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"Jazz" de H. Matisse: Simplicidade da Forma, Revolução da Cor !

Henri Matisse por Henri Cartier-Bresson (1943)


Henri Matisse é um dos maiores pintores de todos os tempos. Um gênio, um dinossauro, um monstro da pintura, um homem que revolucionou a arte com pinceladas simples, conceitos simples e ao mesmo tempo modernos e polêmicos, enfatizando as curvas, os traços e as cores de forma única. Começando a carreira no final do século 19, Matisse construiu um estilo que vinha de suas observações das telas de Gauguin, Van Gogh, Signac e, principalmente, Cézanne. O que Matisse admirava nesses pintores era o uso do colorido para descrever a natureza e os objetos, mas ao mesmo tempo rechaçava a luminosidade e as formas complexas que esses pós-impressionistas aplicava em suas obras: Van Gogh, por exemplo, era um dos quais empregava um colorido vibrante e luminoso em suas obras. Assim, a partir desse entendimento, Matisse constrói um estilo todo único, abandonando por completo as técnicas de pintura em relação a claro-escuro e luminosidade, simplificando as formas e dando uma ênfase maior e diferente às cores: esse movimento, que teve alguns poucos artistas representantes tais como André Derain, Maurice de Vlaminck, Raoul Dufy, Georges Braque, Henri Manguin, Albert Marquet, Jean Puy e Emile Othon Friesz, ficou conhecido como Fauvismo, tendo uma curta duração entre a passagem do século 19 para o século 20.

O Fauvismo recebia esse nome porque um famoso crítico na época disse que esses artistas consistiam numa verdadeira cage aux fauves (jaula de feras ou bestas selvagens): o termo "selvagem" se referia justamente à ênfase exarcebada nas cores, com tonalidades cruas, cores fortes e sem misturas, o que fazia com que o observador atentasse com a mesma importância para cada um dos elementos ou objetos do quadro. Já no início do século XX, o Fauvismo foi dissipado enquanto surgia outras tendências artísticas como o Cubismo, que era uma idéia de geometrização das formas que já vinha florescendo desde as idéias do pós-impressionista Paul Cézanne, o qual acreditava que podia desenhar a natureza não apenas dando ênfase na cor mas, sobretudo, dando ênfase na forma, usando formas geométricas variadas para compor os objetos com mais nitidez. Percebe-se, portanto, que nessa época alguns dos próprios companheiros de Matisse já havia evoluído para essa têndência de reinventar as formas, como Georges Braque, por exemplo, que foi um legítimo precursor do Cubismo, enquanto o mais jovem Pablo Picasso representou a efetiva formalização do estilo ao expor o quadro Les Demoiselles D'Avignon em 1907.

A alegria de viver, Henri Matisse 1906Portrait of Madame Matisse 1905Henri Matisse - The Red Room









O já famoso Matisse, por sua vez, se manteve na mesma linha de levar a aplicação das cores ao extremo. Fosse na relação cores e plano, cores e traços ou formas e cores, Matisse era o único dos Fauves que se mantinha na mesma linha de estudo, ainda que o movimento denominado Fauvismo já não existisse mais. No entanto, Matisse se mantinha contemporâneo pela polêmica que tinha causado, pela fama e por ir na contramão do jovem Pablo Picasso, o agora "centro das atenções". O intrigante era que Picasso, por sua vez, via Matisse como uma figura perturbadora e genial da pintura e, por conta disso, tratou logo de ser admirador, amigo e, ao mesmo tempo,"rival" e crítico das abordagens de Matisse. A verdade é que o Cubismo de Picasso, ao recontruir e destruir as formas a partir da geometrização, abria as primeiras possibilidades para o abstrato, afastando-se totalmente da idéia inicial de Cézanne, que era usar as formas geométricas justamente para deixar o objeto mais nítido. Já Matisse não era totalmente adepto ao abstrato porque simplificava a forma para dar ênfase total à cor, enquanto Picasso ofuscava a cor, dando ênfase total à forma, reconstruindo e destruindo-a a partir da geometrização, levando-a quase ao abstrato.

