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A linda "geringonça" do compositor e violonista Ricardo Teté!!!



Como já bem comunicado aqui, estarei indicando e resenhando alguns baratos de música popular brasileira que me soarem bem -- sim, falo de artistas da mesma estirpe daquela MPB que já não é mais popular como nos tempos de Elis Regina, por exemplo...pois, infelizmente, a música popular que a TV mostra hoje em dia é aquela coisa horrenda, aquele misto de bundas requebrantes com rimas idiotas; aquela melodia clichê -- quase sempre com adereços descaradamente copiados do pop americano -- com uma letra que conta uma estórinha romântica previsível, entre outros clichês com os quais a mídia e o mercado empiriquitam nossos "artistas", na intenção de levá-los para a promiscuidade comercial. Assim, a impressão que se tem  é que as pessoas -- hipnotizadas pelos clichês impostos pela mídia e mercado brasileiros -- perderam o sentimento de pertencimento em relação ao seu país, perderam a brasilidade, perderam a noção de qualidade artística e a noção de autenticidade cultural -- até parece, portanto, que somos um povo com a identidade cultural em extinção, pois o que consumimos em termos de cultura já não provém da renovação da nossa própria cultura, mas é reciclado com pastiches da cultura pop internacional. Mas nem tudo está perdido... Uma prova disso é que existe -- sim, existe, de fato! -- uma troupe de artistas de MPB os quais se negam a serem lambuzados com estes pastiches impostos e, então, nao são levados à promiscuidade comercial. Um desses artistas, dentre os tantos que não aparecem nos programas dominicais e nem nas páginas e nos horários nobres da mídia, é o cantor e compositor paulistano Ricardo Teté, que lançou, em 2007, o ótimo álbum Geringonça, seu primeiro álbum solo, lançado inicialmente na Europa. Anteriormente radicado na França, o que Teté mostra em Geringonça -- com uma voz claramente influenciada por Caetano Veloso, mas com sua originalidade -- é um misto de requinte poético e brasilidade musical com um "quê" de sofisticação européia. Abaixo, antes da minhas impressões sobre este álbum, um lampejo da biografia de Ricardo Teté, tirada do seu próprio site:


Nascido em 1978, Ricardo Teté formou-se em Ciências Sociais na USP em 2001, ano em que se mudou para a França para estudar música e participar de um laboratório interdisciplinar de estudos da canção, com sede na EHESS, a École des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris. Participou durante 6 anos da Orquestra do Fubá, grupo que une músicos de lugares e universos musicais variados, e apresentou-se em dezenas de cidades européias a convite de grandes festivais, como Jazz à Vienne, Jazz in Marciac e Rio Loco. Quem mandô?, o segundo disco da orquestra, foi gravado no Brasil em 2006 e conta com participação de Dominguinhos, Marcelo Pretto e do Quinteto em Branco e Preto. De volta ao Brasil, Ricardo Teté atualmente coordena (junto à equipe encabeçada pelo músico e educador Ricardo Breim) o projeto Musique-se!, que capacita profissionais na área de educação musical. Além disso, Ricardo desenvolve uma pesquisa de mestrado sobre batalhas de improviso de rima no hip hop, no departamento de Antropologia da USP.




Entrevista com Ricardo Teté para o site Música para Viagem.

O início da carreira de Teté como cantor e compositor foi marcado pela conquista do primeiro lugar no Festival Vinícius de Moraes com a canção “Cios da Língua”, feita em parceria com Rodrigo Castilho. Organizado pela editora Companhia das Letras em 1994, o festival tinha em seu júri Arnaldo Antunes, Chico Buarque e Péricles Cavalcanti. Em 1999, a música “Beijo Roubado” (parceria com Danilo Moraes e Rodrigo Castilho), foi gravada pelo grupo Rastapé e entoada por milhares de casais rodopiantes, tornando-se um sucesso do dito forró universitário. (Já em seu novo álbum Geringonça, a música "Beijo Roubado" ganhou singeleza com o belíssimo arranjo de sopros de Stéphane Guillaume). Depois dessa fase, Teté, juntamente com Danilo Moraes –- seu parceiro em dois discos e dezenas de composições --, tornou-se conhecido ao protagonizar a última vaia memorável de um festival de música na TV, em 2005. A sofisticada “Contabilidade”, com arranjo desconcertante e letra ousada, arrebatou o primeiríssimo lugar do Festival Cultura, conquistando a crítica e causando estranhamento na plateia, cujas vaias lembraram o histórico Festival da Record de 1968, quando Caetano Veloso foi zombado ao apresentar “É proibido proibir”. Entregue por Gilberto Gil -- “Viva a vaia!”, comemorou o então Ministro --, o prêmio permitiu a gravação do segundo disco da dupla, de sugestivo título A Torcida Grita!, e a participação no programa Ensaio, dirigido por Fernando Faro e exibido pela TV Cultura.


