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Improvising with Numbers - Dez excelentes álbuns de Música Popular Brasileira do início do século 21


Prezados colegas que visitam este blog, recentemente escrevi uma crítica onde lamentava o fato do comodismo, da letargia, da preguiça e do auto-aprisionamento engessar a maioria dos músicos e cantores brasileiros, assim como a própria conduta crítica do público, a chamada auto-crítica que cada um de nós temos de ter ao digerir música ou qualquer outra expressão artística -- leiam-na aqui. Neste post, porém, venho com uma seleção modesta de dez excelentes álbuns de MPB que trazem em si o que falta -- ou o que devia existir -- na música brasileira: renovação e inovação, ousadia e criatividade, atualidade e contemporaneidade, fluência musical e identidade própria, arranjos bem elaborados e letras inteligentes, performance e improvisação -- enfim..., estes dez álbuns mostram que é possível, sim, se produzir canções onde o decorativo seja a arte acima do artista, acima da fama. Sim, e por ora são apenas dez, pois, vias de fato, a MPB, além de estar sendo melecada pela mídia com equivocadas versões popularescas de música popular brasileira (como é quando querem sofisticar Ivete Sangalo como uma "cantora de MPB", por exemplo), não tem apresentado um cenário ousado ou criativo de si mesma -- e quando o fez, através de uns poucos cantores em raros momentos de espasmos criativos, isso ressoou apenas nos circuitos elitistas e nas mídias independentes, não chegando à população pela grande mídia, uma vez que a grande mídia, a propósito, está mais preocupada em obter lucros comercias através de material descartável e modinhas de verão, que são mais fáceis de vender. Outro fato resultante da desvalorização da MPB em solo tupiniquim é o êxodo de grandes artistas da música brasileira para solos americanos e europeus, onde a música criativa é mais apreciada. Uma pena, pois este seria o momento de surgirem artistas mais descompromissados com a fama pela fama e aquele glamour besta de cantores de (ou para) abertura de novelas e mais compromissados em fazer arte com a canção -- já que se trata de um momento onde os circuitos underground e independentes são os únicos que ainda apoiam uma MPB contemporânea e criativa, tal como era a música popular brasileira nos tempos da Tropicália. O problema, no entanto, não é de quantidade e coerência: há uma legião de novos artistas fazendo uma MPB até medianamente audível em termos de música e poesia (como é o caso de Maria Gadú e Marcelo Jeneci), mas na maioria das vezes o que se ouve destes é algo "bonitinho" demais, simplista demais, coerente demais, "universitário" demais, elitista demais, ou algo muito na onda do "coqueluche-brega-pop" -- em alguns casos até muito assumidamente comercial, letárgico, acomodado, quando não com aquele romantismo banal que não fica longe das letras presentes em canções de grupos de pagode. O problema, então, é de qualidade, criatividade, coesão e ousadia dos projetos: falta arranjos mais criativos e mais contemporâneos, falta uma boa e criativa instrumentação, falta o risco da improvisação e da performance, falta o risco de uma poética mais inteligente nas letras (aquela capaz de instigar as pessoas a refletir), falta identidade própria (há muitas cópias de Marisa Monte rolando por aí...) e, principalmente, falta uma postura mais compromissada com as realidades (políticas, econômicas, sociais, culturais...) do mundo atual -- aliás, essa tal postura do artista engajado realmente foi algo que se perdeu na música criativa ( a pergunta é: isso seria pelo fato das pessoas estarem ascendendo à classe média e, portanto, estarem apenas ocupadas com o entretenimento proporcionado por seus carros, notebooks, tablets e smartphones ou será que já evoluímos para um mundo perfeito e sem pobreza, um país de justiça ou democracia perfeitas?). Mas nem toda música no Brasil é sertanejo universitário ou "fanqui carioca", nem todos os novos artistas da MPB aderiram às facilidades e aos padrões estilísticos para tentarem se vender mais, e nem só de MC's de "fanqui carioca", Michéis Telós, Claudias Leites e Ivetes Sangalos a música brasileira está repleta. Neste post, seleciono alguns dos álbuns contemporâneos, de cantores mais famosos ou menos famosos, que, ao meu ver, contribuíram para a década de 2000 não ser uma década perdida em termos de MPB -- e o faço com audácia, sinceridade e com a visão de música enquanto arte: com estrelinhas, entrelinhas e tudo! Apesar de listar Djavan -- um meus favoritos entre os veteranos --, ficaram de fora meus preferidíssimos Tom Zé e Marisa Monte e outros panteões já a décadas massificados como Chico Buarque e Caetano Veloso. As resenhas estão repartidas entre minhas e as retiradas de outros sites jornalísticos. A ênfase está em discos autorais, mas também há espaço para discos de intérpretes especiais. Convido cada leitor a fazer sua lista com alguns dos seus álbuns e artistas preferidos no campo para comentários!



