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Buddy DeFranco: o cara certo, no lugar certo, na hora errada...

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Pode o talento ser um impecilho para o sucesso?... Estranho, né?! Ao ler ou ouvir essa afirmação, qualquer um de nós a entenderia como sendo um paradoxo, já que um dos pré-requisitos para o sucess é, justamente, que o artista -- ou qualquer profissional, de qualquer área -- tenha talento para desenvolver o ofício que lhe é designado ou a arte com a qual ele mesmo se propôs a lidar. Mas no caso de Buddy DeFranco, o melhor clarinetista dos anos 40 e 50, o talento foi uma das barreiras que permitiu um amargo ostracismo ao seu próprio nome. Ou seja, poucos especialistas em jazz listam o nome de DeFranco dando-lhe o devido crédito por ele ter sido não só o primeiro grande clarinetista do bebop, mas, sobretudo, um dos maiores clarinetistas e improvisadores da história do jazz.

Mas, se ele era tão talentoso e tão exímio improvisador, porque ele não obteve o mesmo sucesso que Charlie Parker e Dizzy Gillespie tiveram na mídia especializada em jazz? Resposta: primeiro porque a clarineta -- ou clarinete, como queiram -- teve seu apogeu como solista apenas na era das big bands, período do Swing Jazz compreendido entre o final dos anos 20 até o início dos anos 40. (A partir de meados dos 40, houve o declínio das big bands. Os veteranos bandleaders que já tinham fama na mídia -- inclusive os clarinetistas Artie Shaw e Benny Goodman -- continuaram a insistir em suas big bands, ainda que envoltos na pindaíba. Já os virtuosos jovens instrumentistas -- que não tinham mais pra onde "correr" --, muitos deles resolveram, na ânsia de encontrar clubes onde pudessem tocar, passaram a experimentar combos menores com apenas os instrumentos mais representativos de cada naipe ou de cada sessão do formato big band: dos metais, o trompete era o líder; das palhetas e madeiras o saxofones tenor e alto eram os principais solistas; por fim, da "cozinha" (sessão rítmica da big band) o piano, bateria e contrabaixo eram os únicos; daí aconteceu que, já a partir de 1945, os jazz clubs de Nova Iorque começaram a empregar pequenos combos compostos basicamente por trompete, sax, piano, baixo e bateria. Os outros instrumentos -- trombone, clarinete, sax barítono, violino e etc -- ficaram com o pouquinho de atenção que lhes tinham restado, ou seja, não havia espaço, por exemplo, para um violino ou uma clarineta nessa nova configuração instrumental: tanto pelas próprias configurações e/ou formações que os clubes passaram a valorizar -- já que era muito mais barato pagar o quinteto trompete-sax-piano-baixo-bateria do que pagar uma big band inteira e fora de moda --, como também pela agilidade e virtuosismo que o novo estilo vigente, o bebop, exigia dos músicos. E parecia fato que só os trompetistas, pianistas e saxofonistas pudessem empregar em seus instrumentos aquele fraseado intrincado e, por demais, ágil) . E o segundo motivo que acarretou a "desatenção" da mídia do jazz em relação à Buddy DeFranco foi -- sim, senhor! -- seu próprio talento: isso porque, talvez na ânsia de configurar aquela difícilima linguagem para seu instrumento, Buddy acabou se tornando muito ágil, quase inumano, técnico demais aos ouvidos dos senhores críticos dos anos 50, parecendo-lhes que os fatores 'swing' e 'emoção' não estavam bem delineados em seus improvisos -- ou seus ágeis improvisos já não eram mais agradáveis aos ouvidos destes críticos, todos ocupados em estudar o novo e dinâmico swing do Hard Bop. Quer dizer, Buddy DeFranco até chegou a receber breve atenção da mídia especializada dos anos 40, chegando a ganhar algumas votações como maior clarinetista pelos críticos da revista Metronome.


Há um box da Mosaic onde está registrado um quarteto de DeFranco com o pianista Sonny Clark -- e é uma pena que o material virou peça de colecionador: mesmo no site da Mosaic já não se encontra mais. Mas, curiosamente, tenho uma pequena amostra deste quarteto no meu site no Multiply: trata-se do disco que se encontra por nome de Autumn Leaves (originalmente lançado pela Verve com o título "The Artistry of Buddy DeFranco"), gravado na Costa Oeste em 1954, com Sonny Clarke ao piano, Eugene Wright no contrabaixo e Robert White na bateria. Aliás, afora os ligeiros standards de bebop em autêntico uptempo, esse disco já tem um "Q" de swing  ao estilo do hard bop em algumas faixas. Sim, o disco mostra toda a técnica estupenda de Buddy, mas a balada You Go To My Head desmente o estigma pelo qual DeFranco fora taxado de um músico técnico demais e de pouca sensibilidade. Caso o leitor se interesse em conhecer este grande músico, você poderá ouvir o disco inteiro em meu site: cadastre-se no Multiply, me adicione em seus contatos (Add as Contact) e você terá acesso não apenas a este disco, mas a mais de 200 discos de jazz para ouvir gratuitamente. Ademais, sugiro ao ouvinte-leitor apreciar todo talento do clarinetista em conjunto com Oscar Peterson e, também, no bossanovino disco The Girl from Ipanema (Mercury, 1964). Clique na imagem do disco ao lado para ouví-lo por inteiro!

