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Divagações sobre poesia: Sylvia Plath, o gênio que não queria viver...

3 Comentários

Diferentemente de quando se trabalha para um editorial de revista ou jornal, um blog -- seja ele atrelado à um grande portal midiático ou não -- é sempre um espaço onde podemos por à mostra nossas próprias opiniões, dissociando-se de um certo formalismo narrativo e uma determinada padronização jornalística. E aqui neste post, venho falar sobre poesia, à minha maneira: dando ênfase para o fascínio que tenho em relação à poesia de Sylvia Plath. Como me ocorre com à música, também tenho preferências e opiniões bem particulares em relação à poesia, uma das formas de arte que mais me fascina e a segunda que mais toma algum tempo de minha vida -- ou seja, quero dizer que, além de ouvir música e escrever sobre música, até me atrevo a escrever alguns poemas nas horas vagas (Aguardem, pois vou publicar alguns aqui blog, em breve!!!). Há, portanto, alguns poetas unânimes dos quais não gosto: um deles, por exemplo, é o lírico Vinicius de Moraes -- não gosto do seu lirismo derretido, assim como não gosto de bossa nova, essa lírica e açucarada estética musical (também unânime), ligada ao cancioneiro carioca, na qual Vinicius reinou como letrista e compositor; aliás, para ser sincero, esse tipo de poesia e música, apesar de ambos terem sido importantes a meio século atrás, não é uma poética e um cancioneiro que eu acho que devam ser louvados eternamente na mídia, como sendo as últimas cerejas da cultura poética e da cultura musical do Brasil, pois enquanto a maioria dos críticos brasileiros dormem sobre o divã do século XX, ao som de uma serene canção bossanovina, há muito o que se pesquisar, questionar e se aprender sobre as últimas décadas, especialmente sobre como andou a música (tanto no que se refere aos cancioneiros da música popular como também a música instrumental e erudita) e, também, como poesia e as artes, em geral, se desenvolveram a partir dos anos 70, entre a passagem do século passado para este século, no qual já adentramos em sua segunda década. Aliás, em relação à poesia, propriamente dita, há muitos poetas ditos "marginais" que estão aguardando algum reconhecimento pela contribuição que deram à esta arte nestas últimas décadas, enquanto a maioria dos resenhístas se deleitam sobre nomes já tarimbados, best-sellers internacionais e obras de apelo popular. Dito isto, friso apenas que tenho uma certa preferência por poetas "rebeldes", iconoclastas e donos de um personalismo que seja no mínimo gritante: Rimbaud, Drummond (o Drummond tardio), Cruz e Souza, Cecília Meireles, Ginsberg, Maiakovski, Paulo Leminski, Roberto Piva...há mais alguns poetas os quais aprecio e os quais ainda quero lê-los e estudá-los a fundo -- frisando, ainda, que também não gosto dos românticos e parnasianos, bem como dos concretistas; gosto mais dos simbolistas e modernos em diante, ou seja, dou um salto na história quando vejo que alguns experimentalistas começam a levar a poesia de encontro à uma programática mecânica, à geometria e às equações matemáticas, à semelhança do conceitualismo que tomou a música no século XX.