1 - Presente (2010), de Délia Fischer

Até agora ainda não encontrei um álbum de canções que casasse tão bem uma (in)fluência adquirida na música instrumental brasileira com o canto e poesia sofisticados, onde os arranjos instrumentais soassem com tanta brasilidade -- evocando tanto sons e imagens sudestinos como os nordestinos -- e tão contemporâneos ao mesmo tempo e o canto soasse como sendo algo instrumental e não algo à parte -- isso porque, ao arranjar suas canções, Délia Fischer colocou sua personalidade à flor da pele e bebeu das fontes de dois dos maiores compositores brasileiros contemporâneos: os universais Egberto Gismonti e Hermeto Pascoal, simplesmente os dois maores e mais ousados criadores da música instrumental brasileira. Tendo curiosas participações dos próprios Egberto Gismonti ao violão e Hermeto Pascoal usando a voz borbulhante em cópo d'agua e a escaleta, Délia imprime arranjos pra lá de contemporâneos através de instrumentações pra lá de inteligentes: climas e nuances ao piano rhodes, solos líricos de violino, vozes em efeitos radiofônicos, um combo jazzístico de piano-trio, acompanhamentos dissonantes de cordas, sutis efeitos eletrônicos, sons de bricolage e etc, dão o colorido e o sabor do molho. Leia a resenha na íntegra aqui mesmo, num post do Blog Farofa Moderna! Por seus trabalhos ímpar, Délia Fischer  tem sido destaque no Jornal do Brasil e no O Globo . Assista o video abaixo!





2 - Canteiro (2011), de André Mehmari

Canteiro é o primeiro álbuns de canções do pianista André Mehmari -- salientando, já, que trata-se de um álbum autoral e, ao mesmo tempo, de muitas parcerias e colaborações interessantes. A personalidade musical de André Mehmari, proeminente compositor e multiinstrumentista virtuose que transita com fluência do erudito ao popular, é um dos mais interessantes amálgamas revelados desde as personalidades de Moacir Santos e Milton Nascimento: às vezes combina uma brasilidade à mineira com um lirismos barroco e renascentista, às vezes combina algo do folclore brasileiro com uma fluência atualizada no jazz contemporâneo, às vezes soa apenas erudito mas com pitadas de todas essas características citadas -- aliás, é uma personalidade moderna e seu som soa renovador, mas não é algo pra ser analisado como "contemporâneo" ou não: é um amálgama que tenta ser atemporal. Com trabalhos renovadores no campo da música erudita e instrumental brasileira, André Mehmari sempre buscou imprimir o lirismo do canto em sua voz compositiva, ainda que algumas das suas peças venham a ter uma escrita mais "stravinskiana", mais complexa. O álbum Canteiro, lançado no segundo semestre de 2011, evidencia essa paixão que Mehmari tem pelo canto: ele faz um amálgama de solidão, de amor pela flora, com amizade e alegria -- as harmonias imprimem essas nuances. Aqui a canção é elevada ao extremo da arte e o instrumental -- dotado de arranjos os mais diversos, produzidos por quem realmente entende de harmonia, arranjo e orquestração -- é apenas o suporte da coisa. Trata-se de uma ode completa à brasilidade: as canções vão da balada à mineira ao frevo nordestino. O álbum é duplo. Assista o vídeo abaixo.