O bebop melódico de Fats Navarro

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Fats Navarro: um jovem afro-americano com pais de descendência cubana e chinesa. Fats era chamado apenas “Fat” ou caçoado como “Fat Girl” pelos colegas bebobbers da sua época: isso por seu tamanho e peso, em compensação dos traços "femininos" do seu rosto e sua voz alta. Trata-se, musicalmente, de um trompetista de inestimável importância para o período do Bebop, sendo um dos pioneiros junto a Dizzy Gillespie e Howard McGhee, dois dos primeiros trompetista a configurar a articulações do trompete para esse estilo que modernizou a improvisação jazzística.

A carreira musical de Fats Navarro começou, mais ou menos, em 1941, aos 18 anos de idade, quando ele saiu da casa dos pais para viajar com bandas locais da Flórida (onde nascera) e Indianópolis: uma formação chamada Sol Allbright's e a banda do pianista Snookum Russell, músico de Indianópolis, foram as primeiras bandas por onde passou o jovem trompetista. Mas o interessante é que Navarro não começou sua viajem musical aprendendo trompete, mas sim sax tenor. Aliás, quando criança, começou a ter aulas de piano e depois, já na adolescência, passou a se interessar por sax tenor, chegando a alcançar considerável fluência nesse instrumento. O aperfeiçoamento no trompete aconteceu entre a idade de 18 e 20, época em que ele era influenciado pelo trompetista Charlie Shavers (que era seu primo-terceiro) e, principalmente por Roy Eldridge, considerado por muitos o primeiro trompetista a fazer a transição da influência de Louis Armstrog – melódica e improvisativa – para os rompantes do período pré-bebop: isso entre 1941 e 1944, época na qual as big bands já apresentavam os jovens solistas de grande originalidade e virtuosismo que seriam os principais artífices do bebop, entre eles Dizzy Gillespie, Dexter Gordon, Howard Mcghee e Charlie Parker.





No final de 1943 Fats entra na banda de Andy Kirk, o principal bandleader de Kansas City que, aliás, já descobrira muitos músicos como Mary Lou Williams, Don Byas, Shorty Baker (primeiro esposo de Mary Lou) e Buddy Tate. Na compacta orquestra de Kirk, Fats Navarro passou por sua segunda fase de influências: lá ele conheceu o fantástico e original primeiro-trompete Howard McGhee, que seria, de imediato, a sua principal influência antes de conhecer Dizzy. É com essa banda de Kirk, que em 1944 passa a conhecer a cidade de Nova Iorque, onde tocou no famoso Minton's Play House e pôde ser observado por alguns dos principais músicos do cenário nova-iorquino, além de chegar a ser admirado pelo crítico Leonard Feather. O resultado desse reconhecimento foi sua admissão em 1945 na banda de Billy Eckstine para substituir Dizzy Gillespie. Já devidamente instalado em Nova Iorque, Navarro passou a colaborar com o surgimento do cenário do bebop junto à uma legião de músicos dissidentes das big bands: Charlie Parker, Max Roach, o próprio Dizzy, Tadd Dameron, Kenny Clarke, Bud Powell, Coleman Hawkins dentre muitos outros.




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Apesar das poucas gravações como líder, Fats Navarro não só foi o principal trompetista de Nova Iorque ao lado de Dizzy entre os anos de 1945 e 1948, como também seria considerado a principal influência para Clifford Brown alguns anos mais tarde. Fats chegou a participar de mais ou menos 100 gravações como sideman, o que explica o assédio dos maiores bandleaders para tê-lo como solista em registros com suas bandas. Mas Navarro também deixou importantes registros onde ele aparece como líder ou co-líder ao lado de Tadd Dameron: alguns desses são o Fats Navarro Memorial, Vol. 2 - Nostalgia (1946, Savoy), The Fabulous Fats Navarro (1947, Blue Note), Fats Navarro - Fat Girl (1947, Savoy) e o duplo The Complete Blue Note and Capitol Recordings of Fats Navarro and Tadd Dameron (Blue Note, 1947, 1948), sendo esse ultimo o mais famoso e acessível de todos os outros. Inclusive, o registro que deixo acima disponível para download é um bootleg lançado aqui em solo sulamericano pelo selo argentino Del Prado – gravação de caráter “caseiro” não lançada oficialmente por nenhum selo fonográfico da época e, por isso, desvinculada de direitos autorais –, onde Navarro atua na linha de frente com o sexteto do pianista Tadd Dameron: essas gravações foram resgatadas do programa de rádio do famoso radialista Symphony Sid que, nas madrugadas de sábado, transmitia ao vivo as performances das bandas que tocavam no clube noturno Royal Roost – famoso clube que, por sinal, era situado na Brodway e, por ser um dos principais clubes dos beboppers ao lado do Minton's Playhouse, era chamado de The Metropolitan Bopera House (paráfrase do famoso e histótico palco do The Metropolitan Opera House) . Essas gravações não estão em perfeitas qualidades a ponto de se ouvir com perfeição as linhas harmônicas do piano ao fundo ou a marcação da bateria com nitidez total, mas os solos de Navarro soam claros de forma que mostram bem o estilo improvisativo do jovem-mestre, estilo esse marcado por golpes-de-língua aleatórios em meio à ligaduras com notas perfeitamente nítidas e uma riqueza melódica fora de série – o que mostra, afinal, como ele conseguiu unir a influência dos legatos únicos de Howard McGhee com a articulação bem marcada e a exploração do registro agudo de Dizzy Gillespie. Depois dessas gravações de 1948, Fats Navarro foi gradativamente adoecendo de tuberculose e injetando muita heroína nas veias. Em 1950 ele morre antes de completar 27 anos, deixando esposa e filha sós. Caso queira conhecer um vestígio do talento de Fats, clique na imagem do álbum para baixá-lo!


