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Hamilton de Holanda Quinteto e o projeto Brasilianos: selo independente; sonoridade inovadora!!!




Quanto tempo leva para que um músico construa sua identidade sonora? Resposta: muitos anos de estudo, e muitos altos e baixos. E depois que este músico adquire sua identidade, quantos anos demora para que ele encontre e/ou forme um grupo de uma sonoridade inovadora e adequada às suas pretensões? Resposta: também pode levar muitos anos, e muitas decepções. E o sucesso e a grana que um músico obtém costuma ser proporcional a todo esse trabalho? Resposta: não...infelizmente ser um instrumentista num país como o Brasil, que tem sua tradição musical mais focada na oralidade, não é nada fácil, ou seja, ser um representante da chamada "Música Instrumental Brasileira" implica, ainda, em estar relegado à uma classe menor da música em termos econômicos: a educação ralé e as manipulações mercadológicas da mídia, unicamente a favor de "ondinhas pop", são fatores que ainda não permitem que os brasileiros degustem a música instrumental com tanta naturalidade quanto a música cantada, o que, por consequência, resulta em poucos espaços para se apresentar, em um público minúsculo e em vendas ainda mais minúsculas que este público. Mas alguns poucos músicos, justamente por conta de um trabalho de requinte -- leia-se a busca por uma sonoridade própria e por uma banda que passe uma mensagem direta --, conseguem sobreviver e impor mais massivamente sua sonoridade, atraindo até a atenção de grandes holofotes midiáticos e, por consequência, atraindo um público maior. É o caso do bandolinista Hamilton de Holanda, que nos últimos tempos tem sido um dos modernizadores da Música Instrumental Brasileira. Compositor de mão cheia, melodista dos mais inspirados e instrumentista dos mais virtuoses, o bandolinista é um dos instrumentistas brasileiros mais reconhecidos nacional e internacionalmente: ele até foi, recentemente, relacionado numa lista de "50 álbuns que formaram a identidade musical brasileira dos anos 2000" organizada pela Folha de São Paulo  -- ele está lá com o álbum homônimo Hamilton de Holanda (2001), na oitava posição, entre pérolas e baboseiras de todos os tipos.


Mas aqui neste post quero falar de um projeto muito mais recente e personalizado do bandolinista: trata-se do projeto Brasilianos. Através das suas conexões com as tradições do choro e da MPB, que resultaram em discos com inúmeras releituras aos mestres brasileiros representantes destas vertentes -- de Villa-Lobos, Pixinguinha e Jacob do Bandolim até Hermerto Pascoal e Egberto Gismonti, abordando também cancionistas como Gilberto Gil e Milton Nascimento --, Hamilton já vinha construindo sua identidade própria desde meados da década de 90, início da ascensão da sua carreira. Mas é em 2006, ao meu ver, que o bandolinista dá início ao ápice atual pelo qual passa sua carreira atualmente: através do projeto "Brasilianos", ele evidenciou a grande modernidade do seu atual Quinteto, um dos mais aclamados grupos instrumentais brasileiros da atualidade. O impacto que o Hamilton de Holanda Quinteto me causou ao ouvir os dois discos do projeto "Brasilianos" foi tão emocionante, que já me arrisco a clássificá-los como um dos grupos mais emblemáticos da história da nossa música instrumental, ao lado de, por exemplo, Zimbo Trio e Hermeto Pascoal & Grupo, só para citar dois grupos instrumentais inovadores de épocas e estilos diferentes: um do samba-jazz, o outro da chamada "música universal". E qual o segredo do sucesso deste Quinteto empreendido por Hamilton de Holanda? Ao meu ver, o sucesso consiste no fato de que o badolinista, que já vinha mostrando sua originalidade como compositor e suas idiossincrasias como instrumentista -- como, por exemplo, o fato dele ter aumentado o número de cordas do seu bandolim, de 8 para 10 cordas --, encontrou, com este quinteto, não apenas uma concepção de som contemporâneo -- construído à base de harmonias contemporâneas e grooves inusitados e personalíssimos --, mas uma voz de mensagem tão clara quanto a da música popular cantada -- e o resultado, então, é que sua música tem ecoado além dos montes estéticos e preconceituosos. O fato principal é que, embora o choro seja seu estigma natural, ainda não há uma rotulagem perfeita para classificar a estética do som criado por Hamilton de Holanda nestes últimos anos: há o samba e o choro, mas também há a melodiosidade das canções da MPB, há requintes harmônicos provenientes da bossa-nova, há improvisos que remetem ao jazz e há situações rítmicas e melódicas que se remetem aos progressos da "música universal" de Hermeto Pascoal -- ou seja, há a dificílima faceta de criar todo um requinte unindo a composição escrita, o arranjo instrumental e harmônico e a liberdade da improvisação: então, o mais conveniente é que o tenhamos apenas como um novo mestre da Música Instrumental Brasileira e ponto final. Ainda assim, com toda essa "construção", suas composições atingem a proeza de chegar com muita facilidade aos ouvidos dos neófitos e menos acostumados com as intrincâncias da música instrumental contemporânea -- "costumo compor melodias que possam tanto ser assobiadas por uma pessoa comum, como também possam ser orquestradas para uma grande orquestra sinfônica", é como, mais ou menos, teria dito Hamilton certa vez.




