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Improvisação Livre: novos sites, novos circuitos, novas gravações e o surgimento de um cenário de improvisadores!!!

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Como eu bem cheguei a revelar em um dos nossos recentes programas de podcast (vide a seção de RADIO & PODCAST  no topo do blog), a arte da livre improvisação vem ganhando novos interessados no Brasil -- principalmente em São Paulo, Porto Alegre e Recife. Pois bem, está no ar o Improviso Livre um novo site especializado na arte da improvisação livre -- talvez um dos primeiros e únicos portais informativos do gênero. A iniciativa é dos improvisadores Diego Dias e Gustavo Muccillo Alves, músicos de Porto Alegre e membros da banda JamaisFomosModernos.


O Improviso Livre fala da cena de músicos sulistas, mas não só. Por intermédio de verdadeiros intercâmbios -- seja através de discussões no Facebook ou através de visitas a São Paulo -- Diego e Gustavo também tem incluído no site os acontecimentos do cenário paulista e paulistano: apresentações de novos improvisadores do Circuito de Improvisação Livre de São Paulo, lançamento de discos, shows e afins. O site também traz resenhas sobre os grandes álbuns que marcam a recente história da improvisação livre, abordando criadores como Evan Parker, Peter Broztmann, John Zorn e seus similares. Confira clicando na imagens ao lado, do legendário álbum Topography of the Lungs!!!


Também, está acontecendo um movimento bem interessante formado por músicos que atuam com a livre improvisação aqui em São Paulo. Trata-se do Circuito de Improvisação Livre, com site também no ar, o SP Impro. O circuito se dá através da produção e realização de performances de Improvisação Livre, viabilizando espaços de interação musical aos interessados nesta arte. O Projeto em andamento preza pelo desenvolvimento de um grupo de trabalho que atua no exercício e na divulgação da arte da Improvisação Livre, tendo, além de apresentações espalhadas por casas e clubes da cidade, encontros regulares no Tendal da Lapa (sala5 - todas as quintas feiras), na Rua Guaicurus, 1.100 - Lapa - São Paulo. Clique na imagem abaixo para acessar e ficar por dentro dos concertos!!!

Masada em São Paulo: A Cusparada ao estilo "Klezmer a La Zorn"!!!

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Existem algumas coisas negativas que acontecem em shows de jazz que não são exclusividade brasileira, mas aqui, num país onde as pessoas costumam ver Kenny G como um ícone do jazz -- e é por isso que colei aqui o álbum paródico Kenny G meets John Zorn, do poeta Kenneth Goldsmith e do compositor de música eletroacústica Jonathan Zorn --, essas coisas acontecem da forma mais fanfarrona e bizarra possível. Enfim..., esses shows de jazz e livre improvisação estão cheios de pessoas medíocres e esnobes que só vão para exibir seu status e sua aparência nerd, cool, geek, hype e indie, mas que nem sabe os nomes dos músicos que vão ouvir, quando mais o que é jazz  ou o que é improvisação livre, ou seja, estão naquele ambiente mais como um exercício de se manterem "descolados" e não como um amante da arte. Quer dizer..., nada contra as pessoas exibirem sua aparência cada um ao seu gosto, mas isso não faz delas humanos especiais, concordam? E também faço uma ressalva para aquelas pessoas que vão ao show justamente para entrar em contato com algo que ela não conhece -- isso já é uma busca ousada. O problema é que existem os medíocres. O problema é que, além de existirem os medíocres tímidos, também existem os medíocres espalhafatosos, a grande maioria dentro desta espécie de gente. Quem já leu um pouco das biografias de músicos de jazz já sabe quais os tratamentos que alguns músicos davam a determinados tipos de público. Miles Davis tocava virado de costas para o público branco racista e preconceituoso. Keith Jarrett é capaz de abandonar um concerto no ato se ele cismar que o piano não está legal ou que o público não está se comportando de forma educada. Agora, pergunto: e John Zorn, talvez o mais "subversivo" dos últimos grandes criadores musicais, o que é capaz de fazer se tiver algum descontentamento com o público? Bem...sigamos e veremos à frente:

O DJ Christian Marclay na The Wire...

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Eis aí uma grata coincidência: recentemente, entre os meses de julho e agosto, dediquei um post para o artista plástico, performer e artista de audiovisual Christian Marcley, também um mestre da improvisação livre com toca discos, arte que, em inglês, é denominada como turntablism, e a aclamada revista inglesa The Wire -- que trata de toda espécie de música aventurosa e ousada, indo do pop ao avant-garde -- também dedicou sua edição de Setembro/Outubro ao grande artista. Para quem leu o post e gostou, ou para quem já conhecia a arte de Marclay e para quem já assina a revista ou pretende assiná-la, fica aí mais uma chamativa para curtir as dicas que este blog oferece semanalmente, incluindo dicas provenientes de outros sites, blogs, revistas e etc -- sem falsas modéstias ou sem querer ser pretencioso, acredito que coincidências como estas só evidenciam duas coisas: ou que somos bem afinados e antenados com os mais importantes editoriais de música ou que os editores deles também estão visitando este blog, o que demonstra que nosso ofício neste espaço tem alguma relevância.  Para quem não pode assinar a revista, leia o post: clique na tag abaixo e acesse a matéria sobre este grande artista. Caso queira saber de outras publicações midiáticas, clique no menú MÍDIA e veja os principais holofotes que falam sobre jazz, avant-garde e música erudita contemporânea.  Estaremos sempre antenados com a maioria dos grandes canais nacionais e internacionais que falem sobre música instrumental contemporânea num âmbito ousado e geral: do instrumental brasileiro, passando pelo jazz e improvisação livre até a música erudita contemporânea!

