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James Farm, a nova banda de Joshua Redman, Aaron Parks, Matt Penman e Eric Harland!!!

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Da esquerda para a direita: Matt Penman, Joshua Redman, Aaron Parks e Eric Harland -- Foto: Jimmy Katz

Eis que urge, da nata do jazz, uma das mais novas bandas representante do post-bop contemporâneo: James Farm. Formada pelo saxtenorista Joshua Redman, pelo pianista Aaron Parks, pelo contrabaixista Matt Penman e pelo baterista Eric Harland -- alguns dos mais aclamados músicos dos últimos anos, portanto --, a banda recebe esse nome em função das iniciais dos nomes dos seus integrantes -- e convenhamos, jazzófilos, que configura-se, aí, um quartetão e tanto, heim?! A banda foi formada em meados de 2009 e teve sua estréia no palco do Montreal Jazz Festival deste mesmo ano. Agora, em 26 de Abril de 2011, a banda estará lançando seu primeiro disco, um homônimo pela excelente gravadora Nonesuch: inclusive, a NPR (National Public Radio ou Rádio Pública Nacional dos EUA) concedeu, em sua sessão chamada "First Listen", uma audição gratuita do álbum, na íntegra -- ôceis não podem deixar de ouvir isto!!! Não há nada de tão revelador neste trabalho ou algo inovador que os jazzófilos mais antenados já não tenham ouvido, mas adianto a todos: trata-se de uma excitante e mui contemporânea  amostra de como o mainstream do jazz está se trajando,  de como o jazz americano tem evoluído até o presente momento  -- neste caso, influências contemporâneas do pop, rock, neo-soul, folk, música eletrônica, dentre outras, são amalgamadas em um post-bop de temas agradáveis e claros, mas com grande foco na amplitude da improvisação, na plenitude do fraseado contemporâneo. "James Farm is where we pool our collective knowledge, let run the best of our ideas arising from our varied musical influences, while acknowledging substantial common ground—a love of jazz, a fascination with song and structure, an obsession with groove, and a receptivity to contemporary influences. A band where we can be creative composers and improvisers, in step with the rhythm of the times, constantly evolving." -- resume o contrabaixista Matt Penman: ou seja, James Farm é uma banda que, basicamente, une a paixão do jazz (acústico), o fascínio pela canção bem estruturada e a mente aberta para grooves contemporâneos que expressem a variedade de rítmos da atual pós-modernidade. Embora os quatros músicos nunca tivessem tocado juntos antes da formação do quarteto, o destino permitiu que eles já tivessem tido afinidade através de outras bandas e outras gravações: Joshua Redman, Matt Penman e Eric Harland já tocavam juntos no emblemático octeto San Francisco Jazz Collective; enquanto que o pianista Aaron Parks, o mais novo da banda, já solicitara Matt Penman e Eric Harland para compor a cozinha da banda que gravou seu disco de estréia, o excelente Invisible Cinema, lançado pela Blue Note em 2008. Formada em caráter colaborativo, James Farm é um exemplo de banda na qual seus membros são co-líderes, ou seja, eles dividem os créditos, há temas e arranjos compostos por cada um deles. Segue, abaixo, a capa, a sequência de faixas do álbum e o link para ouví-lo na íntegra. Ouçam porque é de grátis, mas o é por poucos dias!!!


James Farm (Nonesuch, 2011)

Ouça aqui, via NPR

1 - Coax (Matt Penman) 7:09
2 - Polliwog (Joshua Redman) 8:22
3 - Bijou (Aaron Parks) 4:16
4 - Chronos (Aaron Parks) 8:58
5 - Star Crossed (Joshua Redman) 7:15
6 - 1981 (Matt Penman) 8:50
7 - I-10 (Eric Harland) 4:31
8 - Unravel (Aaron Parks) 5:52
9 - If By Air (Joshua Redman) 6:53
10 - Low Fives (Matt Penman) 7:01

Live at Village Vanguard - Aaron Goldberg Trio + Mark Turner

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Aaron Goldberg em recente turnê pela Europa: da esquerda para a direita, Josh Redman, Aaron Goldberg, Mark Turner, Eric Harland, Reuben Rogers.
Acaba de sair do forno a gravação da fantástica apresentação que o pianista Aaron Goldberg e seu trio -- com Eric Harland na bateria e Reuben Rogers ao contrabaixo -- realizaram no legendário clube nova-iorquino Village Vanguard: a gravação realizada pela rádio WBGO, de New Jersey, foi ao ar dia 02 de fevereiro e já está disponível para audição no site da National Public Radio (NPR), que costuma ter parcerias com grandes rádios regionais afim de divulgar toda a música que inunda os EUA, do pop e hip hop ao blues, jazz e música erudita -- aliás, a ênfase que a NPR tem dado ao jazz tem sido muito enriquecedora ao gênero e aos seus fãs. Além dos membros do seu trio -- um trio "da pesada", diga-se de passagem --, Aaron Goldberg teve como convidado especial o fantástico saxofonista Mark Turner. A sequência de faixas inclui:

"The Rules"
"One Life"
"OAM's Blues"
"Lambada De Serpente" (Djavan)
"Moose The Mooche" (Parker/arr. G. Klein)
"Isn't She Lovely" (Stevie Wonder)

Aaron Goldberg, nascido em 1974, é um dos maiores pianistas ligados ao estilos contemporâneos conhecidos como "neo-bop" e "modern post-bop", embora seu nome ainda não esteja à mesma altura da fama de, por exemplo, Jason Moran ou Brad Mehldau. Seus estudos focados no jazz começaram a acontecer em 1991 quando, aos 17 anos, ele começou a estudar na New School for Jazz and Contemporary Music. Depois ele estudou na Universidade de Harvard , onde ganhou o International Association of Jazz Educators 'Clifford Brown/Stan Getz Fellowship e tornou-se membro do programa Betty Carter 's Jazz Ahead. Depois de se formar em Harvard, em 1996, atuou como sideman do saxofonista Joshua Redman durante alguns anos. Recentemente, Aaron passou a excursionar e a gravar com o jovem guitarrista Kurt Rosenwinkel (um dos "gurus" do jazz contemporâneo quando se fala em guitarra). Em 2005, Aaron Goldberg excursionou por aqui, na América Latina, com Madeleine Peyroux e passou seis meses atuando com o Wynton Marsalis Quartet, bem como com a Lincoln Center Jazz Orchestra. As colaborações de Aaron Goldbger como sideman inclui trabalhos com músicos como Guillermo Klein , Terry Gibbs e Buddy DeFranco , John Ellis , Jimmy Greene e Degibri Eli. Seu álbum de estréia como líder foi Turning Point (J Curve, 1999). Seu lançamento mais recente é Home (Sunny Side, 2010). Uma curiosidade interessante é que uma faixa do seu álbum Worlds (Sunny Side, 2006) , "OAM's Blues" , pode ser encontrada na pasta Amostra de Música (Sample Music, em inglês) do Windows Vista, uma das últimas versões do sistema operacional da Microsoft. Queridos colegas, não percam este nome de vista: Aaron Goldberg!!! Abaixo o link para a transmissão ao vivo do show no Village Vanguard e um vídeo que, certamente, poderá animá-los (rs):


NPR - Live at The Village Vanguard: Two-Shade, o disco de estréia do pianista Gerald Clayton!

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Quem acompanha o Blog Farofa Moderna ocasionalmente tem apreciado nossa faceta de apresentar novos músicos: nossa abordagem consiste em apresentar não só o jazz moderno, mas, principalmente, o contemporâneo -- já que uma das nossas metas é manter o apreciador de jazz brasileiro atualizado com as novidades que andam acontecendo no cenário norte-americano e brasileiro. É claro que há uma escolha na divulgação de músicos e de novos álbuns: pois, como não temos tempo para apresentar todos os novos albuns nem todos os novos músicos que estão se revelando no jazz americano nesses ultimos anos, temos de restringir a escolha, valorizando músicos que, ao nosso ver, estão lançando trabalhos distintos e/ou estão se destacando na mídia especializada. Apesar dessa escolha parecer arbitrária, eu reitero, contudo, que cada um dos leitores do Farofa Moderna tem o direito de dar sujestões de novos músicos, novos discos e novos assuntos a serem debatidos. E o músico que vos apresento hoje, o pianista Gerald Clayton, foi uma dica de um dos visitantes assíduos do blog.


