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A nova onda dos festivais e mostras de jazz e música improvisada no Brasil: maré baixa e passageira ou maré alta e duradoura?




Estive um tanto ausente do blog no mês de Março e prometo dar um aquecida em nosso rítmo de postagens a partir deste mês de Abril. E o assunto da vez é o circuito de mostras e festivais musicais que nossos produtores brazucas estão empreendendo aqui em nosso solo verde-e-amarelo. Apesar da triste notícia de que o Bridgestone Music não mais acontecerá, o Brasil segue bem -- digamos que razoávelmente regular: procurando se encontrar em meio à contemporaneidade vigente, eu diria  -- no quesito de festivais de jazz e música improvisada. Pegando apenas São Paulo como exemplo, já dá pra se ter uma idéia da riqueza musical a qual as pessoas mais aculturadas e curiosas tiveram  e estão tendo acesso: já em Maio de  2010, através da 3ª edição do Bridgestone Music Festival, os jazzófilos e amantes da arte da improvisação puderam apreciar músicos fantásticos como o trompetista e jovem-sensação do jazz contemporâneo Christian Scott,  o compositor e clarinetista Don Byron, o contrabaixista Dave Holland e os músicos do Overtone Quartet (Jason Moran, Chris Potter e Eric Harland), dentre outros; já mais para o final do ano o Centro Cultural São Paulo (CCSP) trouxe os improvisadores Ken Vandermark (EUA) e Han Bennink (Holanda) e a programação do SESC trouxe o pianista Brad Mehldau e veteranos como o altoísta -- e pai do free jazz! -- Ornette Coleman  e o saxofonista "world fusion" Yussef Lateef; e agora, do início para o meio de 2011, já tivemos a aparição do pianista e improvisador Keith Jarrett na Sala São Paulo, teremos o trompetista Christian Scott (de novo!) e o veterano saxtenorista Archie Shepp na programação do SESC e teremos, também (e de novo!), o saxofonista Joshua Redman e o baixista Marcus Miller no BMW Jazz Festival, além da furiosa improvisação livre do saxofonista sueco Mats Gustafsson e seu trio Fire! em apresentação inédita em nosso solo, via CCSP. Isto é, ainda não podemos nos equiparar  aos circuitos de Nova Iorque ou da Europa, mas alguns dos nossos produtores, enfim, estão aprendendo o valor de trazer os mais variados e distintos "top musicians" do jazz e da música improvisada, fato este que, se continuar assim -- pois é impressionante como,  geralmente, não continua --, nos dará um status mais respeitável dentro do mapa mundial da música. Além do link na barra lateral que lhes dão acesso ao site Paulicéia do Jazz -- um grande mosaico virtual, com os mais variados shows de jazz e música instrumental brasileira disponíveis em São Paulo -- abaixo, segue três links que vos deixará antenados com alguns dos mais interessantes shows que ocorrerá neste mês e nos próximos:








Mas é preciso ponderar: elogiamos quando há melhoras, mas continuamos criticando se é necessário melhorar muito mais. Há três problemas recorrentes quando o assunto se diz respeito aos festivais e shows de jazz no Brasil. O primeiro problema é sobre a concepção conservadora e desconhecimento dos produtores, alguns dos quais mal conhecem a variedade básica de músicos que constituem a contemporaneidade do jazz, enquanto os que se dizem "conhecedores" parecem se basear nas viciosas listas de "melhores do ano" da revista Downbeat: e nem é complicado entender que a consequência disso é o desdém automático a músicos mais progressistas e contemporâneos em contrapartida da sina em trazer músicos veteranos e já bem conhecidos do público brasileiro na intenção de garantir uma maior repercussão midiática,  uma platéia cheia e um maior lucro comercial -- veja quantas vezes, por exemplo, o saxofonista Wayne Shorter já  apareceu em festivais brasileiros nesta última década: ele é um exemplo claro de músico que, apesar de sua performance já estar comprometida pelo peso da idade, é chamado quase todos os anos por causa da sua áurea de lenda viva, para conferir mais "status" a um determinado festival. Ou seja, se por um lado músicos veteranos como Wayne Shorter, Sonny Rollins, Herbie Hancock, Marcus Miller -- e dentre tantos outros -- são lendas vivas  as quais qualquer apreciador iniciante ou mediano desejaria e deveria ver de perto, por outro lado é óbvio que para o público em geral o mais interessante e enriquecedor, do ponto de vista da "atualização" do jazz, é conhecer os  músicos contemporâneos que realmente estão empreendendo inovações no gênero. E não estou querendo dizer que não se deva chamar músicos veteranos -- pois acho até respeitoso que cada uma das nossas mostras e cada um dos nossos festivais, a cada ano, chame e/ou homenageie  músicos que já fizeram história no jazz, como foi o caso de Keith Jarrett, que a muito tempo não tocava em solo brasileiro --, mas o problema é de dosagem e de concepção artística: nossos produtores deveria prezar mais em sincronizar nossas mostras e nossos festivais com o que realmente está acontecendo de novidade nos circuitos internacionais, afim de que não se caia na mesmice e afim de dar, ao público brasileiro, o privilégio de se estar antenado com as novas facetas do jazz e da música improvisada. Neste sentido, de todas as mostras e festivais conhecidos nos últimos tempos, o cast list do Bridgestone Music Festival, idealizado pelo produtor Toy Lima, foi o que mais mostrou coerência em relação a vigência e o frescor do jazz contemporâneo americano -- ou seja, este festival também abordava sempre um ou dois músicos veteranos em suas primeiras noites, mas ficou claro que o produtor prezou por mostrar mais a essência do jazz contemporâneo,  o que nos possibilitou ver de perto, e em primeira mão, alguns dos maiores  músicos e bandas que estão contribuindo para a nova configuração do jazz neste início do século: Dave Holland, Don Byron, Uri Caine, Vijay Iyer, Christian Scott, Robert Glasper, Jazon Moran, Chris Potter, dentre outros músicos importantes do jazz atual. O segundo problema que quero explicitar aqui é sobre o preço exorbitante dos ingressos: isso quando o governo se abstém do seu papel de fomentar a cultura e são as empresas privadas, enfim, que acabam, sozinhas, patrocinando esses eventos e usando-os como instrumentos para alimentar seu marketing e merchandinsing -- e aí acontece que este sistema acaba sendo segregalista através da sua própria natureza: apenas quem é mais rico pode consumir música boa e se inteirar do circuito internacional, enquanto os mais pobres ficam à margem, pois é muito penoso, para quem ganha dois salários, tirar R$ 200,00 do seu salário para ver um Keith Jarrett, por exemplo. E o terceiro problema é o desprezo dos produtores e patrocinadores pelos músicos nacionais: poucos festivais desse porte incluem músicos e bandas da música instrumental brasileira -- ou seja, enquanto pagamos caro para ver um Dave Holland em um Citi Bank Hall lotado, nossos músicos brazucas, tão talentosos quanto os músicos internacionais, ficam confinados nos "guetos" e "inferninhos",  sendo aplaudidos por algumas poucas dezenas de pessoas na platéia -- é um descaso e uma amostra de como nós brasileiros ainda não sabemos (ou ainda não queremos?) valorizar nossa música, pois geralmente o que fazemos é importar as sensações extrangeiras e desprezar nossos talentos. São esses os ônus que precisam ser solucionados: através do seu próprio dever de fomentar a cultura, o governo de São Paulo e de outros estados brasileiros deveriam financiar festivais e mostras de jazz e música instrumental brasileira como ocorre com os festivais de Rio das Ostras (no Rio de Janeiro) e Tudo é Jazz (em Ouro Preto, Minas Gerais), eventos acessíveis à população em geral; enquanto nossos produtores deveriam se atualizar e parar em pensar no jazz da forma como ele foi concebido em meados do século XX: com aquele swing dançante, aquele walking bass manjado do bebop e aqueles standards tradicionais e assobiáveis. Ora, nossos produtores precisam se embrenhar no ciclo evolutivo do jazz e da música improvisada, pois estes são gêneros que estão sendo universalizados, estão se tornando artes não apenas protagonizadas pelos americanos e europeus, mas são gêneros vêm se renovando através de gerações seguidas de músicos, de vários países, que lhes acrescentam novas facetas e novas abordagens: e, portanto, há uma multidão de músicos originais e inovadores em vários países do mundo, inclusive aqui no Brasil (!), que estão anciosos e necessitados em mostrar seus projetos e contribuições à arte da improvisação. É estarrecedor como, em plena era digital -- onde o conhecimento está disponível a todos na rede da internet --, alguns dos nossos produtores ainda insistem em saborear as doçuras do século XX e se fechar sob uma concepção conservadora que não condiz com a contemporaneidade da música do nosso tempo, alimentando os vícios da preferência pessoal e das pretensões mercadológicas: ou seja, antigamente um produtor precisava viajar aos EUA e Europa para se inteirar dos circuitos e, então, conhecer a performance dos novos e maiores músicos vigentes; hoje em dia, qualquer curioso, com alguns poucos cliques, já passa a conhecer -- via Google, Youtube, blogs, sites e similares -- os maiores e mais novos músicos do jazz contemporâneo. Mas estamos melhorando; vamos torcer...

Um comentário:

fabricio vieira disse...

Cara, vc aponta um coisa muito importante: o descaso com os músicos locais. Parece até que não existe gente competente fazendo sons variados e interessantes nas redondezas. Tanta gente poderia abrir para os estrangeiras que tem vindo ou mesmo realizar parcerias sonoras, algo que é vital para a sobrevivência e a expansão da música feita por aqui.

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