo Acustico

Sunday at the Village Vanguard - Bill Evans Trio 1961

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O que falar de um músico que participou de um dos mais importantes disco da história do jazz – Kind Of Blue, de Miles Davis -, que teve um dos mais influentes trios de todos os tempos - com Paul Motion (bateria) e Scott LaFaro (baixo) - e gravou discos definitivos como Portrait In Jazz, The Paris Concert, Waltz for Debby e Sunday at the Village Vanguard? Diante desses fatos, não há muito mais o que falar a não ser reverenciar e, principalmente, escutar todo o talento do pianista norte-americano Bill Evans. Nascido em Plainfield no dia 16 de agosto de 1929,William "Bill" John Evans(Bill Evans no mundo do jazz), foi o único músico branco nas gravações do mitológico Kind Of Blue e um dos jazzistas brancos mais influentes de toda a história. Assim como acontece com outros músicos de jazz, indicar um único disco de Bill Evans é quase uma heresia. Mas no caso do pianista a escolha não poderia ser mais óbvia: Sunday At The Village Vanguard, lançado em 1961. O disco, gravado ao vivo na casa de jazz nova-iorquina, traz Evans acompanhado de seu mais importante trio, composto por Paul Motian e Scott LaFaro. Outro fato “interessante” sobre este disco foi a "despedida" de LaFaro, que morreu 10 dias após a gravação deste concerto, em um acidente de carro, aos 25 anos de idade com indicios de bebidas e heroína. O disco abre com a clássica “Gloria’s Step”, com LaFaro solando como poucos e Motian atacando no estilo “vassourinha”. Toda a delicadeza de Evans está exposta em “My Man’s Gone Now”, composta pelos irmãos Gershwin, e "Jade Visions”. Outro clássico presente aqui é “All Of You”, de Cole Porter, com solos de LaFaro e Motian. Para terminar, Evans recria “Alice in Wonderland” e faz uma versão de quase 9 minutos da composição "Solar" de Miles Davis, faixa que traz solos “completos” dos três músicos. Outra dica importante é procurar o disco Waltz for Debby, uma espécie de volume 1 deste disco que será postado em breve. Para alguns críticos, Waltz é a personificação do clássico piano-trio, o qual Bill Evans popularizou. Diferentemente do que acontece em Sunday, no qual LaFaro está em destaque, Waltz traz o trio mais conciso e interagindo mais entre si. Apesar da morte prematura - Evans morreu em Nova York aos 51 anos em 15 de Setembro de1980 de nisuficiência hepática e hemorragia interna prococada pelo uso continuado de heroína e cocaína - o pianista continua uma referência para os novos músicos. Nomes como Brad Mehldau, Benny Green, Mulgrew Miller, Bill Charlap, Stephen Scott e Fred Hersch são exemplos vivos do legado deixado pelo maior pianista branco que o jazz já produziu.




“Had Bud Powell and Bill Evans not existed, Jazz would have had to invent them.” - C. M. Bailey

* Gravado ao vivo no Village Vanguard, NY, 25/06/1961.
* Um dos melhores discos de jazz feitos ao vivo, de acordo com qualquer crítica de jazz.
* LaFaro é considerado um “pai” para os baixistas de jazz, por criar estilo libertário, improvisador e marantes. Morreu num acidente de carro dez dias depois desta gravação, aos 25 anos.
* Produção - Orrin Keepnews
* Engenheiro de Gravação - Dave Jones
* Selo - Riverside

PS: Em 2006, o selo Riverside publicou um box de três Cds set contendo praticamente todo o material gravado no Village Vanguard de Bill Evans. Embora toda esta música, disponível na caixa de Riverside, tem a audiência de ambientação reforçada e inclui apresentações, discussões em palco entre os músicos, a interação com a platéia e alguns compassos da música que Evans improvisados para preencher a fita no final da noite. No total são 28 musicas e um estojo de luxo com uma resenha da vida e obra de Bill como também curiosidades.