Charlie "Bird" Parker, o filme (1988)!

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Eis aqui a trilha da cinebiografia do famoso saxofonista Charles "Bird" Parker, um dos mais famosos jazzman na historia do jazz. Suas inovações e sua vida um legado tão profundo que até hoje os jovens tentam redescobrir sua arte. Apaixonado por jazz, o diretor e produtor Clint Eastwood fez uma apaixonante homenagem ao genial criador do Bebop. Clint pesquisou e recheou a magnífica trilha sonora do filme com os solos dos discos originais de Parker, mostranto um gênio incansável que viveu intensos 35 anos (de 1920 a 1955), o que acabou redendo-lhe um Globo de Ouro de Melhor diretor por esta excitante história de inovação e sofrimento. Nas mãos de Eastwood, Bird vive formidavelmente. O filme começa focando o jovem e o seu amor pelo jazz. Mostra Parker iniciando sua carreira e a dificuldade que ele encontrava para levar sua música além da fronteira dos bares de músicos negros. Forest Whitaker no papel-título deixa claro o apaixonante facinio que Bird tinha pela musica.A atriz Diane Verona encena de forma magistral como sua esposa, Chan "Parker" Richardson, o que lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante da Associação de Críticos de Nova York. A trilha sonora conta ainda com músicos do quilate de Monty Alexander, Barry Harris e Walter Davis Junior (piano), Ray Brown, Chuck Berghofer e Ron Carter (contrabaixo), John Guerin (bateria), Charles McPherson (sax alto); Jon Fadis e Red Rodney (trompete) e Charlie Shoemake (vivrafone). Este filme foi escrito por Joel Oliansky e produzido por Clint Eastwood e David Valdes. Para os amantes do jazz este filme exige uma parada obrigatoria e frente à tela da tv, pela quase fiel cinebiografia da vida de Perker.


Elenco:
Forest Whitaker (Charles "Bird" Parker)
Diane Venora (Sra. Chan Parker Richardson)
Michael Zelniker (Red Rodney)
Samuel E. Wright (Dizzy Gillespie)
Keith David (Buster Franklin)
Michael McGuire (Brewster)
James Handy (Esteves)
Damon Whitaker (Jovem Bird)

01 - Lester Meaps In
02 - I Can't Belive That You're In Love With Me
03 - Laura
04 - All Of Me
05 - This Time The Dream's On Me
06 - Ko Ko
07 - Cool Blues
08 - April In Paris
09 - Now's The Time
10 - Ornithology
11 - Parker's Mood

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Dexter Rides Again: As idas e vindas de Dexter Gordon

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Dexter Gordon in Montreux Switzerland, 1977


Dexter Gordon é um dos saxtenoristas mais cultuados do Jazz. No entanto, ele é um daqueles músicos que, talvez por não ter se definido entre ser de Los Angeles ou ser de Nova Iorque no período de efervescência do Bebop, nem sempre foi lembrado como um dos primeiros e maiores saxtenoristas do gênero que marcou o início da modernidade no Jazz. Ele foi, portanto, um músico que ficou incompreendido, em sua época, por transitar entre dois redutos que tinham diferenças estéticas e raciais entre si: de um lado o cenário fervilhante do Bebop nova-iorquino caracterizado por músicos negros e virtuoses e, do outro lado, a Costa Oeste dos EUA que tinha como expoentes músicos brancos que, apesar de tocarem na mesma linha de fraseado dos virtuoses beboppers negros, tinham lá suas aspirações e peculiaridades no sentido de soarem mais “cool”, mas suaves e mais líricos (lembrando, aí, que, um pouco mais distante dos pequenos formatos conhecido como combos, os músicos brancos também tinham uma maior habilidade para arranjos orquestrais com influência da música erudita). E é aí que está o ponto essencial para entender a figura cult e nostálgica de Dexter Gordon: ele era um músico que podia tanto soar lindamente Cool como podia impressionar com frases nervosas, vôos virtuosos e toda aquela atmosfera bluesy, características essas tão presentes nos sopros dos grandes e virtuoses beboppers.

Um dos músicos que mais admiravam Dexter Gordon, desde sua aparição em Nova Iorque a partir do início dos anos 40, era o já lendário saxtenorista Coleman Hawkins que sempre dizia que o jovem Dexter era seu saxtenorista preferido da nova safra surgida na época. E, talvez, até pode-se dizer que Dexter Gordon, com seu som punjante de sax tenor que mais parecia um sax alto ao chegar no registro médio, foi o “ponto ótimo” entre duas de suas grandes influências: de um lado o excêntrico e estiloso Lester Young e de outro o próprio Coleman Hawkins, um músico que começou a carreira no inicio da década de 20 e, de forma serena e com seu som personalíssimo, foi atravessando as escolas do Swing e Bebop com grande desenvoltura e prestígio. Enfim, só pra se ter uma idéia, a disputa entre Coleman Hawkins e Lester Young, dois dos primeiros grandes tenores da história do Jazz, não obteve paralelo em nenhuma das décadas subseqüentes às décadas de 30 e 40, mais propriamente na fase de transição entre as grandes big bands para os pequenos formatos de bandas.

