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Os músicos de jazz que abocanharam a estatueta do Grammy 2010

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Já está disponível no site oficial do Grammy Award, a íntegra do resultado das nomeações ao tradicional prêmio norte-americano, considerado o "Oscar da música". A entrega dos prêmios para todas as categorias de todos os gêneros musicais -- do pop, passando pelo jazz, world music até a música erudita -- aconteceu na noite do dia 31 de Janeiro, de 2010. Abaixo, alguns comentários e, em seguida, a sequencia de nomeados no gênero Jazz e, em primeiro lugar na ordem de votação, os ganhadores em cada categoria.



Terence Blanchard: o trompetista abocanha sua 5ª estatueta !!!


Na minha análise pessoal, considero o Premio Grammy mais como um reflexo de quais lançamentos e quais músicos e cantores estão sendo valorizados pela crítica e pelo mercado americano, ou seja, esse prêmio não pode ser entendido como uma verdade absoluta ou como um parâmetro fiel ao cenário jazzistico tal como ele esta acontecendo ano após ano, pois é possível encontrar albuns inovadores de artistas que não foram -- ou nunca serão -- contemplados pela mídia. Mas, conforme eu disse na resenha sobre as pedantes listas dos "Melhores da Downbeat, o Grammy me parece mais honesto com o cenário e mais preocupado em mostrar as novidades que estão acontecendo no jazz do que a própria revista Downbeat que, tomada por uma cólera de conservadorismo, prefere valorizar, todos os anos, os mesmos músicos veteranos que fizeram história à 30, 40 e 50 anos atrás e, portanto, já têm um público garantido de fans e admiradores. Na resenha onde eu critico a mesmice nas nomeações anuais da revista Downbeat, eu não só elogiei algumas surpresas que surgiram nas nomeaçõs do Grammy 2010 como também frisei dois albuns de cada categoria -- em 1ª e 2ª opções -- os quais eu gostaria que fossem premiados com a estatueta. Como eu apostei mais nos albuns de músicos jovens que estão ditando os aspectos interessantes no jazz contemporâneo, nem todas as minhas apostas na 1ª opção de preferência foram contempladas: Urbanus do vibrafonista Stefon Harris, um dos meus albuns preferidos de 2009, ficou em segundo lugar, perdendo o troféu para "75" do falecido Joe Zawinul, que foi minha 2ª opção; e o album Esta Plena de Miguel Zenon, por exemplo, não ganhou nenhuma das suas merecidíssimas duas indicações. Já as minhas apostas da 2ª opção, onde levei em consideração os possíveis albuns que poderiam ser os mais votados pelos críticos do Grammy, foram quase todas comtempladas com a estatueta. Clique no link acima e veja as apostas. Abaixo a lista de nomeados em cada categoria, com os respectivos premiados:


Melhor álbum de Jazz Contemporâneo

75
Joe Zawinul & The Zawinul Syndicate
[Heads Up International]




Urbanus
Stefon Harris & Blackout
[Concord Jazz]

Sounding Point
Julian Lage
[Emarcy/Decca]

At World's Edge
Philippe Saisse
[E1 Music]

Big Neighborhood
Mike Stern
[Heads Up International]


Melhor Álbum de Jazz Vocal

Dedicated To You: Kurt Elling Sings The Music Of Coltrane And Hartman
Kurt Elling
[Concord Jazz]



No Regrets
Randy Crawford (& Joe Sample)
[PRA Records]

So In Love
Roberta Gambarini
[Groovin' High/Emarcy]

Tide
Luciana Souza
[Verve]

Desire
Tierney Sutton (Band)
[Telarc Jazz]


Melhor Solo de Improviso

Dancin' 4 Chicken
Terence Blanchard, soloist

Track from: Watts (Jeff "Tain" Watts)
[Dark Key Music]



All Of You
Gerald Clayton, soloist

Track from: Two-Shade
[ArtistShare]

Ms. Garvey, Ms. Garvey
Roy Hargrove, soloist

Track from: Emergence
[Groovin' High/Emarcy]

On Green Dolphin Street
Martial Solal, soloist

Track from: Live At The Village Vanguard
[CamJazz]

Villa Palmeras
Miguel Zenón, soloist

Track from: Esta Plena
[Marsalis Music]


Melhor Album de Jazz: Individual ou Grupo

Five Peace Band - Live
Chick Corea & John McLaughlin Five Peace Band
[Concord Records]




Quartet Live
Gary Burton, Pat Metheny, Steve Swallow & Antonio Sanchez
[Concord Jazz]

Brother To Brother
Clayton Brothers
[ArtistShare]

Remembrance
John Patitucci Trio
[Concord Jazz]

The Bright Mississippi
Allen Toussaint
[Nonesuch]


Melhor Album de Jazz com big band ou orquestra


Book One
New Orleans Jazz Orchestra
[World Village]




Legendary
Bob Florence Limited Edition
[MAMA Records]

Eternal Interlude
John Hollenbeck Large Ensemble
[Sunnyside]

Fun Time
Sammy Nestico And The SWR Big Band
[Hänssler Classic]

Lab 2009
University Of North Texas One O'Clock Lab Band
[North Texas Jazz]


Melhor álbum de Jazz Latino

Juntos Para Siempre
Bebo Valdés And Chucho Valdés
[Sony Music/Calle 54]




Things I Wanted To Do
Chembo Corniel
[Chemboro Records]

Áurea
Geoffrey Keezer
[ArtistShare]

Brazilliance X 4
Claudio Roditi
[Resonance Records]

Esta Plena
Miguel Zenón
[Marsalis Music]


Retrospectiva II: 10 grandes fatos que marcaram o jornalismo jazzístico em 2009

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O ano de 1959 foi o mais simbólico dos anos 50 e um dos mais revolucionários da história do jazz . Consequentemente, a ano de 2009 foi muito representativo e cheio homenagens aos álbuns e aos fatos que fizeram 50 anos de aniversário. (Sim, já temos perspectivas de que 2010 também será simbólico e cheio de homenagens, mas não vamos nos apressar com as perspectivas, né?). Então, aqui discorro acerca de mais uma retrospectiva do ano de 2009, que representou não só o final da primeira década do novo século XXI, mas foi um ano de grandes lançamentos e grandes acontecimentos no meio jazzístico – alguns desses acontecimentos foram bons e, infelizmente, outros foram maus, e para os maus não houve e nem há nada a fazer, a não ser lamentar e deixar que o tempo nos alivie das lembranças.