3 - Seu Jorge & Almaz (2010)

Seu Jorge, ainda que dotado de elegância e uma peculiar identidade própria, parece ser nossa versão atual e popularesca do Jorge Ben sessentista e setentista. Mas já não dá mais pra reproduzir aquele samba-rock com aquela malandragem estilizada dos velhos tempos. Seu Jorge, então, apela para um populário onde o "descolado" substitui o "malandro", haja vista suas canções abordarem temas como loiras burguesinhas, praias, paqueras na balada, finais de semana com churrasco, bailes com belas morenas fazendo charme e etc -- não à toa, sua recente coletânea de canções chama-se Músicas para Churrasco. Mas trata-se de um cantor com identidade própria de quem podemos, sim, esperar algo a mais a qualquer momento. Um exemplo é este álbum produzido por Seu Jorge e dois membros do Nação Zumbi, grupo pioneiro do manguebeat. Seu Jorge & Almaz nos mostra um interessantíssimo mix de rítmos e grooves brasileiros com texturas vintage oriundas do soul, samba, rock, funk, eletrônica, chegando a evocar até mesmo um country-rock meio reverberante. É um álbum para se tornar um clássico: ainda que de simplicidade instrumental, as sonoridades, os timbres e os grooves impressos já dão ao álbum o status de especial! Não obstante, o álbum Seu Jorge & Almaz é interessante não só pela concepção de som, mas, principalmente, pelo repertório super-hiper-maxi-diversificado: a lista mescla temas de Nelson Cavaquinho (“Juízo Final”), Roy Ayers (“Everybody Loves the Sunshine”), Baden Powel (“Tempo de Amor”), Michael Jackson (“Rock with You”), Jorge Ben (“Errare Humanum Est”) e do legendário grupo alemão de tecno-dance Kraftwerk (“The Model”). Um álbum singular que nos faz lembrar dos sons inovadores de Chico Science ou da mística interessante que Jorge Ben Jor imprimiu no álbum A Tábua de Esmeralda (1974) -- isso em tempos inovadores da MPB. Leia a resenha na íntegra aqui mesmo no Blog Farofa Moderna!



4 - Cibelle (2003), de Cibelle

Eu poderia citar qualquer um dos dois álbuns mais recentes de Cibelle, haja vista sua incessante busca pelo hibridismo contemporâneo, pela técnica da colagem e pela improvisação, algo que falta na maioria dos nossos cantores e músicos. Uma cantora hipercriativa nossa que vive na Inglaterra, Cibelle não faz uso da estética MPB propriamente dita para se classificar: trata-se daquele tipo de cantora cosmopolita -- aliás, um tanto tropicalista, mas sem copiar à risca o Tropicalismo, eu diria -- e que depreza aquele jeito "brasilzão" de ser, sem contudo deixar de imprimir uma certa brasilidade aos seus arranjos, que podem tanto serem calcados no pop e na eletrônica como no samba e na chanson francesa -- ou seja, não há limites de cores, rítmos, imagens e mundos na música da cantora. Não querendo fazer uma comparação propriamente estilística, talvez Cibelle seja a cantora brasileira que mais se aproxima do que a legendária cantora Bjork representa, ou seja, ela é inclassificável -- mas que fique claro: ela não copia nem a cantora islandesa nem niguem; ela soa própria e única! Quando saiu em 2003, o álbum de estréia Cibelle foi alvo de elogios da imprensa européia, apesar de não fazer tanto barulho por aqui. Curiosamente o jornal inglês The Independent classificou seu trabalho como "simultaneamente sem igual na Terra e a tudo que você já ouviu antes". Uma cantora de miscelânea grandiosa que, quando intérprete, dá novas versões para canções que vão de pérolas de Tom Jobim às de Tom Waitts. Só ouvindo mesmo pra saber do que se trata!!! Leia mais sobre a cantora no Caderno 2 do jornal Estadão!!! Ouça abaixo!