Dexter Gordon foi, afinal, um dos músicos que, como Thelonious Monk, teve o seu devido reconhecimento nas décadas posteriores com muitos altos e baixos, uma carreira que nem sempre foi uma constante de sucesso. A primeira volta, por exemplo, aconteceu após um longo hiato nos anos 50 ocasionado pelo envolvimento com drogas. Dexter reaparece em 1955 e vai se reafirmando dentre os grandes jovens da época que, por sinal, eram jovens que já o admiravam e, de certa, o consideravam como um grande mestre a ser seguido: os maiores deles eram, justamente, os saxtenoristas Sonny Rollins e John Coltrane. Finalmente, em 1961 Dexter assina um contrato com a grande gravadora Blue Note, chegando a gravar alguns dos seus maiores discos de toda a sua carreira, sendo acompanhado por brilhantes jovens músicos tais como o pianista Sonny Clark, o baixista Butch Warren e o baterista Billy Higgins, formando um quarteto que com baladas e composições ainda no velho estilo, acabou sendo uma onda retrô que refrescou o então Hard Bop frente às inovações do recém-surgido Free Jazz.

A partir de 1962 ele fixa residência na Europa, mais propriamente em Copenhague, chegando alcançar grande sucesso em sua digressão européia e com as gravações para o selo Steeplechase. Mas, nos anos que se seguiram, após aquela breve passagem pelo selo Blue Note no início dos anos 60, Dexter foi ficando novamente “esquecido” nos EUA, chegando a ter um segundo destaque em sua volta para seu país em 1976. Enfim, a sua terceira grande volta como destaque no cenário jazzístico ocorreu em 1986, quando ele foi escalado como ator no filme Round Midnight de Bertrand Tavernier como o protagonista, tendo como desfecho a história de grandes músicos dos anos 40 como Bud Powel, Lester Young, Hawkins e a própria figura injustiçada de Dexter. O filme foi um sucesso de crítica que acabou resultando na indicação de Dexter Gordon para concorrer ao Oscar de Melhor Ator, um grande reconhecimento à sua dramática interpretação de músico e protagonista.

Aqui deixo um disco com duas sessões distintas, gravadas no período entre 1945 e 1947. Não é um disco dos mais excepcionais do período do Bebop e, também, não figura no topo da lista discográfica da carreira de Dexter Gordon – já que se trata apenas de uma compilação lançada em 1958 pela Savoy e relançada mais recentemente pela Savoy Jazz em 1996, além de outros lançamentos no Japão pela Columbia Japan ou pelo selo Import já no início do novo século -, mas é um disco que mostra bem essa fluência entre o ser lírico e dramárico e o ser habilidoso e influente que era Dexter Gordon em sua época. Aliás, os grandes sidemans aqui contidos, assim como os grandes músicos que ele conseguiu liderar em 1961, mostra que Dexter Gordon foi um músico que não teve nenhuma dificuldade em liderar e/ou reunir grandes músicos, independente da época de sua extensa carreira e dos muitos altos-e-baixos. Aqui, por exemplo, os grandes músicos que participam são o trompetista Leonard Hawkins, o sax-barítono Leo Parker, os pianista Tadd Dameron e Bud Powell, o contrabaixista Curly Russell além dos bateristas Max Roach e Art Blakey, dentre outros. Interessante, também, é a capa com uma foto de Dexter Gordon a cavalo, chapéu de cow-boy e seu sax tenor nas costas. Outro fato que merece atenção é que esse disco mostra o saxtenorista em sua formação como músico, prenunciando-se a ser aquele grande saxtenorista confirmado na sessões gravadas para a Blue Note quinze anos mais tarde, além de um grande compositor, já que todas as composições deste disco, com exceção de I Can’t Escape from You, são de sua autoria. download


Mellow Mama - Dinah Washington with Lucky Thompson

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1. Mellow Mama Blues
2. All or Nothing Blues
3. Rich Man's Blues
4. Chewin' Mama Blues
5. Blues For a Day
6. Wise Woman Blues
7. My Voot Is Really Vout
8. Pacific Coast Blues
9. Beggin' Mama Blues
10. Walking Blues
11. No Voot No Boot
12. My Lovin' Papa


Dinah Washington - vocals
Lucky Thompson - tenor saxophone
Lee Young - drums
Karl George - trumpet
Gene Porter - alto & baritone saxophones, clarinet
Wilbert Baranco - piano
Charles Mingus - bass
Milt Jackson - vibraphone





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Conforme prometido ao amigo Ico, membro da nossa Comunidade Estudiosos e Críticos do Jazz, deixo aqui este arquivo histórico para apreciação dos interessados. Trata-se de um grande concerto realizado entre 12 a 15 de Dezembro de 1945 que reuniu alguns dos jovens mais interessantes da época: o saxtenorista Lucky Thompson (do qual eu já postei aqui uma resenha com um disco pra baixar), a jazz singer Dinah Washington, o vibrafonista Milt Jackson e o contrabaixista Charles Mingus. Curiosamente o "unsung heroe" Lucky Thompson, na época com 21 anos, lidera as sessões e aparece em evidência ao lado da voz de Dinah Washington que realiza aqui sua primeira gravação com seu nome, com excessão de uma gravação liderada por Lionel Hampton em 1943. Curiosa, também, é a participação de Charles Mingus que só entraria em evidência como grande líder e compositor mais de uma década depois de ter iniciado a carreira. Esse disco mostra, portanto, o início de carreira desses jovens: Dinah com 21 anos, Jackson com 23, Lucky com 21 e Mingus com 23. Nessa época o Bebop acabara de surgir. Nesse disco, a banda não chega a ser uma big band de Swing, mas uma formação mais compacta já com os primeiros sinais das influências da época: a grande escasses das big bands em compensação da formação de combos menores, o nascimento do bebop, bem como o surgimento de uma nova geração que iria levar o Jazz por um caminho mais artisticamente talhado.