Como já citado, o projeto Brasilianos parece fazer parte de uma nova áurea a que passa a carreira de Hamilton de Holanda: uma nova fase da sua carreira, onde ele tem buscado lançar seus álbuns de forma independente, através da sua própria gravadora -- que não por acaso recebe o nome Selo Brasilianos -- e onde ele tem buscado impor sua própria concepção de som e suas próprias composições, sem esquecer, contudo da tradição dos grandes mestres brasileiros. Dois volumes compõe o projeto "Brasilianos": o primeiro foi lançado em 2006 através da parceria deste seu novo selo com a gravadora Biscoito Fino; o segundo, Brasilianos 2, foi lançado em 2008 e representa a maturidade dessa nova áurea original e totalmente independente do bandolinista. Embora os dois volumes, lançados em discos separados, constituam um só projeto, é o segundo volume que mais me impressiona: tanto que o incluí na minha lista recente dos discos mais interessantes da última década -- vide a resenha Retrospectiva 2000-2010 - 21 Álbuns Indispensáveis da Música Instrumental Brasileira.



No primeiro volume, as canções expelem grandes volumes de virtuosismo e tradição, dando-nos a entender que trata-se, afinal, de uma bem estruturada ponte entre o antigo e o moderno: trata-se de um trabalho onde Hamilton de Holanda deixa claro que o intuito foi compor canções de roupagem e sonoridade jovens, mas que expressassem, com alegre ternura, uma grande devoção à toda brasilidade e tradição adquiridas em seus anos de experiência com os vários rítmos e estilos da música popular brasileira -- as canções "Baião Brasil" e "Valsa em Si" nos remetem à tradição do baião e da valsa, mas suas melodias são lindas e contemporâneas; enquanto que em "Trenzinho do Caipira" e em "Hermeto Tá Brincando", o bandolinista presta homenagens, com muito arranjo e virtuosismo, a dois grandes gênios da música brasileira: ao maestro erudito Heitor Villa-Lobos, que quebrou as barreiras entre a composição escrita e a música popular; e ao experimentalista Hermeto Pascoal, o mestre que experimentou brincar com o jazz-fusion e toda a variedade de músicas do nosso Brasil, criando seu conceito de "música universal" e abrindo caminhos para uma multidão de novos instrumentistas. Já o segundo volume, embora ainda mantenha ecos da tradição em sua sonoridade, mostra-se inspirado mais pelos sentimentos e nostalgias da vida pessoal de Hamilton do que por temáticas brasilianistas: ele alia, com mais personalidade, a beleza da sua própria veia cancionista -- porque as composições deste disco são canções ainda mais belas e marcantes do que as do volume anterior -- com a sua já conhecida capacidade de criar harmonias lindas, arranjos instrumentais sofisticados e improvisos estonteantes -- e o resultado é que estas características aparecem mais carregadas de sutilezas, de dinâmica musical, de lirismo, de sentimento e originalidade neste segundo volume do que no primeiro. Isto é, Brasilianos 2 soa como se, após ter estruturado uma ponte entre a tradição e o moderno no primeiro volume, Hamilton de Holanda tivesse resolvido compor um material ainda mais pessoal e contemporâneo, com melodias e grooves personalíssimos e contemporâneos: é o que mostra a reflexiva canção "A vida tem dessas coisas", a nostálgica "Tamanduá" e a linda balada "Rafaela", composta para sua filha. Ademais, uma outra observância, patente tanto no primeiro como no segundo volume de Brasilianos, é a estrutura moderna e o fluxo imprevisível das composições, que já fogem dos rigores e padrões das velhas formas AABA e/ou tema-improviso-tema: dentro da construção das canções, há sempre transições -- introduções, mudanças rítmicas, mudanças de tons, interlúdios improvisados -- entre uma frase e outra, mas todos esses "fragmentos" unem-se num fluxo que parece soar retilíneo, sem arestas.


