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Improvising with Numbers - Collage in Music: de Zappa a Zorn, seis álbuns que exemplifica o uso da colagem na música!!!

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Uma das tretas mais intrigantes -- e às vezes até inútil -- que um pesquisador musical possa ter é tentar rotular ou categorizar determinados músicos, criadores, artistas e compositores pós-modernos: isso porque uma das características do pós-modernismo é o ecletismo, a ausência de uma dicotomia entre tradição e vanguarda e de um conflito entre popular e erudito. Frank Zappa (1940–1993), Alfred Schnittke (1934—1998) e John Zorn, dentre outros, são, cada um ao seu modo e cada um com suas características estéticas, alguns dos maiores nomes da música pós-moderna -- e se eles podem ser considerados vanguardistas e radicais, eles também podem ser considerados, de certa forma, tradicionalistas, pois já aplicaram misturas diversas entre estilos de musicas mais radicais e estilos de músicas mais tradicionais. Neste post apresento-vos cinco registros pioneiros para um dos procedimentos pós-modernistas: a colagem musical. Muitos dizem que este procedimento criativo foi precedido pelo compositor americano Charles Ives (1874-1954): considerado o primeiro grande compositor americano, ele foi um revolucionário que precedeu várias descobertas reveladas pelos grandes compositores europeus da música moderna: em suas composições, além de beirar ao atonal e ao cacofônico, ele fazia uso de recortes de trechos de hinos tradicionais, canções populares, de temáticas indígenas e de aspectos do jazz e do blues. Décadas depois, após as tantas novidades e um suposto esgotamento das várias possibilidades os quais a música moderna já havia revelado, a técnica da colagem passaria a ser explorada como uma nova possibilidade composicional: Frank Zappa com Lumpy Gravy, Luciano Berio com sua "Sinfonia" e Alfred Schnittke com sua Sinfonia No.1 e seu Concerto Grosso No.1 são exemplos pós-modernos e pioneiros do uso da colagem com recortes diretos e indiretos, ou seja, recortes esses que poderia aparecer através de citações indiretas a determinadas obras e períodos históricos ou de trechos retirados diretamente de peças compostas por outros compositores. Schnittke, aliás, foi além: ele usou, sim, recortes diretos em peças suas, mas seu trunfo foi unir procedimentos que vinham desde a música renascentista, o barroco, o clássico e o romântico até chegar na música moderna, criando uma linguagem composicional que ele chamou de "poliestilismo". Em "Sinfonia" (1969), obra revolucionária que une a voz (falada e em coral) com uma orquestração cacofônica, Luciano Bério (1925-2003) usou recortes de trechos literários de James Joyce e Samuel Beckett e de peças de Debussy, Ravel, Stravinsky, Schoenberg, Webern, Brahms e até contemporâneos como Hindemith, Boulez e Stockausen, com maior destaque para as citações da Sinfonia nº 2 de Mahler. Em Lumpy Gravy -- álbum gravado um pouco antes que a "Sinfonia de Bério", lembre-se --, Zappa levou a colagem ao extremo da criatividade, precedendo algo que John Zorn faria quase 20 anos depois no álbum The Big Gundown, onde transverteu as composições de Ennio Morricone em arranjos nada convencionais. E como vocês verão, até o grande improvisador Eric Dolphy (1928–1964) já flertava com as possibilidades colagem: as faixas reunidas no álbum Others Aspects (1960-64) precede, quase como uma premonição, alguns aspectos entre voz e cacofonia vistos na "Sinfonia" de Bério. Contudo, é preciso lembrar que, apesar dos tais exemplos advindos desde a década de 60, a técnica da colagem ainda foi pouco explorada na música contemporânea e ainda pode ser vista como um procedimento criativo inesgotável. A esperança, então, é de que apareça muitos outros artistas que sejam capazes de trabalhar com este procedimento.

John Cage e Diego Stocco: a origem e a continuidade da música experimental performática...