Sonny Criss: From Bebop to the Birth of New Cool

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Outro músico da grande lista dos "unsung heroes". Trata-se, no entanto, de um gigante do seu instrumento: um verdadeiro entusiasta e continuador do estilo bebop, assim como foi seu xará Sonny Stitt. Entre os músicos de nome Sonny (Sonny Stitt, Sonny Rollins e Sonny Clarke), Criss é o mais esquecido ou o menos lembrado. Sua carreira começa tocando com um grupo chamado Rockies em meados dos anos 40. Sua primeira grande aparição foi em 1947 em jams e algumas gravações com Norman Granz. Sonny Criss também era um saxofonista peculiar de um fraseado bebop intrincadíssimo, além de possuir uma sonoridade gritante, forte e, muitas vezes, com vibrato: foi o músico preferido para executar solos em bandas de rock'n'roll como a de Fats Domino, Smiley Lewis e The Spiders. Tocou também com o grande baterista e entusiasta do Swing Jazz Buddy Rich, com Wynton Kelly e com o pianista Sonny Clarke. Até meados dos anos 50 Criss era apenas mais um dentre tantos músicos de Los Angeles, gravando sempre para pequenos selos como Imperial, Fresh Sound e Peacock Records. Depois passa a conquistar mais público a partir de breves trabalhos relacionados aos selos Capitol e Blue Note, chegando no ápice da sua carreira através de um contrato de três anos com a Prestige na década de 60, o que o colocou no grande rol de grandes altoístas da época como Cannonball Adderly e Sonny Stit. Em 1968, Sonny Criss atingiria o seu ápice: ele levou o prêmio Talent Deserving Of Wider Recognition da revista Downbeat e foi aplaudido de pé no Newport Jazz Festival. Logo após essa breve fase de sucesso sua carreira entra em declínio e ele passa a explorar o cenário da França, onde era bem aceito. Sonny Criss passou a sofrer de cancêr na década de 70: ele se suicidou em 1977. Antes de falecer, ele deixou gravado o interessante The Birth of New Cool. Também trabalhou com o grande - e também "unsung" - pianista de Los Angeles Horace Tapscott. Sonny Criss é hoje um dos músicos mais procurados por colecionadores que gostam de saxofone, especialmente o sax alto. Abaixo um link único para os dois álbuns. Baixe!!!

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Go Man! - Sonny Criss 1956
1.Summertime 
2. Memories Of You
3. Wailin' With Joe
4. How Deep Is The Ocean
5. Blues For Rose, The
6. Man I Love, The
7. Until The Real Thing Comes Along
8. Blue Prelude
9. After You've Gone
10. Come Rain Or Come Shine
11. How High The Moon
12. If I Had You

Sonny Criss (as)
Sonny Clark (p)
Leroy Vinnegar (b)
Lawrence Marable (d)
Master Recorders, Los Angeles, CA, July 1956 



The Birth of New Cool - Sonny Criss 1968

1. Sonny's Dream
2. Ballad For Samuel
3. Black Apostles, The
4. Golden Pearl, The
5. Daughter of Cochise
6. Sandy and Niles
7. Golden Pearl, The - (alternate version, bonus track)
8. Sonny's Dream - (alternate version, bonus track)

Sonny Criss (soprano & alto saxophones); David Sherr (alto saxophone); Teddy Edwards (tenor saxophone); Pete Christlieb (baritone saxophone); Conte Candoli (trumpet); Dick Nash (trombone); Ray Draper (tuba); Tommy Flanagan (piano); Al McKibbon (bass); Everett Brown Jr. (drums).