O Dossiê sobre a História do Jazz na Revista História Viva

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A revista História Viva integra conteúdo brasileiro ao material da consagrada revista Historia (Editora Duetto), fenômeno editorial francês que conquistou o mundo com textos escritos por autores consagrados, abordagem diferenciada, qualidade e profundidade. Publicada mensalmente, História Viva é voltada aos interessados em conhecer e entender os acontecimentos que mais marcaram a história, seus desdobramentos no tempo e seus vínculos com a atualidade. A História Viva do mês de junho traz um interessante "dossiê" sobre a história do jazz: a reportagem vai da sua origem, ainda no século 19, até os desdobramentos do jazz moderno, além de uma sucinta, porém abrangente, biografia do trompetista Louis Armstrong e dicas de DVDs, documentários e etc. No fim do século XIX, o caldeirão de culturas que era o sul dos Estados Unidos deu origem a uma música única, própria do Novo Mundo, onde a tradição erudita europeia foi reprocessada pelas tradições africanas e o formalismo foi substituído pela improvisação e pela criação coletiva. A reportagem, mais ou menos no mesmo caráter documental das séries do Ken Burns, tem a pretensão de explicar como o jazz libertou os arranjos do cânone erudito, abriu caminho para o triunfo da música popular e deu origem à contracultura do século XX. Considerando a falta de material escrito e palpável sobre a história do jazz no Brasil, podemos considerar essa edição da História Viva como uma grata surpresa. Porém, aviso aos jazzófilos mais antenados: assim como o documentário de Ken Burns, o material não avança muito para o importante legado das vanguardas pós anos 60 e, muito menos, engloba o jazz contemporâneo -- e nesse caso a justificativa é óbvia: trata-se de uma revista de história. Para saber mais de outras publicações midiátiacas relacionadas ao jazz, acesse a nossa página MÍDIA no topo do blog. Para quem estiver interessando, passe numa banca de jornal ou clique na foto para acessar o site de compra on-line.

Momentos Memoráveis no Festival Tudo é Jazz, de Ouro Preto

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Os amantes de jazz mais antenados sabem que há anos que o veterano jornalista Luiz Orlando Carneiro mantém uma coluna primorosa sobre jazz no prestigiado jornal carioca Jornal do Brasil -- uma raridade no nosso mercado editorial brasileiro, um fato que, aliás, serve de modelo para outros jornais, revistas e canais midiáticos que segregam e desprezam o jazz e a música instrumental brasileira (alguém aqui ja viu alguma coluna permanente de música instrumental em algum dos grandes jornais ou revistas, sem considerar os míseros pingados que, muito raramente, eles os disponibilizam em 1/4 de página ou em rodapés dos editoriais de "artes e espetáculos"?). Mas nem tudo está -- ou esteve -- perdido: em sua já legendária coluna, Luiz Orlando tece resenhas sobre lançamentos de álbuns e livros, reedições de clássicos e sobre festivais de jazz e música instrumental brasileira. Até meados de 2009, a coluna de Luiz Orlando Carneiro também podia ser lida no jornal sobre economia e negócios Gazeta Mercantil, aqui em são Paulo -- já que este também pertencia ao mesmo grupo proprietário que administra o JB. Com o agravamento da crise financeira proporcionada pelo impacto da internet sobre o mercado editorial -- um fenomeno mundial sofrido até mesmo pelos maiores jornais e revistas do mundo como, por exemplo, a Newsweek e o New York Times --, a Gazeta Mercantil interrompeu sua publicação escrita em 2009 e o Jornal do Brasil acaba de deixar o papel de lado para fundar sua versão totamente virtual e on line, podendo esse ser um marco na internet brasileira. Agora -- e por enquanto -- o jornal pode pode ser lido inteiramente gratuito na versão digital ou baixado para a versão PDF: inclusive a coluna de Luiz Orlando Carneiro, publicada no Caderno B.



Pois bem, conforme postado aqui na página principal do blog -- e mantido na nossa sessão de EVENTOS --, acabou de acontecer a 9ª edição do grande festival mineiro Tudo é Jazz, de Ouro Preto. Como tem sido de praxe, a cada edição anual o Tudo é Jazz chama uma troupe grandiosa de estrelas do jazz contemporâneo para homenagear os mestres do jazz: e, claro, em alguns casos a homenagem foi mais simbólica, pois os novos músicos foram mesmo  pra apresentar suas facetas, seus estilos e características, como se esperava. Esse ano, o mestre escolhido foi o icônico trompetista Louis Armstrong. Estiveram presentes alguns dos maiores nomes do jazz moderno e contemporâneo, de todos estilos: entre eles, Claudio Roditi, Eldar Djangirov (piano), Joshua Redman (sax tenor), Regina Carter, John Faddis (trompete), Jon Hendricks (vocal), Linda Oh (contrabaixo) Anat Cohen, Avishai (trompete), Yuval Cohen (sax soprano), Aaron Goldberg (piano), Greg Hutchinson (bateria), Matt Penman (baixo), entre outros. O jornalista Luiz Orlando Carneiro, à convite da produção, esteve lá para cobrir o evento e documentar seus mehores momentos. A matéria sobre o festival saiu nas páginas 16 e 17 do JB desta segunda-feira, dia 20. Clique nas imagens para acessar a matéria em versão PDF.

