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Obrigado Esperanza por nos reacender a Esperança!!!



Em 1983, o trompetista Wynton Marsalis, na época com 22 anos, espantou o mundo com seu talento ao ser o primeiro artista -- e o único até hoje -- a ganhar duas estatuetas do Prêmio Grammy em gêneros musicais diferentes: uma de melhor solista de jazz, através dos seus modernos e estonteantes improvisos no álbum Think of One, e a outra de melhor solista de música erudita, vide seu primeiro álbum como concertista ao lado do maestro Raymond Leppard e a National Philharmonic Orchestra -- era, enfim, o início da carreira de um dos músicos mais fantásticos de todos os tempos, um dos principais compositores norte-americanos, uma personalidade que foi o principal responsável pelo fênomeno chamado como "Renascimento do Jazz" diante do protagonismo da nova "pop culture" nos anos 80 e 90. Após 28 anos, agora em 2011 -- quando o jazz já está a muito reestabelecido como uma forma de arte viva e contemporânea --, a criativa cantora e contrabaixista Esperanza Spalding, de 26 anos, também acaba de espantar o mundo ao ser a primeira jazzista a ganhar a estatueta do Grammy na categoria Melhor Artista Revelação (Best New Artist) -- e o acontecimento foi um espanto porque, além dela ter sido o primeiro nome da história do jazz a ganhar nesta categoria, mesmo sendo totalmente desconhecida no mundo pop e glamouroso do Grammy, ela desbancou  ninguem menos que o famosíssimo cantor teen Justin Bieber, que antes tido como o único favorito pelas especulações da mídia e mercado, agora teve que se contentar apenas com os protestos dos seus fãs lhe apoiando no mundo todo. Isto é, de tempos em tempos uma dessas premiações midiáticas surpreende o mundo ao decidir fazer justiça em prol unicamente do talento, da renovação, da inovação e da criavidade na música enquanto arte, deixando de lado o modismo, o engodo pelas atitudes e pôses exibicionistas, a canção para dança de entretenimento, e todos os outros pastiches do pop, elementos esses que, especialmente neste gênero, deixam a criatividade musical em último plano e o lucro comercial em primeiro. Mas tá certo, galera...convenhamos que a arte já foi padronizada pela mídia e mercado como sendo algo para poucos, e que não é de hoje que o entretenimento é necessariamente produzido em massa, algo que se tornou necessário para a humanidade capitalista: o pop precisa, sim, de garotas e garotos bonitinhos e descolados -- assim mesmo como é Justin Bieber --, garotos que inspirem sensualidade e modismos, bem como a juventude precisa de uma trilha sonora para cantar, dançar e fazer sexo, né mesmo?! Mas o que nunca podia ter acontecido na história é esse desequilíbrio exarcebado, o fato da música de entretenimento dominar os 80% de espaço artístico na mídia e mercado, enquanto as formas de música que realmente prezam pela arte ficam com as fatias dos 20% restante -- e ainda acho que estou sendo um tanto otimista nesta minha estimativa hipotética, pois, se assim mesmo for, aqui no Brasil a porcentagem em prol da música de entretenimento chega a 90%, enquanto outras as estéticas musicais que prezam por uma música mais elaborada, como a MPB, a música erudita e a música instrumental, acabam dividindo os 10% restantes...ou seja, o fato é que ainda não somos um país sofisticado e nem um país rico, somos um país em desenvolvimento que soterra nossa própria cultura e importa a música de entrenimento dos EUA e Europa, o que quer dizer, também, que somos um país ainda mais pobre quando o assunto é educação e divulgação cultural. Trazendo, portanto, a crítica para a situação do Brasil em termos de cultura, é necessário escancarar que se a música erudita, o jazz -- a música instrumental, como um todo -- são um tanto elitistas por aqui, isso é porque são eles próprios, as poderosas instituições e empresas da mídia e mercado, que os desprezam, os escanteiam e os tornam elitistas: enquanto os canais midiáticos divulga de forma massificada o pop americano para toda a população, visando unicamente o lucro e pisoteando o seu dever de levar arte e cultura às pessoas -- e, claro, fazendo com que até os artistas nacionais sejam obrigados a copiar as fórmulas de sucesso desse pop internacional, já que eles próprios são seus produtores, financiadores e patrocinadores --, talentosos e criativos artistas ligados à MPB e música instrumental têm de se contentar com aquele minúsculo público formado por pessoas que correm atrás da arte por iniciativa própria -- e ninguém precisa ser um sociólogo para constatar que esse minúsculo público é, geralmente, formado por uma pequenina parte da elite (classe média e classe alta) que recebeu educação o suficiente para se tornar capaz de não apenas comprar informação, mas de diferenciar arte de entretenimento e de pagar caro por ela: ou seja, afora o caso de quando o governo (via SESC, SESI, CCSP, Festival Tudo é Jazz e etc) financia turnês de jazzistas, por exemplo, não é todo cidadão brasileiro que pode tirar R$ 50, R$ 80, R$ 120 ou R$ 200 do seu salário para prestigiar a performance de uma Esperanza Spalding, uma Diana Krall, um Wynton Marsalis ou um Keith Jarrett nos grandes palcos privados, leia-se CitiBank Hall, Credicard Hall e todos esses "halls" chiquérrimos que as grandes empresas e bancos instalam nas metrópoles para usar como marketing e merchandising. É aquela coisa: nos EUA, os bairros e ruas das grandes cidades ainda abrigam clubes de jazz e espaços alternativos de performances musicais onde muitos dos maiores jazzistas e improvisadores se apresentam todos os dias; no Brasil, o número de bares e espaços que valorizam o jazz e a música instrumental brasileira é patético; e o brasileiro que quiser aprecisar um músico consagrado é obrigado a esperar uma agenda anual e ainda pagar um valor que não condiz com sua situação econômica.