Dizzy Gillespie-Charlie Parker: Town Hall, New York City 1945

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Esta é uma descoberta arqueológica que altera significativamente a história discográfica dos primeiros tempos do bebop: uma descoberta feita pelo dono da gravadora Uptown Records, Robert Sunnenblick, contendo quarenta minutos de pura adrenalina bebopiana, uma jóia rara intitulada "Dizzy Gillespie-Charlie Parker: Town Hall, New York City, June 22, 1945 (Uptown)". O show foi gravado em 22 de junho de 1945 em Nova York e, além dos grandes mestres Dizzy e Bird, o sexteto tem Don Byas no saxofone tenor, Al Haig no piano, Curley Russell no baixo e Sid Catlett e Max Roach dividindo a bateria. O album apresenta um som bem razoável com um chiado quase imperceptível. São seis faixas do idioma Bebop que dão vida aos enérgicos improvisos desses músicos: "Night in Tunisia", "Groovin’high" e "Salt peanuts" de Gillespie; "Hot house" de Tadd Dameron; e "52nd. Street theme" de Thelonious Monk. Se Bird e Dizzy gravaram esses temas centenas de vezes, por que, então, o registro desse concerto inédito de 22 de junho de 1945 pode ser considerado uma reliquia?. Quem pode nos dar uma resposta à altura é nada mais nada menos que Fred Kaplan, crítico de jazz do "The New York Times": "Pedra da Roseta do bebop!!!!". Sem falar na intrínseca performance desse quinteto com liderança de Parker e Gillespie (o grande tenorista Don Byas aparece também na primeira faixa e Sid Catlett substitui Max Roach em dois números). Basta lembrar também que a primeira sessão de gravação histórica do autêntico bebop ocorreu em 11 de maio de 1945. Naquela data, os "All-Stars" de Dizzy Gillespie era formado por Parker-sax.; Al Haig-piano; Curley Russell-baixo; Catlett- bateria. Esses músicos perpetuaram quatro faces de discos de 78 (r.p.m.) para o selo Guild: continha "Salt peanuts", "Shaw’nuff", "Lover man" (com vocal de Sarah Vaughan) e "Hot house". Mas as faces dos discos de dez polegadas dos anos 40 não ultrapassavam os 3m22s, ficando, assim, galfado no tempo. Só em Junho de 45 esta formação gravaria este achado com a chegada do long play 33\5, o que não puderam fazer com os discos de 78 rpm por falta de tempo.

Em apenas 35 anos de vida Parker também conhecido como "Bird" foi um dos principais responsáveis pelo surgimento do Bebop - um novo estilo de Jazz, marcado por longas e enérgicas improvisações que influencia músicos até os dias de hoje. De acordo com críticos, se Parker era a alma do Bebop, o trompetista Dizzy Gillespie era o coração sendo responsável por consolidar o novo estilo. Para muitos, Parker transformou o Bebop numa música considerada "cult", enquanto Gillespie o popularizou. Dizzy teve uma carreira bem mais longa que "Bird", começando no final da década de 30 e terminando apenas com sua morte em 1993. Charlie Parker morreu em 1955 devido a problemas de saúde relacionados com o alto consumo de drogas. download

01 - Shaw Nuff
02 - Be-Bop
03 - Groovin' High
05 - Salt Peanuts
06 - Hot House
07 - 52nd Street Theme

Dizzy Gillespie - Trompete
Charlie Parker - Sax. Alto
Don Byas - Sax. Tenor
Al Haig - Piano
Curley Russell - Baixo Acustico
Max Roach - Bateria
Sid Catlett - Bateria

Por Volta da Meia-Noite (Round Midnight) - Varios Artistas 1986

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Clique Aqui para comprar o DVDVarios filmes usaram o jazz como trilha sonora para visualizar uma época, uma historia ou mesmo uma biografia de um músico do genero. Essas produções são verdadeiras obras de arte e não deveriam ficar no anonimato como estão; e o espetacular Round Midnight "Por Volta da Meia-Noite" é um filme excelente que jamais peca sobre o assunto. Paris, 1959. Dentro do clube Blue Note, um veterano e talentoso músico de jazz extrai uma eloqüente melodia de seu sax tenor. Do lado de fora, um jovem parisiense decide acompanhar aquelas belas notas. Em breve, eles erguerão uma amizade que acenderá a centelha de genialidade final na carreira do músico. Por Volta da Meia-Noite, que rendeu um Oscar de Melhor Trilha Sonora a Herbie Hancock, é uma elegante ode ao bebop - estilo jazzístico surgido após a Segunda Guerra - e aos afro-americanos expatriados que o criaram, e o nutriram e viveram dele. O filme foi dirigido por Bertrand Tavernier e estrelado pelo grande tenor Dexter Gordon numa performance inesquecível, além de Francois Cluzet, Lonette McKee, Christine Pascal e Sandra Reaves-Phillips. Por Volta da Meia-Noite é uma jornada musical maravilhosa e surpriendente, colocando o expectador na linha de frente como o musico. O score focaliza o jazz da época dourada do Bebop, focalizando também o cool que, nas próprias palavras de Miles, só tinha algo de dourado para quem ouvia em casa no conforto de sua poltrona, porque nessa época ser músico de Jazz - e ainda negro - não era nada cool. (Vale lembrar que em 1959 foi lançado a cartilha do estilo, o indispensável e insuperável "Kind Of Blue" de Miles Davis e que em seu sexteto trazia músicos do quilate de John Coltrane, Bill Evans e Julian "Cannonball" Adderley. O resultado é uma música hipnótica, fluida, lenta e perfeita). Esta trilha abre com uma versão de "Round Midnight" em que o trio Herbie Hancock, Tony Williams e Ron Carter é coadjuvante de um solo de trumpete feito por Bobby McFerrin... e com as cordas vocais!...fantastico e hilariante! Body And Soul", outro standard do jazz, tem a participação de Dexter Gordon e a guitarra de John McLaughlin criando texturas delicadas. Herbie Hancock fez mais do que "apenas" organizar a gravação, selecionar os músicos, as canções e ensaiar com todos. Ainda escreveu três belas obras para o score: "Bérangère's Nightmare", "Still Time" e "Chan's Song (Never Said)", que encerra com o mesmo quarteto que abriu o disco e com o mesmo truque de McFerrin. O album contém momentos preciosos como Chet Baker com sua voz combalida pela vida e pelas drogas no clássico "Fair Weather", ou ainda Lonette McKee cantando "How Long Has this Been Going On?" no mesmo estilo de Ella Fitzgerald. Round Midnight traz músicas que deveriam ser ensinadas às pessoas e ouvidas mais vezes.