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"Música para Lavanderia", de Diego Stocco

Em busca de curiosidades pela rede, encontrei alguns vídeos do compositor, performer e designer de som Diego Stocco. Diego nasceu em Rovigo, Itália, em 1976. Ele descobriu a música na idade de 6 anos, quando o seus pais, na esperança de acalmá-lo, deu-lhe seu primeiro teclado eletrônico -- o que eles não souberam de imediato é que aquele ato de dar um instrumento musical para entreter a criança iria endiabrá-la ainda mais, seria um tiro pela culatra! Diego, então, se tornaria um designer de som, compositor e performer especializado em criar ecléticas experiências musicais através de instrumentos construídos ou modificados, bem como através de técnicas de gravação experimental. Além dele mesmo construir ou modificar instrumentos, uma das especialidades de Diego Stocco é encontrar os sons escondidos em fontes orgânicas, que abrangem de objetos e materiais de bricolage até plantas e sons da natureza. Já houve épocas da história da música em que experimentalistas em geral eram relegados ao gueto, pois recebiam pouco ou nada de atenção midiática por seus trabalhos, muito menos comissões ou encomendas -- até o "playboy" John Cage, o pai do happening musical, sofreu para ganhar reconhecimento e algum dinheiro com seus devaneios experimentais nos idos anos 40, 50 e 60, décadas onde a vanguarda musical atingiu seu pico de indeterminação; e no Brasil, mesmo no século 21, esta faceta mais experimental da arte da música ainda permanece uma novidade quase que desconhecida pela maioria dos apreciadores. Diego Stocco, porém, tem encontrado várias maneiras de canalizar suas experiências no universo musical e, inclusive, consegue ganhar dinheiro com suas criações. Além de ser um produtor da Spectrasonics -- uma das principais empresas no mundo especializada em instrumentos digitais e softwares de música --, suas criações já apareceram em trilhas sonoras e em trailers de filmes como "O Exterminador do Futuro: A Salvação", "2012", "Eagle Eye" (Controle Absoluto),"The Uninvited" (O mistério das duas irmãs) e "Lady in the Water" (A Dama da Água); em trailers de videogames como "Justice League Heroes" (A Liga da Justiça), "Soulcalibur IV", "MK vs DC", dentre outros; bem como em programas de TV como "Dexter", "Daily Show", "Cold Case" e muitos outros. Ao assistir alguns vídeos de Diego com instrumentos construídos e preparados, lembrei de John Cage simplesmente por ele ter sido um dos primeiros compositores -- senão o primeiro -- a trabalhar com essas possibilidades de performance com piano preparado, sucatas, rádios e toca discos e ruídos em geral. Quer dizer: Cage, diferentemente do que Diego Stocco representa na atual era do pósmodernismo e da cultura pop, além de ter sido um artista subversivo pouco adepto à comercialização da arte, tinha um barato que consistia não apenas em construir, desconstruir ou modificar instrumentos, mas tinha um conceito de atrelar a música (com todo seu silêncio e seus ruídos possíveis) à performance audiovisual. Assista abaixo a engraçada performance "Walter Walk", interpretada por Cage num programa de TV nos anos 60:

O performer e artista plástico Christian Marclay e o novo conceito do DJ dentro do noise, da colagem musical e da improvisação livre.

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Antes de ir direto ao assunto faço uma pergunta ao leitor: Um DJ (dee-jay, disc jockey), aquele sujeito que opera/manipula toca-discos, pode ser considerado um músico por excelência? Depende: se a sua concepção de música estiver atrelada APENAS ao modelo-padrão clássico -- onde músico é aquele artista, dito instrumentista ou cantor, que estuda  canto vocal ou um convencional  instrumento dito musical e todas suas técnicas pré-determinadas por movimentos e escolas artísticas históricas, aquele que lê uma partitura de notação musical e se baseia em obras escritas/compostas previamente por ele mesmo ou por compositores terceiros --, talvez você não considere que um DJ como Christian Marclay possa figurar nas categoria de "músico"ou  "improvisador" -- aliás, já salientando: a idéia aqui não é rebater o gosto e a concepção pessoal de ninguém, mas apresentar novas formas de arte musical para quem estiver interessado em sair daquela velha redoma (de padrões, convenções, imposições, falta de opções e etc) na qual as escolas clássicas, a grande mídia e o próprio sistema socio-econômico-político-cultural  nos aprisionam. Mas para quem enxerga a música como uma arte em evolução e como uma arte que tem mesma capacidade de se expandir para diferentes direções da mesma forma como as artes plásticas já demonstraram e continuam demonstrando -- aliás, o jazz e a música erudita moderna do século XX já demonstraram isso --, para esta pessoa existe a necessidade de se atualizar e de se submeter ao processo de fruição artística no que diz respeito à apreciação das várias vertentes da música contemporânea, algo que acaba ficando fácil e até prazeroso, por mais impactante, complexo e/ou ruidoso que uma peça deste naipe venha lhe soar -- artistas como Ornette Coleman, Sun Ra, Frank Zappa, John Zorn e Christian Marclay, dentre tantos outros de artistas vanguardistas, são pra pessoas  com este campo amplo de visão.