Gerald Clayton, 25, é um dos mais novos pianistas revelados pelo cenário americano nesses ultimos anos. Filho do contrabaixista John Clayton e sobrinho do saxofonista Jeff Clayton, Gerald teve aulas na Southern of University California e na prestigiada Manhattan School of Music. Pouco tempo depois, ele foi contratado para ser o pianista do trompetista Roy Hargrove, um posto que ocupou durante alguns anos. Atualmente, além de sideman requisitadíssimo, Gerald toca na banda da familia, o Clayton Brothers.

Já enquanto líder, sua carreira acaba de se iniciar. Em 2009 ele lançou, pela gravadora Decca, o excelente álbum Two-Shade. Trata-se de um distinto trabalho em piano-trio -- mais um excelente piano-trio -- com o contrabaixista Joe Sanders e o baterista Justin Brown, também jovens na casa dos vinte anos. O album Two-Shade, apesar de ser o debut de Gerald Clayton, recebeu instantânea atenção do público e da crítica especializada, chegando a ser indicado para o prêmio Grammy na categoria Best Improvised Jazz Solo, por causa do excelente solo de Clayton na faixa "All of You", um standard de Cole Porter transformado numa versão do melhor estilo do neo-bop contemporâneo. A abordagem sonora do album, como um todo -- bem diversificada em dinâmicas rítmicas e sonoras --, segue numa linha do modern post-bop ao straight-ahead, regado a grooves contemporâneos, climas rhythm'n'blues, pegadas sutis e explosivas de funky, soul, hip hop e neo-bop e -- o mais interessante -- com improvisos carregados que mesclam instrospectividade -- através de ostinatos e diálogos interativos --, com dinâmica musical refinada, como já foi dito.









A primeira faixa do álbum, "Boogablues", é um blues funkeado que lembra remotamente a marcação do boogie-oogie antigo, onde o contrabaixo se destaca. Faixas como "All of You" e "Scrimmage" são orientadas na velocidade do neo-bop. Outras faixas, como "One Two You", por exemplo, mostra o inteligente recurso da dinâmica músical: indo do piano ao forte, do toque sereno ao em funky explosivo, onde as "batidas" da bateria também são destaques. Já em outras partes, os acordes do piano lembram os climas gospel e R'n'B dos albuns do pianista Robert Glasper: como pode se presenciar nas faixas Two Heads One Pillow -- com um funky e um backing vocal à capella que lembra elementos do hip hop -- e Peace for the Moment. Apesar das semelhanças, não seria exagero dizer que o arsenal de dinâmicas, técnicas, rítmos e elementos usados por Clayton em Two-Shade sejam mais abrangentes que nos discos de Glasper. Há, também, lampejos da dinâmica e da sutileza de um Ahmad Jamal, bem como do romantismo de um Kenny Barron, por exemplo, mas Gerald Clayton esbanja técnica, versatilidade e, principalmente, estilo próprio. A interatividade do trio, a forma como os três músicos se interagem, também é algo ímpar que deve ser reparado. Abaixo, um link para o áudio de uma gravação com o Gerald Clayton Trio ao vivo no legendário clube Village Vanguard, onde, na ocasião, Gerald Clayton apresentou o repertório do album Two-Shade. Ouçam!


The Gerald Clayton Trio - Live at The Village Vanguard



O lirismo moderno de Wynton Marsalis em Hot House Flowers, de 1984

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Wynton Marsalis - trumpet
Robert Freedman - orchestra, conductor
Branford Marsalis - soprano, tenor saxophone
Kent Jordan - alto saxophone, flute
Kenny Kirkland - piano
Ron Carter - acoustic bass
Jeff "Tain" Watts - drums


Não são todos álbuns revivalistas que, ao conter basicamente standards e canções populares, soam com frescor, leveza e originalidade. Hot House Flowers poderia até ser mais um desses álbuns massantes de standards que existem no mainstream se o bandleader-executante não fosse alguém como Wynton Marsalis, considerado por grande parte dos opinion makers não só o maior trompetista, mas também o mais ousado compositor das últimas décadas. Com esse disco Marsalis deixou claro que, além de ser um exímio executante e um grande improvisador de frases velozes, ele também podia tocar com muita sensibilidade e expressão, criando frases lentas, relaxantes, dotadas de lirismo e imprimindo fantásticos arranjos com efeitos sutís. E mais do que isso: se por um lado Wynton Marsalis sempre foi criticado por não aderir-se ao elástico mercado da Fusion e à corrente progressiva da música de vanguarda da década de 70, por outro lado, através de excelentes álbuns como Think of One e Hot House Flowers, ele se mostrou um efetivo renovador do Jazz Moderno, sendo capaz até mesmo de dar vida nova a esquecidos standards -- como fez com Think Of One (Monk), Cherokee (Ray Noble) e Bourbon Street Parade (Ellington), entre outras composições clássicas que estão inclusas nos sete volumes da série Standard Time --, firmando-se, assim, como um dos maiores instrumentistas, e eventualmente como o maior ativista musical em prol da autenticidade do jazz americano. Aliás, essa capacidade de renovar e recriar os grandes clássicos do jazz com grande personalidade ficaria ainda mais evidente anos mais tarde nos anos 90 e 2000, quando o trompetista recriaria de forma espetacular e única obras de John Coltrane (vide o peculiar disco A Love Supreme, de 2004, com a big band Lincoln Center Jazz Orchestra), Charles Mingus (vide disco Don’t Be Afraid…The Music Of Charles Mingus, também com a LCJO), Thelonious Monk (vide disco Marsalis Plays Monk, com o Wynton Marsalis Septet), Duke Ellington (vide disco Portraits By Ellington, também com a big band LCJO) e Jelly Roll Morton (vide disco Mr. Jelly Lord - Standard Time Vol. 6 , com o Septet).

Mas estamos aqui na data de 1984, época em que sua maior inspiração era Miles Davis. Hot House Flowers, inclusive, surge influenciado pela abordagem "cool" que Miles empregou em suas ricas parcerias com Gil Evans, mais especificamente nas gravações com arranjos orquestrais dos anos 50. A Columbia, agora casa de Wynton Marsalis -- até então com 24 anos --, enchergava uma grande oportunidade comercial em jovens-talento, já que agora, com o sucesso e repercussão do jovem trompetista, a imagem do jazz parecia coincidir com a época de ouro que fora os anos 50 e boa parte dos anos 60, na qual personalidades como Miles Davis e Dave Brubeck, também jovens e bem trajados, tinhan sido não só os músicos mais criativos da gravadora mas os seus maiores vendedores de discos. Ou seja, após o jazz ter perdido sua autenticidade com o advento do Fusion e os excessos da vanguarda, e após décadas de má imagem que os músicos junkies lhe proporcionaram, agora havia não só uma tendência de total resgate e modernização às heranças dos grandes mestres do passado como também uma grande tendência de reformulação e elitização da imagem do gênero por parte de um jovem que, como Miles antes de sua fase Fusion, era negro, bem vestido e proveniente de uma família de classe média: e esse jovem, chamado Wynton Marsalis, surgiu, justamente, do berço do jazz, em New Orleans -- e considerando esse seu ativismo em prol da revalorização da tradição e em prol da inclusão do jazz como educação musical massificada, não demoraria muito, então, para que Wynton fosse considerado pelos críticos como o responsável pelo fênomeno do "Renascimento do Jazz" nas décadas de 80 e 90.

Este disco, aliás, deixa claro a expectativa de vestir os stantards clássicos com arranjos modernosos e requintados -- começando da capa conservadora até seu conteúdo musical, a idéia é apresentar algo sereno que tenha a sombra do passado mas a roupagem moderna. As interpretações de Wynton Marsalis são finíssimas: a primeira faixa é considerada uma das versões mais belas da manjada "Stardust", onde Wynton trabalha todos os detalhes com muita minuciosidade, desde a intensidade, passando pelo lirismo das frases até os improvisos, interagindo com maestria telepática com a orquestra de metais e a sessão de cordas regidas pelo arranjador Robert Freedman. Características como essas também aparecem em igual quantidade nas faixas "Django", original de John Lewis, e "Melancholia", de Duke Ellington. Além dos sete standards arranjados, aonde Wynton mais imprime sua originalidade e sua promissora marca composicional  é na faixa-título, a moderníssima balada "Hot House Flowers", totalizando oito faixas de puro frescor e lirismo. Enfim, não é sempre que este álbum é citado como um dos mais primorosos da extensa discografia wintoniana, mas valendo-se do direito de expressar minha opinião como apreciador, eu diria que um material como este seria algo pra ouvir atentamente na calada da noite, afim de tranquilizar os pensamentos mais afoitos. Clique na imagem para acessar as linners notes e ouvir trechos do album!