1- Pra começar, o jazz iniciou o ano de 2009 já de luto com a morte do trompetista Freddie Hubbard em 30 de Dezembro de 2008: em 2007 ficamos felizes quando ele voltou de um longo hiato de sete anos e gravou o disco On the Real Side com o The New Jazz Composers Octet, mas parece que algumas complicações cardíacas não deram a chance do grande trompetista gravar outras pérolas.2 - E por falar em falecimento, tivemos – entre outras más notícias – a infelicidade de ouvir e ler sobre o falecimento do pai do “jazz modal”, o inovador compositor George Russell, em 27 de Julho: no início dos anos 50 ele idealizou e teorizou o uso das escalas modais gregas na harmonia jazzística, o que acabou influenciando Miles Davis no disco Kind of Blue em 1959, um dos maiores clássicos da história do jazz – mas é preciso lembrar que Russell também lançaria o seu clássico Ezz-Thetic, em 1961, disco dissonante também baseado na sua teoria modal The Lydian Chromatic Concept of Tonal Organization. 3 - E por falar em Kind of Blue, 2009 foi o ano do cinquentenário desse tão importante álbum que popularizou o jazz modal e é considerada uma das mais “perfeitas” gravações do jazz: a importância desse disco fez com que a Sony/Columbia lançasse uma caixa de luxo com o livro Kind of Blue (escrito pelo jornalista americano Ashley Khan), com encartes coloridos, com fotos das sessões e, além disso, o álbum também recebeu um sequência de homenagens através de eventos no Lincoln Center e de concertos com a banda do baterista Jimmy Cobb (o último sobrevivente da gravação), que se apresentou em vários clubs americanos – inclusive no grande Jazz at Lincoln Center – e no Brasil, no Bridgestone Festival Music.4 - Por falar em Jazz at Lincoln Center, o todo-poderoso Wynton Marsalis, diretor dessa instituição, assustou toda a imprensa da música ao anunciar seu desligamento da gravadora Blue Note – considerado o mais legendário selo da história do jazz – para lançar e vender seus discos de forma não-tradicional através do selo Orchard, um selo que, como o inovador ArtistShare, atua com a distribuição on-line e com uma forma captação de varejistas não convencional, aderindo à atual mudança de paradigma nos negócios do mercado fonográfico que mudou drasticamente com a chegada da internet ao domínio popular. 5 - Mas, se por um lado a Blue Note perdeu um dos seus maiores vendedores de discos, por outro lado o ano de 2009 foi simbólico e lucrativo por conta do seu 70º aniversário (sim, ¾ de século de existência!): nesse ano a gravadora Blue Note fez uma maratona de concertos na maioria dos principais clubes americanos, fez uma mega-campanha de merchandising com bonés, tênis e camisetas e queimou seu estoque com promoções dos seus principais lançamentos históricos. 6 - Apesar de todo esse poder, tradição e lenda que a gravadora americana exerce sobre o jazz, a grande gravadora ECM, sinônimo de vanguarda e música contemporânea, também não ficou atrás e deu o que falar nas manchetes dos jornais e revistas especializadas em jazz: a gravadora alemã, dirigida pelo mítico produtor Manfred Eicher, fez 50 anos de idade (sim, ½ século de exitência!) – e para comemorar ela lançou uma série de 40 títulos batizada de Touchstones com suas maiores gravações. 7 – O pianista Keith Jarrett, astro maior da ECM, também deu o que falar em 2009: além dos bons lançamentos de 2008 e 2009 (Yesterday e Testament), Keith Jarrett se consagrou como um dos únicos músicos vivos a entrar para o Hall of Fame da Revista Downbeat no final de 2008. 8 – Se por um lado jazzistas bem vivos e vívidos como Wynton Marsalis e Keith Jarrett deram o que falar nas manchetes, por outro lado os mortos reafirmaram seus eternos legados: o cinqüentenário do falecimento da cantora Billie Holiday foi recebido com uma linda estátua em Baltimore e homenagens nos EUA e no mundo todo – inclusive no Brasil, o excelente festival Tudo é Jazz foi dedicado inteiramente à ela. 9 – Duke Ellington, por sua vez, foi definitivamente “canonizado” ao ser representado na moeda de 25 centavos de dólar, após uma votação no distrito de Columbia – trata-se do primeiro negro e primeiro jazzista a receber tal distinção. 10 – Por fim, vale lembrar do cinquentenário do maravilhoso álbum Time Out, de Dave Brubeck, pianista ainda vivo e que recebeu uma pá de homenagens no Jazz at Lincoln Center e se apresentou nos Festivais de Newport e Toronto em homenagem à sua principal criação: o Time Out é, aliás, um dos álbuns mais lendários – o primeiro a vender 1 milhão de cópias – que recebe distinção não só pelas melodias marcantes, mas pelo fato das composições terem sido escritas em compassos impares e inusuais como 5/4, 7/4 e 9/8. Clique nas imagens abaixo para acessar as respectivas matérias dos fatos em blogs, sites e jornais que noticiaram jazz em 2009:

50 anos sem Billie Holiday - G1 Wynton Marsalis deixa Blue Note - ReutersO aniversário da Blue Note - Aqui no Farofa Moderna O aniversário da ECM - Aqui no Farofa ModernaA Morte de George Russell - JazzTimesA Morte de Freddie Hubbard - G1














Duke Ellington em moeda do dólar - Globo.comKind Of Blue - 50th Anniversary - All About Jazz


















Keith Jarrett entra para o Hall of Fame da Downbeat - Clube de Jazz

Que 2010 seja um ano repleto de novidades, bons lançamentos e prosperidade!!!

Feliz Ano Novo!!!

Happy New Year to All!!!




Rashied Ali (Robert Patterson) - 01/07/1935 - 12/08/2009

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Neste última quarta-feira o baterista Rashied Ali faleceu aos 74 anos de idade após uma parada cardíaca, em Manhattan, New York.
Rashied Ali se tornou conhecido como o baterista de John Coltrane em sua chamada Última Fase: a mais radical. Este período foi de 1965 até a morte de Trane em 1967. Rashied coompartilhou a sessão rítmica de Trane ao lado de Elvin Jones na gravação do disco Meditations (1965) e depois substituiu Elvin definitivamente até 1967. Seu estilo se encaixou às novas idéias de Trane, que se aprofundavam numa dimensão mais ampla.
Rashied teve grande influência de Sunny Murray no estilo mais livre, no conceito de Free Jazz de abandono da rigidez de condução rítmica, harmônica. Também era irmão de Muhammad Ali, grande baterista do Free Jazz, que tocou com Frank Wright, Albert Ayler, etc.
Rashied também tocou com inúmeros músicos, como John Zorn, Charles Gayle, Marilyn Crispell, Bill Laswell, Alice Coltrane, Henry Grimes, etc.

