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O lirismo moderno de Wynton Marsalis em Hot House Flowers, de 1984

Wynton Marsalis - trumpet
Robert Freedman - orchestra, conductor
Branford Marsalis - soprano, tenor saxophone
Kent Jordan - alto saxophone, flute
Kenny Kirkland - piano
Ron Carter - acoustic bass
Jeff "Tain" Watts - drums


Não são todos álbuns revivalistas que, ao conter basicamente standards e canções populares, soam com frescor, leveza e originalidade. Hot House Flowers poderia até ser mais um desses álbuns massantes de standards que existem no mainstream se o bandleader-executante não fosse alguém como Wynton Marsalis, considerado por grande parte dos opinion makers não só o maior trompetista, mas também o mais ousado compositor das últimas décadas. Com esse disco Marsalis deixou claro que, além de ser um exímio executante e um grande improvisador de frases velozes, ele também podia tocar com muita sensibilidade e expressão, criando frases lentas, relaxantes, dotadas de lirismo e imprimindo fantásticos arranjos com efeitos sutís. E mais do que isso: se por um lado Wynton Marsalis sempre foi criticado por não aderir-se ao elástico mercado da Fusion e à corrente progressiva da música de vanguarda da década de 70, por outro lado, através de excelentes álbuns como Think of One e Hot House Flowers, ele se mostrou um efetivo renovador do Jazz Moderno, sendo capaz até mesmo de dar vida nova a esquecidos standards -- como fez com Think Of One (Monk), Cherokee (Ray Noble) e Bourbon Street Parade (Ellington), entre outras composições clássicas que estão inclusas nos sete volumes da série Standard Time --, firmando-se, assim, como um dos maiores instrumentistas, e eventualmente como o maior ativista musical em prol da autenticidade do jazz americano. Aliás, essa capacidade de renovar e recriar os grandes clássicos do jazz com grande personalidade ficaria ainda mais evidente anos mais tarde nos anos 90 e 2000, quando o trompetista recriaria de forma espetacular e única obras de John Coltrane (vide o peculiar disco A Love Supreme, de 2004, com a big band Lincoln Center Jazz Orchestra), Charles Mingus (vide disco Don’t Be Afraid…The Music Of Charles Mingus, também com a LCJO), Thelonious Monk (vide disco Marsalis Plays Monk, com o Wynton Marsalis Septet), Duke Ellington (vide disco Portraits By Ellington, também com a big band LCJO) e Jelly Roll Morton (vide disco Mr. Jelly Lord - Standard Time Vol. 6 , com o Septet).

Mas estamos aqui na data de 1984, época em que sua maior inspiração era Miles Davis. Hot House Flowers, inclusive, surge influenciado pela abordagem "cool" que Miles empregou em suas ricas parcerias com Gil Evans, mais especificamente nas gravações com arranjos orquestrais dos anos 50. A Columbia, agora casa de Wynton Marsalis -- até então com 24 anos --, enchergava uma grande oportunidade comercial em jovens-talento, já que agora, com o sucesso e repercussão do jovem trompetista, a imagem do jazz parecia coincidir com a época de ouro que fora os anos 50 e boa parte dos anos 60, na qual personalidades como Miles Davis e Dave Brubeck, também jovens e bem trajados, tinhan sido não só os músicos mais criativos da gravadora mas os seus maiores vendedores de discos. Ou seja, após o jazz ter perdido sua autenticidade com o advento do Fusion e os excessos da vanguarda, e após décadas de má imagem que os músicos junkies lhe proporcionaram, agora havia não só uma tendência de total resgate e modernização às heranças dos grandes mestres do passado como também uma grande tendência de reformulação e elitização da imagem do gênero por parte de um jovem que, como Miles antes de sua fase Fusion, era negro, bem vestido e proveniente de uma família de classe média: e esse jovem, chamado Wynton Marsalis, surgiu, justamente, do berço do jazz, em New Orleans -- e considerando esse seu ativismo em prol da revalorização da tradição e em prol da inclusão do jazz como educação musical massificada, não demoraria muito, então, para que Wynton fosse considerado pelos críticos como o responsável pelo fênomeno do "Renascimento do Jazz" nas décadas de 80 e 90.