Os músicos de jazz que abocanharam a estatueta do Grammy 2010

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Já está disponível no site oficial do Grammy Award, a íntegra do resultado das nomeações ao tradicional prêmio norte-americano, considerado o "Oscar da música". A entrega dos prêmios para todas as categorias de todos os gêneros musicais -- do pop, passando pelo jazz, world music até a música erudita -- aconteceu na noite do dia 31 de Janeiro, de 2010. Abaixo, alguns comentários e, em seguida, a sequencia de nomeados no gênero Jazz e, em primeiro lugar na ordem de votação, os ganhadores em cada categoria.



Terence Blanchard: o trompetista abocanha sua 5ª estatueta !!!


Na minha análise pessoal, considero o Premio Grammy mais como um reflexo de quais lançamentos e quais músicos e cantores estão sendo valorizados pela crítica e pelo mercado americano, ou seja, esse prêmio não pode ser entendido como uma verdade absoluta ou como um parâmetro fiel ao cenário jazzistico tal como ele esta acontecendo ano após ano, pois é possível encontrar albuns inovadores de artistas que não foram -- ou nunca serão -- contemplados pela mídia. Mas, conforme eu disse na resenha sobre as pedantes listas dos "Melhores da Downbeat, o Grammy me parece mais honesto com o cenário e mais preocupado em mostrar as novidades que estão acontecendo no jazz do que a própria revista Downbeat que, tomada por uma cólera de conservadorismo, prefere valorizar, todos os anos, os mesmos músicos veteranos que fizeram história à 30, 40 e 50 anos atrás e, portanto, já têm um público garantido de fans e admiradores. Na resenha onde eu critico a mesmice nas nomeações anuais da revista Downbeat, eu não só elogiei algumas surpresas que surgiram nas nomeaçõs do Grammy 2010 como também frisei dois albuns de cada categoria -- em 1ª e 2ª opções -- os quais eu gostaria que fossem premiados com a estatueta. Como eu apostei mais nos albuns de músicos jovens que estão ditando os aspectos interessantes no jazz contemporâneo, nem todas as minhas apostas na 1ª opção de preferência foram contempladas: Urbanus do vibrafonista Stefon Harris, um dos meus albuns preferidos de 2009, ficou em segundo lugar, perdendo o troféu para "75" do falecido Joe Zawinul, que foi minha 2ª opção; e o album Esta Plena de Miguel Zenon, por exemplo, não ganhou nenhuma das suas merecidíssimas duas indicações. Já as minhas apostas da 2ª opção, onde levei em consideração os possíveis albuns que poderiam ser os mais votados pelos críticos do Grammy, foram quase todas comtempladas com a estatueta. Clique no link acima e veja as apostas. Abaixo a lista de nomeados em cada categoria, com os respectivos premiados:


Melhor álbum de Jazz Contemporâneo

75
Joe Zawinul & The Zawinul Syndicate
[Heads Up International]




Urbanus
Stefon Harris & Blackout
[Concord Jazz]

Sounding Point
Julian Lage
[Emarcy/Decca]

At World's Edge
Philippe Saisse
[E1 Music]

Big Neighborhood
Mike Stern
[Heads Up International]


Melhor Álbum de Jazz Vocal

Dedicated To You: Kurt Elling Sings The Music Of Coltrane And Hartman
Kurt Elling
[Concord Jazz]



No Regrets
Randy Crawford (& Joe Sample)
[PRA Records]

So In Love
Roberta Gambarini
[Groovin' High/Emarcy]

Tide
Luciana Souza
[Verve]

Desire
Tierney Sutton (Band)
[Telarc Jazz]


Melhor Solo de Improviso

Dancin' 4 Chicken
Terence Blanchard, soloist

Track from: Watts (Jeff "Tain" Watts)
[Dark Key Music]



All Of You
Gerald Clayton, soloist

Track from: Two-Shade
[ArtistShare]

Ms. Garvey, Ms. Garvey
Roy Hargrove, soloist

Track from: Emergence
[Groovin' High/Emarcy]

On Green Dolphin Street
Martial Solal, soloist

Track from: Live At The Village Vanguard
[CamJazz]

Villa Palmeras
Miguel Zenón, soloist

Track from: Esta Plena
[Marsalis Music]


Melhor Album de Jazz: Individual ou Grupo

Five Peace Band - Live
Chick Corea & John McLaughlin Five Peace Band
[Concord Records]




Quartet Live
Gary Burton, Pat Metheny, Steve Swallow & Antonio Sanchez
[Concord Jazz]

Brother To Brother
Clayton Brothers
[ArtistShare]

Remembrance
John Patitucci Trio
[Concord Jazz]

The Bright Mississippi
Allen Toussaint
[Nonesuch]


Melhor Album de Jazz com big band ou orquestra


Book One
New Orleans Jazz Orchestra
[World Village]




Legendary
Bob Florence Limited Edition
[MAMA Records]

Eternal Interlude
John Hollenbeck Large Ensemble
[Sunnyside]

Fun Time
Sammy Nestico And The SWR Big Band
[Hänssler Classic]

Lab 2009
University Of North Texas One O'Clock Lab Band
[North Texas Jazz]


Melhor álbum de Jazz Latino

Juntos Para Siempre
Bebo Valdés And Chucho Valdés
[Sony Music/Calle 54]




Things I Wanted To Do
Chembo Corniel
[Chemboro Records]

Áurea
Geoffrey Keezer
[ArtistShare]

Brazilliance X 4
Claudio Roditi
[Resonance Records]

Esta Plena
Miguel Zenón
[Marsalis Music]


A mesmice nas eleições anuais da Downbeat e as surpresas do Grammy 2009 !!!