site oficial de Rashied Ali:

http://www.rashiedali.org/index.php?id=1



Farofa Moderna: + de 240.000 visitantes em 2 anos

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Ola pessoal, visitantes assíduos do Blog Farofa Moderna, visitantes de primeira viagem, colaboradores, blogs parceiros e afins! Já se vão para dois anos desde a data de cadastro - 1 ano e 9 meses especificamente, considerando a data da primeira postagem - que o Farofa está em funcionamento e, como vocês podem perceber, o display do NeoCounter venceu seu prazo de validade e deixou de aparecer. Mas, a uns 20 dias atrás eu pude reparar que constava em torno de 234.000 visitas: como o nosso blog recebe no mínimo 400 visitas por dia, então, se o diplay estivesse funcionando, agora constaria acima de 242.000 - chutando bem baixo e redondo (isso sem contar que eu coloquei o medidor de visitas alguns meses depois que comecei a postar; mas, esse número, se não é correto, já vale como uma estimativa, pois na verdade o número exato de visitas é bem maior). Bom, agora, as estimativas de visitas estará a cargo do FreeCounter, um contador ( bem comum em blogs e sites) que vocês poderão ter acesso na sessão "Visitantes", do lado esquerdo do blog, onde também aparece os numeros de visitantes de outros países.

Enfim, quero lembrar que eu criei a conta no Blogger no final de 2006 e passei a postar em Abril de 2007 já com o nome "Farofa Moderna". A intenção inicial do blog era apenas disponibilizar alguns downloads e resenhas sobre músicos e discos variados: mais propriamente downloads de discos que não fossem tão acessíveis quanto os clássicos. No entanto, com o decorrer do tempo, vimos a necessidade de nos tornarmos mais informativos, mais ricos, mais abrangente e mais dinâmicos, pois já existem muitos blogs de download por aí, além dos programas p2p que disponibilizam discos diversos. Por isso que passamos a dar ênfase em mostrar informações, resenhas, entrevistas, podcasts temáticos, debates e opiniões em troca dos downloads. Hoje, enfim, podemos dizer que nosso blog tem um "valor informativo" considerável que soma-se aos esforços de outros blogs interessantes e ricos de informações como Jazzman!, MPB&Jazz, SoJazz, Jazzseen, Jazzigo, CJUB Jazz & Bossa, Br-Instrumental, Jazz & Rock, Loronix, Blues Everyday e Blog da Ava, só para citar alguns que eu visito com uma certa frequência. Também já tivemos nossas resenhas publicadas em outros sites como o Maritaca, tivemos reconhecimendo de sites especializados em cultura como o Digestivo Cultural e o Portal Cotonete, parcerias frutíferas como as parcerias Farofa Moderna/ Site Quinta Avenida e Farofa Moderna/ Blog Jazzman! e o nossos links já estão espalhados por uma quantidade considerável de sites e blogs pela net. Contudo, também quero enfatizar que não estou querendo dizer que o Farofa Moderna é "top" e nem é a nossa intenção torná-lo mais "popular" do que outros blogs de Jazz - até porque, além do Farofa Moderna ter apenas dois anos de cadastro no blogger, há assuntos que abordamos (como Free Jazz, World Music, Música Experimental) os quais não são da preferência da maioria das pessoas que navegam pela blogosfera brasileira -, mas se o blog está sendo reconhecido pelos visitantes e por outros sites e blogs interessantes, isso quer dizer que nosso trabalho de difusão cultural está sendo feito com amor e está sendo bem feito, ainda que nos faltam tempo devido a correria do dia-a-dia. Nossa intenção, no entanto, continuará sendo esse compartilhamento de idéias, informações, discos e opiniões, prezando por mostrar tanto o tradicional quanto o moderno, tanto o jazz quanto a música brasileira, tanto o "mainstrean" quanto a "vanguarda", tanto a informação quanto a opinião, e assim por diante. Obrigado a todos colaboradores que me ajudam a manter o blog (Rubens Akira, Leonardo Alcântara (Jazzman), Daniel Argentino, Mr Butterfly) , a todos às pessoas que nos visitam, a todos blogs parceiros que mostram nossos links (Jazzseen, Loronix, MPB&Jazz, Sonorica, Blog da Ava e etc) e a todos os "colaboradores indiretos" que nos mandam links para download, fotos, e-mails e afins! Feliz 2009 a todos!!!


Vagner Pitta.

Entrevista Exclusiva: Ithamara Koorax

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Por Leonardo Alcântara (JazzMan!)
Fotos: Fernanda Melonio

Eleita pela Revista DownBeat como a terceira melhor cantora de Jazz do mundo em 2008, a brasileira Ithamara Koorax é um dos nomes mais importantes da atual cena jazzística mundial. Sua criatividade, aliada a uma técnica vocal ímpar, faz com que Ithamara seja reconhecida no exterior, rendendo-lhe críticas positivas, prêmios e convites para cantar nos mais importantes palcos e festivais espalhados pelo mundo.

Uma semana antes dessa entrevista a fotojornalista Fernanda Melonio e eu tivemos a oportunidade de prestigiar os primeiros shows de sua turnê brasileira, que começou no início de 2009  no Mistura Fina, em Ipanema. Acompanhada de uma super banda que mesclava novos músicos (Jorge Pescara (baixo) e Rodrigo Lima (guitarra)) e veteranos influentes (José Roberto Bertrami (teclados), Haroldo Jobim (bateria) e Paulo Fernando Marcondes Ferraz (percussão)), Ithamara impressionou um Mistura Fina lotado com sua potente técnica vocal e sua comovente interpretação para um repertório diversificado. Seja cantando clássicos brasileiros (Desafinado e O Pato), ou standards americanos (My Favorite Things e The Shadow of Your Smile), Ithamara entrava e saía muito bem nas mais variadas vertentes, mostrando ao público a característica principal de sua obra: a versatilidade. Simpática e atenciosa com uma platéia calorosa, Ithamara deixou sua marca, provando que a escolha da revista DownBeat não é mero acontecimento, mas a confirmação e o reconhecimento a uma cantora em puro momento de inspiração e criatividade.

Fotos do show:
Ithamara KooraxIthamara Koorax & Rodrigo LimaPaulo Fernando Marcondes FerrazIthamara Koorax & Jorge Pescara
Ithamara Koorax & bandaIthamara KooraxIthamara KooraxIthamara Koorax & banda

Depois, a turnê segue para Curitiba, Belém, São Paulo, Ásia e Europa. Antes disso, Ithamara generosamente nos concedeu uma bela entrevista, onde comenta sobre os pontos principais de sua carreira.