 Mas, voltando ao Grammy 2011, a polêmica premiação de Esperanza Spalding diante do favoritismo do cantor adolescente Justin Bieber só confirmou o quanto a mídia e o mercado hipnotiza e "desinforma" a juventude com a visão de que para um artista ser aclamado ele deve ser, necessariamente, famoso como Justin Bieber e polêmico como Amy Winehouse  -- não importa tanto se ele é talentoso e criativo, não importa se seu trabalho tem valor artístico; o que importa é se ele está na midia todos os dias, pois o que vende revista e jornal são as picuinhas e não a música em si! Não fosse assim, muitos músicos de jazz já teriam sido escolhidos na categoria Melhor Artista Revelação e a premiação de Esperanza não seria, então, uma surpresa, e muito menos um fato histório e polêmico: ora, só para mensurar aqui o tamanho da polêmica, é preciso lembrar que os fãs de Justin Bieber não apenas defenderam o suposto merecimento do seu ídolo -- como seria de direito --, mas começaram a disparar inúmeros insultos contra a jazz singer pelas redes sociais -- leia-se Twitter, Orkut, Facebook e afins --, chegando até a invadir perfil dela no Wikipédia para denegrí-la com xingamentos do tipo "Justin Bieber merecia, vá morrer em um buraco. Quem afinal é você?" Na verdade, já faz um tempo que Esperanza Spalding não é totalmente desconhecida -- assim como as chamadas "divas" do jazz, tais como as veteranas Diana Krall e Cassandra Wilson, as quais tem considerável fama e trânsito nas colunas e holofotes dos maiores jornais, revistas e canais de TV --, pois já é desde seu segundo álbum, o homônimo "Esperanza" (Heads Up, 2008), que ela segue muito bem relacionada na mídia americana: não fosse essa "desinformação" das pessoas -- principalmente da juventude --, que é algo exorbitantemente estarrecedor (!), essa galerinha de adolescentes que lhe insultaram teria considerado, por exemplo, que nos últimos anos ela tem sido regularmante convidada de uma pá de programas de TV famosos tais como o The Late Show (de David Letterman, na CBS) e o Jimmy Kimmel Live (de Jimmy Kimmel, na ABC), além de ter participado do show que celebrou a entrega do prêmio Nobel da Paz ao presidente Barack Obama, sendo convidada uma segunda vez para tocar na Casa Branca em uma recente celebração que o presidente fez às artes americanas.  Mas enfim...embora as cantoras de jazz americanas tenham essa tradicional possibilidade de se tornarem famosas e ganharem muito mais dinheiro do que seus amigos instrumentistas, Esperanza Spalding tem caminhado na direção da fama de uma forma muito mais sincera, autêntica e original que suas compatriotas:  diferentemente da mobilidade e ecleticidade entre o jazz e aquele pop meio "soft" visto no estilo de uma Diana Krall, ela é uma jazzista e compositora autêntica que promove unicamente seu próprio repertório e estilo, desprezando as tentadoras possibilidades de incluir material alheio, fazendo covers de canções pop ou standards tarimbados para se promover e/ou para alcançar um público maior -- sem contar que suas canções, regadas a influências do soul, pop e música brasileira, são preponderantemente jazzísticas, acusticamente bem instrumentadas e bem antenadas com os grooves, os improvisos e as roupagens desse "modern post-bop" atual, esse "novo" jazz que está a acontecer neste início de século, ou seja, se ela não diz expressamente através de palavras, ela faz questão de deixar claro que o som que ela faz é jazz e ponto final.  Seu último álbum, Chamber Music Society (Heads Up, 2010) -- que curiosamente nao esteve nominado em nenhuma das categorias do Grammy --, é ainda mais original e ousado que o anterior: um trabalho primoroso de composição e arranjo com scats vocais e quarteto de cordas. Por tudo isso e muito mais, obrigado Esperanza por mostrar ao mundo, no Grammy 2011, o valor do talento de um músico e o valor dessa verdadeira " American art form" que é o jazz!!! Obrigado Esperanza por nos reacender a Esperança:  sua vitória foi  um recado para que a mídia e o mercado valorizem mais o músico de talento e, quem sabe, isso não venha ajudar a mudar essa mentalidade pobre de que só o artista pop e famoso tem o direito de ser aclamado, independente se ele tenha uma educação musical apurada ou não!!!


3 comentários:

pituco disse...

grande pitta,

pelo carisma dessa moça talentosa e bonita, concordo contigo...há uma garotada muito esperta(no melhor sentido mesmo)chegando pra dar seu recado...

tentei reserva pro blue note tokyo, pra ontem, e não consegui...e olha que já sou veterano do local...bom, espero pelo booking do ano que vem...

abraçsons

Vagner Pitta disse...

...poxa legal Pituco! Fiquei sabendo que o Blue Note Tokio só recebe a nata do jazz!!! A Esperanza já foi? Recentemente eu assisti um video do Kenny Garrett lá no BN Tokio...destruidor!!!


Bem...virei fã da Esperanza...vejo nela um estilo muito original...


Aliás de cantoras de toda a história do jazz só gosto de algumas poucas como Jeanne Lee, Abbey Lincoln, Cassandra Wilson e, agora, Esperanza Spalding...ou seja, sou meio "frescurento": gosto das mais originais!!!


Abração, amigo Pituco!!!

albinocj disse...

Ela é muito boa mesmo, principalmente por cantar e tocar contrabaixo ao mesmo tempo. Algo que é para poucos. Posso estar escrevendo besteira, mas creio que o sucesso dela deriva muito dessa sua singularidade: mulher vocalista + lindo cabelo afro + contrabaixo. Enfim, vejo talento, mas também um certo fetichismo.

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