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Sonny Rollins
O Blog Farofa Moderna nunca foi dado a listas e, desde sempre, seguiu um padrão de amostragem iconoclasta, imparcial e, de certo modo, eclético dentro dos limites do jazz e da música instrumental brasileira: por isso, então, podemos criticar ou elogiar, sem medo de encargos de consciência, essas listas, matérias e prêmios que aparecem por aí na mídia do jazz -- na web, na mídia editorial e afins. Sendo assim, cá vamos nós analisar o cenário de 2009 numa breve e crítica resenha, considerando algumas das mais esperadas listas e rankings anuais especializados em Jazz: as votações da TODA PODEROSA REVISTA DOWNBEAT -- pelos críticos e leitores da mesma -- e as nomeações no Grammy de 2009 no gênero Jazz. E a questão é a seguinte: basta uma rápida olhadela em tais listas para se concluir que o Grammy Award está mais preocupado em mostrar -- ao público fiel -- artistas novos com novas facetas e novas idéias do que a própria revista Downbeat, que é proclamada a "Bíblia do Jazz". Ora, convenhamos que mesmice não combina com o espírito do jazz! Portanto, também é preciso convir que a revista Downbeat ultimamente não tem apresentado novidades plausíveis em sua lista anual de vencedores: nomes como Sonny Rollins, Pat Metheny, Bill Frisell, Keith Jarrett, Herbie Hancock, Wayne Shorter, Wynton Marsalis, Dave Douglas, Joe Lovano, Chick Corea, Herbie Hancock e até Maria Schneider -- dentre outros -- já se tornaram constantes nas primeiras colocações das categorias principais nesses últimos anos (para não dizer nessas últimas décadas), enquanto músicos geniais que surgiram mais recentemente -- e que estão fazendo a diferênça no quesito "inovação" -- ficam amargando por vários anos seguidos na categoria "Rising Star" ou, seja, na categoria "músico revelação do ano", sem contar os músicos e projetos que são injustiçados e nem aparecem na lista da revista.


Wayne ShorterNão que veteranos como Wayne Shorter e Wynton Marsalis, por exemplo, não mereçem estar no topo do referido ranking ou não estão lançando trabalhos inovadores -- Marsalis por exemplo lança dois ou três trabalhos por ano e há sempre um com uma temática inédita (como o seu último disco He and She, onde ele faz um mix de poesia falada com jazz de forma elegante e despretenciosa), e o último quarteto de Wayne Shorter, a despeito do seu sopro já debilitado, tem sido uma banda ainda muito elogiada --, mas o fato é que seria mais saudável se tivesse uma lista mais rotativa, que apresentasse novas opções de músicos e que sinalizasse uma evolução mais efetiva quanto às gerações do jazz e sua própria linguagem, do que ter listas que enfatizam sempre os mesmos nomes. Aliás, o que fica evidente é o puxassaquismo do críticos, jornalistas e fotógrafos que participam da votação anual da revista: por a maioria deles serem veteranos, o que dá pra concluir é que eles valorizam e superestimam músicos igualmentes veteranos ano após ano e votação após votação, deixando amargar na categoria "Rising Stars" músicos mais novos como o pianista Vijay Iyer, o vibrafonista Stefon Harris, o contrabaixista Avishai Cohen, o guitarrista Kurt Rosenwinkel e o pianista Uri Caine -- só que qualquer apreciador de jazz sabe que esses músicos, mesmo sendo alguns de idade jovem, já não são mais "revelações" no sentido estrito e artístico do termo, pois todos eles já estão lançando bons trabalhos no mercado desde início dos anos 2000 e, alguns deles, desde meados dos anos 90 (como é caso do compositor e tecladista Uri Caine e do subestimado contrabaixista Avishai Cohen, que também é um grande compositor). Aliás por que Uri Caine já amarga por vários anos na categoria Rising Stars e a Maria Schneider já é consagrada como grande arranjadora e compositora, sendo que Uri começou sua carreira solo, essa cheio de boas novidades, na mesma época que Maria (no início dos anos 90)? São perguntas que encucam e que não querem calar.