Dica:Por Volta da Meia-Noite (Round Midnight) Gêneros: Drama, Jazz
Direção: Bertrand Tavernier - 1986.

01 - 'Round Midnight - Herbie Hancock, Tony Williams & Ron Carter
02 - Body And Soul - Dexter Gordon & John McLaughlin
03 - Bérangére's Nightmare - H. Hancock
04 - Fair Weather - Chet Baker
05 - Una Noche Con Francis - B. Powell
06 - The Peacocks - J. Rowles
07 - How Long Has This Been Going On? - Lonette McKee
08 - Rhythm-A-Ning - T. Monk
09 - Still Time - H. Hancock
10 - Minuit Aux Champs-Elysées - H. Renaud
11 - Chan's Song (Never Said) - H. Hancock
12 - 'Round Midnight - Herbie Hancock, Tony Williams & Ron Carter

Musicos:
Ron Carter, Tony Williams, Wayne Shorter,Herbie Hancock, Bobby McFerrin,John McLaughlin, Chet Baker, Billy Higgins, Cedar Walton, Freddie Hubbard, Bobby Hutcherson, Lonette McKee, Pierre Michelot e Dexter Gordon

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André Previn: "Jazz is an expendable art form...for me"

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Um dos mais versáteis músicos do mundo, Andre Previn já acumulou consideráveis elogios como um pianista de jazz, além de ser considerado um nome importante do universo da música erudita, apesar das suas mudanças repentinas de um meio para o outro: primeiro pianista do cenário West Coast Jazz no início dos anos 50, logo em seguida como um arranjador e compositor de trilhas para Hollywood, e, depois, como um renomado maestro e diretor de algumas mais importantes orquestras da música clássica. No piano Previn adquiriu sensibilidade através de estudar os elementos de Bud Powell, Oscar Peterson e Horace Silver chegando a imprimir uma técnica irrepreensível. André Previn não é sempre lembrado como um importante pianista do Jazz e não mudou muito ao longo das décadas, transitando apenas pelo Cool e Bebop, mas no universo da versatilidade entre o Jazz/Musica Erudita habitado por pouquíssimos gigantes, Previn será sempre um dos nomes a se lembrar.

André Previn iniciou suas lições de piano na infância na sua terra natal, Berlim, antes da ameaça nazista. Com os avanços de Hitler sua família se deslocou à Paris em 1938 e aos EUA no ano seguinte. Em meados dos anos 40, já em Los Angeles, Previn começou a trabalhar como pianista de Jazz, além de começar sua carreira como arranjador, chegando a ser contratado pela Sunset Records enquanto ainda estava no ensino médio aos 18 anos de idade; além disso suas primeiras gravações para a RCA Victor chegaram a alcançar boas vendagens. Originalmente usando o swing como ponto de partida, Previn passou a tocar Bebop mais esporadicamente em 1950 pouco antes de ser chamado para servir ao exército. Ao voltar para a Los Angeles formou o interessantíssimo trio com o baterista Shelly Manne e o contrabaixista Leroy Vinnegar, chegando a alcançar sucesso com o álbum de interpretaçõs My Fair Lady que, por sua vez conduziu Previn a lançar uma série de trabalhos ambientados nas tendências da Broadway e da industria do cinema.

Conseguindo ser um dos maioires e mais premiados compositores de trilhas sonoras para filmes de Hollywood, Previn passou a ser interpretado por grandes orquestras dos EUA. Assim, a partir de 1962 Previn começou a fazer sua transição de Hollywood para se tornar um maestro de música classica por tempo integral, deixando, também, sua atividade nos meios do Jazz. Ele permaneceu longe do jazz durante 27 anos, com a exceção de um punhado de gravações que dirigiu tendo Ella Fitzgerald e violinista clássico Itzhak Perlman. No entanto, em março de 1989, com sua demissão na Filarmónica de Los Angeles agravado por problemas com a gestão da orquestra, Previn voltou ao jazz com um trio que incluia o contrabaixista Ray Brown e Joe Pass, gravando alguns álbuns para o selo Telarc que acabaram por mostrar que ele não tinha perdido a noção de swing e muito menos as técnicas adquiridas no universo pianistico do Bebop. Hoje André Previn está definitivamente consagrado como um dos grandes gênios do século XX, sendo um dos maiores compositores, maestros e pianistas de Jazz e música clássica erudita. Para baixar os álbuns indicados abaixo acesse o buscador Captain Crawl.

After Hours - André Previn Trio

1. There'll Never Be Another You
2. I Only Have Eyes For You
3. What Am I Here For
4. Limehouse Blues
5. All Things You Are
6. Honeysuckle Pose
7. I Got It Bad And THat Ain't Good
8. Smoke Gets In Your Eyes
9. Cotton Tail
10. Laura
11. One For Bunz

André Previn - piano
Joe Pass - guitar
Ray Brown - bass
King Size! 1958


1. I'll Remember April
2. Much Too Late
3. You'd Be So Nice to Come Home To
4. It Could Happen to You
5. Low and Inside
6. I'm Beginning to See the Light


André Previn - piano
Red Mitchell - bass
Frankie Capp - drums

Mood Indigo - Flip Phillips, Kenny Davern & Bjarne Nerem 1989

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Depois de um certo tempo sem postar algo mais tradicional, trouxe-vos um disco que por aqui não se encontra nem com a ajuda de todos os deuses. Trata-se de um encontro inusitado que aconteceu em Noruega entre os músicos norte-americanos, o clarinetista Kenny Davern, o saxtenorista Flip Phillips e o saxtenorista norueguês Bjarne Nerem e seu quarteto.