Limitando minhas preferências, enfim, digo que, de todos os poetas que já lí, os que mais me impactaram foram eles: o brasileiro Ferreira Gullar e a americana Sylvia Plath, dois dos maiores poetas do século XX -- e na minha opinião particular, portanto, dois maiores de todos os tempos!!! Gullar, vivo aos 80 anos de idade, é genial por sua mobilidade em várias estéticas das quais ele mesmo foi um dos criadores e/ou transformadores: do concretismo ao neo-contretismo, passando pela literatura de cordel e desembarcando em sua poesia mais serena dos últimos tempos, ele procurou despedaçar, renegar e "matar" a linguagem tal como ele a conheceu para depois reencontrá-la à sua forma (e de várias formas, inclusive), ao mesmo tempo em que impôs uma grande carga de expressividade pessoal atrelada ao homem comum e à nossa brasilidade -- uma façanha que, diga-se de passagem, foi difícil de acontecer em todas as formas de arte que sobreviveram às grandes rebeldias do século XX: isto é, só alguns poucos gênios da história das artes foram capazes de inovar com novas estruturações, desmantelar a linguagem convencional afim de criar outra, e fazer isso sem perder a expressividade e ainda impondo uma determinada identificação regional dentro da estética de uma obra (no caso genérico da poesia, essa expressividade é nada mais do que a nostalgia e o poder que a palavra, depois de organizada ou "desorganizada" ao estilo do poeta, adquire para ser capaz de envolver o coração, a mente e a alma das pessoas em seus cotidianos). E sobre Sylvia Plath, morta aos 30 anos de idade em 1963, ouso dizer que ela é a poetisa mais "perfurante" e dolorosa de se ler; e não apenas isso: sua introspectividade, marcada por metáforas por vezes autobiográficas -- muitas vezes regadas à nuances suicidas e agonizantes e, ao mesmo tempo, à uma sofisticada construção imagética --, é algo um tanto complexo, algo complicado de entender logo de início, algo que chega a beirar a abstração em alguns poemas -- tanto que, quando se fala de Plath, fala-se mais das suas crises psiquiátricas, sua história marcada pela ausência do amor paterno, a crise do seu casamento com o também brilhante poeta Ted Hughes, as tentativas de suicídio, entre outros fatos polêmicos..., mas poucos críticos são capazes de analisar seus escritos de forma técnica atingindo o âmago da sua poética, pois realmente essa é uma tarefa um tanto complicada. OK, tá certo que a poesia de Sylvia é decorrente de todos esses fatores agonizantes -- e isso é fácil de conceber, pois é algo que está tarimbado em sua biografia --, mas, daí, analisar tecnicamente como ela cria um desfecho poético tão original -- baseado em sua própria vida e sem ,contudo, banalizá-la através de versos escancarados --, bem como assimilar e esmiuçar suas temáticas e metáforas, aí já são outros quinhentos, como se diz no ditado popular.