Maria Schneider
Ok, vamos ressalvar que a bandleader Maria Schneider foi, sem dúvida, merecedora dos seguidos primeiros lugares -- em big band, composição e arranjo --, os quais conseguiu ganhar no ranking da revista nesta primeira década do século 21, pois poucos bandleaders puderam ser elogiados como ela por um trabalho tão refinado com uma orquestra, onde a cada lançamento novos arranjos e composições apareceram! Mas o que Don Byron está fazendo no primeiro lugar do ranking de melhores clarinetistas do ano de 2009, sendo que ele nem lançou trabalhos novos de 2006 para cá? Por que Sonny Rollins está pela enésima vez no topo como melhor artista do ano, o segundo melhor saxofonista tenor e com o melhor lançamento, Road Shows, Vol. 1, sendo que os trabalhos mais interessantes e mais bem comentados de 2008 e 2009 tem sido, por exemplo, os discos Back East e Compass do saxtenorista Joshua Redman? Qual o motivo do Wayne Shorter estar todo ano no topo da lista na categoria de melhor sax sopranista ou tenorista do ano, sendo que todos nós sabemos que nesses últimos anos ele já não apresenta boas performances devido ao avanço da idade? Wayne Shorter, por ser um dos mais influentes veteranos do jazz, é um ícone insubstituível no ranking? Por que gravadoras menores e excelentes como Palmetto Records, Criss Cross Records, Nonesuch e Delmark não ganha as primeiras colocações? Quais os critérios que justificam músicos veteranos ficarem tanto tempo no topo da lista, enquanto músicos que não são mais revelações amargam na categoria "Rising Stars"? Enfim, basta dar uma olhada na lista de 2006, por exemplo, para ver que a maioria dos primeiros lugares são os mesmos -- e a coisa não mudou muito em 2007, 2008 e agora em 2009.


Geoffrey KeezerMas nem tudo está perdido. A grande novidade na votação dos críticos da Downbeat neste ano foi na categoria Discos Histórico: quem ganhou foi o box histórico The Complete Arista Recordings, o qual documenta a fase mais fértil e reveladora da carreira do saxofonista Anthony Braxton nos anos 70. Já a votação dos leitores, que costuma levar o gosto pessoal em primeiro plano e/ou é muito influenciada pela manjada votação dos críticos, apresentou apenas duas novidades: o recente falecido trompetista Freddie Hubbard entrou para o Hall of Fame e o saxofonista-alto Kenny Garrett voltou a figurar no topo do ranking após algum tempo desaparecido da mídia.

Quanto aos indicados e ganhadores no Grammy de 2009, apesar do teor mercadológico que já estigmatizou o prêmio em alguns anos, me parece que neste ano de 2009 as escolhas foram mais diversificadas e menos apegadas ao fator mercadológico, propriamente dito. A lista valoriza trabalhos excelentes de gravadoras menores e artistas pouco comerciais, que geralmente não são e nem foram bem valorizados pela Downbeat em 2009 ou que nem apareceram na referida lista da revista: por exemplo, o disco "Áurea" do subestimado pianista Geoffrey Keezer que foi indicado para a categoria Melhor Álbum de Jazz Latino foi uma das surpresas; o interessante "Urbanus" de Stefon Harris pode ser um dos favoritos para levar o troféu na categoria de Melhor Álbum de Jazz Contemporâneo; o pouco conhecido pianista de New Orleans Allen Toussaint teve seu disco "Bright Mississipi" indicado na categoria Melhor Álbum Instrumental (Individual ou Grupo); e, pra finalizar os exemplos, gostei de ver o disco "My One and a Only Thrill", da cantora-revelação Melody Gardott, indicado na categoria Melhor Arranjo Vocal para acompanhamento de Vocalistas -- realmente esse é um dos melhores discos de jazz vocal de 2009 no quesito de arranjo e sofisticação
.


A votação pelos críticos da Downbeat em 2009 com 1º e 2º lugares. Entre parenteses estão os vencedores da categoria "Revelação" (Edição: Agosto)

Hall of Fame - Hank Jones, Oscar Pettiford e Tadd Dameron
Artista do Ano - Sonny Rollins - Joe Lovano ( Rudresh Mahanthappa - Anat Cohen )
Disco do Ano - Sonny Rollins ( Road Shows, Vol.1 ) - Joe Lovano ( Symphonica )
Disco Histórico - Anthony Braxton ( The Complete Arista Recordings ) - Miles Davis ( Kind of Blue 50th Anniversary )
Gravadora - ECM - Blue Note
Compositor - Maria Schneider - Wayne Shorter (John Hollenbeck,Guillermo Klein)
Arranjador - Maria Schneider - Carla Bley ( John Hollenbeck - Mark Masters )
Big Band - Maria Schneider - Mingus Big Band ( Jason Lindner Big Band - John Hollenbeck )
Grupo - Keith Jarrett Standard Trio - Wayne Shorter Quartet ( Mostly Other People Do The Killing - Vijay Iyer Quartet )
Cantor - Kurt Elling - Andy Bey ( Giacomo Gates - Jamie Cullum )
Cantora - Cassandra Wilson - Dianne Reeves ( Dee Alexander - Roberta Gambarini )
Trumpete - Dave Douglas - Wynton Marsalis ( Christian Scott - Jeremy Pelt )
Trombone - Steve Turre - Roswell Rudd ( Josh Roseman - Stevs Davis )
Sax Barítono - Gary Smulyan - James Carter ( Claire Daly - Scott Robinson )
Sax Tenor - Joe Lovano - Sonny Rollins ( Donny McCaslin - Marcus Strickland )
Sax Alto - Lee Konitz - Ornette Coleman ( Rudresh Mahanthappa - Miguel Zenón )
Sax Soprano - Wayne Shorter - Branford Marsalis ( Marcus Strickland - Steve Wilson )
Clarinete - Don Byron - Paquito D'Rivera ( Anat Cohen - Chris Speed )
Flauta - James Moody - Lew Tabackin ( Nicole Mitchell - Jamie Baum )
Guitarra - Bill Frisell - Jim Hall ( Lionel Loueke - Kurt Rosenwinkel )
Piano Acústico - Keith Jarrett - Hank Jones ( Vijay Iyer - Gerald Clayton )
Piano Elétrico - Chick Corea - Herbie Hancock ( Craig Taborn - Uri Caine)
Orgão - Dr. Lonnie Smith - Joey DeFrancesco ( Gary Versace - Sam Yahel)
Baixo Acústico - Christian McBride - Dave Holland ( Esperanza Spalding - Avishai Cohen)
Baixo Elétrico - Steve Swallow - Christian McBride ( Stomu Takeishi - Richard Bona )
Bateria - Roy Haynes - Jack DeJohnette( Eric Harland - Dafnis Prieto)
Percussão - Poncho Sanchez - Airto Moreira( Susie Ibarra - Daniel Sadownick)
Vibrafone - Gary Burton - Bobby Hutcherson ( Joe Locke - Stefon Harris )
Violino - Regina Carter - Billy Bang( Jenny Scheinman - Christian Howes)
Miscelânea - Toots Thielemans - Béla Fleck/Banjo ( Edmar Castañeda - Harpa - Grégoire Maret/Gaita)