JazzMan!: Você acaba de ser eleita a 3ª melhor cantora de jazz do mundo pela revista DownBeat. Mas sua obra é marcada pela diversidade: seu repertório pode agradar tanto aos fãs de Jazz, quanto aos de Lounge/Eletrônico, Smooth Jazz, Bossa, Samba e outros. Como você lida com o rótulo de cantora de Jazz e como define seu trabalho?

Ithamara Koorax: Lido bem com este rótulo e com qualquer outro, porque eu não me importo com rótulos. Defino meu trabalho como "música universal", aberta a todas as influências. Meus detratores (brasileiros, claro) dizem que eu me auto-rotulei como cantora de jazz, mas isso jamais aconteceu. Este carimbo veio primeiro da crítica japonesa, quando lancei o "Rio Vermelho" em 1995 e o disco chegou ao 10º lugar em vendas na parada de jazz da revista "Swing Journal", com o Frank Sinatra em 11º. E se consolidou depois que o "Serenade in Blue" foi lançado no mercado americano em 2000.

De qualquer modo, ser rotulada como "jazz singer" pela comunidade jazzística internacional é, obviamente, um grande elogio. Me sinto lisonjeada quando sou reconhecida não apenas pelos leitores das revistas, mas também por críticos como Ira Gitler, Scott Yanow, Thom Jurek, Fred Bouchard e Frank-John Hadley. Aliás, não coincidentemente, eles são mais do que críticos, são considerados os cinco maiores historiadores de jazz na atualidade, escreveram livros importantes. E todos, exceto o Jurek, que é editor do All Music Guide, escrevem para a DownBeat. Ira Gitler é co-autor, ao lado do falecido Leonard Feather, da famosa série de "Enciclopédias do Jazz" que são a referência máxima no assunto e se apaixonou pelo meu trabalho em 2002, tanto que aceitou escrever o texto do livreto do CD "Love Dance". Yanow acaba de lançar o livro "The Jazz Singers: The Ultimate Guide", no qual me incluiu entre as melhores cantoras de jazz de todos os tempos, tendo deixado de fora nomes como Norah Jones, Joni Mitchell, Esther Phillips, Madeleine Peyroux e a espetacular Rachelle Ferrell. Não vou entrar numa ego-trip por causa disso, mas é claro que fico feliz.

JM: Alguns audioblogs disponibilizam seus cds para download de graça. Em um deles, o “Música da Boa”, há vários álbuns de sua discografia para baixar. Uma das postagens corresponde ao download do álbum Brazilian Butterfly (2006), onde você deixou uma mensagem de parabéns para o autor do blog e não se incomodou. Enquanto cantora, como você avalia o compartilhamento de suas músicas na internet: ajuda ou atrapalha?

IK: Eu acho que ajuda. A pessoa que gostar mesmo tende a comprar o disco ou pelo menos a ir ver algum show. Mas fico preocupada com o lance dos direitos autorais, porque os compositores não podem viver de brisa.

JM: Em julho de 2003 você teve a oportunidade de se apresentar no programa de Fausto Silva, na Rede Globo. Muitos criticam o programa e o rotulam de "povão" por mostrar atrações de forte apelo popular, mas sua apresentação mostrou um outro lado: você manteve o Ibope do programa crescente cantando músicas como "Cristal", "Mas Que Nada", "The Shadow of Your Smile", além de improvisar para uma platéia calorosa e impressionada por sua potência vocal. Você acredita que isso é uma prova de que esse papo de que o povo não quer ouvir coisas diferentes é mito e que o problema está na difusão e não nas pessoas?

IK: Claro que é isso! Você já explicou tudo! Eu fui convidada para cantar no Faustão logo depois de ter assinado com a Som Livre para lançar o "Love Dance" no Brasil em 2003. Pediram que eu preparasse duas músicas ("Cristal" e "Iluminada", por terem sido temas de novelas) e disseram que havia a possibilidade de uma terceira música, "Aquarela do Brasil", porque o Fausto tinha gostado da minha gravação e queria aproveitar para fazer uma homenagem ao Ary Barroso. Mas esta terceira música só aconteceria se o Ibope não caísse. Pois bem: não só o Ibope não caiu, como subiu e não parou de subir. Fiquei no ar por quase 20 minutos e o programa se manteve como líder de audiência o tempo todo, batendo o Gugu, que era o grande concorrente naquela época. Tudo inteiramente ao vivo e sem ensaio! E sem playback. Levei minha banda e tocamos o que o Faustão ia pedindo.

Teve uma hora em que, depois do Caçulinha me elogiar, o Fausto começou a dizer: "olha só o agudo dela, parece sintetizador". E pediu para que eu improvisasse alguns efeitos a capela. Ele disse literalmente: "se vira nos 30"! Eu me diverti muito naquela tarde, o CD "Serenade in Blue" esgotou no Brasil todo (o "Love Dance" ainda não tinha sido lançado), e depois do programa a direção da Globo me homenageou com um jantar.

A parte chata da história foi que minha presença no programa gerou muita inveja, recebi quase uma centena de e-mails desaforados (enviados, claro, pelos "anônimos" sempre covardes) e muitos comentários negativos foram postados na internet. Precisei até tomar providências jurídicas quando os insultos atingiram o nível de difamação. Teve um músico de São Paulo, que a perícia conseguiu identificar, que me mandou um e-mail como se fosse o Jorge Benjor, usando o endereço de e-mail dele. Na mensagem ele me acusava de ter assassinado o "Mas Que Nada" e pedia que eu nunca mais cantasse a música. Veja a que ponto a coisa chegou! Isso eu acho lamentável e tristíssimo, porque alguém que se pretende artista ficar falando mal de colega de trabalho na internet é o fim da picada.

Outro dia eu li, num blog horroroso, que eu só era conhecida nos Estados Unidos pelos "japoneses endinheirados" (!!!) e que só fazia shows em cruzeiros. Logo eu que nunca cantei em navio! E se cantasse também não teria nada demais, porque até o Herbie Hancock e o Marcus Miller tocam em cruzeiros.

JM: Na lista das melhores cantoras do mundo da revista Downbeat, elaborada por seus leitores, você figura logo atrás de Dianna Krall e Cassandra Wilson. As duas são da geração dos Young Lions, composta por músicos surgidos nos anos 80 e 90 com a proposta de valorizar as tradições jazzísticas e que custa a absorver inovações. Mas trabalhos como Love Dance e Brazilian Butterfly são totalmente diferentes dessa proposta. Como você conseguiu vencer nesse mercado?