Sylvia Plath, americana nascida em Massachusetts, em 1932, foi uma jovem de talento precoce, uma espécie de "Mozart de saias" da poesia americana: seu talento para a poesia foi descoberto ainda em 1941, aos 8 anos de idade, quando ela publicou um poema na sessão reservada à crianças do jornal Boston Herald -- nove anos depois, em 1950, quando ela ganhou uma bolsa de estudos no Smith College, Massachusetts, já era uma poetisa premiada e já tinha uma lista extensa de poemas publicados em editorias de jornais e revistas. Não à toa, em seu segundo ano no Smith College, aos 20 anos de idade, ela foi convidada para ser uma colaboradora regular da revista Mademoiselle, influente revista feminina que durou de 1935 até 2001 e que ficou conhecida por reservar editoriais para estórias e poemas curtos de poetas, escritores e contistas célebres como Truman Capote, William Faulkner, Tenessee Williams, dentre muitos outros. A experiência, ao menos de início, deu muito certo: neste mesmo ano, o conto "Sunday at the Mintons", escrito por Sylvia, foi o primeiro receber um prêmio em dinheiro na revista, sendo este o primeiro grande acontecimento a propagar o nome da jovem poetisa em plano nacional. Em 1953, portanto, Sylvia é convidada para ser editora convidada na Mademoiselle, o que, para tanto, exigiu que ela se mudasse para Nova Iorque: infelizmente, devido à problemas de adaptação com o glamour e agitação da vida urbana e seus problemas psiquiátricos, a empreitada foi um fracasso e durou apenas o verão deste ano, mas as ácidas experiências dessa fase acabaram fornecendo elementos inspiradores para o livro auto-biográfico The Bell Jar, o único romance da carreira da poetisa -- na verdade, o livro só seria publicado na Inglaterra em 1963, um mês antes da sua morte (lembrando, ainda, que este romance, escrito na forma de pseudônimos, seria adaptado ao cinema pelo diretor Larry Peerce, em 1979, tendo recebido o título de "Redoma de Vidro" aqui no Brasil, tradução original para o português). É nesta fase da carreira, em sua breve estadia em Nova Iorque como editora da revista Mademoiselle e ainda concluindo seus estudos no Smith College, que Sylvia começa a ter crises de depressão e, portanto, comete sua primeira tentativa de suicídio, algo que ela, na forma do seu pseudônimo Victoria Lucas, descreve com clareza em The Bell Jar: a experiência suicida consistiu em tomar doses cavalares de pílulas para dormir, mas a tentativa foi frustrada e ela teve de se submeter a tratamentos de eletrochoques para tentar amenizar sua depressão crônica. Contudo, essas desventuras não lhes tiraram o prestígio adquirido até então: tanto, que em 1955, com uma a tese The Magic Mirror: A Study of the Double in Two of Dostoevsky’s Novels ( sobre "O Duplo" de Dostoevsky, que também seria seria material de inspiração para o filme "Partner" (1968), de Bertolucci), Sylvia se formou com honras (summa cum laude), se tornando um nome de orgulho para a instituição e recebendo uma bolsa para continuar seus estudos avançados na Universidade de Cambridge (Inglaterra), onde conheceu seu marido, o também brilhante poeta Ted Hughes. Dois anos depois, em 1957, Sylvia regressa aos EUA, dessa vez já casada com Ted: daí, então, passou a lecionar no Smith College e a frequentar os seminários do poeta Robert Lowell, que logo ficou amigo do casal. No verão de 1959, Sylvia e Ted voltam à Inglaterra, onde fixa residência em Devon: nessa época, a poetisa lança sua primeira coletânea de poemas em vida, chamada The Colossus. A partir daí, a história do casal começaria a entrar em decadência: em 1961 Sylvia sofre um aborto; em 62 ela descobre que o marido está lhe traindo com Assia Wevill, o que pode ser considerado o estopim para que a poetisa de suicidasse no ano seguinte. Aliás, para quem se interessar por conhecer essa fase conturbada de Sylvia Plath, tanto para quem gosta de poesia como para quem ainda não é afeito à arte -- porque a poética plathiana requer, sim, um pingo de apego e paciência --, aconselho assistir ao filme "Sylvia" (EUA/ Reino Unido, 2003), dirigido por Christine Jeffs e estrelado pela adorável atriz Gwyneth Paltrow no papel da poetisa e por Daniel Craig (o mesmo de James Bond, o 007 de Casino Royale) no papel do marido, o poeta Ted Hughes. No Brasil, o DVD dublado pode ser encontrado facilmente sob o título "Sylvia - Paixão além das Palavras". O filme não explicita o poder da poesia de Plath -- ele apenas retrata o conturbado relacionamento do casal entre o período que se conheceram, numa festa na Universidade de Cambridge em 1956, até a morte dela em 1963, causada por um suicídio que ela realizou inalando gáz de cozinha, após proteger o casal de filhos em um outro quarto do seu apartamento (curiosamente ela morava no mesmo prédio que o célebre poeta irlandês William Butler Yeats havia morado décadas antes, o que era motivo de orgulho para ela). Mas é um filme nostálgico sem ser sonífero, sempre acontecendo em diferentes lugares, cheio de diálogos reflexivos, discussões conturbadas...-- enfim, é um daqueles ótimos filmes feitos a baixo custo, um drama bem construído que realmente é capaz de incitar o interesse do telespectador curioso para conhecer quem foi e o que fez Sylvia Plath.