A propósito, falando-se em atrelar a música à mesma visão com a qual enxergamos todo o espectro das artes plásticas, é preciso salientar que, antes de mais nada, Christian Marclay é artista plástico, performer e artista de audiovisual: suas instigantes sinestesias entre sons, vídeos,  colagens e instalações refletem seu posicionamento um tanto independente dentro da arte pós-moderna, ainda que no conjunto da sua obra é possível enxergar um mix de influências trançadas oriundas de movimentos como o dadaísmo, o punk rock, a pop art, o movimento Fluxus, a improvisação livre, o noise e obras de idealistas como John Cage e Marcel Duchamp -- sua arte se baseia, sobretudo, em reutilizar, objetos e materiais já concebidos, que vão desde imagens recortadas de filmes e gibis até discos de vinil que ele adquire nos sebos e brechós por onde passa. Segundo a revista Newsweek, Christian Marclay é um dos dez artistas mais influentes dos últimos tempos. Em 2011 o artista ganhou um Globo de Ouro na Bienal de Arte de Veneza pela exibição do vídeo "The Clock", um filme experimental baseado na temática do relógio e editado através de recortes de vários outros filmes hollywoodianos e europeus. Antes, o artista já tinha produzido o interessante vídeo de colagens "Telephone" (1995), que até chegou a ser plagiado recentemente por marketeiros da Apple num comercial para promover o iPhone: "Quando pessoas com muito dinheiro e poder decidem copiar suas idéias, não há muito o que fazer" --  disse Christian Marclay, que acabou desistindo de processar a empresa.

"Top Free jazz Albuns" de acordo com Thurston Moore, do Sonic Youth. Baixe!!!

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O mano Rubens Akira, do blog Sonórica, já havia colaborado com muitos álbuns interessantes de free jazz aqui no blog, mas a maioria dos links expiraram, naturalmente. Sendo assim, trago-voz uma contribuição do colega Fabio Machado que participa do meu grupo Albums You'll Never Forget! no Facebook, onde ele disponibilizou pra galera uma interessante lista de gravações de músicos do free jazz elaborada pelo rockeiro, improvisador e experimentalista Thurston Moore, da legendária banda Sonic Youth: "Essa lista, publicada originalmente em 1995 na brilhante, mas extinta, Grand Royal Magazine (editada pelos caras do Beastie Boys), tem circulado por anos pela net. É sempre curioso ver que tipo de som interessa a um músico como Thurston Moore. Sua lista obedeceu a um critério interessante: escolheu apenas álbuns os quais considerou underground (pequenos selos, tímida distribuição e etc), ficando de fora figurões como Albert Ayler, Coltrane e Ornette Coleman. Muitos dos discos listados por Moore nunca foram lançados em CD e outros tiveram pequenas prensagens, difíceis de serem encontradas hoje. O mais impressionante é ver o entusiasmo do Moore ao descrever essas raridades do som torto." A tradução do blog em português não está impecável, mas o conteúdo -- ácido, intrincado, barulhento... -- deverá ser de grande valor aos interessados! Clique na foto de Moore para acessar a lista e baixar os álbuns!

Sobre Thurston Moore, o amigo Fabrício Vieira já havia falado em uma meia dúzia de post lá no blog Free Form Free Jazz: "As andanças de Thurston Moore além das muralhas do idolatrado Sonic Youth já renderam uma infinidade de projetos, discos e parcerias. Em seu nome, o guitarrista já gravou uma dezena de álbuns, que costumam trazer uma pegada mais experimental e de menor adesão/degustação por parte do público mais tocado pelas levadas melódicas e de pegada pop do Sonic Youth. Quem se interessa pelo trabalho de Moore, especialmente como guitarrista, deveria dar maior atenção a suas criações na seara improvised music, onde já se associou a figuras chaves do free jazz: Paul Flaherty, Evan Parker, Mats Gustafsson, Paal Nilssen-Love, Chris Corsano, Derek Bailey..."Acesse os links indicados e clique na foto do guitarrista e baixe!!!