Passada a efervescência européia desses grandes artistas, poucos poderiam prever que Henri Matisse, agora acamado com câncer, ainda pudesse representar a mesma força perturbadora que ele fora no final do século 19 ao lado de George Braque e no início do século 20 ao lado de Pablo Picasso. Mas é no ano de 1937 que Henri Matisse desenvolve uma nova forma de expressão: o desenho com tesoura. Em 1941, Matisse passou por uma cirurgia, o que lhe deixou desabilitado numa cadeira de rodas. Já não podia mais se dar ao esforço de pintar grandes telas, pois vivia mais deitado em sua cadeira. Essa situação, por mais ruim que tenha sido em relação à sua saúde, acabou sendo um motivo para a sua grande superação pessoal e artística no final de sua vida: Matisse ampliou ainda mais a técnica de desenho com tesoura denominada "papiers collés", a qual consistia em usar guaches sobre papel cortado ou o papel era cortado logo após de colorido, para depois ser trabalhado com a colagem. Com esse novo estilo Matisse lança, em 1947, um extraordinário livro de ilustrações intitulado apenas "Jazz", uma real e curiosa dedicatória ao estilo musical norte-americano que nessas alturas - época do Bebop, por sinal - já era tido como uma forma legítima de arte e não mais uma música de entretenimento, como era visto no Swing dos anos 30. Matisse, por exemplo, via no Jazz fortes aspectos artísticos como a improvisação, as cores cromáticas da melodia e harmonia e a interação forte e estreita com o público. Matisse, inclusive, chegou a afirmar em 1952: "Não basta pôr cores, por muito belas que sejam, umas ao pé das outras. É preciso ainda que essas cores actuem umas sobre as outras. Senão é pura cacofonia. Jazz é um ritmo e uma significação". E é com esse pensamento que surge o livro Jazz, iniciado em 1943 e lançado em 1947, com o qual Matisse volta a surpreender o mundo das artes, dessa vez superando as suas debilitações, mostrando uma nova forma de expressão, com uma sinestesia entre pintura e música na mesma linha de valorização das cores, com a qual se estabeleceu como importante e polêmica figura do final do século 19 e início do século 20.

Obras do Livro Jazz de 1947 - Henri Matisse, aos 73, lançando sua nova forma de expressão












Ora, numa época onde já havia o expressionismo abstrato de Jackson Pollock e esse era a estética da vanguarda atual, Matisse mostrou que, com a mesma simplicidade das formas e a ênfase nas cores com as quais se estabelecera no final do século 19, ainda podia lançar composições que não precisavam estar antenadas com o expressionistmo abstrato para serem consideradas modernas, assim como no início do século 20 ele continuou influente e perturbador sem, contudo, aderir totalmente ao cubismo - lembrando que suas obras até sofreu uma tênue influencia dessa estética por conta da amizade e "rivalidade" com Pablo Picasso, mas ele se manteu firme na simplicidade da forma e na ênfase da cor. Aliás, é bem sabido que essas "rivalidades", esses movimentos e contra-movimentos, esses desentendimentos e constrastes artísticos também são bem comuns no mundo do Jazz. Subvertendo as famosas comparações "Miles Davis foi o Pablo Picasso do Jazz" e "Ornette Coleman foi o Jackson Pollock do Jazz", imaginem, por exemplo, se Henri Matisse pudesse ter sido Miles Davis e Pablo Picasso fosse Ornette Coleman, ambos no cenário de 1958 até 1968: trata-se uma comparação perfeita para ilustrar o avant-garde de Ornette Coleman e sua destruição das formas jazzísticas batendo de frente com o moderníssimo e mais simples Hard-Bop de Miles Davis, esse cheio de cores cromáticas estabelecidas pelo uso das escalas modais. Ou seja, assim como Picasso em 1907, Ornette era o músico que definia a vanguarda em entre o período de 1958 à 1968, enquanto Miles Davis, assim como Matisse em 1907, resistia em aderir aos extremos vanguardistas, mas, ainda assim, criava um som moderno cheio de cores que também teve grande peso na evolução do Jazz. Posteriormente, com o fusion, Miles iniciaria uma grande fase experimental...

Um comentário:

Anitta Malfatti disse...

Muito interessante essa resenha! Uma sacada de mestre foi a comparação no final que é bem pertinente. Eu adoro Henri Matisse, assim como adoro Jazz!

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