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Gênios do jazz na década 2000-2010: A pianista Hiromi Uehara e seu virtuoso "new fusion"!!!

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A japonesinha Hiromi Uehara, talvez a pianista mais 'endiabrada' do jazz contemporâneo, nasceu em 1979,  em Shizuoka, no Japão. Aprendendo inicialmente piano erudito aos 6 anos de idade, aos 17 anos ela já tocava profissionalmente dando concertos com a Orquestra Filarmônica Checa: ou seja, ela tinha tudo pra ser mais uma dos poucos jovens prodígios da música erudita que existem no mundo -- e que, quando estão tocando, não parecem pessoas deste mundo (rs)... Mas foi, enfim, o jazz quem lhe tocou o coração e a alma: ainda aos 17 anos, ela conheceu o pianista Chick Corea em Tóquio: e conta-se que ele ficou pasmo com a técnica da garota. Em 1999, aos 20 anos, ela decidiu mudar-se para os EUA para focar no seu estudo extensivo e avançado do jazz: daí, ela começa a estudar na renomada Berklee School of Music, em Boston, e conhece seus ídolos e influenciadores, os pianistas veteranos Oscar Peterson e Ahmad Jamal (seu mentor). Atualmente, Hiromi Uehara é nada menos do que uma das renomadas mestras que lecionam na Berklee e uma das pianistas de jazz mais ovacionada em todo o mundo. A velocidade e precisão técnica da moça são impressionantes!!!

Grupo Um: a banda e sua 'trilogia', um tratado do "fusion vanguardista" brasileiro!!!

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Os brasileiros adeptos aos sons mais fusionistas e progressivos, no que diz respeito à revolução musical advinda da exploração -- livre, interativa e composicional -- das várias sonoridades instrumentais possibilitadas pelo aparato parafernálico que os anos 70 revelou, não podem se queixar da falta de um material que represente o pioneirismo tupiniquim nos campos da música experimental e de fusão: além da música revolucionária de Hermeto Pascoal -- o 'sumo sacerdote', o 'mago', o 'bruxo' da música criativa brasileira --, pelo menos três grupos, dentre os tantos, são obrigatórios nas estantes dos amantes da música instrumental brasileira: o pioneiro trio Azymuth, do baterista Ivan Conti "Mamão", o Grupo Um, dos irmãos Lelo e Zé Eduardo Nazário, e o Cama de Gato, do saxofonista Mauro Senize. Neste post, falo do Grupo Um, uma banda incendiária de jazz-fusion totalmente independente e de cunho vanguardista, considerada um dos ícones representantes da chamada "Vanguarda Paulistana", movimento de São Paulo constituído de um circuito rico de cantores, músicos e bandas tais como Luiz Tatit (fundador do Grupo Rumo), Ná Ozzeti, Arrigo Barnabé, Divina Increnca e vários outros, todos adeptos às novas sonoridades e às artes vanguardistas as quais o Brasil e o mundo puderam conhecer a partir dos anos 60, mais propriamente a partir do advento da miscelânea musical setentista: essa emergente galera de artistas, surgidas em São Paulo após o boom tropicalista, curtiam desde as novas harmonias do dodecafonismo, passando pela poesia marginal, englobando as distorções psicodélicas do rock, a miscelânea do fusion até a música eletroacústica, diferindo dos tropicalistas no sentido de adotar uma identidade urbana e não antropofágica.

