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Mostrando postagens com marcador James Carter. Mostrar todas as postagens
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Improvising with Numbers: cinco grandes álbuns de música erudita contemporânea gravados no início do século 21 (parte 2)

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John Adams
A música nem sempre avançou nos mesmos moldes de complexidade e sofisticação que a artes plásticas, mas delimitar as características estéticas do que se ouve é sempre mais difícil do que delimitar as características estéticas do que se vê: observar os traços de uma tela de Picasso e entender que aquilo é cubismo porque trata-se da construção ou desconstrução das formas através da geometria é mais fácil -- até por ser algo visualmente perceptível -- do que compreender o porquê do álbum Out to Lunch, de Eric Dolphy, soar atonal, estranho e especialmente timbrístico e ruidoso -- isto é, quero dizer que a música necessita de uma maior capacidade de fruição sensorial por parte do apreciador. Essa dificuldade de esmiuçar e classificar a música fica ainda mais evidente quando o assunto é música erudita moderna ou contemporânea, onde a evolução heterogênea da arte musical advém -- e, por ora, se desapega -- de um exercício quase milenar: isto é, a liberdade de criação atualmente instaurada pressupõe que um mesmo compositor erudito contemporâneo possa usar um arsenal de técnicas e elementos compositivos que podem vir desde o barroco, passando pelo romântico, passando pelo modernismo do século 20, passando pela música minimalista, até englobar outras influências fora do universo erudito como o jazz, a música oriental, o rock, a pop music, o hip hop e etc, o que deixa esse tipo de música extremamente difícil de ser categorizada -- aliás, o negócio para quem não quer essa complicação é apenas ouvir; ouvir sem querer classificar ou rotular essa mistura de estilos e elementos. Para isso, existem os pesquisadores e críticos de música: para classificar, tentar explicar a música de uma forma metódica, didática, facilitada ao apreciador leigo que se interessa em conhecer os elementos da música, de forma que ele possa saborear melhor os ingredientes existentes nas várias estéticas musicais. No entanto, vivemos uma fase tão confusa em termos criativos que até para o crítico e pesquisador está difícil compreender quais movimentos e quais compositores são os divisores de águas da música erudita contemporânea. Talvez daqui a 30 anos venhamos começar a compreender quais caminhos essa música está tomando agora -- digo: nessas primeiras décadas do século 21. Por enquanto, o que sabemos é que estamos vivendo uma era chamada de pós-moderna -- que teria começado com a música minimalista nos anos 70, após o esgotamento dos experimentalismos levados a cabo pelos modernistas do século XX: falo transformações como dodecafonismo, serialismo integral, eletroacústica, música espectral e etc -- onde músicos e compositores experimentam misturas as mais diversas sem se importar com classificações ou delimitações estéticas -- unem passado, presente e aspirações futuristas numa orgia orgânica de elementos em recortes: é o que já fizeram Luciano Berio, Philip Glass, John Adams, Frank Zappa, John Zorn, Magnus Lindberg, Wynton Marsalis, entre outros. Dito isso, sigo, aqui, com mais um post da série "Improvising with Numbers" fazendo uma amostragem de cinco álbuns de música erudita contemporânea gravados neste início de século -- lembrando que já há um post anterior dessa série onde eu  postei uma primeira parte com cinco indicações de álbuns de música erudita composta neste início de século. A intenção com esses posts não é apenas mostrar um número temático de registros musicais, mas a principal intenção é mostrar que, assim como o jazz está evoluindo através de novos e inovadores registros, a música erudita também está evoluindo da mesma forma, ainda que a passos mais curtos e com um público mais elitista, em sua maioria -- aliás, a intenção mesmo é democratizar o acesso à informação sobre o que está acontecendo com essa música a qual tão poucas pessoas tem acesso: basta ver, por exemplo, que no Brasil praticamente não temos programas que dêem ênfase para a música contemporânea nos nossos teatros, conservatórios, universidades, canais de rádio e TV e etc. Mas como sabemos que a música erudita não parou em Schoenberg e Stravinsky, sigamos!