5 - Iaiá (2006), de Monica Salmaso

 Longe de ser uma cantora conhecida pela maioria do público que curte MPB, Mônica Salmaso pode ser considerada facilmente uma das melhores intérpretes da música brasileira dos últimos tempos. E o melhor: ela tem um senso de arranjo que se remete ao grosso modo da música instrumental brasileira e que dispensa parafernálias tecnológicas, sendo sempre acompanhada, portanto, dos mais excelentes instrumentistas desta vertente. De Tom Jobim à Dorival Caymmi, de cancionistas contemporâneos a legendas do cancioneiro tradicional, Salmaso dá belas versões a todo e qualquer cancioneiro que manuseia. Apesar da sua discografia ser completamente dotada de excelência, um dos mais interessantes álbuns de Mônica Salmaso é o Iaiá, lançado pela Biscoito Fino em 2004. No repertório, além de uma clara homenagem à Clementina de Jesus, convivem compositores de diferentes épocas, estilos e regiões, tais como Dorival Caymmi, Maurício Carrilho, Paulo César Pinheiro, Jair do Cavaquinho, Xangô da Mangueira, Zagaia, Silvio Caldas, De Chocolat, Carusinho, Rodolfo Stroeter, Joyce, Vanessa da Mata,Tom Jobim, Vinícius de Moraes, José Miguel Wisnik, Chico Buarque e Tom Zé. Saiba mais aqui, no site da própria cantora.




6 - O Meio (2000), de Luiz Tatit

Luiz Tatit, membro da "velha guarda" da vanguarda paulista dos anos 80, é único, um artista que não envelhece -- e até seu simplismo soa rebuscado! Em seu nonsense álbum O Meio (2000), Tatit não reproduz o vanguardismo de que outrora foi representante, mas não deixa de soar incrivelmente inteligente e sutilmente conceitual através de um arranjo que se remete ao uso de uma orquestra de câmera aliada à canção violonística -- aliás, é preciso salientar que já em meados dos anos 90, com o álbum Felicidade, o compositor rumou para um estilo mais lúdico e menos provocante em termos de vanguarda, haja vista não ser mais o momento adequado para se evocar a já ultrapassada "contracultura". A crítica a seguir é do jornalista Carlos Calado para o site CliqueMusic:

"""Luiz Tatit não está nem aí se suas composições não possuem refrões capazes de colar nos ouvidos do público, muito menos preocupa-se em utilizar samples ou levadas de drum’n’bass para que elas soem mais moderninhas. O Meio deixa claro desde sua primeira faixa que o ex-membro do grupo Rumo está interessado, antes de tudo, na integridade de suas canções e idéias. Não foi à toa que ele decidiu iniciar o CD com a canção que lhe dá título, justamente a mais inusitada e conceitual das 13 gravadas. “Se todo começo é assim / o melhor do começo é o seu fim / um dia ainda há de chegar / em que todos irão conquistar / um meio pra não começar”, diz ele na letra, divagando com erudição e humor sobre as desvantagens dos inícios. Um tema insólito que passa ainda pelas regravações das hilariantes Trio de Efeitos (“sempre fui médio / é o meu dom / e o meu tédio”) e Essa É Pra Acabar (“essa é pra acabar / foi feita só pra isso / é pra lembrar vocês / que existem outros compromissos”), ambas da época do Rumo. Auto-referentes também são As Sílabas (“cantiga diga lá / a dica de cantar / o dom que o canto tem / que tem que ter se quer encantar”) e Batuqueiro (parceria com Ná Ozzetti), que discorrem sobre o fazer musical e sua eficácia. Há ainda deliciosas canções de caráter mais narrativo, como Amor e Rock (“amor tão rápido dá choque / suspende esse amor heavy / e manda um rock”), que distingue com graça diferentes ritmos nas relações amorosas, ou a regravação de Esboço, a epopéia de um insólito personagem pelos bairros de São Paulo, que ressurge mais viva graças ao brilhante arranjo para orquestra de Ricardo Breim e Hermelino Neder. Aliás, nesse aspecto, destacam-se também os arranjos de cordas escritos por Fábio Tagliaferri, que combinam beleza e eficácia. Com O Meio, Tatit nos lembra algo que parece cada vez mais esquecido nos últimos tempos: a música popular não existe somente para se dançar. A de Tatit, especialmente, faz pensar e sorrir.""" (Carlos Calado)