There is no download; just a suggestion.

O prolífico Christian McBride: atualizando o passado, ditando o presente !

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Conheço algumas pessoas – dentre elas colegas próximos – que só consideram gigantes os músicos do passado: simplesmente porque já há todo um legado em torno deles e se criou toda uma nostalgia e uma mitificação em torno dos seus talentos e das suas façanhas, de forma que até seus pecados e limitações são exaltados com descrições nostálgicas e poéticas. Essas pessoas não aceitam que músicos e compositores das últimas décadas, que já são legendários – como um Wynton Marsalis, por exemplo –, sejam considerados lendas vivas ou sejam postos no mesmo patamar de gênio que alguns músicos e compositores do passado – como Charles Mingus ou Miles Davis – são postos pela critica especializada. Ou seja, para essas pessoas um músico e compositor como Wynton Marsalis precisaria envelhecer, morrer, ter seu legado e suas história analisada afim de garantir um “peso histórico”, ser amplamente aceito pelo público jovem das gerações futuras como um “músico beatificado” para, enfim, ser considerado lenda ou mito com uma importância relevante na história do jazz tanto quanto Charles Mingus possui – é uma opinião até coerente e aceitável. No entanto, todos nós sabemos que até os mitos precisam, de tempos em tempos, de uma ajudinha do mercado para se manterem em voga: um exemplo disso são as recentes homenagens e os relançamentos do álbum histórico Kind of Blue, os quais vieram em 2009, ano do 50º aniversário do lançamento original, a fim de reafirmar a importância que esse trabalho de Miles teve dentro da história, bem como reafirmar o seu legado dentro do jazz contemporâneo – ou seja, até os mitos entram e saem da moda, podendo voltar aos holofotes de tempos em tempos. Mas também sabe-se que em toda a história da música sempre houve, de fato, casos raros de músicos e compositores vivos – alguns deles ainda jovens – que foram considerado gênios e lendas vivas em suas épocas: isso já aconteceu ou pelo viés do tradicionalismo ou pelo viés do vanguardismo. Eu, particularmente, não só aceito que haja músicos do presente que podem ser colocados no mesmo patamar de “gênio” que os músicos do passado, como também acredito que alguns já ultrapassam os mestres com feitos e façanhas gloriosos: e essa resenha destaca, sobretudo, alem do citado Wynton Marsalis – que ultrapassou trompetistas com sua completude e ultrapassou compositores com sua escrita erudita – o contrabaixista Christian McBride, principal e mais aclamado nome do contrabaixo da atualidade.


Se McBride encerrasse sua carreira hoje, aos 38 anos, ele já teria seu nome posto na história como um dos maiores contrabaixistas de todos os tempos. Com devoção confessa à mestres como o “pai” do funk James Brown e os contrabaixistas Ray Brown e Paul Chambers, Christian McBride surgiu, inclusive, através das mãos abençoadas de Wynton Marsalis quando ainda tinha 14 anos, na década de 80. Wynton, já em sua fase de precoce consagração aos 25 anos de idade, descobriu o jovem McBride em um workshop quando estava em turnê pela Philadélphia, em 1986, convidando-o para tocar em um projeto que ele estava desenvolvendo com a Academy of Music. Apenas alguns poucos anos, entre os direcionamentos de Wynton – que pregava um revival ao jazz acústico e às tradições como um novo ponto de partida para o jazz pós-fusion –, os estudos na High School of Performing Arts, a breve passagem pela Julliard School of Music e sua fase inicial como sideman dos mais variados músicos, foram suficientes para que Mcbride iniciasse a década de 90 já como a principal revelação do contrabaixo: em 1989, por exemplo, ele foi escolhido por Ghunter Schuller para executar a dificílima suíte de Mingus, intitulada Epitaph; e em 1992, ele foi considerado pela revista Rolling Stone como um dos principais músicos de jazz do ano. Mas isso estava acontecendo de forma precoce porque o próprio jovem McBride largara os estudos na Julliard School para tocar com os mais variados músicos do jazz e fora dele: talvez por considerar que, por já ter uma agenda extremamente cheia, a sua principal escola seria tocar com o maior número de músicos e bandas possíveis ao invés de ficar confinado em uma sala estudando conceitos musicais. Essa fase inicial da sua carreira é marcada pelas colaborações com os principais “Young Lions” da época, bem como com muitos músicos consagrados: a começar por Wynton Marsalis, o saxofonista Bobby Watson (que, ao lado do trompetista, foi quem mais lhe ajudou), o trompetista Roy Hargrove, o saxofonista Joshua Redman, a jazz singer Betty Carter (outra das suas entusiastas), os veteranos trompetista Freddie Hubbard e o saxofonista Benny Golson, até o guitarrista Pat Metheny, que o convidaria para integrar seu acústico Pat Metheny’s Special Quartet. 



Christian McBride & Ray Brown




















(Kind of Brown)


Mas se por um lado Christian McBride passou a ser o contrabaixista de jazz mais requisitado da sua geração, por outro lado essa resenha tem a função de mostrar a faceta mais pessoal e autoral da sua carreira, que já conta com 9 títulos originais. O primeiro trabalho solo do contrabaixista, o álbum Gettin' To It, foi lançado em 1995, logo após assinar um contrato com a gravadora Verve: trata-se de um trabalho na linha do neo-bop wyntoniano que contou com músicos da linhagem dos “young lions” : o pianista Cyrus Chestnut, o trompetista Roy Hargrove, o saxtenorista Joshua Redman e o baterista Lewis Nash. Essa predominância do neo-bop, uma tendência revivalista iniciada por Marsalis que consistia em resgatar o swing e atualizar as variações do bop, foi o ponto de partida para que McBride chegasse adotar uma estética mais eclética a partir do final dos anos 90 – ainda que sem deixar de celebrar a influência dos mestres –, afirmando-se , logo depois, como um dos expoentes do modern post-bop, uma das estéticas que caracterizam o jazz produzido nesses últimos anos. Em sua fase “young lion” McBride lançou mais dois albuns onde observa-se com nitidez uma atualização das formas acústicas do bebop, hard-bop e post-bop do passado: em Number Two Express, McBride usa e abusa da linguagem bop através de diferentes combinações entre músicos jovens e veteranos, onde participam os sax-altos Kenny Garrett e Gary Bartz, o vibrafonista Steve Nelson e os pianistas Chick Corea e Kenny Barron, o percussionista Minu Cinelu e o baterista Jack DeJohnette; já em Fingerpainting: The Music of Herbie Hancock, McBride atua em trio com o trompetista Nicholas Payton e o guitarrista Mark Whitfield para prestar uma homenagem acústica e sem bateria ao lendário pianista Herbie Hancock, músico que fez história no post-bop sessentista e no fusion setentista. Porém, os lançamentos de Cristian McBride a partir de 1998, assim como os da maioria dos chamados young lions, entraria nessa fase mais recente do modern post-bop, englobando influências diversas como o neo-soul, o jazz-funk, o fusion e o hip hop. Em A Family Affair e Sci-Fi, últimos álbuns lançados pela Verve (em 1998 e 2000, respectivamente), Christian McBride usa não só contrabaixo acústico como também o elétrico, mostra performances intrincadas onde fica evidente a admiração por contrabaixistas do fusion como Jaco Pastorius e Stanley Clarke e usa composições de James Brown, Stevie Wonder, Sting, dentre outros compositores do além-jazz.