Live Avignon - Miles Davis 1988

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Após um acidente automobilístico que lesionou suas pernas em 1972 e corroído pela heroína, Miles, cansado e debilitado, se retirou da cena do jazz de 1975 até 1981,(durante o período, muitos boatos ocorreram aos cantos de ponta a ponta). Em sua volta, explorou ritmos mais modernos tais como: funk, dance music, eletrônica e hip hop, irritando críticos e músicos mais puristas. É nessa época que acontece um dos bate-bocas mais notórios entre astros do jazz: o bafafá envolveu Miles Davis e o líder da nova geração de musicos denominados como neo-boppers, o então jovem trompetista Wynton Marsalis. Rotulado de neo-tradicionalista e dono de uma técnica e postura invejável, Marsalis criticou, em uma entrevista, os discos de Davis que, nessa época, andava a flertar com as variabilidades da música pop. Marsalis comentou "Ele é um velho querendo parecer jovem" - pronto! urgia um convite para a contenda. Miles, sem hesitar, deu o troco no mesmo tom: "Wynton é um jovem querendo parecer velho". Na verdade, esse episódio ocorreu aqui mesmo no Brasil, mais precisamente na cidade do Rio de Janeiro, em Agosto de 1986. Na época Miles fazia uma temporada no Canecão para divulgar o albúm "You're Under Arresten" (com releituras de "Time After Time" de Cyndi Lauper e "Human Nature" de Michael Jackson), enquanto o jovem Marsalis se apresentava no Festival Free Jazz, no Hotel Nacional, em São Conrado. Duelo procovado, briga montada. Até o estilo de vestir de cada um entrou na briga: "Quem é esse jovem vestido de velho executivo?", Miles provoca o garoto sem lembrar que no passado ele também passou boa parte da sua carreira se apresentando com terno, gravata e muita postura."Quem é esse velho fantasiado de hippie?", revida Marsalis. Resultado: em entrevista, Miles Davis disse que aquela intriga foi a gota d´água que o fez romper com a Columbia - sua casa por mais de 30 anos -, principalmente após o fato dos figurões da gravadora pedirem pra ele ligar pro jovem Marsalis - a nova estrela e sensação da casa - para felicitá-lo e parabenizá-lo por seu aniversário. Miles, que não costumava dar bom-dia nem pra sua mulher, ficou injuriado e pediu as contas, assinando com a Warner logo após o ocorrido.

Mesmo depois de sua morte, Miles continou gerando polêmica. Em 2006 seu nome entrou para o Rock and Roll Hall of Fame. A decisão desagradou a roqueiros e jazzófilos. Miles foi um dos maiores e mais polêmicos gênios do jazz. Sua carreira compreendeu do bebop ao hip hop, passando pelo rock e o funk: ele ousou de tudo. Suas atitudes pessoais eram igualmente provocativas: ostentava riqueza, desafiava o público e se indispunha com a polícia. Enfim, aqui deixo um interessante concerto gravado em Avignon, cidade do Sul de França, com a mesma pegada pop que Miles vinha empreendendo desde que voltara ao cenário musical. Este album só foi lançado na Europa e com tiragens limitadas, não fazendo parte da discografia oficial de Miles por se tratar de uma compilação dos shows que ele fez durante sua turnê na cidade de Avignon.

01 - Tutu
02 - Movie Star
03 - Splatch
04 - Time After Time
05 - Wayne's Tune
06 - Full Nelson

Miles Davis - Trompete e Teclado
Kenny Garrett - Flauta(as-fl)
Foley McCreary - Guitarras
Robert Irving III - Sintetizadores
Adam Holzman - Sintetizadores
Darryl Jones - Bateria
Rudy Bird - Percurssão


Boa audição - Namastê.

Colaboração: Blog Borboletas de Jade

Um "novo" Fusion: The Zawinul Syndicate e outros...

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Joe Zawinul: um gênio do arranjo que enriqueceu a esfera do Fusion