IK: Justamente por conta da tal "imprevisibilidade", que também significa criatividade. Paradoxalmente, demorei muito mais a entrar no mercado americano pela mesma razão, pois é um mercado realmente mais "protecionista".

A mesma coisa aconteceu com a Flora Purim. Ela morava nos EUA desde 1968, excursionava pela Europa com o Stan Getz, tinha gravado em Londres com o Chick Corea ("Light As A Feather"), mas só despontou na cena jazzística americana em 1974, quando chegou ao primeiro lugar na eleição dos leitores da DownBeat ao lançar um disco nos EUA, o "Butterfly Dreams". Ela venceu por cinco anos seguidos, até 1978, numa época em que as grandes divas, como Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Carmen McRae e Betty Carter, ainda estavam vivas e cantando uma barbaridade. Mas a Flora chegou com uma sonoridade inovadora, totalmente diferente daquele scat-singing de bebop, e foi isso que chamou a atenção.

Entre 1990 e 2000, eu só atuava na Ásia e na Europa, onde também estabeleci um nome na área da dance-music. Mas apenas ao lançar o "Serenade in Blue" nos EUA, em 2000, foi que as portas do mercado americano começaram a se abrir. Mesmo assim, é claro que a popularidade da Diana Krall, a quem eu admiro muito, é mil vezes maior que a minha.

JM: A exemplo de Flora Purim e Tânia Maria, você saiu do Brasil para fazer a sua carreira, conquistando o mercado americano, europeu e japonês, sendo muito elogiada por público e crítica e colhendo prêmios por seus trabalhos. Mas no Brasil muitos não sabem disso. Suas músicas já foram trilhas de novelas e filmes aqui, mas raramente são executadas nas rádios, mesmo tendo em seu repertório músicas que podem ser radiofônicas. De alguma maneira isso a incomoda? Conquistar o mercado brasileiro é um de seus desafios?

IK: Várias vezes eu tive, no Brasil, a sensação de ser "invisível". Mas não é culpa minha nem do público, que lota todos os meus shows se souber que aquele show está acontecendo. A superlotação que você viu duas noites seguidas no Mistura Fina não é novidade alguma. Eu canto no Mistura desde 1990, meu primeiro ano de carreira profissional. E todas as temporadas são um sucesso de público. Sempre rolam os pedidos de shows extras e eu já fiquei até três semanas em cartaz. Este ano isso só não vai acontecer no Mistura porque eu já tinha me comprometido em levar o show para o Bar do Tom.

Você é testemunha ocular da forma calorosa como a platéia me trata, interage, canta junto. Eu AMO fazer shows, Principalmente no Brasil. Em 2005, eu fiz uma temporada de três meses no Sofitel. Em 2006, foram quatro meses seguidos de casa lotada! Só que nem sempre a imprensa noticia isso. Mas eu costumo viajar bastante pelo Brasil. Vou de Rio Branco (Acre) a Ipatinga (Minas Gerais), de Teresina (Piauí) a Sorocaba (São Paulo), sempre com casa cheia. Eu sou um fenômeno! (rssss)

Meu desafio não é conquistar nada, é apenas levar o meu canto ao maior número possível de lugares, no mundo todo. E o Brasil faz parte do mundo. Como eu mantenho sempre o mesmo padrão de qualidade, sempre dou ao público o melhor de mim, tenho o mesmo prazer em cantar em Zurique ou em Nova Iorque ou em Belém do Pará.

JM: Você já cantou e gravou com grandes gênios da música. Podemos citar verdadeiros inovadores como Tom Jobim, Claus Ogerman, Dom Um Romão, Elizeth Cardoso, John McLaughlin e muitos outros. De onde vem essa facilidade de tocar com tantos nomes de peso? Ainda há alguém com quem você queira fazer uma parceria?

IK: Todos esses encontros aconteceram naturalmente. Quando você ama muito a obra de um artista, estabelece-se uma conexão espiritual e um dia o encontro físico se realiza.

Eu ouvia Elizeth Cardoso desde a minha infância, foi a minha primeira cantora favorita porque meus pais tinham vários discos dela. Um dia eu fui a São Paulo fazer um show, com Guinga e Paulo Cesar Pinheiro, e quem estava na platéia? Elizeth! Até aí tudo bem, ela podia nem ter gostado do meu estilo. Mas no final do show ela pediu para subir ao palco e ficou uns cinco minutos me elogiando. Eu não acreditava que aquilo estava acontecendo! Depois eu a convidei para assistir um outro show no Rio e ela virou minha madrinha artística.

O Tom Jobim ouviu meu primeiro CD, "Ao Vivo", vencedor do Prêmio Sharp em 1994, porque ganhou um exemplar de presente da irmã dele. O disco tinha umas três ou quatro músicas do Tom e ele gostou tanto que um dia me ligou e falou: "Do próximo disco eu quero participar". Achei que ele tinha sido gentil ao falar aquilo, mas resolvi arriscar e o convidei quando comecei a fazer o "Rio Vermelho". Ele aceitou de imediato e gravamos algumas músicas em outubro de 1994. Somente uma entrou no disco, as outras gravações permancem inéditas. Mas uma das músicas era "Absolut Lee", que eu regravei depois para a trilha da novela "Celebridade" em 2003.

Dom Um eu conheci em 1991, em Nova Iorque, e depois nos reencontramos em 1996, quando ele foi assistir a um show meu com o Azymuth. No final, foi até a beira do palco me cumprimentar, beijou as minhas mãos e disse: "precisamos fazer um som juntos!" Tenho isso filmado! E tocamos pelo mundo todo até 2005. O McLaughlin e o Ron Carter eu conheci através do Luiz Bonfá, que foi meu vizinho na Barra da Tijuca por dez anos. Ele foi um pai musical para mim.

Com o Claus, o Sadao Watanabe e o Larry Coryell também fluiu de uma forma espontânea. Talvez a única exceção tenha sido o Jay Berliner, que foi guitarrista do Charles Mingus. Eu sempre fui apaixonada por discos dele com o Milt Jackson ("Sunflower") e com o George Benson ("White Rabbit"), e resolvi convida-lo para participar do "Serenade in Blue". Ele não sabia quem eu era, mas gostou dos discos que eu mandei e aceitou gravar. Também não posso deixar de falar do Dave Brubeck, que é um grande amigo e me apadrinhou na comunidade jazzística americana porque é muito influente. Além de gênio, é o gentleman dos gentlemen. Tocar e conviver com esses mestres é mais importante do que qualquer prêmio.