A votação pelos leitores da Downbeat em 2009 com 1º, 2º e 3º lugares ( Edição: Dezembro)

Hall da Fama : Freddie Hubbard - Chick Corea - B.B.King.
Artista do Ano : Sonny Rollins - Herbie Hancock - Chick Corea.
Gravadora : Blue Note - ECM - Verve.
Disco do Ano : Road Show Vol.1 / Sonny Rollins - Earfood / Roy Hargrove - Pass it On / Dave Holland.
Disco Histórico : Kind Of Blue 50th Anniv.Edition / Miles Davis - Sunday at The Village Vanguard / Bill Evans - The Anthology / Return to Forever.
Grupo : Pat Metheny Trio - Keith Jarrett Trio - Branford Marsalis Quartet.
Big Band : Maria Schneider - Count Basie - Mingus Big Band.
Compositor : Wayne Shorter - Maria Schneider - Dave Brubeck.
Cantor : Kurt Elling - Tony Bennett - Bobby McFerrin.
Cantora : Diana Krall - Cassandra Wilson - Ithamara Koorax.
Trumpete : Wynton Marsalis - Roy Hargrove - Dave Douglas.
Trombone : Robin Eubanks - Wycliffe Gordon - Steve Turre.
Sax Barítono : James Carter - Gary Smulyan - Ronnie Cuber.
Sax Tenor : Sonny Rollins - Wayne Shorter - Joe Lovano.
Sax Alto : Kenny Garrett - Phil Woods - Ornette Coleman.
Sax Soprano : Wayne Shorter - Branford Marsalis - Dave Liebman.
Clarinete : Paquito D'Rivera - Don Byron - Anat Cohen.
Flauta : Hubert Laws - James Moody - Charles Lloyd.
Piano : Herbie Hancock - Keith Jarrett - Brad Mehldau.
Teclados : Chick Corea - Herbie Hancock - Lyle Mays.
Órgão : Joey DeFrancesco - Dr.Lonnie Smith - Larry Goldings.
Baixo Acústico : Christian McBride - Ron Carter - Dave Holland.
Baixo Elétrico : Stanley Clarke - Christian McBride - Steve Swallow.
Guitarra : Pat Metheny - Bill Frisell - John McLaughlin.
Vibrafone : Gary Burton - Bobby Hutcherson - Stefon Harris.
Bateria : Jack DeJohnette - Roy Haines - Brian Blade.
Percussão : Poncho Sanchez - Airto Moreira - Zakir Hussain.
Miscelânea : Bela Fleck (Banjo) - Toos Thielemans (Gaita) - Regina Carter (Violino).



Nomeações do Grammy para o gênero Jazz em 2009 (Em destaque os albuns nos quais o Blog Farofa Moderna aposta ou gostaria que levasse o prêmio: Azul 1ª opção; Amarelo 2ª opção)


Melhor Álbum de Jazz Contemporâneo
(Para álbuns contendo 51% ou mais de tempo de faixas com música instrumental.)

“Urbanus” -Stefon Harris & Blackout [Concord Jazz]
“Sounding Point” -Julian Lage [Emarcy/Decca]
“At World's Edge” -Philippe Saisse [E1 Music]
“Big Neighborhood” -Mike Stern [Heads Up International]
“75 “-Joe Zawinul & The Zawinul Syndicate [Heads Up International]



Melhor Álbum Vocal
(Para álbuns contendo 51% ou mais de tempo de faixas com música vocalizada)

“No Regrets” - Randy Crawford (& Joe Sample) -[PRA Records]
“Dedicated To You: Kurt Elling Sings The Music Of Coltrane And Hartman” -
Kurt Elling - [Concord Jazz]

“So In Love” - Roberta Gambarini (na foto) -[Groovin' High/Emarcy] (1)
“Tide” - Luciana Souza -[Verve] (2)
“Desire” - Tierney Sutton (Band) - [Telarc Jazz] (3)

(1) Resenha do álbum publicada em português no blog SoJazz em 04/10
(2) Resenha do álbum publicada em português no blog SoJazz em 06/09
(3) Resenha do álbum publicada em português no blog SoJazz em 22/03



Melhor Solo (Improvisação)

“Dancin' 4 Chicken” -Terence Blanchard, solista na faixa de “Watts (Jeff "Tain" Watts)
[Dark Key Music] (4)

“All Of You” - Gerald Clayton, solista faixa de “Two-Shade” -[ArtistShare]
“Ms. Garvey, Ms. Garvey” - Roy Hargrove, solista, faixa de “Emergence” -[Groovin' High/Emarcy] (5)
“On Green Dolphin Street” - Martial Solal, solista, faixa de “Live At The Village Vanguard “ - [CamJazz]
“Villa Palmeras” - Miguel Zenón, solista, faixa de “Esta Plena” - [Marsalis Music]

(4) Resenha do álbum publicada em português no blog SoJazz em 12/04
(5) Resenha do álbum publicada em português no blog SoJazz em 20/09



Melhor Álbum Instrumental, Individual ou em Grupo
(Para álbuns contendo 51% ou mais de tempo de faixas com música instrumental.)