Como se percebe em sua biografia, Sylvia Plath foi uma pessoa de vida complicada que trouxe toda a sua dor, a sua agonia e até sua vivência como mãe e mulher doméstica para a sua arte poética, sem concessões: a perda do pai, quando ela tinha oito anos de idade, deu origem, por exemplo, ao tocante poema "Daddy" ("Papai)"; o aborto sofrido em 1961 refletiria como um tema recorrente em muitos dos seus poemas; a infidelidade do marido Ted Hughes, descoberta em 62, também foi um estopim para sua fase final e mais sofrida, na qual ela passou a morar sozinha com seus filhos pequenos, passou pela falta de dinheiro e começou a destilar a idéia de suicício com mais ímpeto, fatos esses que a inspiraram a escrever incessantemente e desesperadamente muitos dos seus últimos e maiores poemas, os quais foram compilados e lançados postutamente na coletânea "Ariel", em 1966. Quer dizer, Plath transformou sua agonia cotidiana e a sua depressão, diagnosticada ainda na pós-adolescência, em absintos ácidos com os quais se embebecia toda vez que ia criar seus versos -- e o fazia justamente para incitar sua inspiração. Ademais, é preciso considerar que apesar do estilo poético de Sylvia Plath ser classificado no gênero da "poesia confessional" (que além dela própria, há outros poetas expoentes como Allen Ginsberg, Robert Lowell e Anne Sexton), suas agonizantes confissões não são gratuitamente legíveis: há um enorme requinte no estilo da poetisa no que se refere à construção de imagens -- as quais o leitor, involuntariamente, é forçado a tentar imaginá-las -- em contraponto com uma agonia, uma dor ou algum tipo de ânsia que é bem aparente, mas que o leitor sofre um pouco para detectar quais são essas agonias, em meio aos emaranhados de metáforas ou paráfrases indiretas às preferências e referências da poetisa -- pois, apesar de extremamente pessoal, ela também fazia alusões referenciais aos seus poetas preferidos, tais como Dylan Thomas , William Butler Yeats, Marianne Moore e Robert Lowell, esse seu amigo. Com uma poesia muito rica em temáticas e imagens, alguns dos elementos mais recorrentes na poesia plathiana são os relacionados à figura do seu pai (vide os poemas "Papai" e "A Chegada da Caixa de Abelhas", pois seu pai era um biólogo especialista em abelhas), elementos relacionados à morte e ao aborto, tais como "feto", "sangue", "caveira" e "crânios" ( vide os versos "Crânio branco/Comido pelas ervas", no poema "Palavras"), bem como elementos relacionados aos limites e fraquezas do universo feminino, tais como "ovelha", "lua" e "medusa" (vide os poemas "Ovelha na Bruma" e "Medusa").  No Brasil, apenas três livros relacionados  à Sylvia Plath podem ser adquiridos na versão da lingua portuguesa com alguma facilidade: um é "Cartas de Aniversário" (tradução de Paulo Henriques Britto; Record; 399 páginas), uma coletânea de 88 poemas onde Ted Hughes quebra o silêncio sobre sua conturbada relação com Sylvia antes do seu suicídio; o outro é "Ariel", (tradução de Rodrigo Garcia Lopes e Maria Cristina Lenz de Macedo; Editora Verus; 209 páginas); e o outro é "Redoma de Vidro" (tradução de Beatriz Horta; Record; 272 páginas). Abaixo dois dos seus poemas curtos e geniais:





PAPOULAS DE JULHO


Óh papoulinhas pequenas flamas do inferno,
Então não fazem mal?



Vocês vibram. É impossível tocá-las.
Eu ponho as mãos entre as flamas. Nada me queima.



E me fatiga ficar a olhá-las
Assim vibrantes, enrugadas e rubras, como a pele de uma boca.



Uma boca sangrando.
Pequenas franjas sangrentas!



Há vapores que não posso tocar.
Onde estão os narcóticos, as repugnantes cápsulas?



Se eu pudesse sangrar, ou dormir !
Se minha boca pudesse unir-se a tal ferida !



Ou que seus licores filtrem-se em mim, nessa cápsula de vidro,
Entorpecendo e apaziguando.


Mas sem cor. Sem cor alguma.




ESPELHO


Sou prata e exato. Eu não prejulgo.
O que vejo engulo de imediato
Tal qual é, sem me embaçar de amor ou desgosto.
Não sou cruel, tão somente veraz —
O olho de um deusinho, de quatro cantos.
O tempo todo reflito sobre a parede em frente.
É rosa, com manchas. Fitei-a tanto
Que a sinto parte de meu coração. Mas vacila.
Faces e escuridão insistem em nos separar.