Podcast - A expressividade dos saxofones na história do Jazz. Seis saxofonistas: de John Coltrane à Joshua Redman.

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Este programa de podcast, gravado em meados de 2009 no Portal MTV, aborda a família do saxofone com saxofonistas de vários estilos e épocas, partindo do jazz moderno e englobando o contemporâneo.  Aqui apresento seis saxofonistas -- três, pioneiros do jazz moderno; e três pioneiros do jazz contemporâneo -- em quatro tipos diferentes de saxofone -- sax alto, sax tenor, sax soprano e sax barítono --, fazendo um link entre passado e presente. Sabe-se que se o trompete -- instrumento de sonoridade intensa, aguda e poderosa -- teve uma trajetória determinante para o início do jazz e para o início da sua modernidade enquanto música-arte dotada de técnica, o saxofone, por sua vez, foi o instrumento mais expressivo e dinâmico deste gênero,  aquele que, inicialmente atrelado ao romantismo jazzístico, seria o responsável pelas principais mudanças estéticas do gênero a partir dos anos 50:  isto é, hoje em dia o saxofone já não é o principal instrumento do jazz -- talvez por causa   da banalização que o mesmo sofreu nas últimas décadas do século XX, através de músicos que aderiram às estéticas comerciais de sonoridade melosa e brega --, mas nas décadas de 40, 50 e 60 foram principalmente os saxofonistas -- Lester Young, Charlie Parker, Sonny Stitt, Sonny Rollins, John Coltrane, Ornette Coleman, dentre tantos outros -- quem embalaram as gigs e ditaram as mudanças que esta música sofreu eu seu apogeu já com áurea de principal arte musical americana da era moderna. Uma curiosidade é que o naipe do saxofone era o que mais tinha duelos entre os músicos, bem como diversidade de estilos e sonoridades: isto é, enquanto Charlie Parker, Sonny Rollins e John Coltrane levavam a galera dos jazz clubs à histeria com seus vôos pirotécnicos através de um bebop veloz e intrincado, românticos como Lester Young e Paul Desmond eram capazes de fazer a galera chorar, tamanha a expressividade melódica e a sonoridade "cool" e suave que conseguiam emitir.

Podcast - Orgão Hammond B3: do gospel das igrejas ao jazz-funk e acid-jazz dos bailes e clubes noturnos!

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Soulive Trio

Seguindo com nossa série de podcasts sobre trago-vos um programa, postado no Portal MTV em 27/10/2009, sobre esse instrumento musical fantástico chamado Hammond B3. Gospel! Soul-Jazz! Funk! Rock! Acid Jazz! Jazz Contemporâneo! Esse foi, mais ou menos, o  percursso que o orgão seguiu dentro do universo da música norte-americana, sendo que até bandas de rock progressivo como Yes, Emserson, Lake & Palmer e Pink Floyd usariam este instrumento em suas músicas. Antes da década de 40 o modelo compacto de orgão vigente era o pipe organ ou o orgão de fole. Na década de 40 surje o orgão Hammond, já sintetizado e eletrônico, o que permitia ao músico criar dinâmicas e efeitos só possivel nesse instrumento. Até a década 50, o orgão era um instrumento mais comum em igrejas protestantes afro-americanas ou em clubs de regiões de maioria negra onde se podia apreciar blues. No jazz, alguns pianistas, como Fats Waller, já vinham usando o orgão pra criar certas nuances e arranjos. Mas foi com Jimmy Smith que o orgão chegou, de fato, aos clubes de jazz de Nova Iorque. Jimmy Smith, evidenciado em meados dos anos 50 pela gravadora Blue Note, ficou famoso não só por ter popularizado o orgão no jazz, mas por ter trago junto consigo a pegada do gospel e soul, criando um  estilo que seria rotulado de Soul-Jazz. Vários organistas como Jimmy McGriffy, Jack McDuff, Richard Groove Holmes saíram de suas cidades para presenciar Jimmy Smith nos clubes mais famosos de NY, dentre eles Small's, Caffe Bohemia, Birdland, dentre outros. Neste podcast nós ouviremos, também da mesma época que Jimmy Smith, o organista Jack McDuff, que foi o cara que revelou o guitarrista George Benson. Aqui McDuff está numa gravação de 1961, Soul Summit, com os saxofonistas Gene Ammons e Sonny Stitt. O nome da faixa: Suffle Twist!