Gettin' To It (Verve, 1995)
































Essa personalidade eclética, com um pé na tradição dos mestres e outro na ousadia de tocar das mais variadas formas, viria a acontecer não só porque Christian McBride estava aderindo à essa recente corrente do jazz contemporâneo onde já não existe um “ismo” ou uma estética dominante, mas, sobretudo, porque desde o início McBride se dispôs a tocar com os mais variados músicos e bandas, não fazendo juízo de valores, ainda que acertando nas escolhas entre os projetos mais comerciais e os mais intrincados. Do início dos anos 90 ao início dos anos 200, McBride já havia tocado com uma multidão de músicos e bandas que não se limitava apenas ao espectro do jazz: desde Freddie Hubbard, Joe Henderson, McCoy Tyner, Herbie Hancock, Pat Metheny, Diana Krall, Roy Haynes, Chick Corea, Wynton Marsalis, Joshua Redman, Ray Brown's , John Clayton, até com músicos do hip-hop, pop e neo-soul, tais como The Roots[1], Kathleen Battle, Carly Simon, Sting, Bruce Hornsby, James Brown e Chris Botti. Entre 2001, em um outro exemplo de versatilidade, McBride lançou um projeto com o pianista Uri Caine chamado "The Philadelphia Experiment”, projeto que reuniu um trio inusual de músicos da Philadélphia com diferentes estilos – Uri Caine (pianista e tecladista mais caracterizado pelo modern creative), Ahmir "Questlove" Thompson (baterista com fluência no funk e hip hop) e o próprio McBride (com seu neo-bop e modern post-bop) –, o que resultou no disco homônimo lançado pela gravadora Ropeadope nesse mesmo ano (posteriormente, com o sucesso desse projeto, a gravadora lançaria os semelhantes The Detroit Experiment e The Harlem Experiment, com músicos com técnicas distintas de Detroid e de Nova Iorque, respectivamente).


(Live at Tonic)

Os três últimos álbuns e projetos de McBride são, sem dúvida, o sumo da sua faceta pessoal, que caracterizou sua carreira nesse início de século 21 e, por consequência, contribui para definir as roupagens do neo-bop e modern post-bop nesses últimos anos. Em 2002 ele fundou sua Christian McBride Band, um quarteto com o saxofonista Ron Blake, o pianista e tecladista Geoffrey Keezer, e o baterista Terreon Gully (quem esteve na edição de 2008 do Festival Tudo é Jazz de Ouro Preto pôde conferir a atuação da banda): com essa banda, então, ele lançou pela Warner, em 2003, o interessante Vertical Vision, que também teve a atuação do ilustre guitarrista do m-base David Gilmore, como convidado . Em 2005 ele voltou a gravadora Ropeadope para solicitar uma astuta gravação de um show ao vivo no extinto e, até então excelente, clube nova-iorquino Tonic (que fecharia as portas em 2007): o álbum Live at Tonic, lançado em 2006, contém três discos de longas performances improvisativas e viscerais, onde os estilos neo-bop, o fusion, o funk e o hip hop, bem como os timbres dos instrumentos acústicos e os timbres dos psicodélicos, se unem num resumo que caracteriza perfeitamente as fusões que estão acontecendo no jazz americano dos últimos anos e do início do século 21 – trata-se de um projeto de três noites no clube Tonic com seu já habitual quarteto (com Geoffrey Keezer, Ron Blake e Terren Gully) mais uma leva de convidados que inclui o pianista Jason Moran, a violinista Jenny Scheinman, o guitarrista Charlie Hunter e o músico de hip hop DJ Logic. Já em seu trabalho mais recente, Kind of Brown (Mack Avenue, 2009), McBride apresenta um outro quarteto, dessa vez denominado Inside Straight, com o qual parafraseia o título do álbum Kind of Blue, de Miles Davis, para prestar uma talhada homenagem ao mestre do contrabaixo Ray Brown, com quem tocou no projeto Superbass (documentado em dois discos lançados pela Telarc, um em 1996 e outro em 2001). Nas palavras do crítico Michael G. Nastos para o All Music Guide, a roupagem "straight-ahead" do álbum Kind of Brown, que mostra, junto à McBride, as atuações do jovem vibrafonista Warren Wolf , do saxofonista Steve Wilson, do pianista Eric Reed e do baterista Carl Allen, lembra os excelentes trabalhos do vibrafonista Bobby Hutcherson em parceria com saxofonista Harold Land registrados pela Blue Note na década de 70; mas é preciso lembrar que, se a intenção de McBride foi mesmo produzir um tributo alusivo ao seu mestre, é possível que ele também tenha se inspirado na gravação de Ray Brown com o vibrafonista Milt Jackson na edição de 1977 do Montreaux Jazz Festival (no DVD da serie Norman Granz’ Montreaux Festical), os quais se apresentaram com uma banda monstruosa, no dia 13 de Julho de 77, tendo atuações fantásticas de Clark Terry no trompete e flugelhorn, Monty Alexander no piano, Eddie "Lockjaw" Davis no sax tenor e Jimmie Smith na bateria. Assim, concluindo, não é preciso nenhum esforço para entender que Christian McBride, enfim, chega à segunda década do século 21 – como um dos maiores expoentes do jazz contemporâneo e como o principal contrabaixista da sua geração – atualizando o passado e ditando o presente: os discos Live at Tonic (2006) e Kind of Brown (2009) são alguns dos principais lançamentos a caracterizar o jazz genuinamente americano dos últimos anos.

Clique nas imagens para saber mais sobre Christian McBride: ou para comprar, ouvir e baixar seus discos. Na Comunidade Farofa Moderna do Orkut, o excelente disco Live At Tonic está disponível para download. Entre e baixe-o!


A super banda San Francisco Jazz Collective !!!

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A primeira configuração do SF Jazz Collective



San Francisco Jazz Collective -- chamado abreviadamente de SF Jazz Collective -- é um coletivo de 8 músicos e compositores estelares. A banda nasceu em 2004, quando a James Irvine Foundation procurava formar uma banda - sendo um projeto sem fins lucrativos - que pudesse representar o evento anualmente: daí surgiu a idéia de recrutar oito grandes músicos de oito dos principais instrumentos do jazz, criando portanto, um octeto que pudesse levar do evento e representá-lo perante a crítica e público além do reduto de São Francisco - assim, a primeira configuraçõe do grupo teve a pianista Renee Rosnes, o trompetista Nicholas Payton, o vibrafonista Bobby Hutcherson, o saxtenorista Joshua Redman, o sax-alto Miguel Zenon, o trombonista Josh Roseman, o baterista Brian Blade e o contrabaixista Robert Hurst. O projeto deu tão certo que, o SF Jazz Collective passou a ser requisitado em outros festivais estadunidenses e europeus, dando início à uma banda que passou a ser uma legenda do jazz contemporâneo. Mas apesar do sucesso, é preciso salientar que o projeto-piloto do SF Jazz Collective se mantém como sendo sem fins lucrativos , ou seja, apenas como a banda residente do San Francisco Jazz Festival comissionada pela James Irivine Foudation - tanto que a maioria das gravações do grupo são editadas por uma etiqueta própria, a SFJAZZ Records, e as edições recebem tiragens limitadas apenas para divulgar o programa e repertório anual, onde uma das exigências é trabalhar, cada ano, com material de um compositor do jazz moderno em especial. No entanto, com o sucesso do grupo de figuras estelares, a gravavadora Nonesuch levou ao mercado duas gravações: o CD SF Jazz Collective, de 2005, e o segundo álbum SF Jazz Collective 2, de 2006.




Sobre o SF Jazz Collective, eu já falara aqui em post no Farofa Moderna, quando, na ocasião, deixei um link da NPR com uma edição do programa Jazz Set, apresentado pela cantora Dee Dee Bridgewater, onde o projeto do "coletivo" consistia em apresentar novos arranjos para as composições de Wayne Shorter (cliquem na tag SF Jazz Collective no final deste post para ouvir o programa). Em 2007, o coletivo escolhera trabalhar com as composições de Thelonious Monk: observem, por exemplo, que nesta seleção de vídeos, todos de 2007, há algumas versões dos standards de Monk como em Criss Cross e Brilliant Corners. Composto atualmente pela pianista Renee Rosnes, o trompetista Dave Douglas, o altoísta Miguel Zenon, o saxtenorista Joe Lovano, o trombonista Robin Eubanks, o vibrafonista Stefon Harris, o contrabaixista Matt Penman e o excelente baterista Eric Harland, o octeto é visto como um grupo igualitário onde cada músico participa como compositor ou arranjador, incrementando standards ou criando composições novas que predigam elementos contemporâneos como uma forma de direcionar o jazz para o futuro - ou seja, apesar de tratar-se de uma banda representante de um evento, com a sua consagração ante a crítica e público, a SF Jazz Collective tem mostrando uma grande preocupação de soar como um "coletivo de jazz contemporâneo", sem desprezar, contudo, o legado dos grandes mestres do passado: em 2004 eles trabalharam o repertório de Ornette Coleman, em 2005 fizeram arranjos em cima das composições de John Coltrane, em 2006 escolheram o repertório de Herbie Hancock, em 2007 trabalharam com temas de Thelonious Monk, em 2008 com temas de Wayne Shorter e, neste ano de 2009, o compositor escolhido foi McCoy Tyner. Dessa forma, o SF Jazz Collective vem mostrando seu pioneirismo em atualizar, com arranjos do jazz contemporâneo, composições dos principais compositores do jazz moderno pós anos 50. Além da especialização em arranjos e composições dos grandes mestres modernos, a interação perfeita e a performance enérgica da banda são seus diferenciais. Abaixo um vídeo com a configuração atual da banda!