Depois da fase experimental, efervescente e criativa do Jazz Fusion, período compreendido entre o final da década de 60 até o final da década de 70, Miles Davis e seus súditos sucumbiram através das tendências da Pop Music, com trabalhos bem aquém do arranjo jazzístico (lembrando que isso não foi culpa só dos músicos, mas, também, de alguns produtores que já tinham sido importantes para o jazz - como foram Creed Taylor, Teo Macero e Quincy Jones – e passaram a desprezar os habituais arranjos em troca das grandes produções cristalizadas do Pop). Além disso, na década de 80 o Fusion acabava de sair do seu apogeu diante da evidência uma nova geração de jovens jazzistas que iriam demonizar toda aquela parafernália eletrônica em favor da instrumentação acústica e de uma retomada dos valores culturais e tradicionais do Jazz. Mas o Fusion não acabou. Grupos e músicos como Spyro Gyra, Weather Report, John Scofield, Pat Metheny e Jean Luc-Ponty continuaram a lançar discos nessa estética nas décadas de 80, 90 e até mais recentemente nesse início de século. Porém, se por um lado o Fusion (resultado das fusões de Jazz com Rock e Funk) ficou ainda mais massificado a partir da década de 80 ao incorporar elementos da Disco Music, World Music, Pop Music e New Wave, por outro lado o seu sucesso – de público e crítica – nunca mais foi o mesmo depois do boom criativo da década de 70. Contudo, para quem quer encontrar lançamentos recentes que mostrem uma elaboração mais artística, mais voltada para o arranjo jazzístico do que apenas para a inclusão de sonoridades artificiais dos instrumentos elétricos, é só procurar pelos mais recentes discos do austríaco Joe Zawinul (ex-arranjador, tecladista de Miles e ex-lider do grupo Weather Report) e seu coletivo Zawinul Syndicate. O The Zawinul Syndicate foi criado por Joe Zawinul após a dissolução do seu legendário Weather Report em meados da década de 80: o grupo mostrou, a partir daí, uma real tendência de sofisticar o Fusion através de arranjos mais modernos, com implementos de arranjos eruditos (influência do Conservatório de Viena), elementos da World Music e sem alusões exarcebadas às sonoridades do rock e do pop, como foi comum nas décadas de 70 e 80. Essa intenção ficou tão clara que até Wynton Marsalis - o mesmo que tinha demonizado Miles por sua adesão ao rock e ao pop - chegou a fazer um programa dedicado ao The Zawinul Syndicate na rádio on-line do site do Jazz at Lincoln Center. Ademais, se remexer, até dá para encontrar bons discos de artistas variados, alguns até carregados de arranjos interessantes e de coerência jazzística, como se o “novo fusion” ou o “fusion contemporâneo”, por assim dizer, estivesse passado por uma reformulação ( E não é verdade que passou?...bem, ouvindo os novos trabalhos de Joe Zawinul – falecido em setembro de 2007 – vê se uma considerável diferênça em relação ao Fusion de outrora. Baixem o Real Player e ouçam através do link abaixo) . Outros nomes a considerar são Jean Luc-Ponty, Didier Lockwood, Alain Caron, Pat Metheny, Jean-Marie Ecay, Michal Urbaniak, Terge Rypdal, Erik Trufazz, Jeff Berlin, John Scofield e os mais novos como Hiromi Uehara, Richard Bona e etc. Vejam e ouçam, abaixo, um programa do Jazz at Lincoln Center Radio dedicado a Joe Zawinul, além de outros exemplos de como há excelência no universo da parafernália instrumental. Boa sorte com o Fusion !!!

Jeff Berlin; bass: Richard Drexler; piano, acoustic bass: Danny Gottlieb; drums: Guest Soloists: (selected tracks) Gary Burton; vibes: Dave Liebman; soprano & tenor saxophones: Mike Stern; guitar: Special Guest Contributors (selected tracks): Captain Billy Lang; keyboard: Clare Fischer; keyboard: Howie Shear; trumpet: Dave Stout; trombone: Doug Webb; tenor saxophoneAlain Caron - eletric bass; Jean Marie Ecay - guitar; Didier Lockwood - violin, eletric violin Fusion Revolution: The Zawinul Syndicate (Jazz at Lincoln Center Radio)


Clique nas imagens ao lado para baixar os álbuns!!!!

The Man With His Horn - Miles Davis 1981

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Depois de um período longe dos palcos e dos estúdios, passando por uma recuparação após sua saúde ter sido debilitada pelo do vício da bebida e cocaína, Miles Davis, triunfantemente, dá a volta por cima, regressando ao mundo da musica depois de assistir à evolução do fusion durante sua ausência através dos seus pupilos Herbie Hancock, Chick Corea, John Mclaughlin, Wayne Shorter e Joe Zawinul, tendo conseguido, com esses jovens músicos, alcançar sua meta de criar mais uma estética músical e traçar caminhos musicais diferentes. Com isso, Miles evidenciou uma nova geração de talentosos músicos que nascerem desse embrião, deixando um rico horizonte musical com muitos talentos que iriam dar um novo gaz ao fusion nos anos 80 e início dos 90. "The man with the horn", lançado setembro de 1981, trouxe a nova expectativa de que Miles não só voltava em plena forma e com excelente acompanhamento, mas continuava como um midas capaz de fazer um som modernizado, adaptando o jazz à realidade musical de sua época com perfeição. Este disco, apesar de não estar entre os mais famosos, mostra uma boa pegada, um trabalho que concretiza sua fase "Funk /Soul,Jazz,Rock". A produção ficou a cargo do dinossauro que acompanhou Miles em boa parte de sua carreira: Teo Macero. Gravado e mixado nos estudios da CBS Recording Studios, New York, "The Man With His Horn", apos ser lançado em 1981, recebeu críticas ruins, apesar de ter vendido razoavelmente bem.

01 - Fat Time
02 - Back Seat Betty
03 - Shout
04 - Aida
05 - The Man with the Horn
06 - Ursula


Miles Davis - Trompete
Robert Irving III - Sintetizadores
Al Foster - Bateria
Sammy Figueroa - Percussão
Bill Evans - Teclados, saxofones, Sintetizadores
Mike Stern - Guitarra
Marcus Miller - Baixo


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Boa audição - Namastê.