With The Lighthouse All Stars - Chet Baker & Miles Davis 1953

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Este arquivo de 1952 é o registro de uma lendária sessão no famoso clube Farol em Hermosa Beachpara. Para os amantes que gostam de Cool jazz, esse é o único dos álbuns que mostra o mais raro e inesperado encontro de Chet Baker -- um branco que caminhava nas molduras do Cool -- e Miles Davis -- um negro que, apesar de ter sido um dos catalizadores desse estilo calmo e elaborado em 1949, estaria prestes a participar do virtuoso hard bop na essência de sua criação. Além de ser uma ponte que liga Miles Davis com Chet Baker, um dos mais novos e requintados músicos da criação jazzística na primeira metade dos anos 50, esse álbum também traz participações do clarinetista Jimmy Giuffre e do pianista Russ Freeman, músicos representantes da vanguarda na esfera dos progressos da época. Enfim, o disco se resume no raro encontro desses dois jovens trompetistas que, à época,  trabalhavam na linha do Cool Jazz. Na verdade Chet e Miles foram parceiros de banda, ainda que por um período curto. Tudo acontece no lendario Lighthouse Café, clube localizado em Hermosa Beach - Califórnia, onde, ainda hoje, continua ativo: após a II Guerra Mundial, o músico Howard Rumsey, cansado de tocar em sua big bands no fim de uma noite, resolveu passear pela cidade e foi dar de cara no Lighthouse, encontrando uma casa literalmente vazia. Rumsey pediu ao dono do local uma oportunidade para tocar naquele espaço. A banda que se formou e passou a tocar no Farol Club era a Lighthouse All-Star, um grupo que, em sua maioria, consistia de músicos brancos da costa oeste da Califórnia. Até Max Roach apresentou-se, nessa época, numa curta temporada de apresentações no local, e, posteriormente, trouxe o seu amigo Miles Davis para ingressar ao conjunto, no qual também chegaria Chet Baker para completá-lo.

O resultado é esse antológico album "With The Lighthouse All Stars", gravado em 13 de Setembro 1953 . O album apresenta nove faixas de altissima qualidade e uma interação de musicos de estrema inquietude. "At Last" abre o album norteando um belo arranjo cool, sendo seguida por "Winter Wonderland" com clichês-chave, onde Miles sola em seu trompete quase um sussuro. Seguem-se "Loaded", "I'll Remember April", "Pirouette", "Witch Doctor", "Infinity Promenade", 'Round Midnight', e "A Night in Tunisia", sendo essa ultima composta de um belo solo de Bud Haste, mostrando aos outros como um bom solo de saxofone deve ser feito, construindo declarações pautadas e claras em uma estrutura coesa que complementa o tema-canção. Chet Baker apresenta um trompete ascendente do West Coast que aparece simpaticamente mostrando o caminho que Miles completa. De certa maneira, é um trabalho histórico e interessante para os amantes deste período de início da carreira do Miles, época em que tentava quebrar o seu vício adquirido no início dos anos 1950. Realizada em 13 de setembro de 1953, e gravado pelo selo Contemporary Jazz, época em que Miles Davis estava na Califórnia para se livrar das "más" influências de Nova Yorque. Procurem esta pérola no buscador Captain Crawl.

Chet Baker - Trompete
Miles Davis - Trumpete
Rolf Ericson - Trumpete
Jimmy Giuffre - Clarinete
Bud Shank - Sax. Alto
Bob Cooper - Sax. Tenor
Russ Freeman, Lorraine Geller & Claude Williamson - Piano
Max Roach - Bateria

01 - At Last
02 - Winter Wonderland
03 - Loaded
04 - I'll Remember April
05 - Pirouette
06 - Witch Doctor
07 - Round Midnight
08 - Infinity Promenade
09 - A Night in Tunisia