Miguel Zenón - sax alto
Mark Turner - sax tenor
Avishai Cohen - trompete
Robin Eubanks - trombone
Stefon Harris - vibrafone
Edward Simon - Piano
Matt Penman - Baixo
Eric Harland - Bateria

Stefon Harris & Blackout: a coesão entre a "urban music" e o jazz contemporâneo!

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Funk, Acid Jazz, Hip Hop, Pop Music, Música Eletrônica (House, Drumn'bass, reminiscências e parafernálias afins), instrumentos de efeitos eletrônicos... por um momento tudo isso parecia sintético demais diante do suor, talento e criatividade que um músico de jazz tinha de se dispor para ser capaz de improvisar um emaranhado de frases na levada do swing ou do bebop: isso em instrumentos acústicos, claro. Pois bem, sejam bem vindos ao século 21! Acordem para os fatos e para as evoluções! Agora a boaventura e a criatividade de um músico são medidas através da sua capacidade de integrar, junto às dinâmicas acústicas, as várias possibilidades rítmicas e timbrísticas do Rock, Funk, Acid Jazz, Hip Hop, Pop Music, Música Eletrônica e afins. Sim, essa é a evolução do nosso tempo: assimilar e misturar tudo o que já foi inventado ou descoberto lá atrás, tentando mostrar o máximo de coesão composicional - e aí estão dois outros elementos musicais que denotam a criatividade do músico do século 21: nessas misturas de rítmos e sonoridades as vezes tão díspares, a busca pela excelência na escrita composicional e na elaboração dos arranjos são, de fato, os "objetos de desejo" da nova geração, um fato, aliás, que já pode ser comprovado desde o final do século passado com a geração de Wynton Marsalis - mestre do Neo-Bop - e Steve Coleman - idealizador do M-Base. Os trabalhos do vibrafonista Stefon Harris com sua banda, a Blackout, seguem nessa direção: de forma assustadoramente coesa e contemporânea, Harris mostra porque ele pode ser um dos expoentes do "novo jazz" norte-americano.

Urban Music é uma expressão que canais como a BBC ou a Billboard, por exemplo, cunhou para classificar gêneros músicais urbanos como o Rap, o Drum'n'bass, o Neo-Soul, o Raggae e etc... (inclusive, o saxofonista Courtney Pine ganhou o Urban Music Award em 2007, por suas misturas de jazz com esses gêneros urbanos). Urbanus, gravado pela Concord, é o novo album de Stefon Harris e o Blackout. E tá tudo lá: Harris e seus músicos mostram amarrações geniais entre os rítmos e atmosferas do jazz –- através de frases nervosas bem ao estilo Neo-Bop e Post-bop -- com os do Hip Hop e Funk, mostrando, aí, o uso bem elaborado de recursos e instrumentos eletrônicos -- com teclados, wah-wah, Fender Rhodes e vocoder -- casando-os com os sons orgânicos dos instrumentos acústicos. A ficha técnica é a seguinte: Stefon Harris no vibrafone, marimba e nos arranjos; Marc Cary no piano acústico, Fender Rhodes e teclados; Casey Benjamin no saxofone alto (com uso do vocoder contrastar o timbre do sax em alguns momentos); Ben Williams no contrabaixo acústico; Terreon Gully na bateria; Y.C. Laws na percussão (apenas na faixa 1); Anna Webber na flauta nas faixas 1, 6, 8, 10; Anne Drummond na flauta pícolo nas faixas 1, 6, 8, 10; Mark Vinci no 1º clarinete nas faixas 1, 6, 10 e clarinete-baixo nas faixas 8 e 3; Sam Ryder no 2º clarinet nas faixas 1, 6, 10; Jay Rattman no clarinete-baixo nas faixas 1, 6, 8, 10; e Rigdzin Collins no violino na faixa 8. Afora os sidemans convidados que aí estiveram, a Blackout, em sua configuração, é um quinteto constituído pelo vibrafonista Stefon Harris, o líder e arranjador da banda, o pianista Marc Cary, o saxofonista-alto Casey Benjamim, contrabaixista Ben Williams e o baterista Terreon Gully. Com esta banda, Stefon Harris já tinha lançado o fantástico Evolution quando ainda estava na Blue Note -- e parece que aquele estilo de jazz contemporâneo um tanto cerebral, composto pelo jovem vibrafonista, não casou com as propostas da gravadora legendária, o que justifica sua ida para a Concord.

Em Urbanus são 10 faixas no total: variadas entre standards menos tarimbados (como, por exemplo, Minor March, de Jack McLean, e a balada Christina, de Buster Williams), temas poucos usuais (como They Won't Go (When I Go), de Stevie Wonder) e as composições dos próprios membros do Blackout. O album já começa ditando o clima "urban music" com uma versão iconoclasta do tema "Gone", de George Gershwin, iniciada com um groove funkeado e riffs bem característicos do hip hop - outras faixas do álbum como Tanktified, composição do baterista Terreon Gully, iniciam com este mesmo tratamento para, logo depois, ter um desenvolvimento improvisativo mais "elástico" bem ao estilo do post-bop. A balada Christina, composição de "Buster" Williams, inicia de aspecto bem lírico com Casey Benjamim no vocoder, enquanto o vibrafone de Stefon e os teclados de Marc Cary temperam com o clima harmônico ao fundo. A faixa Shake It for Me é funk ligeiro: um palco para os beats precisos de Terreon Gully, as eficientes respostas e acompanhamentos do contrabaixista Ben Williams, bem como os fantásticos solos de Stefon Harris e do saxofonista Casey Benjamim. Em outras faixas como Minor March, composição de Jack McLean, e The Afterthought, composição do pianista Marc Carey, imperam mais o aspecto do Neo-bop. Já a faixa "Blues for Denial, composição de Stefon Harris com apenas 2 minutos de duração, parece ter um aspecto meio retrô bem ao estilo daquele swingão do hard bop. A balada They Won't Go (When I Go), canção de Stevie Wonder, também é expressada com vocoder, num clima mais soulful e com uma tênua levada funky. E assim segue o album: numa transição jazzy-soul-funky, intercalando rítmos e climas do Neo-bop e Post-bop com rítmos e climas do Funk e Hip Hop, e intercalando baladas com temas de improvisos intricados. Comparando com o bem elaborado Evolution, album anterior, o Urbanus parece ter sido gravado para concretizar essa nova identidade de Stefon Harris com sua banda Blackout, o que não significa que este seja mais palatável - é apenas a idéia desse novo jazz já sintetizada. Por fim, o disco termina com a balada Langston's Lullaby, essa meio smoothy e, ainda assim, agradável. Assista o vídeo do interview com Stefon Harris sobre seu novo trabalho e, se puder, compre o disco!



Osby/Turner Collective, Karlsruhe, Germany (2001)

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01 Gangsterism On Canvas (Jason Moran)
02 Autumn Leaves [aka Les Feuilles Mortes] (Joseph Kosma, Jacques Prevert, Johnny Mercer)
03 Golden Sunset (Andrew Hill)
03 Ashes (Andrew Hill)
04 Zürich (Mark Turner)
05 The Sidewinder (Lee Morgan)
06 A Night In Tunisia (Dizzy Gillespie, Frank Paparelli)

Greg Osby - sax alto
Mark Turner - sax tenor
Franco Ambrosetti - trompete
Jason Moran - piano
Lonnie Plaxico - baixo
Billy Drummond - bateria


download this bootleg !!!

Os fantásticos quartetos e trios do pianista David Kikoski !!!