Uma Colaboração do Blog Borboletas de Jade

O "Energy Jazz" do Jazz Pistols

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Durante as minhas buscas por novidades musicais, acabo me deparando com muita coisa interessante e inusitada. Uma das últimas descobertas é o Jazz Pistols, grupo alemão de Jazz-Fusion, formado por Christoph Victor Kaiser (baixo), Stefan Ivan Schäfer (guitarra) e Thomas Lui Ludwig (bateria). Em seu site oficial, o trio define o seu estilo como "Energy Jazz", com melodias complexas e arranjos progressivos. Mesmo com uma formação clássica, o trio demonstra versatilidade e ricas texturas, numa constante busca por diversas vertentes, abrindo espaço para o rock, soul, funk e tudo que tiver direito. A expressividade do trio é confirmada nos solos dos músicos, com performances de muita energia e pegada. No repertório, a marca produtiva do grupo é apresentada em novas versões para os clássicos Spain (Chick Corea) e Birdland (Josef Zawinul), grande sucesso do Weather Report. Venha conhecer o Jazz Pistols e surpreenda-se.


Three on The Moon - 1999

1 - Moby Dick
2 - Blues For Gordon
3 - Mystic Train
4 - Spain
5 - Man in the Woods
6 - Beast
7 - Happy Hour
8 - Second Feeling (feat. Rosevelt)
9 - Birdland



Victor Kaiser (baixo)
Stefan Ivan Schäfer (guitarra)
Thomas Lui Ludwig (bateria)


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Jazz Pistols plays Spain (Chick Corea)


http://www.jazz-pistols.de/
http://www.myspace.com/jazzpistols



As Fusões de Stan Getz

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Por Leonardo Alcântara (JazzMan!)


Se você pensa que Stan Getz foi apenas Cool e Bossa Nova, está totalmente enganado. Depois de desfrutar de muito sucesso ao difundir a Bossa Nova pelo mundo, Stan Getz acabou aderindo ao fascínio eletrônico do Jazz-Fusion.

Tudo começou em 1967, no álbum Sweet Rain, quando o Stan Getz Quartet (Billy Hart, George Mraz, Grady Tate e Ron Carter) se uniu aos músicos Chick Corea, Stanley Clarke (que viriam a fundar o Return to Forever, em 1971) e o baterista Tony Williams. Sweet Rain não é exatamente um álbum de Fusion, mas já mostra Getz numa configuração totalmente diferente do que havia sido a sua carreira até aquele momento.

Em 1972, Getz gravou Captain Marvel, se reunindo com um grupo de músicos que foram expoentes na difusão do Fusion na década de 70. São eles: Chick Corea com o seu Return to Forever (Stanley Clarke (baixo) e Airto Moreira (percussão)), além do baterista Tony Williams. Com exceção de Clarke, todos já haviam participado de formações do trompetista Miles Davis.

Os críticos não gostaram das experiências eletrônicas de Getz, que chegou a utilizar um Echoplex no seu saxofone. Logo resolveu desistir desta sonoridade, regressando gradativamente ao jazz mais tradicional, e acústico. Infelizmente...

Baixem os álbuns Sweet Rain e Captain Marvel. Duas obras-primas de Stan Getz, um dos maiores saxofonistas da história.JM

Sweet Rain - 1967

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Host: Sharebee
Size: 33.78 MB

Getz, Hart, Mraz,
Tate, Carter, Corea,
Clarke e Williams




Captain Marvel - 1972

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Host: Sharebee
Size: 87.38 MB

Getz, Corea, Clarke,
Williams e Moreira





http://www.stangetz.net/



1974 - Dark Magus - Miles Davis (Live)