Gênios do jazz na década 2000-2010: O guitarrista Nels Cline e suas viagens criativas pelos territórios do noise e da livre improvisação!!!

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Poucos fãs do Wilco, excelente banda americana de rock alternativo, sabem da trajetória do seu atual guitarrista e arranjador principal: o multifacetado Nels Cline. Poucos sabem, por exemplo, que Cline não começou sua carreira musical em uma banda de rock, mas sim no cenário da livre improvisação em Los Angeles, no final dos anos 70. Ora, sabemos que o termo e o estilo da “livre improvisação” ou “free improvisation” advêm da estética do Free Jazz, estilo de jazz cacofônico fundado pelo saxofonista Ornette Coleman nos anos 60; e Nels Cline, desde sua adolescência, passou à cultivar o gosto não só pelo rock da sua época – época essa que trouxe ao mundo a fúria e a frieza do punk, da new wave e do hardcore –, mas também foi atraído pelos ruídos e pela cacofonia dessa música totalmente improvisada que fora originada da experimentação jazzística. A sua primeira aparição como guitarrista e sideman, por exemplo, foi aos 22 anos no disco Openhearted, lançado em 1978 pelo vanguardista saxofonista Vinny Golia. Desde então, Cline já participou de mais de 70 discos – com destaque para as suas colaborações com o saxofonista Tim Berne e a Liberation Music Orchestra, do contrabaixista Charlie Haden – e vem imprimindo uma carreira que aborda do já conhecido free jazz ao experimental gênero do noise, passando também pelo rock alternativo, pelo pop e pela country music.

Classic Moments in Jazz - Anos 80 & 90: O "jazz-punk" de John Zorn e sua banda Naked City!

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Continuo com a nossa série de resenhas sobre momentos clássicos -- ou apenas momentos reveladores, inusitados, diferentes e, portanto, importantes da história antiga ou recente do jazz -- levado à cabo por músicos célebres ou não-célebres. Nos anos 80, após a passagem da segunda fase do free jazz americano e em paralelo à explosão do movimento neo-conservador dos Young Lions, o jovem saxofonista John Zorn, um músico originado justamente do free jazz setentista, se manteve cada vez mais convicto nos caminhos do avant-garde (jazz vanguardista, música experimental) e começou a se diversificar e a evidenciar seu universo de pesquisas e idiossincrasias -- uma contribuição que foi, no mínimo, muito importante para a música de vanguarda contemporânea. Revelado inicialmente numa colaboração ao saxofonista Frank Lowe, no álbum "The Frank Lowe Orchestra - Lowe & Behold" (1977), e fazendo parte, então, do cenário underground do 'loft jazz' -- cenário independente, composto por músicos marginalizados da segunda fase do free jazz --, Zorn já mostrava um feeling nato para o ofício de experimentalista e agitador cultural: após deixar os estudos na Webster University, passou a tocar  em muitos lugares pequenos e alternativos, bem como passou a realizar jam sessions de música improvisada em seu próprio apartamento em Manhattan, começando aí o processo que lhe tornaria o líder do cenário "Downtown" de Nova Iorque.

Em seus primeiros registros oitentistas, Zorn passou a englobar não só as estéticas sonora do free jazz  -- a música do caos sonoro, a música improvisada, cacofônica tal como já era conhecida  --, mas também passou abordar outras estéticas e estilos musicais como a música erudita de vanguarda, a klezmer music (música judaica), o country, o heavy metal, o hardcore (uma corrente mais "nervosa" do punk rock), o noisecore japonês, e, posteriormente, o grindcore (um estilo que abrange noise e hardcore, bem como vocalises guturais). Junto a John Zorn começou, portanto, a envidenciar uma nova leva de músicos ecléticos, dos quais alguns até tinham  jazz como ponto de partida, mas eram abertos às inúmeras experimentações e estéticas vanguardistas, distinguindo-se dos jovens jazzistas da geração dominante chamada Young Lions, esses liderados pelo  trompetista Wynton Marsalis, que dizia que o verdadeiro jazz era o jazz acústico estabelecido pelos mestres históricos. Mas John Zorn não queria saber nada desse troço de "jazz puro"; muito pelo contrário: ele queria é jogar muito "som sujo" no jazz: basta prestar atenção em seus improvisos de saxofone que são gritantes e, às vezes, ensurdecedores, bem como nos arranjos pesados e guturais dos seus discos.