7 - Piano e Voz (2006), de André Mehmari & Na Ozzetti

Ná Ozzetti, outra das representantes da vanguarda paulista dos anos 80, lançou em 2006 um álbum só de piano e voz que está acima do fato de ser um álbum de interpretações com um repertório pra lá de diversificado. Para o piano, ele: o virtuose André Mehmari. É muito difícil descrever em palavras como a voz cristalina de Ná Ozzetti funde-se tão bem com o piano virtuosístico de Mehmari. A crítica a seguir é de Luiz Carlos Viana para a Sucursal do Rio:

"Há discos de cantoras e pianistas em que o entrosamento entre as partes alcança resultados sublimes. Apenas dois exemplos: Ella Fitzgerald & Paul Smith, Nana Caymmi & Cesar Camargo Mariano. O avesso ocorre quando intérpretes usam a fórmula para extravasar suas vaidades, valendo-se dos pianistas como meros acompanhantes. "Piano e Voz", de André Mehmari e Ná Ozzetti, se insere de maneira brilhante no primeiro caso. Poucas vezes no Brasil um disco feito nesse modelo chegou a um grau tão alto de simbiose". Leia mais aqui, para saber do repertório e de como o álbum foi gerado!





8 - Ária (2010), de Djavan

Djavan é um dos poucos cancionistas já famosos que inventaram um jeito todo seu de se criar poemas, harmonias, rítmos e arranjos sofisticados -- aliás, o mais intrigante é que ele faz tudo isso soar muito imagético, sem, contudo, aderir ao simplismo da citação direta, haja vista suas letras dotadas de uma poética incrivelmente inteligente mesmo quando retrata o tema manjado da relação amorosa entre um homem e uma mulher. Djavan é, aliás, outro veterano que não envelhece! De todos os cantores da MPB, Djavan é, absolutamente, o que mais soube fazer uso do pop, imprimindo, assim, uma personalidade única e uma áurea incrível dentro da música brasileira -- houve um tempo que, assim como Marisa Monte no universo feminino, ele era o cantor mais copiado de toda a música brasileira (apesar de que só Jorge Vercilo conseguiu, de fato e por completo, se "djavanear" com sucesso). Mas Djavan sempre foi um músico de essência autoral, um compositor de canções por excelência -- um dos mais interpretados compositores da música brasileira, a propósito! Porém, em Ária, Djavan sai de um hiato e deixa seu laboratório particular de canções para se arriscar  apenas à arte da interpretação. Ária é, então, o primeiro álbum de Djavan na condição de intérprete, ou seja, o primeiro álbum seu onde o total de canções que ele interpreta não são suas. A instrumentação é mínima e a voz do cantor é uma beleza à parte: remete-se, quase sempre, ao estilo "banquinho e violão", sendo, no máximo, acompanhado por um contrabaixo acústico e um quite tênue de percussão, o que dá tons jazzísticos a algumas interpretações! Leia uma crítica e uma entrevista de Djavan falando do álbum aqui, no Portal G1.