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Principe das Trevas ou Dark Magus conhecido álbum ao vivo do icone maximo do jazz Miles Davis lançado em 1974 em um LP duplo pela Columbia Records e desde então foi re-lançado em um formato de CD duplo em 2001 sendo conciderado pela revista Q como um dos 50 álbuns mais pesado de todos os tempos (Opiniões a parte). A coisa começa com Miles bagunçando de vez o coreto jazzístico implodindo os alicerces do gênero com o monstuoso albúm "Bitches Brew", incrementando o impacto de sua última e mais estupenda revolução estilística disco após disco até chegar ao ápice da subversão elétrica of all things jazzy durante o biênio 1974-75 cujo primeiro resultado seria justamente o álbum que doravante passaremos a considerar. O que dizer portanto a propósito de mais esta devastadora desorientação sônica surdina pelo infernal Miles, o insuperável e único 'Dark Magus'? À semelhança de seu congênere Agharta (albúm anterior) com Dark Magus (apresentação ao vivo no Carnegie Hall em NY) é mais um maremoto de galáxias circuncidada de psych jazz colidindo com vudu percussivo funk e estratosféricas alucinado de acid rock diretamente Mefistófeles (diabolico-sarcastico) saturnália pagã conjurada por Miles em íncubos demorados sob o eflúvio (perda de cabelos decorrente de um distúrbio no ciclo de vida capilar) de miasmas (modo de reagir) lunares na floresta na arena transpsicodélica. Como acontece com obras deste jazzmam, uma análise faixa a faixa revela um mister de criatividade e superação em novo estilo e forma; assim sendo o que se pode fazer é uma tentativa de evocar a atmosfera que emana deste blasfemo e inebriante ritual cabalístico-musical contido neste albúm ao vivo em N. York. Capitaneando a fuzilaria de metais o anfetamínico Maldoror do jazz converte seu trompete em sirene hipercinética despejando rajadas sucessivas de uivos eletromagnéticos enquanto o oceano radioativo de drones magmáticos emitidos por seu órgão elétrico levanta uma muralha orquestral; os saxofones de Lawrence e Liebman incrementa o psicossônica vociferando de todos os lados numa miríade de exclamações assimétricas; Reggie Lucas opera suas guitarras elétricas como uma implacável cortina de lança-chamas em rajadas espasmódicas, incinerando tudo à sua volta; por fim, Henderson emoldura esta estraçalhante usina de força com seu baixo borbulhante, e Al Foster e James Mtume seguram tudo no fundo disparando morteiros percussivos aos borjões para propelir a frenética garage hermetica mileiana à frente "sedenta de horizontes e presas siderais" em direção às mais ignotas e inauditas paragens.
Então: apertem os cintos, coloquem seus capacetes e cruzem os dedos e boa audição!

Faixas:
01 - Moja (Pt. I)
02 - Moja (Pt. II)
03 - Wili (Pt. I)
04 - Wili (Pt. II)
05 - Tatu (Pt. I)
06 - Tatu "Calypso Frelimo" (Pt. II)
07 - Nne "Lfe" (Pt. I)
08 - Nne (Pt. II)

Músicos:
Miles Davis - Trompete & Órgão Elétrico
Azar Lawrence - Sax. Tenor
Dave Liebman - Flauta, Sax. Soprano & Sax Tenor
Pete Cosey - Guitarra Elétrica
Dominique Gaumont - Guitarra Elétrica
Reggie Lucas - Guitarra Elétrica
Michael J. Henderson - Baixo Elétrico & Baixo Acústico
Al Foster - Bateria
James Mtume - Percussão


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Esta postagem é uma parceria entre o blog Farofa Moderna e o blog Borboletas de Jade
Boa audição - Namastê