“Quartet Live” - Gary Burton, Pat Metheny, Steve Swallow & Antonio Sanchez
[Concord
Jazz]
“Brother To Brother” - Clayton Brothers - [ArtistShare]
“Five Peace Band — Live” - Chick Corea & John McLaughlin Five Peace Band
[Concord Records]
“Remembrance” - John Patitucci Trio - [Concord Jazz] (6)
“The Bright Mississippi” - Allen Toussaint -[Nonesuch]

(6) Resenha do álbum publicada em português no blog SoJazz em 01/12



Melhor Álbum de Big Band
(Para álbuns contendo 51% ou mais de tempo de faixas com música instrumental.)

“Legendary” - Bob Florence Limited Edition - [MAMA Records]
“Eternal Interlude” - John Hollenbeck Large Ensemble - [Sunnyside]
“Fun Time” - Sammy Nestico And The SWR Big Band - [Hänssler Classic]
“Book One” - New Orleans Jazz Orchestra -[World Village]
“Lab 2009” - University Of North Texas One O'Clock Lab Band - [North Texas Jazz]



Melhor Álbum de Jazz Latino (Vocal ou Instrumental)

“Things I Wanted To Do” - Chembo Corniel - [Chemboro Records]
“Áurea” - Geoffrey Keezer - [ArtistShare]
“Brazilliance X 4” - Claudio Roditi - [Resonance Records] (7)
“Juntos Para Siempre” - Bebo Valdés And Chucho Valdés - [Sony Music/Calle 54]
“Esta Plena” - Miguel Zenón - [Marsalis Music]
“Field 15” — World Music

(7) Resenha do álbum publicada em português no blog SoJazz em 20/05



Melhor Composição/Arranjo Instrumental
(O prêmio será concedido a uma composição original não a uma adaptação, cujo lançamento tenha ocorrido no ano da competição)

“Borat In Syracuse” - Paquito D'Rivera, compositor (Paquito D'Rivera Quintet) , faixa de “Jazz-Clazz” - [Timba Records]
“Counting To Infinity” - Tim Davies, compositor (Tim Davies Big Band), faixa de “ Dialmentia” - [Origin Records]
“Fluffy” - Bob Florence, composer (Bob Florence Limited Edition), faixa de “Legendary” - [MAMA Records]
“Ice-Nine” - Steve Wiest, compositor (University Of North Texas One O'Clock Lab Band), faixa de “Lab 2009” - [North Texas Jazz]
“Married Life (From Up)” - Michael Giacchino, compositor (Michael Giacchino), faixa de “Up — Soundtrack” - [Walt Disney Records]



Melhor Arranjo Instrumental

“Emmanuel” - Jeremy Lubbock, arranjador (Chris Botti & Lucia Micarelli), faixa de “ In Boston” - [Columbia]
“Hope” - Vince Mendoza, arranjador (Jim Beard With Vince Mendoza & The Metropole Orchestra), faixa de “Revolutions” - [Sunny Side Records]
“Slings And Arrows” - Vince Mendoza, arranjador (Chuck Owen & The Jazz Surge), faixa de “The Comet's Tail: Performing The Compositions Of Michael Brecker” -
[MAMA Records] (8)
“Up With End Credits (From Up)” - Michael Giacchino, arranjador (Michael Giacchino), faixa de “Up — Soundtrack” - [Walt Disney Records]
“West Side Story Medley” - Bill Cunliffe, arranjador (Resonance Big Band), faixa de “Resonance Big Band Plays Tribute To Oscar Peterson” - [Resonance Records]

(8) Resenha do álbum publicada em português no blog SoJazz em 21/11



Melhor Arranjo Instrumental para Acompanhamento de Vocalistas

“A Change Is Gonna Come” - David Foster & Jerry Hey, arranjadores (Seal), faixa de
“ Soul” - [143/Warner Bros.]
“Dedicated To You” - Laurence Hobgood, arranjador (Kurt Elling), faixa de “Dedicated To You: Kurt Elling Sings The Music Of Coltrane And Hartman” - [Concord Jazz]
“In The Still Of The Night” - Thomas Zink, arranjador (Anne Walsh), faixa de “Pretty World” - [AtoZink Music]
“My One And Only Thrill” - Vince Mendoza, arranjador (Melody Gardot), faixa de “My One And Only Thrill” - [Verve]
“Quiet Nights” - Claus Ogerman, arranjador (Diana Krall), faixa de “Quiet Nights” -
[Verve]




Informação gratuita na internet é um problema para o mercado editorial? A JazzTimes aposta que não...