Podcast - A "cover mania" no jazz contemporâneo: versões originais e jazzísticas de Björk, Radiohead, Pavement & Soundgarden!

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Jason Moran plays Björk
Brad Mehldau plays Radiohead
James Carter plays Pavement
Brad Mehldau plays Soundgarden



O jazz quase sempre foi uma música-arte, preponderantemente de requinte instrumental, que se deixou influenciar pela música popular: isso desde os tempos longínquos do cinema e do Circuito Broadway , responsáveis popularizar muitos dos históricos standards que influenciaram o jazz desde a era swing, a partir de meado dos anos 20, até os desdobramentos da linguagem bebop (hard bop e post-bop), que atingiram seu limite nos anos 60. Após a revolução do rock'n'roll dos Beatles, nos anos 60, após a revolução do jazz-rock e da disco music nos anos 70, após a revolução da pop music de Madonna, The Police e Michael Jackson, foi impossível que o jazz não sofresse um mínimo de influência dessas transformações musicais que, por mais sintéticas e atreladas ao entretenimento que fossem, foram transformações que mudaram a cultura de povos em todo o mundo e, por conseqüência, também influenciaram as outras manifestações artísticas pós-modernas: a pintura, as artes cênicas, o cinema e afins. Recentemente, após a fase de retomada das tradições do jazz acústico iniciada no início dos anos 80 pela geração de jovens músicos conhecida como "young lions", uma nova geração de músicos contemporâneos começaram a expelir a influência da cultura pop no jazz: músicos como Brad Mehldau e Jason Moran, bem como bandas como o The Bad Plus e Esbjorn Svensson Trio, não só começaram a incorporar os covers do pop-rock contemporâneo em seus repertórios, como também passaram mostrar influências da música pop em suas composições. Esses jovens músicos dos anos 90 cresceram ouvindo o rock e a música pop das décadas passadas e se depararam, já na fase adulta, com os estouros de bandas como Red Hot Chili Peppers, Oasis e Radiohead, bandas evidenciadas nas décadas de 90 e 2000: é o que justifica a influência dessas bandas em suas criações.  

Baseado nestes desdobramentos contemporâneos, eu produzi um programa de podcast (que foi ao ar no Portal MTV, no dia 12/11/2009), onde você ouvirá quatro canções pop e suas releituras jazzísticas, exemplos de três músicos do jazz que aplicaram releituras em hits do pop contemporâneo em seus álbuns: primeiro a exótica e vanguardista cantora islandesa Björk com sua canção Joga (presente no álbum Homogenic, 1997) e logo em seguida a versão instrumental com o trio do pianista Jason Moran (versão que está no disco Facing Left, de 2000); depois toco Radiohead com Paranoid Android (faixa do disco Ok Computer), mostrando em seguinda a versão instrumental com o Brad Mehldau Trio, faixa que está no disco Largo... (aliás, é preciso salientar que o pianista Brad Mehldau é um mestre dos covers do pop-rock contemporâneo); já no terceiro bloco mostro a faixa My First Mine (do disco Slanted & Enchanted, 2002) com a banda de indie rock Pavement para, logo em seguida, tocar a versão instrumental com a banda do saxofonista James Carter (essa versão está no disco Gold Sounds, inteiramente com composições do Pavement na versão jazzística - e esse foi o único álbum de covers que James Carter gravou); por fim, encerro o programa com a faixa Black Hole Sun do Soundgarden (faixa do disco A-Sides, 1997), mostrando em seguida a versão do pianista Brad Mehldau com seu trio (esta versão está no disco Live, de 2009 - e prestem atenção no solo do contrabaixista Gerry Grenadier nesta faixa!). Boa Audição!

Outros Excelentes Sites Informativos (mais sites nas páginas de mídia e links)