Bitches Brew - Miles Davis 1969

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Em meados dos anos 60, existia uma rixa (indireta) entre o Jazz e o Rock. Enquanto os músicos de Jazz se ressentiam de perder sua estabilidade nas paradas pelos grupos de Rock (com os Beatles e os Stones só como exemplos óbvios), os músicos de Rock se ressentiam pelo que os jazzistas se colocavam diante deles, chamando-os de músicos de segunda classe ou de inexperientes demais. Se a partir de 1966/67, o rock começa a incorporar (muito lentamente) elementos jazzísticos em seu som, dando o pontapé inicial para o nascimento do que iria ser o Rock Progressivo, o jazz sofria com uma espécie de bloqueio em incorporar melodias ligadas ao Rythm n´blues e do folk em seu som, principalmente por acharem que assim, estariam dando uma espécie de atestado de que esse estilo precisava de mudanças. Muitos achavam que essa união de estilos seria longa, gradativa e dolorosa. Porém coube a Miles a tarefa de fazer essa união, e a mesma se deu de forma radical, grandiosa e genial. Davis, um conservador nato, cansado da mesmice estética do qual o jazz se encontrava, começou a estudar uma forma de criar um novo estilo, ou uma nova forma de se apresentar o mesmo ao público. Em agosto de 69, juntou um grupo de talentosíssimos músicos e decidiu juntar o jazz com elemento africanos, com o blues, com funk negro americano e batidas latinas. A partir daí nasceria um dos discos mais influentes, geniais e polêmicos da história da música, "Bitches Brew" , o nascimento de um novo estilo de jazz, o fusion, que seria uma das principais influências sonoras de boa parte do rock Progressivo na primeira metade dos anos 70. Em seus quase 100 minutos, o que vemos é um artista desconstruindo e reconstruindo um estilo de forma genial. Temos a bombástica "Pharaoh´s Dance" e a antológica musica título, altamente introspectiva com algumas explosões sonoras. Miles utiliza o talento de seus músicos de forma quase obsessiva, seja pela empolgante "Sanctuary" ou mais especificamente em "Miles Runs the Voodoo Down", que mescla de forma impressionante o blues, o jazz e uma pitada de musica africana em seus 14 minutos de duração(percebam os solos de sax de Wayne Shorter e o de teclado de Corea de forma arrasadoras). O grande prazer de ouvir esse album é perceber que Miles além de só chamar músicos de primeira linha, fazia de bom usos deles, utilizando suas capacidades as vezes a exaustão (dizem que na faixa John McLaughlin, o excelente guitarrista ouvia poucas e boas de Davis por não utilizar todo o seu talento, aliás, também excelente). Ao ser lançado, o disco causou um estardalhaço, tanto pela crítica como pelo público. Ambos ficaram extremamente divididos, chamando o trabalho tanto de inovador e brilhante como de pretensioso e desnecessário, mesmo assim o album alcançou o top 10 americano, feito impressionante para um disco de Jazz. Para o rock Progressivo, o impacto não foi menor, muitos músicos de prog rock (Fripp, Wyatt, Wetton, Brufford, Collins, entre outros) afirmam que esse álbum influenciou e muito a direção musical que seguiriam posteriormente, e o próprio Meio progressivo viria a ser muito influenciado pelo fusion, com bandas incorporando esse estilo ao seu som (o Crimson de 1972-74 e o Soft Machine pós 1970). Miles após esse álbum, cairia em extremos ao explorar as possibilidades desse novo estilo, lançando os excelentes On the Corner (1972) e Get Up With (1974), mas sem o mesmo impacto comercial. Muitos afirmam que Sgt. Pepper´s foi o disco que mais influenciou o Rock Progressivo, mas esse album sem duvida não ficou atrás. "Bitches Brew", álbum duplo no qual dentro da transformação que marcava a música contemporânea na época, Davis não se assustou com a parafernália eletrônica e eletrificou sua banda, ao mesmo tempo que incluía um percussionista recém-chegado aos Estados Unidos, o catarina-curitibano Airto Guimorvan Moreira. "Bitches Brew", tal como o disco seguinte - "Live at the Fillmore East" (gravado no hoje desaparecido teatro-templo musical de San Francisco) foram álbuns de ruptura em sua carreira, separando-o de uma fase anterior, com raízes no bebop dos anos 40. Após cinco meses de gravação e estudo minuscioso de uma infinidade de rolos de fita, o resultado expressou o que Miles desejava: tornar “Pharaoh´s Dance”, “Bitches Brew”, “Spanish Key”, “John McLaughlin”, “Miles Runs The Voodoo Down” e “Sanctuary” obras abertas, sujeitas à novos diálogos. Essência do improviso jazzístico que é fundamento da música do século XXI. As gravações durante apenas três dias - 19, 20 e 21 de agosto - e foi impressionante a quantidade de música gravada. Sem contar, as discussões entre Miles e o produtor Teo Macero. Ao longo dos anos, Bitches Brew recebeu várias reedições. A primeira, em CD, trazia apenas uma canção extra: "Feio", de Wayne Shorter. Mas foi em 1998 que os fãs urraram de prazer quando foi editado - primeiro em um lindo estojo e depois em uma caixa retangular - Miles Davis - The Complete Bitches Brew Sessions que postarei em breve.