Agora sou um lago. Uma mulher se inclina para mim,
Buscando em domínios meus o que realmente é.
Mas logo se volta para aqueles farsantes, o lustre e a lua.
Vejo suas costas e as reflito fielmente.
Ela me paga em choro e agitação de mãos.
Sou importante para ela. Ela vai e vem.
A cada manhã sua face reveza com a escuridão.
Em mim afogou uma menina, e em mim uma velha
Salta sobre ela dia após dia como um peixe horrendo.




Enfim, até agora o que se observou em relação ao mito chamado Sylvia Plath é que o seu fantasma e o seu legado são ressucitados de tempos em tempos -- e isso tem acontecido tanto pelos lançamentos póstumos que foram levados à cabo pelo poeta Ted Hughes (morto em 1998), como pelos fatos polêmicos ligados à sua biografia. Particularmente eu não concordo que Sylvia seja um daqueles ícones da literatura que se deva enquadrar dentro da categoria de um "artista pop", uma poeta cult ou um escritor best-seller -- até porque seu estilo mórbido e complexo já é algo que não agrada a todos --, mas, desde sua morte até hoje, houve uma pá de fatos subsequentes que aumentaram o interesse de críticos, estudiosos e jovens amantes da poesia por sua obra. Na verdade, tudo começou em 1966 com o lançamento póstumo da coletânea de poemas "Ariel", e, depois, fatos sucessivos foram trazendo o fantasma de Plath ao conhecimento das novas gerações: já no final dos anos 60 e durante todos os anos 70 o nome de Sylvia Plath seria atrelado aos movimentos feministas (as feministas passaram não só a usar o nome da poetisa como símbolo da luta feminista, mas passara a acusar Ted Hughes de culpado pela morte dela); em 1979 houve a primeira adaptação do livro The Bell Jar (Redoma de Vidro) para o cinema, levada à cabo pelo diretor Larry Peerce; em 1981/82 Ted Hughes lançou mais um livro póstumo chamado "Collected Poems", pelo qual Sylvia foi a primeira autora póstuma da história a receber o prêmio Pullitzer; em 1998, Ted Hughes falece, já laureado como um dos grandes poetas ingleses do século XX; em 2003, a diretora neo-zelandesa Christine Jeffs lança o filme "Sylvia", estrelado pelas estrelas hollywoodianas Gwyneth Paltrow (fazendo o papel de Sylvia Plath) e Daniel Craig (no papel do marido, Ted Hughes) (inclusive, a filha da poetisa, Frieda Hughes, acusou os produtores do filme de quererem lucrar com base na tragédia da mãe, ou seja, querer transformar a tragédia da sua mãe em um material para entretenimento de massa); por fim, em 2009, o filho da poetisa Nicholas Hughes, notável biólogo e professor na University of Alaska Fairbanks, se suicida através de um enforcamento. Já em 2011, a produtora Plum Pictures anunciou planos para uma nova versão hollywoodiana do romance The Bell Jar: nesta versão a protagonista, Victoria Lucas (pseudônimo de Sylvia Plath), seria estrelado pela atris Julia Stiles.

Charlie "Bird" Parker, o filme (1988)!