JM: No seu show, fiquei muito comovido com a maneira que você se entrega no palco. Estavas tão simpática, bonita, elegante... Se expressava das mais diversas formas, seja triste ou alegre, como se ali não estivesse apenas uma Ithamara. Quem é a Ithamara Koorax no palco? Quem são essas Ithamaras que há dentro de você quando está cantando?

IK: É a mesma Ithamara Koorax do dia-a-dia, sujeita a diferentes emoções e que se expressa de várias maneiras, mas é sempre a mesma pessoa, dentro ou fora do palco. Durante o dia tem momentos em que você está reflexiva, em outros mais agitada, em outros mais emocionada ou com a sensualidade mais aflorada. Tudo isso vai automaticamente para o palco na hora do show. Eu não controlo nem disfarço minhas emoções. Uma vez, durante um show em Seul, na Coréia, em 2006, o público me acolheu de uma forma tão carinhosa, rolou uma empatia tão grande, que eu e a platéia choramos juntos, e terminei o show aos prantos, de tanta felicidade. Num concerto com a Orquestra Jazz Sinfônica, em São Paulo, em 2005, eu também não segurei o choro quando dediquei "Mas Que Nada" ao Dom Um Romão, que tinha acabado de falecer. Parecia que ele estava ao meu lado no palco, cantei arrepiada o tempo inteiro. Este vídeo alguém até colocou no YouTube. Em dezembro último, o concerto em Nova Iorque ao lado da big-band Amazon, do Maestro Thiago de Mello, celebrando os 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU, também foi emoção pura.

JM: Para finalizar: você teve um ano maravilhoso em 2008 e estará gravando um novo álbum em abril. Pode adiantar alguma coisa de como será 2009?

IK: Eu tento me planejar o mínimo possível, gosto das coisas fluindo naturalmente. Tanto que, embora eu esteja com dois discos recém-lançados (os tributos a Dom Um Romão e Stellinha Egg), os shows no Mistura Fina não tiveram nenhuma ligação com eles. Bolei um show totalmente diferente, incluindo apenas quatro músicas de discos antigos, como "The Shadow of Your Smile", "Un Homme et Une Femme", "I Fall in Love Too Easily" e "Mas Que Nada", e temas que eu adoro mas que ainda não gravei.

O repertório do próximo disco será escolhido pelo público brasileiro, durante esta turnê. As pessoas recebem uma cartela e escolhem cinco músicas que gostariam que eu gravasse.

Depois dos shows no Rio, sigo para Curitiba, Belém e São Paulo. Depois, Ásia e Europa. Volto no final de abril para gravar o disco no Brasil e aí começo um novo ciclo. Tenho encomendas de músicas para outros artistas e para trilhas de filmes. O prazer de poder me reinventar, sem depender da autorização de gravadora ou permissão de empresário, é indescritível. A liberdade é o maior tesouro! JM

Freddie Hubbard morre...1938 - 2008

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Morre a lenda do jazz Freddie Hubbard, um dos trompetistas mais importantes e versáteis de sua geração.

Por Leonardo Alcântara

No final de 2007, mais precisamente na véspera de Natal, fomos surpreendidos com a notícia da morte do nosso querido Oscar Peterson. Nesta última segunda-feira (29), no final de mais um ano, outro jazzista genial nos deixa: após sofrer um ataque cardíaco, o trompetista Freddie Hubbard morre aos 70 anos de idade.

Segundo seu empresário, o também trompetista David Weiss, do New Jazz Composers Octet, Hubbard morreu no Sherman Oaks Hospital, no noroeste de Los Angeles. Ele havia sido hospitalizado no dia 26 de novembro.

Nas últimas semanas, aconteceram diversos rumores sobre o estado de saúde de Hubbard. O diário Washington City e o site JazzTimes publicaram notícias que davam conta de que o trompetista havia sofrido um ataque cardíaco e entrado em coma.

2008: O renascimento e o fim de Hubbard

Em junho de 2008, os fãs de jazz foram presenteados com o álbum On the Real Side (70th Birthday Celebration), que celebrava os 70 anos de carreira do trompetista e marcava a sua volta às gravações, o que não acontecia desde o álbum New Colors (2001) devido ao seu estado de saúde. Acompanhado do The New Jazz Composers Octet, Hubbard revigorou o seu repertório regular, sendo elogiado por público e crítica especializada.

Hubbard foi conhecido por sua versatilidade. Tocou com os principais nomes, como Thelonious Monk, Miles Davis, Cannonball Adderley e Coltrane, além de ter participado das principais transformações do jazz durante seus 50 anos de carreira. A revista DownBeat descreve-o como tendo uma sonoridade que combinava a técnica de Clifford Brown, a bravura de Lee Morgan e a sensibilidade de Miles Davis. Sua obra inspirou diversas gerações de músicos, que admiraram o seu estilo exuberante de tocar.

“Ele influenciou todos os trompetistas que vieram depois dele”, disse Marsalis. “Certamente eu ouvi muito do seu trabalho... Todos nós o ouvíamos. Ele tem esse som alto, um grande senso de ritmo e tempo e a grande marca do seu estilo é uma exuberância. Sua técnica é exuberante”.

Hubbard, obrigado por tudo! JM

"The night has a thousand eyes" (Berna, 1989)

Johnny Griffin (24/04/1928 - 25/07/2008) - O "Pequeno Gigante"

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John Arnold Griffin III nasceu em Chicago, Illinois, E.U.A.. Estudou na DuSable Highschool começando no clarinete, oboé e depois sax alto, tocando por um curto período na Orquestra de Lionel Hampton, antes de mudar definifitivamente para o sax tenor. Também tocou com Arnett Cobb e aos 15 anos com T- Bone Walker. Tocou com grandes músicos do Jazz, como Wynton Kelly, Curly Russell, Max Roach, John Coltrane, Hank Mobley, Paul Chambers, Philly Joe Jones, Eddie "Lockjaw" Davis, Sonny Clark e no famoso Jazz Messengers de Art Blakey por alguns meses em 1957 e o sexteto e quarteto de Thelonious Monk em 1958. Na Europa, também gravou com Wes Montgomery em 1965, de 1967 à 1969 fez parte da Kenny Clarke-Francy Bolland Big Band, em 1970 no Festival de Montreux com o Dizzy Gillespie Big 7. No fim dos anos 70, sua Big Band contava com: Nat Adderley, Derek Watkins, Art Farmer, Slide Hampton, Jiggs Whigham, Herb Geller, Wilton Gaynair, Stan Getz, Gerry Mulligan, Rita Reys, Jean "Toots" Thielemans, Niels-Henning Ørsted Pedersen, Grady Tate, e Quincy Jones como arranjador. Em 1978 gravou com o quinteto de Nat Adderley.
Viveu na França por 24 anos. Faleceu sexta-feira, dia 25 de Julho de 2008.