Farinha Digital, de Pedro Osmar e Loop B: criativo até demais !!!

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Pedro Osmar e Loop B: excelentes experimentalistas brasileiros!

Por que o Blog Farofa Moderna fala muito de jazz e não tem um nome alusivo ao gênero? Resposta: porque além do jazz, que é o que mais procuramos divulgar - como meio de apresentar aos colegas brasileiros essa suma arte da improvisação - , nós também apresentamos outros gêneros de música criativa e improvisativa, pois nem só de jazz vive o bom apreciador de música, mas de toda a arte musical que emana das vozes e das mãos desse animal chamado Homem. Ou seja, aqui o espaço é livre e eclético dentro dos limites daquilo que achamos ser música criativa: falamos do jazz à música improvisada; da música popular brasileira ao blues americano; da música instrumental à world music de caracter étnico: daí o nome Farofa Moderna que prediz uma mistura de ingredientes da música universal, sem deixar de lado, claro, nossa brasilidade!


Se quiser comprar este disco, clique aqui!!!O disco Farinha Digital da dupla de experimentalistas Pedro Osmar (do grupo Jaguaribe Carne) e Loop B é mais um adendo pra quem gosta de "música universal" ou pra quem acredita que é possível criar música através qualquer material físico e palpável. Trata-se de um registro extraordinário e inusitado, que mistura a música nordestina brasileira com manipulação de objetos não convencionais e eletrônicos: o resultado impresso é um som orgânico, é uma particular música experimental feita mais pra sentir do que pra entender, já que, ao contrário de ser uma música composta sob as normas das escritas convencionais, essa é quase que totalmente performática e espontânea - tanto que, pra quem chegou a ver os shows de lançamento do disco em unidades do SESC paulistano, a audição tende a torna-se bem mais fluída sob as lembranças das inventivas e hilárias performances do duo. Os títulos das composições como Um Carinho no Piano ou Perna Tocante, apenas indicam os instrumentos usados nas performances: nessas respectivas composições, por exemplo, eles batucam sobre a madeira do piano, raspam, percurtem e dedilham sobre suas cordas e teclas ou usam uma perna oca tirada de algum manequim para produzir sons inusitados. Sob um "pano de fundo" de música eletrônica previamente programada - ou as vezes programadas em laptop no exato momento da performance - o paulistano Loop B cria uma percurssão pra lá de inusitada ao usar vários outros objetos musicalmente não convencionais como uma escada de metal, uma espada de brinquedo, um tanque de combustível ou um furadeira elétrica, enquanto o paraibano Pedro Osmar usa a voz imprimindo um "scatting experimental" e/ou improvisa em uma viola caipira tocada de forma lindamente atonal.



Tortoise & Chicago Underground Trio - Live in Frankfurt 1999

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Tortoise é um quinteto de rock instrumental que rotulam como sendo uma banda de post-rock, um genero que costuma mostrar uma gama de influências que vêm da música eletrônica, indie rock, rock alternativo dos anos 80, rock experimental e jazz fusion. No caso específico da banda Tortoise - que é uma das mais bem sucedidas bandas do gênero - as abordagens também mostram claras influências da música minimalista e do cenário musical de Chicago, especialmente pela preferencia ao free jazz. Aqui neste bootleg - uma gravação de 23 de Outubro de 1999 - a banda está acompanhada do Chicago Underground, um moderno combo liderado por Rob Mazurek, distinto músico que, desde o final dos anos 90, vem sendo pioneiro na conexão do free jazz com a manipulação de recursos eletrônicos, tecnologia digital e performances multimídia. O Chicago Underground é um dos primeiros e bem sucedidos projetos de Rob Mazureck que veio dando nome a formações distintas ao logo dos anos: primeiro foi Chicago Underground Orchestra, depois se compartimentou no Chicago Underground Quarteto, Chicago Undergrond Trio e, recentemente, chegou a um duo definitivo com Rob Mazurek na corneta e eletrônicos e o baterista Chad Taylor que também toca vibrafone. Junto ao saxofonista Ken Vandermark, Rob Mazurek é um dos contribuintes pela reerguida no cenário do free jazz em Chicago. Mas Mazurek também estendeu sua atuações ao Brasil, fundando com o baterista Maurício Takara o São Paulo Underground baseado no primeiro projeto de Chicago. Enfim, tanto os discos da banda Tortoise como os trabalhos de Rob Mazurek (lançados pela Delmark e Thrill Jockey) são indispensáveis pra quem que estar por dentro da música instrumental contemporânea. Aqui no Brasil uma banda de post-rock mais ou menos nos moldes da Tortoise é a Hurtmold ( banda do baterista Maurírio Takara), com a qual Rob Mazurek tocou em alguns recentes shows do cantor Marcelo Camelo (ex-Los Hermanos). Curiosidade: a banda Tortoise já acompanhou o irreverente cantor brasileiro Tom Zé em uma das suas turnês aos EUA.