Musicos:
Miles Davis - Trumpete
Chick Corea - Teclados, piano
Wayne Shorter - Saxofone
John McLaughlin - Guitarra
Dave Holland - Baixo
Billy Cobham - Bateria
Airto Moreira - Percussão
Jumma Santos - Percussão

Faixas:
Disc - I
01 - Pharaoh's Dance
02 - Bitches Brew

Disc - II
01 - Spanish Key
02 - John McLaughlin
03 - Miles Runs the Voodoo Down
04 - Sanctuary
05 - Feio (Bonus Take)


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Boa audição - Namastê


On The Corner - Miles Davis 1972

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Miles Davis - Trumpete
Chick Corea - Teclados
Herbie Hancock - Teclados
Dave Liebman - Saxofones
John Mclaughlin - Guitarra
Micheal Henderson - Baixo
Jack Dejonhette - Bateria
John Mtume Foreman - Percussão

Faixas:
01 - On the Corner
02 - Black Satin
03 - One and One
04 - Helen Butte / Mr. Freedom X



Após dar o pontapé inicial do movimento fusion com os álbuns "In A Silent Way" e "Bitches Brew", ambos de 1969, Miles passou dois anos e meio testando novas sonoridades, adaptando seu som a novos estilos e caindo ainda mais de cabeça em novos ritmos e sons totalmente diferentes ao estilo ligado ao Jazz. Suas perfomances ao vivo entre 1970-72 eram verdadeiros laboratórios sonoros, onde Miles, muito bem acompanhado (incluindo dois músicos Brasileiros, Airto Moreira e Hermesto Paschoal) criava verdadeiros colossos sonoros com essas misturas e experimentos. Ao entrar em estúdio em junho de 1972, muito influenciado pela black music de Sly and Family Stone, Funkadellic, Steve Wonder e Isaac Hayes, decidiu fugir da temática experimentalista de seu antecessor Bitches Brew e colocou uma sonoridade altamente dançante, negra e de impacto. Chamou (como sempre) um time impecável de músicos, entre eles Herbie Hancock, que também estava trilhando um caminho parecido em juntar o jazz com a musica negra (no qual lançaria outro marco fusion, o álbum Head Hunters no ano seguinte) e após rápidos jam sessions, surgia um de seus melhores trabalhos, On the Corner. Na primeira música, a faixa-título On The Corner, percebemos a intenção de Miles de colocar o jazz um caráter altamente rítmico e de impacto. Nessa canção, altas doses de batidas africanas se misturam a solos de teclados, saxofones e de trumpete, criando às vezes a sensação de estarmos num ritual africano ou numa sessão de magia, tamanha a força musical da faixa. Já Black Satin, tem um ritmo altamente dançante, nitidamente inspirado no Funk (Com boa dose de qualidade do grupos como Sly e Funkadelic), destacando-se aqui o ótimo baixo de Micheal Henderson e as deliciosas pitadas da guitarra de John Mclaughlin. A ótima One and One brinda com uma deliciosa performance de Jack Dejonette na bateria e John Mtume na percussão, dando base aos ótimos solos que Miles realiza nessa canção. Helen Butte/ Mr. Freedom X (na verdade uma alusão ao líder negro Malcom X e ao grupo político panteras Negras) realça o caráter de Miles de imprimir uma sonoridade negra em seu trabalho. Aqui, o funk, o blues, a musica africana e o soul se alternam de forma eficiente e empolgante em seus mais de 20 minutos de duração. Esse Álbum ao ser lançado, foi impiedosamente massacrado pela crítica, que acusou Miles de denegrir o jazz e na verdade ter feito um disco apenas para ganhar dinheiro. Miles demonstrou desprezo pelas críticas e continuou indo cada vez mais ao extremo em suas misturas musicais até se retirar temporariamente do cenário artístico por problemas de saúde em 1976. Um disco excelente da excelente fase Elétrica desse excelente músico.