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Eis aqui a trilha da cinebiografia do famoso saxofonista Charles "Bird" Parker, um dos mais famosos jazzman na historia do jazz. Suas inovações e sua vida um legado tão profundo que até hoje os jovens tentam redescobrir sua arte. Apaixonado por jazz, o diretor e produtor Clint Eastwood fez uma apaixonante homenagem ao genial criador do Bebop. Clint pesquisou e recheou a magnífica trilha sonora do filme com os solos dos discos originais de Parker, mostranto um gênio incansável que viveu intensos 35 anos (de 1920 a 1955), o que acabou redendo-lhe um Globo de Ouro de Melhor diretor por esta excitante história de inovação e sofrimento. Nas mãos de Eastwood, Bird vive formidavelmente. O filme começa focando o jovem e o seu amor pelo jazz. Mostra Parker iniciando sua carreira e a dificuldade que ele encontrava para levar sua música além da fronteira dos bares de músicos negros. Forest Whitaker no papel-título deixa claro o apaixonante facinio que Bird tinha pela musica.A atriz Diane Verona encena de forma magistral como sua esposa, Chan "Parker" Richardson, o que lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante da Associação de Críticos de Nova York. A trilha sonora conta ainda com músicos do quilate de Monty Alexander, Barry Harris e Walter Davis Junior (piano), Ray Brown, Chuck Berghofer e Ron Carter (contrabaixo), John Guerin (bateria), Charles McPherson (sax alto); Jon Fadis e Red Rodney (trompete) e Charlie Shoemake (vivrafone). Este filme foi escrito por Joel Oliansky e produzido por Clint Eastwood e David Valdes. Para os amantes do jazz este filme exige uma parada obrigatoria e frente à tela da tv, pela quase fiel cinebiografia da vida de Perker.


Elenco:
Forest Whitaker (Charles "Bird" Parker)
Diane Venora (Sra. Chan Parker Richardson)
Michael Zelniker (Red Rodney)
Samuel E. Wright (Dizzy Gillespie)
Keith David (Buster Franklin)
Michael McGuire (Brewster)
James Handy (Esteves)
Damon Whitaker (Jovem Bird)

01 - Lester Meaps In
02 - I Can't Belive That You're In Love With Me
03 - Laura
04 - All Of Me
05 - This Time The Dream's On Me
06 - Ko Ko
07 - Cool Blues
08 - April In Paris
09 - Now's The Time
10 - Ornithology
11 - Parker's Mood

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Straight, No Chaser - Thelonious Monk 1966

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Thelonious Monk: Straight - No Chaser, documentario feito em 1988 sobre a vida de Thelonious Sphere Monk (10-10-1917 Rocky Mount). Produzido por Clint Eastwood e dirigido por Charlotte Zwerin, o documentário retrada o estilo diferente e estranho do pianista visto como falto de técnica e um gênio além do seu tempo. As imagens filmadas em 1968 por Michael e Christian Blackwood sobre o compositor e pianista estavam em excelente estado incluindo as cenas de Monk fora dos palcos. Ricker, como produtor, juntou-se a diretora Charlotte Zwerin e ao produtor executivo pra trazerem esse material à vida. "A Vida e Música de Thelonious Monk" combina as imagens dos Blackwood com Thelonious no estúdio durante sua turnê, cenas por trás dos palcos como as entrevistas, além de fotos de arquivo. Pausas, compassos irregulares, dissonâncias, um toque percussivo e anguloso fizeram de Monk um músico único no jazz. Monk ficou conhecido pelo seu talento para realizar improvisações e compor com facilidade ao piano, apesar de que para um pianista tocar suas composições com a mesma graça e originalidade é extretamente difícil. Uma da suas composições mais famosas é "Round Midnight". Monk líderou o famoso "Thelonius Monk Quartet" tendo como sidemans grandes jazzistas como Willbur Ware e Shadow Wilsonquem e John Coltrane, do qual se tornaria mentor e amigo em sua carreira solo. Seu estilo ao piano era muito peculiar, distante de algumas das técnicas tradicionais. Várias de suas composições se tornaram célebres sendo que diversas delas são consideradas marcos divisórios do jazz. Consagrado tardiamente pela mídia, fez várias excursões pela Europa nos anos 60. Em 71 e 72 integrou o grupo "all stars" do Giants of Jazz, que incluía Dizzy Gillespie, Art Blakey e Sonny Stitt. Em meados da década de 70 retirou-se de cena jazzística norte-americana devido a problemas de saúde, morrendo em 17 de fevereiro de 1982 de ataque cardíaco. Monk só retornaria mais tarde em 1988 como lenda e mito no primeiro plano do jazz nesse interessantíssimo filme bancado por Clint Eastwood.