Sonny Criss: From Bebop to the Birth of New Cool

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Outro músico da grande lista dos "unsung heroes". Trata-se, no entanto, de um gigante do seu instrumento: um verdadeiro entusiasta e continuador do estilo bebop, assim como foi seu xará Sonny Stitt. Entre os músicos de nome Sonny (Sonny Stitt, Sonny Rollins e Sonny Clarke), Criss é o mais esquecido ou o menos lembrado. Sua carreira começa tocando com um grupo chamado Rockies em meados dos anos 40. Sua primeira grande aparição foi em 1947 em jams e algumas gravações com Norman Granz. Sonny Criss também era um saxofonista peculiar de um fraseado bebop intrincadíssimo, além de possuir uma sonoridade gritante, forte e, muitas vezes, com vibrato: foi o músico preferido para executar solos em bandas de rock'n'roll como a de Fats Domino, Smiley Lewis e The Spiders. Tocou também com o grande baterista e entusiasta do Swing Jazz Buddy Rich, com Wynton Kelly e com o pianista Sonny Clarke. Até meados dos anos 50 Criss era apenas mais um dentre tantos músicos de Los Angeles, gravando sempre para pequenos selos como Imperial, Fresh Sound e Peacock Records. Depois passa a conquistar mais público a partir de breves trabalhos relacionados aos selos Capitol e Blue Note, chegando no ápice da sua carreira através de um contrato de três anos com a Prestige na década de 60, o que o colocou no grande rol de grandes altoístas da época como Cannonball Adderly e Sonny Stit. Em 1968, Sonny Criss atingiria o seu ápice: ele levou o prêmio Talent Deserving Of Wider Recognition da revista Downbeat e foi aplaudido de pé no Newport Jazz Festival. Logo após essa breve fase de sucesso sua carreira entra em declínio e ele passa a explorar o cenário da França, onde era bem aceito. Sonny Criss passou a sofrer de cancêr na década de 70: ele se suicidou em 1977. Antes de falecer, ele deixou gravado o interessante The Birth of New Cool. Também trabalhou com o grande - e também "unsung" - pianista de Los Angeles Horace Tapscott. Sonny Criss é hoje um dos músicos mais procurados por colecionadores que gostam de saxofone, especialmente o sax alto. Abaixo um link único para os dois álbuns. Baixe!!!

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Go Man! - Sonny Criss 1956
1.Summertime 
2. Memories Of You
3. Wailin' With Joe
4. How Deep Is The Ocean
5. Blues For Rose, The
6. Man I Love, The
7. Until The Real Thing Comes Along
8. Blue Prelude
9. After You've Gone
10. Come Rain Or Come Shine
11. How High The Moon
12. If I Had You

Sonny Criss (as)
Sonny Clark (p)
Leroy Vinnegar (b)
Lawrence Marable (d)
Master Recorders, Los Angeles, CA, July 1956 



The Birth of New Cool - Sonny Criss 1968

1. Sonny's Dream
2. Ballad For Samuel
3. Black Apostles, The
4. Golden Pearl, The
5. Daughter of Cochise
6. Sandy and Niles
7. Golden Pearl, The - (alternate version, bonus track)
8. Sonny's Dream - (alternate version, bonus track)

Sonny Criss (soprano & alto saxophones); David Sherr (alto saxophone); Teddy Edwards (tenor saxophone); Pete Christlieb (baritone saxophone); Conte Candoli (trumpet); Dick Nash (trombone); Ray Draper (tuba); Tommy Flanagan (piano); Al McKibbon (bass); Everett Brown Jr. (drums).