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Click Here to Download/ Clique aqui para baixar este disco na Comunidade Farofa Moderna! David Kikoski: eis aí mais um artista fantástico da igualmente fantástica gravadora Criss Cross, empresa fonográfica especializada pura e somente em jazz e fundada pelo holandês Gerry Teekens. Na minha humilde opinião, nenhuma gravadora – nem mesmo a Blue Note – tem, hoje, um cast list tão grande, tão recheado de artistas excelentes e que trabalha tão – e somente – focada no jazz, reafirmando uma estética contemporânea que abrange do neo-bop às abordagens mais "elásticas" do post-bop moderno. Aliás, fazendo um comparativo, poderíamos dizer que assim como a gravadora alemã ECM – que, ao contrário, é por demais eclética –, a Criss Cross chega ao século 21 cravando uma forte identidade sonora nos ouvidos da crítica e público norte-americano através do seu modern mainstream. Assim como a Blue Note nos anos 50 e 60, nenhuma outra gravadora descobriu e/ou impulsionou tantos músicos – e impressionantemente todos da maior qualidade – quanto a Criss Cross vem descobrindo desde o início da década de 90. Foram tantos: Kenny Garrett, Eric Alexander, Chris Potter, Orrin Evans, Kurt Rosenwinkel, David Kikoski, Seamus Blake, Mark Turner, Alex Sipiagin, Walt Weiskopf, Wycliffe Gordon...entre muitos outros. O fato é que Gerry Teekens mostrou desde o começo da sua empreitada que queria montar uma gravadora totamente focada em jazz, nos mesmos moldes da Blue Note como essa era no anos 50 e 60. Tanto que, em meados dos anos 80, ele e seu engenheiro, o fantástico Max Bolleman, foram aos EUA visitar o estúdio de Rudy Van Gelder e se interar do recente estouro do jazz da geração Young Lions. Pois, então, ele conseguiu: a despeito das barreiras e dificuldades econômicas e depois de duas décadas passadas, Gerry Teekens conseguiu, de fato, a façanha de ter feito da sua pequena gravadora uma das maiores da atualidade e, mais do que isso, uma gravadora que já foi para os anos 90 e é para o jazz contemporâneo o que a Blue Note foi para o Hard Bop e Soul-Jazz dos anos 50 e 60. Só lhe está faltando ter uma distribuidora no Brasil, pois as pessoas que quiserem adquirir os dicos Criss Cross terão que optar apenas por compras on line no site da Amazon ou CDUniverse: até onde sei, não há lojas de discos e nem livrarias que vendem CD's da gravadora aqui em solo tupiniquim.



photo by Juan-Carlos Hernandezplay disco: Almost Twilignt (2000) - David Kikoski: piano; Jeff "Tain" Watts: bateria; John Paititucci: bass.


O pianista David Kikoski, assim como o trompetista Alex Sipiagin, é mais uma das várias provas do senso musical apurado de Gerry Teekens. Ele é, de fato, um dos mais distintos pianistas do modern mainstream ao lado de Brad Mehldau, por exemplo (claro que que aí considera-se as diferenças de estilos, bem como de sucesso comercial de Mehldau; mas Kikoski é um improvisador fora de série). Nascido em 1961, David Kikoski estudou na Berklee College of Music nos anos 80, onde conheceu Pat Metheny, de quem chegou a ser colaborador por diversas vezes. Na década de 90, por exemplo, Kikoski gravaria um disco com Metheny e o baterista Roy Haines que seria, desde então, um grande amigo e parceiro (vide os discos Te-Vou!/Praise, de 1994, e Homecoming, de 1991). Mas sua ascensão, como sideman bem requisitado, aconteceu quando ele se mudou definitivamente para Nova York, em 1984. Daí em diante ele gravaria com muitos dos maiores músicos veteranos e com as maiores bandas que tinham conexão com aquele cenário: Randy Brecker, Joe Henderson, Ron Carter, Al Foster, Buster Williams, Bob Berg, George Garzone, Barry Finnerty, Red Rodney, Craig Handy, Ralph Moore, Didier Lockwood e a Mingus Big Band. Em 1989 ele gravou seu primeiro álbum, Pressage: com um trio constituído de Eddie Gomez e All Foster. Já em seu segundo disco, Persistant Dreams, as participações incluíram as de Randy Brecker e Billy Hart. Com esse prestígio de estar sempre colaborando – ou acompanhado – com os melhores veteranos, Kikoski não teve nenhuma dificuldade de alavancar sua segunda fase da carreira: a fase de ascensão como líder. De 1989 a 1994 ele gravou seus primeiros três álbuns para pequenos selos como Freelance, Triloka e Epicure Recors (na época uma pequena etiqueta pertencente à Sonny). Não obstante, a sua agenda passou a contar cada vez mais com os maiores músicos de nova York, passando a ser um dos pianistas mais cobiçados por músicos veteranos e por outros jovens igualmente em ascensão: e aí estou falando de feras como John Scofield, Ravi Coltrane, Chris Potter, Christian McBride, Joey Baron, Dave Holland, Mike Stern, Chick Corea, Toots Thielemans, Pat Metheny, Victor Lewis, Tom Harrell, Gary Thomas, Marcus Miller e Michael Brecker. Em 1998, enfim, o produtor Gerry Teekens viu o prestígio de Kikoski no cenário nova-iorquino e resolveu contratá-lo para sua Criss Cross Records, onde o pianista já lançou 11 discos - incluindo o último, Mostly Standards, que conta com as baquetas do fantástico baterista Jeff “Tain” Watts” e a eficácia do contrabaixista Eric Revis.

photo by Juan-Carlos HernandezEm seus mais de dez anos na Criss Cross, David Kikoski vem atuando em ziguezague com dois combos específicos, tendo sidemans mais ou menos definidos: um trio (de piano, baixo e bateria) e um quarteto (de sax tenor, baixo, piano e bateria) – o que indica que Gerry Teekens exige que seus músicos trabalhem com combos fechados e definidos, haja vista que cada músico tem sua banda mais ou menos definida, tal como o saxofonista Walt Weiskopf e o trompetista Alex Sipiagin, os quais obtêm grande êxito com seus sextetos. Em 2000, por exemplo, Kikoski gravou o disco Almost Twilight com um trio fantástico formado com Jeff “Tain” Watts (bateria) e John Patitucci (contrabaixo). Em 2002 foi a vez de gravar no formato de quarteto, liderando Jeff “Tain” Watts (bateria), Boris Kozlov (baixo) e Seamus Blake (sax tenor). Em 2004 ele voltou a gravar em formato de trio: trata-se do disco Details com Larry Grenadier (baixo) e Bill Stewart (bateria). Em 2006 ele gravou o excelente Limits – de novo com um quarteto: com Seamus Blake (sax tenor), Larry Grenadier (contrabaixo) e Bill Stewart (bateria). O último, Mostly Standards, de 2009, é com um trio que tem Jeff “Tain” Watts (bateria) e Eric Revis (contrabaixo). Com trios e quartetos constituídos por músicos tão fantásticos, fica difícil citar um favorito. Mas desses citados, deixo pra download o fantástico Almost Twilight, de 2000. Para baixar esse disco, basta acessar a Comunidade do Blog Farofa Moderna no Orkut (ao clicar neste link, qualquer pessoa cadastrada no Orkut já terá acesso à página onde o link de download foi postado, não necessitando, portanto, de maiores procuras). As fotos usadas neste post foram cedidas gentilmente por Juan-Carlos Hernandez, fotógrafo especializado em jazz, do qual ja falei alguns post anteriores.

Simplicity - Walt Weiskopf Sextet 1992

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Site oficial de Walt Weiskopf Walt Weiskopf, um dos maiores saxtenoristas já revelados pela Criss Cross


A gravadora Criss Cross é um verdadeiro oasis de boa música e bons talentos. A gravadora, que explora unicamente as delimitações contemporâneas do jazz entre o neo-bop e o post-bop, foi disparadamente o selo que mais revelou músicos nas últimas décadas: ela é, portanto, um verdadeiro selo-sinônimo do jazz contemporâneo. O altoísta Kenny Garrett, o saxtenorista Walt Weiskopf, o trompetista Alex Sipiagin, os saxtenorista Chris Potter e Mark Turner, os guitarristas Kurt Rosenwinkel e Mike Moreno, os pianistas Orrin Evans e David Kikoski só foram alguns - dentre tantos outros - dos mais talentosos instrumentistas que passaram pela gravadora do holandês Gerry Teekens. E aqui neste post apresento-vos o talento do grande saxtenorista Walt Weiskopf, músico revelado pela Criss Cross no início dos anos 90 e que, aliás, é um verdadeiro monstro-desconhecido do seu instrumento: pelo menos aqui em solo tupiniquim quase ninguém o conhece.