Dica: Dvd - Thelonious Monk Straight, No Chaser (Charlotte Zwerin - 1988)


01 - Locomotive
02 - I Didn’t Know About You (Take 4)
03 - Straight, No Chaser
04 - Japanese Folk Song (Kojo No Tsuki)
05 - Between The Devil And The Deep Blue Sea
06 - We See
07 - This Is My Story, This Is My Song
08 - I Didn’t Know About You (Take 1)
09 - Green Chimneys

Músicos:
Thelonious Monk - Piano
Charlie Rouse - Sax.Tenor
Larry Gales - Baixo Acustico
Ben Riley - Bateria


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Boa audição - Namastê

Esta postagem é uma parceria entre o blog Farofa Moderna e o blog Borboletas de Jade


Let´s Get Lost - Chet Baker by Bruce Weber (1988)

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Os homens são mesmo fascinantes e engraçados. Afirmam-se como indivíduos, mas, inevitavelmente, são destinados a serem peças de encaixe do muro histórico. A música sempre levou à busca dos extremos e o fim acabaria sendo esse. Chet Baker não foje à regra ao tornar-se o principal expoente da Costa Oeste e da escola de cool jazz, no início e meados dos anos 50. Como trompetista, tinha um modo aguçado e moderado, tocand com um estilo intimista e atraindo atenção para além do jazz fotogênico. Sua música: um constrangimento, um sussuro, um xingamento, um ruído, ou o próprio silêncio dos escarnecidos; parte importante da música, são as evidências de cada apresentação do espoente Baker, assim como já vinha ocorrendo com suas obras aleatórias e inesperadas. LET´S GET LOST também é o disco preferido do fotógrafo e diretor Bruce Weber que deu esse mesmo nome de seu documentary filme em look, que rendeu um oscar em 1989 na ategoria de melhor documentario. O filme traz uma série de entrevistas com amigos, parentes e até amantes do músico, além de imagens de Baker em suas últimas apresentações. Uma retrospectiva da vida do grande trompetista e vocalista Chesney Henry Baker Jr. (1929-1988) - ou Chet Baker se assim o preferirem - em uma abordagem espetacular do gênio musical indiscutível: sua toxicodependência lendária, sua vida agitada e seus percausos polo lado negro da vida, traduzindo uma incrível testemunha até sua morte em última instância, direta pelo precipício, como quem escolhe um preço. O cineasta afirma que seu filme sobre o lendário trompetista de jazz nunca quis "expor as entranhas" do personagem. Segue um trecho da entrevista que o cineasta concedeu à Folha de São Paulo :
Veja cenas do filme
no Youtube


Curiosidades: Dvd Let's Get Lost 1988 (EUA)


Tipo: Longa-metragem / P&B 120 min.
Diretor: Bruce Weber
Elenco: Chet Baker, Carol Baker, Vera Baker, Paul Baker , Dean Baker, Missy Baker, Dick Bock, William F. Claxton(Como Roterista de Bonanza -1959), Hersh Hamel, Chris Isaak(O Pequeno Buda - 1993) , Lisa Marie (Planeta dos Macacos - 2001), Andy Minsker, Jack Sheldon (Assassinatos na Rádio WBN - 94), Lawrence Trimble (Superhomem - O Filme - 78), Joyce Night Tucker



FOLHA - Em "Let's Get Lost", vários entrevistados comentam o poder de sedução de Chet Baker. Como isso influenciou o documentário?


"BRUCE WEBER - Quando comecei a fazer o filme, eu já era fã de Chet. Ele foi um ícone de estilo e atitude, era extremamente cool. Começamos o documentário um ano antes de sua morte. Chet já estava envelhecido, mas ainda tinha capacidade de seduzir a todos com seu charme. Uma vez que você entendia esse traço de sua personalidade, tudo ficava mais fácil. Às vezes, as pessoas dizem coisas lindas, duras ou interessantes e todos se perguntam se aquilo é verdade. Não quero saber se o que Chet disse era 100% verdade, minha intenção nunca foi expor suas entranhas. Só importa que ele tenha tido coragem de se expor à sua maneira. Não faço documentários tradicionais, não tenho esse tipo de pacto com a verdade.