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Revista Jazz Times: agora com edição digital gratuita!
Revista JazzTimes, agora com edição digital gratuita!!!
Todos nós sabemos das dificuldades que o mercados editorial e fonográfico - de livros, revistas, CD's, jornais e afins - estão enfrentando com a chegada da Era da Internet ao domínio popular nesses últimos anos: empresas midiáticas passaram a focar seus nichos na internet e as pessoas agora têm acesso gratuito à informação e, portanto, não vêem a necessidade - a não ser os mais completistas - de obterem publicações em papel que acabam custando caro pra quem fomenta sua sede de informação semana à semana ou mês à mês. Porém, no caso de nichos segmentados no universo artístico com um público fiel e completista - como costuma ser o público do jazz -, a compra da publicação física e palpável é sempre melhor do que apenas a leitura da informação em páginas inconfiáveis da internet. Poxa, nada como a nostalgia de colecionar CDs, LPs e edições sequenciais de revistas de jazz (como a JazzTimes ou a Downbeat) tendo em mãos todas as photos, arte de capa, os reviews e toda a informação musical alí contida que, em sua maioria, foi constituída de pesquisas imparciais e confiáveis de jornalistas e jazzófilos e são, portanto, informações/artigos atemporais e antológicos, ou seja, que podem ser colecionadas e guardadas para serem consultadas à qualquer momento: amanhã ou daqui a 5 anos! É diferente o caso de quem assina revistas sensacionalistas que falam de política e fofoca: quem vai ficar colecionando revistas Veja ou Caras na intenção de realizar alguma pesquisa confiável ou ficar relendo fofocas e picuinhas sobre política exageradamente manipuladoras?


Mas voltando aos problemas do mercado editorial, as revistas de jazz e música, embora tenha seu público fiel, também sofreram com as novas imposições da Era Digital - sobretudo no mercado americano, onde a cultura das pessoas está sendo moldada mais rapidamente pelas inovações tecnológicas e o uso da internet já é tão comum quanto assistir TV. Aqui no Brasil a Bizz, revista publicada pela Abril e especializada em rock e pop, saiu de circulação em 2007 por não conseguir inovar sua amostragem que, agora, teria de agradar não só o público sério de idade mais elevada que curtia reminiscências do pop oitentista e do rock clássico, mas também o novo público adepto à nova cultura pop e ao rock indie, gêneros disseminados por downloads, vídeos gratuitos no Youtube e pelas transmissões da MTV Brasil. Já a revista Jazz Mais, que prometia ser a única publicação brasileira totalmente especializada em jazz, encontrou dificuldades - logísticas, financeiras, estratégicas - para alcançar um público maior e/ou para conquistar um público que , apesar de crescente, ainda não tem a cultura de buscar e, principalmente, comprar informação sobre música ou arte e que fomenta sua apreciação musical através de blogs e sites da internet, o que é mais barato ou gratuito.









Revistas e jornais americanos: Em meio à crise econômica na era da internet, eles buscam por sobrevivência


No que diz respeiro às revistas de jazz americanas, a toda-poderosa Downbeat mostrou que seu prestígio histórico perante ao público é o que garante suas vendas mesmo com a disponibilização maciça de informações jazzísticas na internet: isso porque ela se tornou o principal parâmetro do jazz norte-americano através das suas almejadas capas e dos seus disputados rankings (é como a tradicionalista revista Time que, a despeito dos probremas enfrentados pelas maiorias das revistas e jornais americanos - falo da Newsweek, e do New York Times, por exemplo -, ainda consegue ser uma das únicas revistas que ainda não foi abalada de forma drástica pela era da internet e/ou pela crise financeira). Já a revista JazzTimes deu um susto nos jazzófilos em todo o mundo ao anunciar, em Junho de 2009, que sairia de circulação e que estava negociando seus ativos, pois seus proprietários já não eram mais capazes de manter a marca e as publicações. A solução, porém, chegou mais cedo do que o esperado: a Madavor Media LLC, um grupo líder no mercado de publicações e produção de shows baseado em Boston, comprou a marca da JazzTimes e garantiu que já a partir do mês de Agosto, a revista voltaria às bancas - com esse fato animador, os fans e leitores prevê e almeja vida longa à revista que se tornou a segunda maior jazz magazine. Aliás, muito mais do que ter retornado às bandas, a revista JazzTimes, que já tinha um site muito bacana e bem informativo, agora disponibiliza gratuitamente sua versão digital com quase todo o mesmo conteúdo que vai às bancas: a versão digital completa pode ser adquirida por míseros U$ 20 ao ano, o que dá menos de R$ 40 ao ano para o apreciador brasileiro. Com uma abrangência séria e ao mesmo tempo pós-moderna, com um site inovador e com essa decisão de disponibilizar uma versão digital, a nova gestão da JazzTimes está mostrando que a solução está em integrar a publicação impressa com as novas possibilidades da internet, trabalhando com essas duas vias e mostrando ao público as vantagens e diferênças de cada uma delas. Aliás, bem antes, a revista All About Jazz já mantinha um site que se mostrou mais promissor do que a própria publicação impressa. No final, o que se espera é que o leitor, podendo ter acesso à previews e artigos na internet, possa desenvolver o desejo em comprar, também, a revista impressa - e isso é mais ou menos como os músicos que disponibilizam suas músicas gratuitamente para poder alcançar um público maior e/ou aumentar o número de pessoas que vão aos seus shows. A crise econômica, sim, é um problema. A internet é solução!


Outros Excelentes Sites Informativos (mais sites nas páginas de mídia e links)