Fairly Early With Postscripts - Derek Bailey 1971/ 1998

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Ao lado e Evan Parker, Derek Bailey é o expoente máximo da Escola Inglesa de Livre Improvisação. E a pergunta que não quer calar: é Jazz? A resposta: ele surge de uma trilha nascida dos caminhos do Free Jazz, mas que, na década de 70, desviou-se das essências do Jazz norte-americano e transcendeu o limite do experimental. No entanto, para os amantes de música abstrata, pouco importam os rótulos e denominações. Derek Bailey é um gênio que inventou seus próprios jeitos e trejeitos de abordar a guitarra, a ponto de receber uma comparação com o famoso piano preparado de John Cage. Assim, de uma época de happenings, livres improvisações, música serial, música aleatória e outros experimentalismo artísticos, surgiram expoentes europeus que dispensaram qualquer conceituação artística que os cristalizassem, sendo alguns deles Peter Brötzmann, Evan Parker, John Stevens, Albert Mangelsdorff e muitos outros: no meio de todos esses, Derek Bailey recebe um carinho muito especial dos fãs de avant-garde.

Este disco é conjunto de faixas que foram gravadas de 1971 a 1998, sendo interessante porque mostra o apreço de Derek Bailey por experimentos com amplificação e pedais de efeito já no início da década de 70, mostrando que o guitarrista é,defintivamente, o grande precursor da guitarra experimental. A maior parte do material foi gravado em 1971: trata-se de uma espécie de suite, a "Six Fairly Early Pieces", gravada com a distinta guitarra de Bailey amplificada e distorcida com pedais de efeito. Segue-se "Rehearsal Extract" com Anthony Braxton, onde Derek Bailey flerta com um violão acústico ao invés da guitarra. "Tunnel Hearing" também é um acustico, sendo que nesta faixa, especificamente, Bailey segue totalmente solo. Adiante vem "A Bit of the Crust" e "A Bit of the Dumps" com Kent Carter no baixo e John Stevens na bateria. E, por fim, a curiosidade fica por conta de um material de propriedade de Martin Davidson: "The Last Post" e "Postscript" são faixas que foram gravadas em cassete nos respectivos anos de 1979 e 1987, contendo raros trechos onde há acordes indentificáveis, além de uma narração ao fundo que aborda vários assuntos, entre eles pensamentos sobre a política de Margaret Thatcher. A única faixa gravada na década de 90 é "Post Postscript ", a qual traz uma atualização das faixas anteriores . (Editado pelo selo Emanem).



The Iceburn Collective - Power Of The Lion

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Gravado em Março de 1997, o grupo de Salt Lake City pelo guitarrista, vocalista e compositor Gentry Densley se formou em 1991, combinando elementos do Jazz, Heavy Metal, Punk Rock e Música Erudita. O Iceburn teve sua formação ampliada, indo além da guitarra, baixo e bateria, incluindo sopros e percussão, lembrando muito o material trabalhado pelo King Crimsom, até chegar a mais material de improvisação, chegando à sonoridade e concepção do chamado Avant-garde Jazz. Chegou a encerrar suas atividades em 2000, lançando o disco Land of Wind and Ghosts, voltando à atividade em 2006 gravando com o trio italiano ZU.