The Newest Sound Around - Jeanne Lee & Ran Blake 1961

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Eu nunca fui adepto às baladas, apesar de que, em alguns momentos de solidão ou com uma boa companhia, nunca descartei a possibilidade de deixar uma música melodiosa e indentificável pairando no ar enquanto leio um livro, enquanto tento enganar uma moça ou enquanto me perco em meio aos pensamentos mundanos (risos). As baladas, em geral, carregam, por sí só,  o estigma da ascendência comercial pelo fato de serem mais indentificáveis e, aparentemente, terem a simples missão de criar um fundo sonoro para o ouvinte. No entanto, as baladas só mostram serem simples, mas não são. As baladas têm um grande grau de dificuldade porque exige que o músico seja bom intérprete: e interpretação também exige certos adereços artísticos como a sutileza, exige técnica, dinâmica musical e muita sensibilidade e expressão. Poucos músicos - que são virtuoses ou grandes improvisadores - conseguem ser bons intérpretes de baladas.

Sendo as baladas o assunto, indico-lhes aqui um disco interessante nesse aspecto: The Newest Sound Around de 1961. Trata-se de um duo com o pianista Ran Blake e a jazz singer Jeanne Lee (e aí estão dois músicos "unsung heroes", ou seja, dois músicos interessantes que raramente são lembrados). Apesar desse disco ser de standards e canções conhecidas do song book americano, um pouco da atenção do ouvinte é necessária para constatar algumas nuances peculiares: o uso de espaços vazios fazendo do siêncio um ingrediente da música, algumas leves dissonâncias nos acordes do piano de Ran Blake que acaba dando um contraste com os acordes mais doces e claros, a voz sem vibrato quase sempre sussurrada de Jeanne Lee que algumas vezes paira sozinha sem acompanhamento, o uso requintado das dinâmicas partindo do pianíssimo até o forte ou das notas graves até as notas agudas do piano, entre outras características que dão à esse disco um leve toque de contemporaneidade, apesar de ser um disco gravado em 1961 que celebra a tradição. As faixas que são mais estranhas aos standards tradicionais são "Church on Russell Street" do próprio Blake, "Vanguard da própria Jeanne Lee e "Where Flamingos Fly" de Van Morrison. Destaque também para a faixa Evil Blues que tem a colaboração do contrabaixista George Duvivier.

Saiba mais sobre Jeanne Lee
Jeanne Lee é uma cantora peculiar do mesmo porte que suas contemporâneas Nina Simone e Abbey Lincoln, sendo, talvez, a mais indentificada com a vanguarda que já começava a dar as caras em meados dos anos 50. Jeanne começou sua carreira no final dos anos 50, tendo Ran Blake como seu inseparável pianista desde os tempos da universidade, sendo que esse disco The Newest Sound Around de 1961 foi premiado com o prêmio RCA Album First Prize in Germany em 1963, dando à dupla a oportunidade de realizar uma turnê européia nessa época. Além dessa parceria com Blake, Jeanne Lee também gravou o disco After Hours lado do grande pianista Mal Waldron em 1994 ( outro grande admirador da cantora é o saxofonista Joe McPhee, como se pode ver em seu site).

Já Ran Blake é um peculiaríssimo pianista da vanguarda que ficou conhecido por suas preferências ao ramo do "Third Stream" e seu fluxo entre a técnica pianística de um Oscar Peterson e o cool minimalista de um Bill Evans, assim como alguns dos seus contemporâneos como John Lewis e Gunter Schuller. Bem antes de pianistas como Keith Jarrett que dão um tratamento especial ao piano, Blake já era um dos pioneiros no enfoque do piano solo, chegando a gravar discos interessantes nessa forma, alguns dos quais: Blue Potato (Milestone, 1969); Third Stream Today (Golden Crest, 1977); Film Noir (Novus, 1980); Duke Dreams (Soul Note, 1981). Ran Blake também já colaborou em duos com Anthony Braxton lançando o disco A Memory of Vienna (Hatology, 1988) e com o grande saxofonista Clifford Jordan com o qual lançou, Masters From Different Worlds (Mapleshade, 1989).