Johnny Griffin Quintet feat. Art Taylor on drums 1960

Freddie Hubbard renasce...

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Freddie Hubbard, um dos maiores trompetistas da história do Jazz lança o disco On the Real Side em junho de 2008, retornando após um hiato de 7 anos, desde sua participação no disco New Colors (2001) lançado pelo New Jazz Composers Octet, do arranjador David Weiss. A sua triste decisão de parar aconteceu em 1992, quando foi acometido de uma lesão no tecido do lábio superior: devido sua trajetória ser marcada por grandes colaborações, apresentações esporádicas e convites para grandes festivais, o esforço lhe causou danos ao lábio, fazendo com que as performances fossem cada vez mais limitadas. Mas foi graças a David Weiss que Freddie Hubbard não adotou de todo a idéia de parar definitivamente. Apesar de não ter lançado discos em todos esses anos, o trompetista passou a se apresentar freqüentemente junto ao New Jazz Composers Octet, sendo encorajado por David Weiss que salientou a importância do músico como o maior nome do trompete na década de 60, bem como a importância das suas realizações e seu impacto que acabou influenciando músicos das gerações posteriores como os trompetistas Woody Shaw e Wynton Marsalis.

Freedie Hubbard é considerado o maior dos trompetistas da década de 60 justamente porque foi o mais requisitado pelos mais variados músicos, participando tanto da fundação do Free Jazz como de importantíssimas gravações do Jazz Modal e Post-Bop: participou dos legendários discos “Free Jazz” de Ornette Coleman e “Ascension” de John Coltrane; além de participar de outros discos importantíssimos como “Out to Lunch” de Eric Dolphy, “Blues and the Abstract Truth” de Oliver Nelson, “Maiden Voyage” e “Empyrean Isles” de Herbie Hancock , “Speak No Evil” de Wayne Shorter e “Drums Unlimited” de Max Roach.. Antes disso, o seu início de carreira já tinha ocorrido em grande estilo junto ao guitarrista Wess Montgomery em Indiana, sua cidade. Assim, em 1958 ele chega em Nova Iorque onde começa a colaborar com grandes nomes como Sonny Rollins, J.J. Johnson e Quincy Jones, atua como a mais nova estrela do Art Blakey's Jazz Messengeres e passa a colaborar também com o início do Free Jazz em 1960. Já a sua trajeória como líder não é tão marcante quanto suas colaborações, mas Hubbard lançou vários bons discos os quais não podem faltar na estante de um colecionador: destaque para Open Sesamen (1960), Hub-Tones (1962), Blues Spirits (1965), Red Clay (1970), dentre outros que marcaram o sua estadia pelos selos Blue Note, CTI e Columbia.

Freddie Hubbard lança o seu disco On the Real Side de 2008 onde atua junto ao New Jazz Composers Octet, com participações de trombonista Steve Davis e o baixista Dwayne Burno. O disco vem com alguns clássicos rearranjados de Hubbard como “SkyDive,” “Gibraltar,” “Life Flight,” e “Up Jumped Spring e a inédita “On the Real Side,” com o guitarrista convidado Russell Malone. Enfim, esse disco representa não só o retorno de Hubbard, mas também seu aniversário de 70 anos. Devido seus problemas com o lábio e sua idade avançada, o Hubbard que se ouve nesse disco não é aquele que se ouvia nos anos 60. No entanto sua performance, que antes era por demais enérgica e improvisativa, pode compensar em expressividade e os arranjos podem ser interessantes, tendo o flugelhorn como a melhor opção para mostrar o lado mais intimista.


J.T. Meirelles, o Rei do Samba-Jazz

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Um dos maiores saxofonistas brasileiros, J.T. Meirelles, como era conhecido, iniciou sua carreira bem jovem colaborando com arranjos para Jorge Ben Jor no seu sucesso "Mas que Nada". Foi com o sucesso dos arranjos que Meirelles pôde iniciar sua carreira de líder: ele acabaou recrutando um conjunto que viria a batizar Os Copa 5, composto por músicos de alto calibre, todos ligados à bossa nova: Luiz Carlos Vinhas, Dom Um Romão, Manoel Gusmão e Pedro Paulo. Foi a formação que criou o conciso "O Som" (64), com seis clássicos instrumentais de Meirelles. Esse foi um de seus poucos discos que marcou o seu pioneirismo e sua contribuição à formação da nossa música instrmental, pela qual J.T é considerado por muitos o "pai" do Samba-Jazz ou, como prefere dizer alguns, um dos maiores precursores do Brazilian Jazz.

Apesar de ter trabalhado toda a sua vida com a música, J.T Meirelles se imortalizou, justamente, através do seu álbum "o Som" de 1964. Poucos álbuns podem ser creditados como marcos iniciais exatos deste ou daquele gênero. Mas já parece haver um consenso que este O Som, disco de estréia do grupo Meirelles & Os Copa 5, é a "pedra de Rosetta" do samba-jazz, fusão da fluidez jazzistica com o drive ritmico do samba - um som único, elegante, juntando o melhor de dois mundos. E que - também por ser filho indireto da bossa nova - transformou-se em um dos estilos de música brasileira mais apreciados mundo afora. Em grande parte, por causa deste disco. O álbum, gravado em 1964, reúne o saxofonista J.T.Meirelles com um quarteto de literais monstros: Manuel Gusmão (baixo), Luiz Carlos Vinhas (piano), Dom Um Romão (bateria) e Pedro Paulo (trompete). Sua edição original, com seis faixas, tornou-se um dos mais cultuados álbuns de jazz dos anos 60. J.T. Meirelles morreu de complicações no estômago, terça-feira, dia 4 de junho de 2008, aos 67 anos.