9 - Céu (2005), de Céu


Céu, assim como Cibelle, é uma das novas cantoras brasileiras que rejeita o cânone que o rótulo "MPB" impõe -- simplesmente pelo fato de ser uma musicista que, apesar de se originar da música brasileira, tem os ouvidos voltados para a música do mundo! No seu disco de estréia, o homônimo Céu (de 2005), a cantora já mostra uma personalidade um tanto iconoclasta, compondo 12 das 15 canções do álbum -- e essa postura de mostrar um ecletismo destilado, com maturidade, só se expandiu em "Vagarosa" (2009) e Caravana Sereia Bloom (2012). Produzido de forma independente, o álbum alcançou rapidamente o reconhecimento em trilhas de novelas da Rede Globo e, a partir de 2007 -- quando foi relançado nos EUA e Europa --, nas listas de canções mais interpretadas da revista americana Billboard. No entanto, apesar do reconhecimento midiático de Céu -- atualmente ainda mais consagrada nos EUA, Europa e Japão do que propriamente no Brasil --, a cantora parece não se adequar ao populário comercial. A crítica a seguir é de Mary Persia para a Folha de São Paulo:"...Calcada na MPB moderna, misturando sons orgânicos a eletrônicos e estilos regionais a samba, rap, jazz e reggae, a cantora concorreu ao Grammy Latino no ano passado (2006) como artista revelação. Não levou o prêmio, mas a indicação fez com que olhares e ouvidos se voltassem para ela..."Mais do que intérprete, Maria do Céu Whitaker Poças é co-autora de 12 das 15 faixas de "CéU". O álbum traz canções como "Vinheta Quebrante", "Lenda", "Malemolência", "Ave Cruz" e "Concrete Jungle", cover de Bob Marley." Leia mais aqui, na Folha. Assista o vídeo abaixo.






10 - Maria Rita (2003), de Maria Rita

Taí um álbum interessante que chegou a vender um milhão de cópias e que foi capaz de fazer com que muitas pessoas voltasse os olhos e os ouvidos para o que vinha acontecendo de novo e de bom na MPB. Filha da legendária cantora Ellis Regina -- considerada, para muitos, a maior cantora brasileira de todos os tempos -- e do influente pianista César Camargo Mariano, Maria Rita, de certo, aprendeu muito com a educação musical que seus pais lhe passaram. Mas foi apenas aos 24 anos que Maria Rita começou sua carreira de cantora. Em 2003, já blindada de recursos de publicidade, lançou o seu álbum homônimo. O combo instrumental usado como base do álbum não poderia ser outro a não ser o piano-trio, combo que seu pai ajudou a popularizar na época do samba-jazz dos anos 60: é um dos mais belos álbuns que une a voz com piano, contrabaixo e bateria -- sendo que, ora ou outra, acompanhados por uma sessão melancólica de cordas, violão, acordeon e quites tênues de percussão. Mas é preciso salientar que álbum Maria Rita não soa como um álbum de samba-jazz passadista. Muito pelo contrário, o álbum tem uma identidade contemporânea que vai do "jazzy" ao "funky", além de um mix de canções que aborda de Milton Nascimento à novos compositores como Marcelo Camelo. ganhou dois Grammys Latino nas categorias de “Melhor Disco de MPB”, “Artista Revelação” e “Melhor Música” por A Festa. Assista o álbum abaixo.

3 comentários:

Adriana Manto disse...

Ola,

Nusss, uma lista primorosa de artistas! Algumas eu nao conhecia, apesar de que cantoras como Céu e Maria Rita já são bem manjadas nessas listas. Mas a sua lista se diferencia pelos comentários ricos e claros. Nossa! Adorei este blog!

Gostaria de deixar aqui uma listinha sim:

Max de Castro - qualquer um dos discos dele
Ed Motta - qualquer um dos discos dele
Cambaio de Chic Buarque
Gosto de alguma coisa da Vanessa da Matta tbm

é isso

Bjos

Leandro Gouveia disse...

Eu tbm colocaria na lista


Max de Castro
Luciana Souza
Vanessa da Matta
Arnaldo Antunes

SENÔ JÚNIOR disse...

Dentre a lista apresentada por Wagner a que não despertou em mim interesse foi Maria Rita. Ela interpreta bem, é afinada mas para mim fica a impressão de que "colou" no estilo da grande Elis, sua mãe, e mesmo sabendo de suas qualidades inquestionáveis eu não consigo porque para mim ela parece cópia da mãe, então fica faltando imprimir sua própria personalidade musical.

Outros Excelentes Sites Informativos (mais sites nas páginas de mídia e links)