Este disco, aliás, deixa claro a expectativa de vestir os stantards clássicos com arranjos modernosos e requintados -- começando da capa conservadora até seu conteúdo musical, a idéia é apresentar algo sereno que tenha a sombra do passado mas a roupagem moderna. As interpretações de Wynton Marsalis são finíssimas: a primeira faixa é considerada uma das versões mais belas da manjada "Stardust", onde Wynton trabalha todos os detalhes com muita minuciosidade, desde a intensidade, passando pelo lirismo das frases até os improvisos, interagindo com maestria telepática com a orquestra de metais e a sessão de cordas regidas pelo arranjador Robert Freedman. Características como essas também aparecem em igual quantidade nas faixas "Django", original de John Lewis, e "Melancholia", de Duke Ellington. Além dos sete standards arranjados, aonde Wynton mais imprime sua originalidade e sua promissora marca composicional  é na faixa-título, a moderníssima balada "Hot House Flowers", totalizando oito faixas de puro frescor e lirismo. Enfim, não é sempre que este álbum é citado como um dos mais primorosos da extensa discografia wintoniana, mas valendo-se do direito de expressar minha opinião como apreciador, eu diria que um material como este seria algo pra ouvir atentamente na calada da noite, afim de tranquilizar os pensamentos mais afoitos. Clique na imagem para acessar as linners notes e ouvir trechos do album!

There is no download; just a suggestion.

4 comentários:

Bruno disse...

Nao vejo a hora de baixar!

José Antônio disse...

Realmente eu desconhecia esse lado mais "cool" de Wynton Marsalis...pra mim ele era apenas um virtuose afoito...esse disco me mostrou exatamente o que está escrito na resenha: que ele podia tocar tão lindo quanto um chet baker...quer dizer, esse disco não chega a ser cool jazz mas os temas são lentos e na versão de W. Marsalis eles ficam lindos de morrer...rs

obrigado cara, seu blog é bem maneiro !

JazzMan! disse...

"Quem é esse velho de 60 anos vestido feito um hippie"

Se Deus apontou o dedo para Romário de disse, "você é o cara", acho que com o Wynton Marsalis não foi diferente. Esse é um homem que podemos dizer que tudo deu certo. Eu admiro muito o seu talento e sua coragem, mas há pontos que eu discordo.

Ele veio de uma grande tradição, quer provar isso, mas quem se importa? Na minha opinião, acho que música é momento e uma coisa levou a outra. Se o momento era do Fusion, vamos fazer. Se o momento é dos Yong Lyons, vamos lá.

Seu irmão Branford faz certo em não ser tão certinho. Fica parecendo até q essa imagem de homem sério e de grande tradição é usada para fins comerciais.

Wynton Marsalis é um músico perfeito, genial, mas em alguns momentos, bem que poderia ficar calado. A sua forma conservadora e muitas vezes presunçosa, mas faz ouvi-lo com o pé atrás.

Por falar nisso, nós podíamos falar sobre o Fusion e a Vanguarda em nossos blogs. Será q os feitos de Ornette, Miles e até mesmo de Dizzy e outros foram em vão? O que nós podemos tirar de bom da modernidade do Hard Bop? da deselegância do Free Jazz? ou do abstrato Fusion?

Eu pago pra ver Wynton tocando feito Miles no álbum Tribute a Jack Johnson.

Enfim, viva a democracia do jazz.

Vagner Pitta disse...

Galera, essa é uma repostagem "sugerida" pelo Blogger e pelo autor, sem a violação do copyright, ou seja o link de download. A forma como cada interessado possa adquirir, baixando ou comprando, é um critério de cada um. Aliás, adquiram e ouçam essa beleza!!!

Outros Excelentes Sites Informativos (mais sites nas páginas de mídia e links)