Quanto à sua tragetória, Meirelles não seguiu em proporção ao legado de seus poucos discos. Depois de ter lançado "O Som" em 1964 e "O novo Som" em 1965, J.T. Meirelles seguiu sem grandes perspectivas na carreira de solista. Daí em diante, o saxofonista foi diretor artístico da gravadora EMI-Odeon em 1969 e , a partir do início da década de 70, atuou como músico de big bands, professor, arranjador e produtor musical. Assim, apesar de ter dedicado toda a sua vida à música, o saxofonista não acreditava que a profissão de músico e nem que a Musica Instrumental pudesse ser bem reconhecida no Brasil, chegando até a vender seu saxofone na década de 90 para estudar informática. Foi através desse ceticismo que Meirelles também ficou sem compor desde meados da década de 60 até 2000. A sua volta como líder e compositor se dá justamente nessa época em que pôde perceber que havia uma nova geração de fãz de Música Instrumental Brasileira e, mais propriamente, fãs de Samba-Jazz. Se não fosse pela iniciativa do compositor e produtor Ronaldo Bastos que, através do seu selo Dubas, relançou "O Som" e lançou obras inéditas do saxofonista como "Samba-Jazz" (2003) e "Esquema Novo" (2005), talvez J.T. Meirelles continuasse a ficar fadado ao esquecimento, sendo cultuado apenas pelos amigos de seu tempo no Beco das Garrafas e alguns poucos colecionadores de Música Instrumental Brasileira. Entre as influências desse grande músico estão saxtenoristas Stan Getz, Sonny Rollins e Johnny Griffin. Entre os grandes músicos que receberam suas instruções estão Mauro Senise, Zé Nogueira, Raul Mascarenhas e Nilson da Matta, entre outros.


Congo Square - mais uma obra-prima de Wynton Marsalis

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Wynton Marsalis é incansável, um verdadeiro gigante do jazz que, na altura dos seus 47 anos e com quase 30 anos de colaborações sem paralelos para o estilo, pode ser hoje considerado não só o maior bandleader, trompetista e compositor, mas um dos maiores realizadores do Jazz de todos os tempos ao lado de músicos como Duke Ellington e Miles Davis. A obra e vida de Wynton é, na verdade, de uma grandeza sem paralelos na atualidade, tanto pela representatividade quanto pelas criações originais que trazem um estilo todo próprio, exótico e com uma vivacidade fora de série, sendo que é impossível, até mesmo para os que não se indetificam com a postura conservadora do trompetista, não admirar alguns dos seus inúmeros trabalhos: trata-se de uma vasta discografia que faz um profundo exame do jazz partindo de estilos pré-jazz como o Cakewalk, Gospel, Spirituals, Blues, Ragtime passando pelo Swing, Bebop, com uma acentuada indentificação com o Hard Bop de Miles e, por fim, acaba por aportar no moderno Neo-Bop, enfatiza o Free Jazz de Ornette Coleman e traz uma enérgica união com a Música Erudita. Então, vê-se porque Wynton Marsalis se tornou o músico mais versátil e mais influente no que diz respeito às novas gerações e suas buscas incenssantes pela preservação do idioma: é impossível imaginar o Jazz nessas últimas décadas sem Wynton Marsalis que, com uma forte personalidade musical, impunhou uma verdadeira revolução em prol da preservação da indentidade jazzística, descobrindo dezenas de músicos durante esses anos e sendo responsável por aquilo que os críticos chamaram de Renascimento do Jazz.





Para se ter uma idéia, só em 1999 Wynton lançou 9 discos consecutivos, com uma diversificação de estilos que iam de releituras à peças para balé moderno, de composições próprias à peças eruditas e trabalhos com orquestras e sua big band, a Lincoln Center Jazz Orchetra. Foi o ano mais prolíficuo do trompetista. No entanto, os anos seguintes não tiveram o mesmo desempenho - com ressalvas para 2001 que marcou o lançamento do documentário Jazz - A Film By Ken Burns (do qual foi consultor) e de 2002 ano de lançamento da sua genial obra-prima All Rise - Wynton foi afetado pela mundança de etiqueta: após mais de 20 anos na Columbia, a Blue Note passaria a ser seu novo lar a partir de 2003. É desse ano, inclusive, um dos trabalhos mais fracos de toda sua carreira: o disco The Magic Hour, no qual Wynton volta a tocar com um quarteto, mas sem aquela vivacidade esperada e presenciada em seus combos anteriores. Mas um músico com a inquietude e poder de Wynton não sai de cena assim tão facilmente: o trompetista seguiu ameno até que em 2007 ele lança seu segundo disco pela Blue Note, o excelente e, como se não bastasse, polêmico " From The Plantation To The Penitentiary", voltando, assim, ao seu habitual costume de lançar verdadeiros petardos sonoros, mostrando ser uma fonte inesgotável de bons discos e gigantes realizações dentro do Jazz Contemporâneo.


Em 2008, logo no início do ano, Wynton lança um trabalho excitante dentro da sua filosofia de revalorização das tradições afro-americanas. Trata-se de um trabalho que já está sendo cultuado até nos meios especializados da chamada World Music, já que, nesse novo lançamento, a sua habitual ousadia conservadora e composicional o levou a compor e realizar mais um trabalho magnífico, marcado pela interação do grupo africano Odadaa ! do ganês Yacub Addy com sua big band, a Lincoln Center Jazz Orchestra. o título do CD e DVD é Congo Square e, como o próprio nome diz, traz um exame musical da famosa praça Congo Square de New Orleans, onde os negros do século IXX e início do século XX se reuniam para executar seus cânticos e suas tradições aos domingos, quanto, então, ficavam livres do trabalho. Congo Square foi o local do sul onde mais possivelmente poderiam ter nascido os primeiros embriões do jazz e onde toda a cultura musical americana teria surgido, pois era um local onde os negros tinham liberdade de expressarem sua música, sua dança, bem como mostrar o que eles aprendiam através do contato com a cultura dos brancos: a praça, inclusive, passou a ser uma atração turística em New Orleans, onde era possível ver inúmeros rituais, danças, batucadas, instrumentos e cânticos provenientes da África, bem como a música Yoruba com rituais do Voodoo e aspectos da cultura Daomeana, entre outros elementos nativos africanos.


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Enfim, Congo Square é mais um trabalho fantástico de Wynton Marsalis que traz as origens da música norte-americana para a atualidade, mesclando a tradição com o moderno num trabalho de muito frescor e fervorosidade. Este projeto faz parte da atual atenção e ativismo de Wynton Marsalis quanto à reconstrução de New Orleans que foi totalmente devastada e destruída pelo Furacão Katrina em 2005: Wynton e Yacub Addy viram a importância de compor “Congo Square” para o Jazz at Lincoln Center após a passagem do furacão Katrina por Nova Orleans. “Congo Square” estreou lá em abril de 2006, em um palco ao ar livre construído no “Louis Armstrong Park” (onde fica a praça Congo Square) ; o DVD foi filmado no Montreal Jazz Festival em 2007. Uma obra de muitos cânticos e tambores africanos, com a interação de um dos maiores compositores e uma das maiores orquestras da atualidade e da história do Jazz.O disco foi lançado pelo selo Shanachie Entertainment.

Outros Excelentes Sites Informativos (mais sites nas páginas de mídia e links)