clik here for downloadNascido em 1959, Weiskopf iniciou sua carreira na Buddy Rich Big Band em 1981, aos 21 anos. Em 1983, iniciou uma jornada de 14 anos com a orquestra da pianista e arranjadora Toshiko Akiyoshi, tendo tocado também com Frank Sinatra, Steely Dan, Donald Fagen, Steve Smith’s Jazz Legacy, dentre outras colaborações. Em 1989, Weiskopf inicia sua carreira solo lançando o disco Exact Science pelo selo Iris. Em 1992, o saxtenorista inicia sua fase de consagração mediante a mídia especializada lançando seu primeiro disco pela gravadora Criss Cross: este disco que vos deixo, chamado Simplicity. Trata-se de um disco calcado na onda revivalista dos young lions, com faixas que resgatam, de forma bem original, aspectos do bebop, hard bop e post bop. Alguns dos motivos pelos quais esse disco pode ser considerado original e interessante são as sete das dez faixas do disco compostas pelo próprio Weiskopf que, assim como suas talentosas improvisações, deixam evidente, também, sua inteligência em relação ao arranjo e escrita musical. Outro motivo para adquirir este disco é o time de bons instrumentistas: o combo aqui presente é um sexteto constituído, além de Walt Weiskopf (sax tenor e soprano), de Andy Fusco (Sax Alto), Billy Drummond (bateria), Conrad Herwig (trombone), Joel Weiskopf (piano) e Peter Washington (contrabaixo acústico), todos jovens de grandes talentos relevelados pela gravadora Criss Cross - inclusive, o baterista Billy Drummond e o contrabaixista Peter Washington são considerado alguns dos maiores sidemans das últimas décadas, sendo, os dois, músicos muitíssimos requisitados pelos maiores líderes dos anos 90 e dos últimos anos. Ademais, as improvisações de Weiskopf falam por sí só: com as influências evidentes de Coltrane e Sonny Rollins, seus fraseados são extremamantes originais e intrincados. Professor renomado da conceituada Eastman School of Music, Walt Weiskopf já escreveu livros interessantes acerca da arte da improvisação, tais como Coltrane: A Player's Guide to His Harmony, The Augmented Scale in Jazz e Intervalic Improvisation. Clique nos comentários ou na capa do disco para baixá-lo!


O post-bop ao "som de veludo" de Alex Sipiagin e suas nuances russas

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Site Oficial de Alex Sipiagin
Já há muito tempo – mais de um ano – desde que postei aqui no blog Farofa Moderna um disco (que ainda tá disponível para baixar) e uma resenha sobre o trompetista russo naturalizado americano Alex Sipiagin: pra terem acesso a esse disco, basta procurarem o nome do músico na seção Arquivos por Nomes ou clicar nos estilos neo-bop/ post-bop/ young lions na seção Arquivos por Gênero, onde ele está arquivado. A resenha de que falo foi escrita para o excelente disco Returning (2005), o quarto lançamento do trompetista sob as produções de Gerry Teekens e as masterizações de Max Bolleman, respectivamente o patrão e o engenheiro da Criss Cross, a ainda desconhecida gravadora holandesa – desconhecida para a maioria das pessoas do grande público, pelo menos – que foi e continua sendo o berço e o celeiro da maioria dos jovens-talentos americanos revelados nos anos 90 e nesses últimos anos.


Alex Sipiagin no All About JazzAlex Sipiagin é um trompetista único na linhagem de trompetistas do post-bop. Considerando a leveza e suavidade com que toca frases ágeis e sofisticadas, o seu timming – ou seja, a precisão em cada nota articulada – chega a ser algo surpreendente: isso se traduz em uma afinação inquestionável, além da façanha de soar com um “timbre de veludo” tendo, ao mesmo tempo, um sopro reto e uma articulação clara sem trôpegos ou tropeços, independente se a frase é veloz ou lírica. Aliás, ousaria a dizer que Alex Sipiagin – se não é por demais técnico – pode ser um trompetista altamente capaz de encorpar a escola de trompetistas que, ao longo da história do jazz, prezaram pelo timbre limpo, sem vibrato e aveludado e/ou pelo uso do flugelhorn: tais como Clark Terry, Chet Baker, Miles Davis, Freddie Hubbard e Enrico Rava. Quer dizer: embora seja difícil descrever o estilo de Sipiagin – já que ele me soa diferente de qualquer outro trompetista que já se tinha notícia –, é possível dizer que, além deste aspecto do “timbre de veludo”, ele também chegou a sofrer uma certa dose de influência de trompetistas que prezaram pela improvisação com ênfase nas linhas melódicas, ao invés da improvisação com ênfase na linguagem do bop obstinado que encarece a melodia e usa como suporte apenas a progressão de acordes: e aí se destacam Lee Morgan e Woody Shaw, dois dos principais trompetistas que, ao improvisar, pareciam criar outras melodias que davam continuidade ao tema principal. É por esse cruzamento de influências que Alex Sipiagin mostra uma combinação perfeita de timbre suave com improvisação melódica, mesmo quando seu discurso se torna denso ou se aproxima de ostinatos e frases ágeis articuladas em linguagem bop.


Ouça no Site do Vagner Pitta os discos Returning (2004), Equilibrium (2005) e Out of the Circle (2008)As composições de Sipiagin também são claramente bem desenvolvidas, líricas e peculiares, o que explica porque a maioria das faixas dos seus discos tem, em média, oito minutos de duração. Em determinadas composições ele parece escrever o tema de forma sempre vertical para cada instrumento dos seus quintetos e sextetos (dois dos principais combos com os quais trabalha): como se estivesse escrevendo melodias separadas para cada instrumento na intenção de juntá-las depois em contraponto, criando, assim, a harmonia de suporte que caracterizaria o tema. O estilo, tanto de improvisar como de compor, está situado na linguagem do neo-bop e, principalmente, na versão contemporânea do post-bop, que começou a se evidenciar em meados dos anos 80 e 90 com os tentos acústicos da geração de Joe Lovano, Pat Metheny e Michael Brecker e, atualmente, segue com jovens como Chris Potter, Kurt Rosenwinkel, Mark Turner, Antonio Sanchez entre muitos outros músicos que, além do fato em comum de terem sido revelados pela gravadora Criss Cross, seguem cada vez mais sofisticados dentro dessa linguagem que chega a fazer uso de uma certa dose de ecletismo – inclusive, com sonoridades que lembram o fusion e o pop – sem destoar, contudo, o aspecto estritamente acústico e jazzístico dos temas, bem como dos seus desenvolvimentos improvisativos. Nesta linhagem atual de som, o arranjo – escrito elaborado – passa a ter uma atuação tão proeminente quanto à improvisação; e a harmonia – muitas vezes modal – passa a ganhar cores novas e vivas.

Mirrors (2003) - Alex Sipiagin, Adam Rogers, David Kikoski, Boriz Kozlov, Jonathan BlakeReturning (2004) - Alex Sipiagin, Seamus Blake, Scott Colley, Antonio Sanchez [PLAY] Equilibrium (2005) - Alex Sipiagin, David Kikoski, David Binney, Scott Colley, Gene Jackson Mirages (2009) - Alex Sipiagin, Seamus Blake, Mulgrew Miller, Boriz Kozlov, Jonathan Blake
Desde 2001, quando começou sua carreira solo na gravadora Criss Cross, Alex Sipiagin já lançou nove discos e passou a ser não só um dos músicos mais articulados e requisitados no cenário de Nova Iorque como adquiriu uma considerável atenção internacional, o que engordou sua agenda com digressões européias e asiáticas. O que Alex Sipiagin vem realizando em cada disco que lança é expressar, através do post-bop norte-americano, seus sentimentos, as facetas e as nuances relacionados à sua ex-União Soviética. Ultimamente Sipiagin anda divulgando, na liderança da sua própria banda, o seu último lançamento, Mirages (Criss Cross, 2009), onde expõe, sonoricamente, as nuances que expressam as “miragens” que sentiu ao visitar uma Rússia totalmente moderna e em modificação. Mas Sipiagin também está atuando como sideman de Dave Holland, com quem contribui nos dois volumes do título Pass it On: um como solista da big band do contrabaixista pela gravadora ECM em 2002, e na gravação mais recente pela Dare2 Records em 2008, essa com uma banda em formato de sexteto. Dentre suas aspirações em solos internacionais, Alex Sipiagin tem como sonho e foco não só levar sua música à solos europeus, mas ampliar a aceitação do jazz em centros da Rússia, país onde nasceu e sofreu com a aprendizagem musical do jazz, música que, por ser norte-americana, era totalmente proibida pela política comunista em seus tempos de adolescência. Dos nove discos da discografia solo de Sipiagin, disponho de três – Returning (2004), Equilibrium (2005) e Out of the Circle (2008) – nos quais os colegas e visitantes poderão conferir os talentos e as peculiaridades do trompetista: basta acessar a minha página no Multiply para ouví-los na íntegra e ter acesso às respectivas resenhas em inglês. Para quem já tem página no Multiply, o acesso é imediato. Para quem ainda não possui, basta preencher um cadastro rápido e, em seguida, poderá não só ouvir Alex Sipiagin como também já terá o acesso irrestrito ao meu acervo virtual, com fotos, discos e resenhas em português dos mais variados músicos e estilos do jazz e da música instrumental brasileira. Clique nas fotos para ter acesso aos aúdios e links. Clique na foto do disco Equilibrium para ouvir a linda faixa Mood 2!