Kenny Davern - clarinet
Flip Philips - tenor sax
Bjarne Nerem - tenor sax
Egil Kapstad - piano
Kare Garnes - bass
Ole Jacob Hansen - drums


Flip Phillips (1915 - 2001) começou a carreira em meados dos anos 30 quando ainda era um adolescente e foi um dos grandes saxtenoristas a surgir nos anos 40 sendo considerado um dos maiores do seu instrumento em sua época: não é novidade quando se encontra o seu nome numa lista de grandes saxtenoristas como Ike Quebec, Illinois Jacquet e Charlie Ventura, todos grandes nomes que transitaram entre os combos do Bebop e as grandes big bands que ainda persistiam em sobreviver com grande sucesso após a decaída das grandes orquestras de jazz em 1940: Flip Phillips, inclusive, foi a estrela maior do saxofone na orquestra de Woody Herman por dois anos (1944-1946) e na Jazz at Philharmonic de Norman Granz (1946-1957). Apesar de não se modernizar, como aconteceu com alguns dos seus contemporâneos como Jimmy Giuffre, Flip Phillips sempre foi muito admirado, pois além de ser um dos maiores saxtenoristas da história do jazz, transitou em vários cenários e estilos: Swing, Bebop, Cool e West Coast. Antes mesmo da consagração de Stan Getz em meados dos anos 40, Flip Phillips já era o saxtenorista branco mais admirado, associado até com Frank Trumbauer, o músico de Chicago considerado não só o primeiro grande solista de sax tenor como um dos primeiros brancos a reinar nos primórdios do Jazz. Flip Phillips que atravessou quase seis décadas de atuação é hoje admirado por grandes contemporâneos como o saxofonista James Carter e Joe Lovano.

Já Kenny Davern nasceu em 1935 e começou a carreira em meados dos anos 50. Apesar de ter começado sua carreira numa data onde o Hard Bop era evidente, Davern optou por ser tradicional, seguindo a escola clássica dos grandes clarinetistas do swing, em geral todos grandes solistas desse instrumento. Por incrível que pareça Kenny Davern sempre disse que sua maior fonte de inspiração era Louis Armstrong, um trompetista ao invés de um dos grandes clarinetistas. Mas Davern decidiu pelo instrumento ao ouvir o grande Pee Wee Russell, revezando, inicialmente, essa preferência com o Barítono, até decidir-se deifitivamente em tocar só a clarineta. Em 1954, após um início na big band de Ralph Flanagan, ele entrou na tradicional banda do trombonista Jack Teagarden, outro grande músico que foi um dos primeiros grandes nomes do seu instrumento e um dos primeiros brancos a reinar nos primórdios do Jazz. Após poucos dias com a banda de Teagarden, Kenny Davern montou uma banda que incluia o pianista Dave Frishberg e o trompetista Johnny Windhurst, todos músicos que numa era já moderna, preferiam por seguir o Jazz tradicional. A troupe de músicos com quem Davern trabalhou nos anos 50 foram quase todos grandes músicos que ou já eram veteranos do jazz tradicional ou jovens músicos que optaram por seguir essa vertente: entre eles Ruby Braff, Wild Bill Davison, Billy Butterfield, Bud Freeman Eddie Condon e muitos outros. Sua carreira seguiu brilhante e tradicional, até que em 1973 ele forma, com seu amigo clarinetista Bob Wilber, o sua mais aventurosa banda chamada Soprano Summit que consistia em dois sax sopranos e uma seção de rítmo. Mas devido considerar o sax soprano um instrumento difícil e moderno, voltou a se dedicar ao tradicional clarinete nos anos posteriores. Em 1987 Kenny Davern foi participar de Festivais na Europa com a New York Jazz Repertory e lá visitou vários países, inclusive a Noruega, onde realizou esta gravação com Flip Phillips. Kenny Davern, apesar de ter se mantido fiel ao jazz tradicional, foi consagrado na era moderna como um dos maiores clarinetistas de todos os tempos.

Uma curiosidade é que ele odiava tocar com microfones: sempre que ia tocar em algum clube desligava o seu microfone e optava por tocar acústico.

Bjarne Nerem foi um dos grandes músicos noruegueses a participar do "início" do Jazz em seu país. Não que o Jazz não existisse, já que as big bands já eram bem populares na Europa. Contudo, devido a Segunda Guerra Mundial, a Noruega, além de ter poucos músicos de Jazz, não desfrutava de nenhuma importação do jazz americano e muito menos de visitas de músicos famosos. Com o final da guerra, esse cenário começou a mudar: vários dos estusiastas do Jazz uniram-se para levantar o estilo nos bares de Oslo. Em pouco tempo a Noruega já era considerado um dos grandes redutos do jazz europeu, atraindo nomes como Count Basie e Dizzy Gillespie. Bjarne Nerem inicicou a carreira logo após o fim da guerra e foi considerado, desde então, um dos maiores saxofonistas do seu país. Alguns des seus discos são encontrados pelo selo Gemini.


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