O Hamilton de Holanda Quinteto, grupo protagonista deste bélissimo projeto Brasilianos, é formado por Hamilton de Holanda (bandolim 10 cordas, composições e arranjos), Daniel Santiago (violão), André Vasconcellos (contrabaixos elétrico e acústico), Marcio Bahia (bateria) e Gabriel Grossi (harmônica). A configuração é mais ou menos como um quinteto de jazz: o bandolim representa a voz altiva e aguda do trompete, a harmônica representa a voz lírica do saxofone e o violão representa o suporte harmônico do piano, formando a "cozinha" com a bateria e o contrabaixo (acústico ou elétrico). Foi através deste grupo e dos dois volumes do projeto Brasilianos que Hamilton inicia seu mais recente ápice, ganhando muito mais notoriedade através de diversos prêmios e reconhecimentos nacionais e internacionais: o primeiro volume de Brasilianos levou o Prêmio TIM nas categorias de "Melhor Solista" e "Melhor Grupo", além de uma indicação ao Grammy Latino de "Melhor CD Instrumental; já Brasilianos 2, ganhou o Premio da Música Brasileira na categoria "Melhor Solista" e foi gloriosamente nominado ao Grammy Latino na categoria "Melhor Discos de Jazz Latino". Para quem ainda nao conhece o Hamilton de Holanda Quinteto ou para quem já conhece e gosta sempre de presenciá-lo, o grupo se apresentou recentemente no programa Instrumental Sesc Brasil: os vídeos de todas as faixas tocadas no show estão disponíveis através do link abaixo. Para ouvir os dois volumes de Brasilianos, basta clicar sobre a imagen dos álbuns, acima. Boa Viagem!!!

2 comentários:

Zezo Maltez disse...

Olá Pitta! Realmente, a sonoridade do HHQ é altamente diferenciada. Os dois discos são excelentes.

Aproveito para recomendar o mais novo lançamento deles "Sinfonia Monumental"(2010), de HHQ e Orquestra Brasilianos, que é uma homenagem aos 50 de Brasília e está disponível para download grátis no site dele.

Abrç,

Zezo Maltez

Sinfonia Monumental disse...

Caro Pitta

Estou muito feliz lendo seu artigo, e te agradeço em nosso nome.Foi o Hamilton quem me mandou este link, estavamos representando o Brasil na noite dos virtuosos em Ilhas Reunião e foi uma ducha de entusiasmo.

Para nós é muito gratificante saber que o arduo trabalho frutificou e foi claramente entendido

grande abraço

Marcos Portinari

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