André Previn: "Jazz is an expendable art form...for me"

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Um dos mais versáteis músicos do mundo, Andre Previn já acumulou consideráveis elogios como um pianista de jazz, além de ser considerado um nome importante do universo da música erudita, apesar das suas mudanças repentinas de um meio para o outro: primeiro pianista do cenário West Coast Jazz no início dos anos 50, logo em seguida como um arranjador e compositor de trilhas para Hollywood, e, depois, como um renomado maestro e diretor de algumas mais importantes orquestras da música clássica. No piano Previn adquiriu sensibilidade através de estudar os elementos de Bud Powell, Oscar Peterson e Horace Silver chegando a imprimir uma técnica irrepreensível. André Previn não é sempre lembrado como um importante pianista do Jazz e não mudou muito ao longo das décadas, transitando apenas pelo Cool e Bebop, mas no universo da versatilidade entre o Jazz/Musica Erudita habitado por pouquíssimos gigantes, Previn será sempre um dos nomes a se lembrar.

André Previn iniciou suas lições de piano na infância na sua terra natal, Berlim, antes da ameaça nazista. Com os avanços de Hitler sua família se deslocou à Paris em 1938 e aos EUA no ano seguinte. Em meados dos anos 40, já em Los Angeles, Previn começou a trabalhar como pianista de Jazz, além de começar sua carreira como arranjador, chegando a ser contratado pela Sunset Records enquanto ainda estava no ensino médio aos 18 anos de idade; além disso suas primeiras gravações para a RCA Victor chegaram a alcançar boas vendagens. Originalmente usando o swing como ponto de partida, Previn passou a tocar Bebop mais esporadicamente em 1950 pouco antes de ser chamado para servir ao exército. Ao voltar para a Los Angeles formou o interessantíssimo trio com o baterista Shelly Manne e o contrabaixista Leroy Vinnegar, chegando a alcançar sucesso com o álbum de interpretaçõs My Fair Lady que, por sua vez conduziu Previn a lançar uma série de trabalhos ambientados nas tendências da Broadway e da industria do cinema.

Conseguindo ser um dos maioires e mais premiados compositores de trilhas sonoras para filmes de Hollywood, Previn passou a ser interpretado por grandes orquestras dos EUA. Assim, a partir de 1962 Previn começou a fazer sua transição de Hollywood para se tornar um maestro de música classica por tempo integral, deixando, também, sua atividade nos meios do Jazz. Ele permaneceu longe do jazz durante 27 anos, com a exceção de um punhado de gravações que dirigiu tendo Ella Fitzgerald e violinista clássico Itzhak Perlman. No entanto, em março de 1989, com sua demissão na Filarmónica de Los Angeles agravado por problemas com a gestão da orquestra, Previn voltou ao jazz com um trio que incluia o contrabaixista Ray Brown e Joe Pass, gravando alguns álbuns para o selo Telarc que acabaram por mostrar que ele não tinha perdido a noção de swing e muito menos as técnicas adquiridas no universo pianistico do Bebop. Hoje André Previn está definitivamente consagrado como um dos grandes gênios do século XX, sendo um dos maiores compositores, maestros e pianistas de Jazz e música clássica erudita. Para baixar os álbuns indicados abaixo acesse o buscador Captain Crawl.

After Hours - André Previn Trio

1. There'll Never Be Another You
2. I Only Have Eyes For You
3. What Am I Here For
4. Limehouse Blues
5. All Things You Are
6. Honeysuckle Pose
7. I Got It Bad And THat Ain't Good
8. Smoke Gets In Your Eyes
9. Cotton Tail
10. Laura
11. One For Bunz

André Previn - piano
Joe Pass - guitar
Ray Brown - bass
King Size! 1958


1. I'll Remember April
2. Much Too Late
3. You'd Be So Nice to Come Home To
4. It Could Happen to You
5. Low and Inside
6. I'm Beginning to See the Light


André Previn - piano
Red Mitchell - bass
Frankie Capp - drums

Let´s Get Lost - Chet Baker by Bruce Weber (1988)