Esta postagem é uma parceria entre o blog Farofa e o blog borboletas de jade

Live Evil - Miles Davis 1970

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Hermeto Pascoal morou alguns anos nos Estados Unidos, a convite do amigo de percussão Airto Moreira – várias vezes considerado o melhor percussionista do mundo, abandonou o Quarteto Novo no início da carreira em 1969, indo para a terra do Tio Sam e encerrando a trajetória do grupo. Em Nova York, 1971, Hermeto apresentou-se para uma seleta platéia que incluía Miles Davis, Wayne Shorter e Gil Evans, impressionando a todos, tanto que Miles o convidou a participar do álbum Live-Evil. O trabalho traz duas composições de Hermeto (Capelinha - Little Church) e Nem um Talvez. (nota canina: são três composições, com Selim; e nenhuma foi creditada.) Ele conta que, enquanto não estavam tocando, costumava lutar boxe com o trompetista. Mas como exatamente Miles Davis e Hermeto Pascoal se conheceram? Conta Hermeto, numa entrevista recente: “Eu fui ver um show dele, levado por um tradutor. Antes do show começar, vi aquele crioulão - apesar de ele não ser muito alto, mas sempre bem vestido, gostava muito de couro, impressionava - se quando aproximava. Chegou pertinho de mim e sussurou com aquela voz rouca no meu ouvido. Não o reconheci e achei que era um cara me passando uma cantada. Como não falava inglês, o tradutor que estava do meu lado me disse que era o Miles e que ele queria saber quem eu era. O tradutor respondeu ao Miles e marcamos de nos conhecermos depois. Mostrei a ele umas 12 músicas, que eram bem diferentes de tudo aquilo que ele fazia. Disse que queria colocar algumas no disco dele e eu me senti à vontade para brincar e dizer que eu veria quantas músicas deixaria ele colocar no disco dele. Aí o Miles continuou a brincadeira dizendo: “Esse albino é mais louco que eu”. Tínhamos mais um CD engatilhado, mas ninguém imaginou que ele fosse morrer tão cedo.”
(…) Diz ele, sobre o que acha de Miles, hoje: “Um eterno gênio. Digo isso pela sua essência, pela sua contribuição. Claro que ele teve seus erros. Tivemos um amizade espiritual, maravilhosa. Deus me deu um presente ao conhecer o Miles. Acredito que nada acontece por acaso. Ele era um sujeito que não gostava de passar as mãos nas costas. Se ele não gostava de você logo dizia “vamos interromper nossa conversa por aqui” e era isso, direto.”

Diz a lenda que Miles jamais despediu um músico (um item para desmentir que Coltrane fora demetido) ; eles simplesmente sabiam a hora de sair. As formações em constante mutação, como vocês podem ver abaixo junto ao nome das músicas, são recorrentes - e com vantagem para o ouvinte. Miles, se não era um excelente gestor de Recursos Humanos, tinha um olho inigualável para talentos e para ajustar as melhores formações. Nestes registros, temos só craques. Meio estúdio (duas sessões em fevereiro, uma em junho, 1970), meio ao vivo (faixas 1, 4, 7 e 8 gravadas em 19 de dezembro daquele ano), é sucessor de Bitches Brew; se o som segue o fusion iniciado na obra-prima anterior, aqui ele vem ainda mais miscigenado - cheio de funk e grooves, além do rock. Diz-se que é um disco para iniciados; eu o considero um grande iniciador ao fusion, também. Esperem destreza técnica, trumpete com filtros (notadamente um wah-wah) e muitos efeitos eletrônicos - sendo as composições de Hermeto os interlúdios leves. Suas participações nas músicas (e também nas de Airto Moreira) descrevem-se sozinhas, e provocam sorrisos no ouvinte. Produzido por Teo Macero para a Columbia.

Dica:Pra quem deseja se aprofundar na literatura do jazz com boa informação, curiosidades e dicas o ideal é: O Jazz - do rag ao rock (Joachim E. Berendt - Ed. Perpectiva). Leitura obrigatoria para os neofitos. Recomendo.

Tracks:
1. Sivad (Miles Davis)
2. Little Church (Hermeto Pascoal)
3. Medley: Gemini/Double Image (Miles Davis/Joe Zawinul)
4. What I Say (Miles Davis)
5. Nem Um Talvez (Miles Davis)
6. Selim (Miles Davis)
7. Funky Tonk (Miles Davis)
8. Inamorata and Narration by Conrad Roberts (Miles Davis)

Pessoal:
Miles Davis - Trompete
Gary Bartz - Sax. Soprano e Alto nas faixas 1, 4, 7, 8
John McLaughlin - Guitarra nas faixas 4, 7, 8
Keith Jarrett - Piano e Orgão na faixas 1, 2, 4, 8
Michael Henderson - Guitara Base nas faixas 1, 4, 7, 8
Jack DeJohnette - Bateria
Airto Moreira - Percursão
Steve Grossman - Sax. Soprano nas faixas 2, 5, 6
Chick Corea - Piano nas faixas 2, 3, 5, 6
Herbie Hancock - Piano nas faixas 2, 5, 6
Dave Holland - Guitarra bas e Contabaixo nas faixas 2, 3
Hermeto Pascoal - Percursão, Piano e Vocais nas faixas 2, 5, 6
Wayne Shorter - Sax. Soprano na faixa 3
Joe Zawinul - Piano na faixa 3
Khalil Balakrishna - Citarra Eletrica na faixa 3
Billy Cobham - Bateria na faixa 3
Ron Carter - Contabaixo nas faixas 5, 6

Download - Here Part. I
Download - Here Part. II


Esta postagem é uma cortesia do blog www.borboletasdejade.blogspot.com
Boa audição - Namastê


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