The Iceburn Collective - Power Of The Lion

01. Part I (9:54)
02. Part II (7:02)
03. Part III (14:42)
04. Part IV (6:31)
05 .Part V (9:39)
06. Part VI (6:02)
07. Part VII (16:04)

guitar - Ed Rodriguez, Gentry Densley
bass - Cache Tolman, Doug Wright
percussion - Chad Popple

Rec. at New Zone Studio, 28-29/03/1997


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Iceburn

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O grupo Iceburn teve inicio em 1991 em Salt Lake City, Utah, Estados Unidos com o guitarrista, vocalista e compositor Gentry Densley. Se enquadrou no rótulo de math-rock (é o que dizem de bandas que se influenciaram no prog. do King Crimsom, com estruturas mais complexas que o rock independente oriundo do punk-rock e hardcore contemporâneo, com o mínimo ou sem vocais e letras). Acho um rótulo um tanto quanto vago, pois ao se fazer música, matemática está presente, quer queira ou não. Com o passar do tempo, o grupo que fundiu o punk, heavy metal, jazz e música erudita, se aproximou cada vez mais da improvisação do freejazz e incorporou mais membros ao chamado grupo, além do baixo elétrico, bateria e guitarras, como o contra-baixo acústico, clarinete-baixo, saxofone, percussão e fagote. O que me chamou a atenção ao Iceburn, foi ter sido lançado discos por uma gravadora de hardcore que tinha como evidência, bandas do segmento straightedge, uma filosofia radical contra as drogas e até a maioria aderiu ao vegetarianismo e veganismo. A maioria desses grupos tinha uma sonoridade simples, músicas rápidas, curtas e agressivas, como a maioria do conceito hardcore. O Iceburn até hoje não foi bem digerido pelo público de rock em geral, talvez por não se enquadrar facilmente a qualquer rótulo convencional, dividindo suas músicas em longas suites, incluindo poesia concreta na arte de cada cd, tornando o ilustrador e diagramador um membro do grupo. Na música no âmbito mais amplo, isso não é novidade, mas no meio do rock independente foi um grande diferencial que infelizmente passou quase desapercebido. Sonoramente falando, quem teve ouvidos mais atentos e despidos de pré-concepção de rock, pode desfrutar de momentos muito interessantes, criativos e prazerosos com a trajetória deste grupo. Enfim, o grupo se desfez em 2000 sob o nome de Iceburn Collective, sendo um dos mais criativos da chamada cena independente, onde figuram o Fugazi e Shellac. Abaixo a faixa Trills & Cone do The Iceburn Collective


Radio - John Zorn with Naked City (1993)

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Naked City foi uma banda do cenário vanguardista do início da década de 90, mais um dos inúmeros projetos do vanguardista John Zorn. A banda é caracterizada pelo conjunto de estilos musicais como o Death Metal, o Free Improvisation, o Noise, o Surf, o Industrial e o Serialismo, dentre outros. Trata-se de uma banda de músicos antenados com a cena vanguardista americana, com a música improvisada européia e o noisecore japonês. Aqui se encontram músicos como: Bill Frisel, John Zorn, Yamataka Eye, Wayne Horvitz, Joey Baron, Fred Frith, entre outros.

Dificilmente um jazzista que se preze gostará desse disco que tem um caracter totalmente experimental. Mas, quando se trata de John Zorn, percebe-se uma grande coerência criativa, uma grande energia na improvisação e uma grande fluência entre os mais variados estilos pós-modernos. Já para quem gosta de rock e música experimental, esse disco soará bém familiar. Ouçam ! Corram esse risco!

Download - Baixar Álbum

1 - Asylum Zorn 1:56
2 - Sunset Surfer Zorn 3:23
3 - Party Girl Zorn 2:34
4 -2:27
5 - Triggerfingers Zorn 3:31
6 - Terkmani Teepee Zorn 3:59
7 - Sex Fiend Zorn 3:31
8 - Razorwire Zorn 5:31
9 - The Bitter and the Sweet Zorn 4:52
10 - Krazy Kat Zorn 2:03
11 - The Vault Zorn 4:44
12 - Metal Tov Zorn 2:07
13 - Poisonhead Zorn 1:09
14 - Bone Orchard Zorn 3:55
15 - I Die Screaming Zorn 2:29
16 - Pistol Whipping Zorn :57
17 - Skatekey Zorn 1:24
18 - Shock Corridor Zorn 1:08
19 - American Psycho Zorn 6:10

Outros Excelentes Sites Informativos (mais sites nas páginas de mídia e links)