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Os homens são mesmo fascinantes e engraçados. Afirmam-se como indivíduos, mas, inevitavelmente, são destinados a serem peças de encaixe do muro histórico. A música sempre levou à busca dos extremos e o fim acabaria sendo esse. Chet Baker não foje à regra ao tornar-se o principal expoente da Costa Oeste e da escola de cool jazz, no início e meados dos anos 50. Como trompetista, tinha um modo aguçado e moderado, tocand com um estilo intimista e atraindo atenção para além do jazz fotogênico. Sua música: um constrangimento, um sussuro, um xingamento, um ruído, ou o próprio silêncio dos escarnecidos; parte importante da música, são as evidências de cada apresentação do espoente Baker, assim como já vinha ocorrendo com suas obras aleatórias e inesperadas. LET´S GET LOST também é o disco preferido do fotógrafo e diretor Bruce Weber que deu esse mesmo nome de seu documentary filme em look, que rendeu um oscar em 1989 na ategoria de melhor documentario. O filme traz uma série de entrevistas com amigos, parentes e até amantes do músico, além de imagens de Baker em suas últimas apresentações. Uma retrospectiva da vida do grande trompetista e vocalista Chesney Henry Baker Jr. (1929-1988) - ou Chet Baker se assim o preferirem - em uma abordagem espetacular do gênio musical indiscutível: sua toxicodependência lendária, sua vida agitada e seus percausos polo lado negro da vida, traduzindo uma incrível testemunha até sua morte em última instância, direta pelo precipício, como quem escolhe um preço. O cineasta afirma que seu filme sobre o lendário trompetista de jazz nunca quis "expor as entranhas" do personagem. Segue um trecho da entrevista que o cineasta concedeu à Folha de São Paulo :
Veja cenas do filme
no Youtube


Curiosidades: Dvd Let's Get Lost 1988 (EUA)


Tipo: Longa-metragem / P&B 120 min.
Diretor: Bruce Weber
Elenco: Chet Baker, Carol Baker, Vera Baker, Paul Baker , Dean Baker, Missy Baker, Dick Bock, William F. Claxton(Como Roterista de Bonanza -1959), Hersh Hamel, Chris Isaak(O Pequeno Buda - 1993) , Lisa Marie (Planeta dos Macacos - 2001), Andy Minsker, Jack Sheldon (Assassinatos na Rádio WBN - 94), Lawrence Trimble (Superhomem - O Filme - 78), Joyce Night Tucker



FOLHA - Em "Let's Get Lost", vários entrevistados comentam o poder de sedução de Chet Baker. Como isso influenciou o documentário?


"BRUCE WEBER - Quando comecei a fazer o filme, eu já era fã de Chet. Ele foi um ícone de estilo e atitude, era extremamente cool. Começamos o documentário um ano antes de sua morte. Chet já estava envelhecido, mas ainda tinha capacidade de seduzir a todos com seu charme. Uma vez que você entendia esse traço de sua personalidade, tudo ficava mais fácil. Às vezes, as pessoas dizem coisas lindas, duras ou interessantes e todos se perguntam se aquilo é verdade. Não quero saber se o que Chet disse era 100% verdade, minha intenção nunca foi expor suas entranhas. Só importa que ele tenha tido coragem de se expor à sua maneira. Não faço documentários tradicionais, não tenho esse tipo de pacto com a verdade.


FOLHA - Quando Chet morreu, em 1988, você estava editando o filme. Como reagiu à notícia?


WEBER - Eu estava na sala de edição quando alguém chegou com a notícia. Eu e minha equipe deitamos no chão e ficamos em silêncio, alguns choraram. Levantamos e fomos para casa. Depois de duas semanas, eu disse: "Vamos terminar, em homenagem a ele". Chet tinha problemas com drogas e bebidas, e eu alimentava a fantasia de que poderia salvá-lo. Houve boatos sobre suicídio, mas a versão oficial, na qual acredito, é que ele caiu de uma janela".