Ted Nash Quartet: The Mancini Project na Npr Music

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Ted Nash, que veio a ser bem conhecido por sua considerável contribuição com Wynton Marsalis na Lincoln Center Jazz Orchestra desde meados da década de 90, bem como por seus projetos junto ao moderno Jazz Composers Collective, é super aficcionado pela música de Henry Mancini, músico e compositor da Califórnia que, após beber das fontes do Cool e West Coast Jazz, passou a compor temas e trilhas para filmes de Hollywood, empreitada que lhe deu muita fama e dinheiro - e, ao meu ver, essas vaidades lhes foram bem merecidas, haja vista seu talento impresso em algumas das trilhas mais criativas e inspiradoras da TV e cinema americano: dentre as quais, as trilhas da série Peter Gunn e do filme Pink Panther, que são as mais conhecidas. Mas Ted Nash tem um motivo bem mais pessoal do que apenas o bom gosto. Isto devido à conexão direta com essa música, já que seu pai e seu tio fizeram parte da orquestra de Mancini, fato que lhe possibilitou iniciar sua apreciação musical através das audições dos temas e trilhas do compositor californiano.

Clique aqui para ouvir Ted Nash no Detroit International Jazz FestivalTed Nash Adapts Henry Mancini For Quartet

Redescoberto por Wynton Marsalis, Ted Nash - perto dos 50 anos de idade - passou a se propagar com grande sucesso e criatividade através de albuns e projetos bem elaborados junto ao moderno grupo de compositores Jazz Composers Collective (composto, também, pelo contrabaixista Ben Allison, pelo pianista Frank Kimbrough, pelo saxtenorista Michael Blake e pelo trompetista Ron Horton). Em 2008, seguindo com sua distinta linhagem de bons lançamentos, Ted Nash lançou o disco The Mancini Project (Palmetto Records), onde ele recria 14 temas de Henry Mancini na configuração de quarteto - com piano, saxofone, contrabaixo e bateria -, impondo uma roupagem hard com intrincadas improvisações, mas sem perder a noção do romantismo e o aspecto descontraído tão característico nas trilhas do compositor. Essa abordagem pode ser conferida pela rádio NPR, que transmite, gratuitamente e via tecnologia streaming, várias estações dos EUA. O programa aqui linkado, foi produzido pela WBGO.org (88.3 FM), direto do Detroit International Jazz Festival, e apresentado pela cantora Dee Dee Bridgewater no programa JazzSet. Os músicos são Ted Nash (alto, tenor and flute), Frank Kinbrough (piano), Ben Allison (acoustic bass) e Matt Wilson (drums) - lembrando que os músicos que compõe este quarteto são os mesmos do disco The Mancini Project, com excessão do contrabaixista Ben Allison que, aqui, está substituindo Rufus Reid.


Kevin Eubanks e a arte do violão jazzístico

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Sabemos que num estilo musical como o jazz, que demanda técnica e criatividade, todo instrumento tem a sua história estigmatizada pela tragetória de um, dois, três...pouco mais do que cinco instrumentistas que, por terem contribuído com o desenvolvimento técnico e estilístico do instrumento, acabaram se tornando legendas para todos os outros que vieram depois deles - a guitarria jazzística, por exemplo, pode ser resumida genealógicamente em torno de alguns poucos nomes como Charlie Christian, Wess Montgomery, Grant Green, Pat Metheny, não muito mais do que esses. Então, a saída pra soar original e não ficar sempre na sombra das influências já tarimbadas é criar um estilo próprio ou usar uma nova fórmula: formar um combo com uma configuração diferente das formações convecionais, arriscar por experimentos inusuais, arranjos diferentes e composições diferentes das dantes usadas, e por aí vai. E foi isso, então, que o guitarrista young lion Kevin Eubanks fez em meados da década de 80 para o início da década de 90. Logo após ter passado sua fase de aprendizado como sideman e leader iniciante, Kevin passou a dar uma atenção toda especial ao violão (ou guitarra acústica), instrumento não tão usual na esfera jazzística quanto é na música brasileira e espanhola.



Faixas dos discos World Trio & Spiritalk

Inicialmente influenciado pelas guitarras de Wess Montgomery e Pat Martino, Kevin Eubanks - irmão do trombonista Robin Eubanks e do trompetista Duane Eubanks - abandonou o curso de música do prestigiado conservatório Berklee College of Music, de Boston, para correr atrás de trabalho nas bandas de Nova Iorque. Deu certo. O enorme talento do jovem Eubanks logo chamou a atenção do maior descobridor de talentos da história do jazz: o veterano hardbopper e baterista Art Blakey, músico que fez da sua banda Jazz Messengers (1954-1990) não só a maior fonte de talentos, mas a banda de maior duração na história que, inclusive, colaborou para descobrir a maioria dos young lions, jovens músicos que renovaram as estéticas do jazz acústico na década de 80 e, consequentemente, sepultaram a tendência das guitarras psicodélicas, dos grooves eletrônicos e toda a parafernália metálica que destoou o jazz da sua indentidade natural imposta pelos grandes mestres até meados dos anos 60. E Kevin Eubanks, mais um desses "jovens leões", passou, a partir de então, a arranclar aplausos em suas atuações nas bandas de Art Blakey, Sam Rivers, Slide Hampton, Roy Haynes e Dave Holland, com quem acabou firmando grande amizade e parceria. Lembrando também que, em paralelo à sua contribuição com Holland, Eubanks passou a colaborar com Steve Coleman na formação do estilo M-Base em alguns dos primeiros álbuns dessa estética.




Desde o íncio dos seus lançamentos a partir de 1982, Kevin Eubanks já vinha usando o violão (ou acoustic guitar, como é mencionado nas linners notes dos discos) ao lado da convencional guitarra elétrica ou semi-elétrica, usada, por vezes, perto do estilo "montgomeryano" entre o novo hard bop da época (ou neo-bop) e o post-bop mais elástico com tênues influências do rock e fusion. Porém, a partir do início dos anos 90, Kevin passou a dar maior atenção às possibilidades acústicas do violão através de formações em trio e quarteto, as quais passaram a ter colaborações regulares de grandes sidemans como os contrabaixistas Dave Holland e Charnett Moffett, o baterista do M-Base Marvin "Smitty" Smith, o flautista Kent Jordan, o trombonista Robin Eubanks (seu irmão mais velho) e o baterista francês Mino Cinelu. Com esses músicos, Kevin passou a lançar discos fantásticos onde o violão tomava a linha de frente como solista e harmonizador - alguma das vezes ao lado de um instrumento melódico (flauta ou trombone), enquanto que o contrabaixo e a bateria ditavam as pulsações e os beats numa rítmica quase sempre funky e proliferada. A bateria polirrítimica de Marvin "Smitty" Smith soa perfeita nessa abordagem ao ditar a intensidade da improvisação, ao mesmo tempo em que os ataques, os dedilhados e as frases emitidas pelas cordas de aço do violão de Kevin soam "sujos", "crus" e virtuosos. O contrabaixo, por sua vez, colabora com a efetiva consistência do som, ora acentuando um solo junto às cordas mais graves do violão, ora de forma contrapontística e pulsante no acompanhamento. Essa abordagem pode ser conferida, na totalidade da sua essência, em pelo menos três discos de Kevin Eubanks lançados seguidamente pelo selo Blue Note: Turning Point (1990), Spiritalk 1 e sua continuação Spiritak 2 (1993/94). Há também o excelente disco World Trio (1995) lançado pelo selo Intuition, um registro do projeto em trio - já próximo aos aspectos da world music acústica - com o já conhecido Dave Holland e o fantástico baterista e percussionista francês Mino Cinelu.


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