FOLHA - Quando Chet morreu, em 1988, você estava editando o filme. Como reagiu à notícia?


WEBER - Eu estava na sala de edição quando alguém chegou com a notícia. Eu e minha equipe deitamos no chão e ficamos em silêncio, alguns choraram. Levantamos e fomos para casa. Depois de duas semanas, eu disse: "Vamos terminar, em homenagem a ele". Chet tinha problemas com drogas e bebidas, e eu alimentava a fantasia de que poderia salvá-lo. Houve boatos sobre suicídio, mas a versão oficial, na qual acredito, é que ele caiu de uma janela".

T
racks:

01 - Moon And Sand
02 - Imagination
03 - You´re My Thrill
04 - For Heaen´s Sake
05 - Eve´ry Time We Say Goodbye
06 - I Don´t Stand A Ghost Of A Chance With You
07 - Daybreak
08 - Ingaro
09 - Blame It On My Youth
10 - My One And Only Love
11 - Everything Happens To Me
12 - Almost Blue

Pessoal:
Chet Baker - Trompete e Vocais
Frank Strazzeri - Piano
John Leftwich - Baixo
Ralph Penland - Bateria e Percussão
Nicola Stilo - Guitarra e Flauta


Sunny's Time Now documentary

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Antes tarde do que nunca. Enfim o reconhecimento mais do que merecido deste brilhante músico, Sunny Murray é o verdadeiro libertador da bateria no Jazz em conceitos mais amplos, o pai da bateria do Freejazz. Já no fim dos anos 50, junto de Cecil Taylor, participando inclusive de workshops de Varése, desenvolveram as bases e o conceito de Freejazz. Sunny desenvolveu o uso das frequências sonoras da percussão e pulsação no Jazz de forma realmente livre, abandonando as estruturas formais de compasso e rítmo. Deixou sua marca nas gravações com Albert Ayler e seria o próximo baterista de Coltrane em sua chamada última fase. Sunny vive atualmente na Europa, onde encontrou receptividade para sua arte e recentemente gravou com outro grande artísta marginalizado do Freejazz: Arhtur Doyle. As grandes mudanças desencadeadas no Jazz ocorreram principalmente no rítmo, não apenas nas estruturas melódicas, como muitos enxergam. Kenny Clarke, Max Roach e Sunny Murray ampliaram as possiblidades musicais da bateria no Jazz de forma única. Assim como Duke Ellington, Charlie Parker e John Lewis no campo harmônico e melódico. Infelizmente, ainda é um tanto difícil encontrar este dvd, mas aqui seguem os links:

http://www.ptd.lu/stn.htm

Paul Thiltges Distributions
45, boulevard Pierre Frieden

L-1543 Luxembourg
Tel: (352) 44 70 70 46 28 - Fax: (352) 25 03 94

info@ptd.lu

Ken Vandermark: Musician

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Filme retrata a vida de um dos maiores nomes do jazz contemporâneo


Em primeiro lugar, agradeço à Deus e ao Pitta pela oportunidade de escrever no Farofa Moderna. Meu primeiro post é sobre o filme documentário da The Work Series de Daniel Kraus que está disponível no mercado desde 27/05/2008 em dvd. The Muscian retrata a vida do músico e compositor de Chicago Ken Vandermark, da nova geração do jazz em Chicago. Vandermark trabalha com mais de 20 projetos musicais entre EUA e Europa. Toca saxofones tenor, barítono, clarinete em sí bemol, clarinete baixo e recentemente é fotógrafo. É um dos mais brilhantes e profílicos artístas do chamado free jazz, ao lado do sueco Mats Gustafson entre outros. Um músico de mente aberta e humilde, que coloca seu trabalho e criatividade à serviço da arte como forma livre de expressão. Aqui segue uns vídeos e uma entrevista que fiz com ele à poucos anos atrás para se ter uma idéia um pouco mais ampla sobre este grande artísta:


Vandermark 5 em Ação !

Trecho do filme "Musician" sobre Vandermark por Daniel Kraus



Outros Excelentes Sites Informativos (mais sites nas páginas de mídia e links)