T
racks:

01 - Moon And Sand
02 - Imagination
03 - You´re My Thrill
04 - For Heaen´s Sake
05 - Eve´ry Time We Say Goodbye
06 - I Don´t Stand A Ghost Of A Chance With You
07 - Daybreak
08 - Ingaro
09 - Blame It On My Youth
10 - My One And Only Love
11 - Everything Happens To Me
12 - Almost Blue

Pessoal:
Chet Baker - Trompete e Vocais
Frank Strazzeri - Piano
John Leftwich - Baixo
Ralph Penland - Bateria e Percussão
Nicola Stilo - Guitarra e Flauta


Ascenseur pour L'Échafaud (Soundtrack) - Miles Davis 1957

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Miles sempre amou Paris (cidade que visitava desde 1949), e em 1957 recebeu um convite para fazer alguns shows na Europa, acompanhado apenas por músicos franceses. Foi ali que surgiu uma inusitada oportunidade de fazer a trilha-sonora de um filme de Louis Malle, com a estrela Jeanne Moreau, no papel principal...Tudo começou quando Miles Davis recebeu uma proposta de Marcel Romano, para uma pequena excursão de três semanas pelo continente europeu. Miles foi convidado para ir sozinho, sem sua banda, e tocaria ao lado dos franceses Barney Wilen (sax tenor), René Urtreger (piano) e Pierre Michelot (baixo). Na bateria estava um velho conhecido de Miles radicado há anos em Paris: Kenny Clarke. Miles amava Paris e lembrava-se, com saudades, dos períodos em que saía com Jean-Paul Sartre e Juliette Grecco, mesmo sem falar uma palavra de francês: "eu não sabia francês, eles mal falavam inglês, mas ainda assim adorava vê-los conversarem. Adorei muito aquele período de 1949. Eles eram muito gentis." Por isso mesmo, Miles aceitou o convite para ir à Europa sem banda e ficou surpreso quando o chamaram para fazer a trilha sonora do filme do jovem diretor Louis Malle, que era grande fã de seus discos. Os shows pela Europa não foram muitos e ele teve uma semana inteira de intervalo e nesse período conversou com Malle, que mostrou o que tinha sido filmado e pediu que ele fizesse a música baseada nas cenas escolhidas. Segundo Romano, Miles Davis adorou o convite e discutiram sobre o projeto quando teve uma sessão particular do filme e ficou combinado que usaria os mesmos músicos da excursão. Ele solicitou um piano e começou a trabalhar. As gravações ocorreram rapidamente, nos dias 4 e 5 de dezembro de 1957, começando de noite e acabando nas mandugadas do dia seguinte. As músicas eram apenas pequenos fragmentos, mas foram gravadas de um modo nada peculiar: Miles e sua banda acompanhante gravaram todas as faixas de forma totalmente improvisada, sem pauta musical, apenas com base nas cenas que assistiam enquanto tocavam -- algo inédito na história do cinema.

A trilha de Ascenseur pour L'Échafaud era composta de 10 pequenas faixas e foi lançada primeiro no formato de 10 polegadas na França e, meses depois, nos Estados Unidos, em 12 polegadas, já no tamanho de um LP. Este albúm mostra a mesma personalidade cool de Miles vista em álbuns anteriores e posteriores da sua carreira, tais como os incônicos Birth of the Cool (1949) e Kind of Blue (1959) : um clima intimista, mais calmo e distante do convencional. Pierre Michelot conta que nas gravações o clima foram muito calmas e Miles estava perfeitamente à vontade, tendo inclusive saído para tomar alguns drinques com os músicos e com a prória Jeanne Moreau. Esse registro não teve grande repercussão em sua carreira, embora seja um trabalho interessante e desenvolvido tão rapidamente, o que se tornaria uma marca regristrada do trompetista. Em lançamentos recentes lançados em CD o material contem todas as 26 músicas gravadas no estúdio, contra apenas 10 do disco original -- neste, as faixas extras abrem o disco e deixam a trilha original, para o final. Abaixo dois vídeos sobre o filme a música:




01 - Nuit Sur Les Champs - Elysees (Take 1)*
02 - Nuit Sur Les Champs - Elysees (Take 2)*
03 - Nuit Sur Les Champs - Elysees (Take 3) (Generique)*
04 - Nuit Sur Les Champs - Elysees (Take 4) (Florence sur les Champs-Elysees)*
05 - Assassinat (Take 1) (Visite Du Vigile)*
06 - Assassinat (Take 2) (Julien Dans L'Ascenseur)*
07 - Assassinat (Take 3) (L'Assassinat De Carala)*
08 - Motel(Diner Au Motel)*
09 - Final (Take 1)*
10 - Final (Take 2)*
11 - Final (Take 3) (Chez Le Photographe Du Motel)*
12 - Ascenseur (Evasion De Julien)*
13 - Le Petit Bal (Take 1)*
14 - Le Petit Bal (Take 2) (Au Bar Du Petit Bac)*
15 - Sequence Voiture (Take 1)*
16 - Sequence Voiture (Take 2) (Sur L'Autoroute)*
17 - Generique**
18 - L'Assassinat De Carala**
19 - Sur L'Autoroute**
20 - Jullien Dans L'Ascenseur**
21 - Florence Sur Les Champs-Elysees**
22 - Diner Au Motel**
23 - Evasion De Julien**
24 - Visite Du Vigile**
25 - Au Bar Du Petit Bac**
26 - Chez Le Photographe Du Motel**

1961 - Miles Davis At Carnegie Hall - The Complete Concert

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Disc 1: First Half Of Concert.
1. So What
2. Spring Is Here
3. Teo
4. Walkin'
5. The Meaning Of The Blues/Lament
6. New Rhumba

Disc 2: Second Half Of Concert.
1. Someday My Prince Will Come
2. Oleo
3. No Blues
4. I Thought About You
5. En Aranjuez Con Tu Amor (Adagio From 'Concierto De Aranjuez')


Em 1998, a gravadora Columbia reeditou este álbum Miles Davis at Carnegie Hall, um duplo no quai se pode ouvir as músicas que foram captadas no concerto ao vivo realizado a partir de 19 de maio de 1961. Miles Davis, que se encontra com seu quinteto transitório -- apresentando Hank Mobley, Wynton Kelly, Paul Chambers e Jimmy Cobb -- também tem o suporte do seu velho amigo Gil Evans e sua orquestra. Foi um dos dois únicos shows Davis e Evans realizado em conjunto, e que por si só torna o álbum necessário para colecionadores -- sm contar que  a música em si é espetacular!


Miles Davis (trompete)
Gil Evans (arrangador e maestro)
Hank Mobley (saxofone tenor)
Ernie Royal, Bernie Glow, Johnny Coles, Louis Mucci (trompete)
Jimmy Knepper, Dick Hixon, Frank Rehak (trombone)
Julius Watkins, Paul Ingrahan, Bob Swisshelm (Corne Frances)
Bill Barber (tuba)
Romeo Penque, Jerome Richardson, Eddie Caine, Bob Tricarico, Danny Bank (Palhetas)
Janet Putnam (harpa)
Wynton Kelly (piano)
Paul Chambers (Baixo)
Jimmy Cobb (Bateria)
Bobby Rosengarden (percurssao)

Recorded live at Carnegie Hall, New York, New York on May 19, 1961. Includes liner notes by Bob Blumenthal. Digitally remastered by Mark Wilder (Sony Music Studios, New York, New York). This two-CD set makes the entire Carnegie Hall concert of May 19, 1961.

Outros Excelentes Sites Informativos (mais sites nas páginas de mídia e links)