Agora, morando de novo no Brasil, Ricardo Teté lançou Geringonça, seu primeiro álbum solo, também por aqui. Produzido em 2007, pelo selo Oplus Music (o mesmo que lançou os cantores Céu e Siba na Europa), o álbum recebeu direção do jazzista belga David Linx (que já cantou ao lado de artistas como o pianista cubano Gonzalo Rubalcaba e a cantora portuguesa Maria João). E o cast de sidemans só comprova que Teté e Linx souberam escolher minuciosamente os músicos para a gravação do álbum. Participam do projeto, por exemplo, quatro grandes músicos virtuoses ligados aos cenários da música instrumental brasileira, do jazz e do avant-garde: o bandolinista brasiliense Hamilton de Holanda, o violonista baiano Nelson Veras (a algum tempo radicado na França), o guitarrista francês Marc Ducret (que ficou muito conhecido por participar dos álbuns indiossincráticos do saxofonista Tim Berne, expoente do free jazz americano) e o tecladista, também francês, Paul Brousseau -- e daí, surge aquele misto de brasilidade com a sofisticação artística européia, um exemplo da já conhecida harmonia e amizade entre franceses e brasileiros e vice-versa. Na percussão colaboraram o argentino Minino Garay e o baiano Zé Luis Nascimento. Já os arranjos para metais, ouvidos nas canções “Geringonça” e “Tristeza pé no chão”, ficam a cargo do arranjador Laurent Cugny, que chegou a ser parceiro e amigo do legendário arranjador Gil Evans, aquele mesmo que trabalhou com Miles Davis em alguns trabalhos seminais do estilo "third stream". Além desse cast list de sidemans um tanto primoroso, Ricardo Teté conseguiu que a célebre atriz francesa Irène Jacob (estrela do filme “A Fraternidade é Vermelha”, do polonês Krzyszof Kieslowski e de dezenas de outros filmes europeus) emprestasse sua voz para uma faixa do álbum: fã de Irène Jacob desde adolescente, o cantor a conheceu em Montmartre, bairro de Paris, ele onde estudava música e ela morava; daí ficaram amigos e, assim, quando ele fez uma versão em português para a canção “Il ne Faut Pas Briser un Rêve”, pensou em convidá-la para um dueto, já que a atriz sempre foi muito ligada à música e pouco antes havia participado do álbum do cantor Vincent Delerm; ela topou e, além de cantar essa canção, participou do show de lançamento de “Geringonça” em Paris, no Cafe de la Danse. Essa parceria motivou a participação de Teté nas gravações de Rio Sex Comedy (filme em pós-produção de Jonathan Nossiter, diretor do elogiado documentário Mondovino), cantando sua música ao lado de Charlotte Rampling e da própria Irène Jacob.



Como já insinuei, o álbum Geringonça é um misto de poesia rebuscada, um quê de sofisticação européia e uma pegada rítmica proeminentemente brasileira, basicamente revezando-se entre o samba, a balada e a chanson (canção popular francesa) -- mas a pegada é sutil e renovadora; não há nada daquele revival cristalizado que apenas faz uma reexposição de algo já ultrapassado, como aquelas releituras antiquadas de samba ou bossa-nova, algo que costuma soar velho e sem nenhum acréscimo de criatividade. Trata-se de um álbum que evoca uma certa brasilidade casada com uma tênue contemporaneidade expressa através de arranjos sutis: nada de inovador, mas algo muito fresco e agradável! A faixa título, por exemplo, é uma melodia lírica, sob a levada de um groove moderno de samba, que começa com voz, violão e tamborim, sendo logo acrescida de sutis efeitos de sintetizador moog e repostas improvisadas com instrumentos de metais. Já a serene canção "Relativismo", de letra reflexiva, é no estilo voz-banquinho-violão com o acréscimo de um baixo acústico e com ecos longínquos de uma cuíca. E há outras canções que se destacam muito mais pelo viés poético e imagético: "Nau de Ícaros", onde o guitarrista Marc Ducret dá o seu tempero, nos presenteia com situações imagéticas que se passam por diversas cidades e locais do mundo, mas como num outro mundo hipotético com "outra lei, outra desordem" -- as cidades citadas na letra são Porto Alegre, Havana, Praça Castro Alves, Seattle... Uma outra faixa que é destaque é "Rimas", composta por Teté em parceria com o jazzista italiano Aldo Romano: a introdução é feita pelo scat vocal de David Linx, com a percussão vocal de Minino Garay ao fundo, enquanto a canção é entoada por Teté na superfície; em seguida, surge o acompanhamento e os improvisos do violão virtuoso e ao mesmo tempo singelo de Nelson Veras. Depois é a vez do sonórico bandolim de Hamilton de Holanda brilhar: o bandolinista acompanha Teté na melancólica canção "Depois do Carnaval" -- trata-se de um clima intimista proporcionado apenas através do violão, voz e bandolim. O cantor volta ao samba com uma bela releitura da velha "Tristeza Pé no Chão", canção original do desconhecido sambista mineiro Armando Fernandes. Mas o álbum segue com surpresas que vão além do conjunto de sambas intercalados com canções nostálgicas: uma dessas surpresas está na faixa "Toda Aquelas Palavras", que é mais uma espécie de "spoken word" (palavra falada) com um fundo de percussão, uma letra (baseado num poema do escritor André Sant’anna) que é basicamente recitada; outra delas é a canção "She's a Fish", cantada em inglês. O álbum termina com a chanson francesa “Il ne Faut Pas Briser un Rêve” para a qual a atriz Irène Jaco empresta sua voz e, por fim, a canção "Oito Algarismos", que nos lembra um pouco das levadas e do jeitão das composições do mineiro João Bosco. E assim, Ricardo Teté compõe um álbum que é um misto de nostalgia alegre com melancolia; um álbum que evoca uma certa brasilidade mas que adiciona à ela um "quê" de contemporaneidade européia. No Brasil, o álbum foi lançado em 2009 pelo selo Scubidu Produções e está sendo distribuido pela Tratore. Para escutar o álbum na íntegra na Radio UOL, basta apenas clicar no link abaixo. Gostou e quer comprar? Clique sobre imagem do álbum aqui mesmo neste post para acessar mais informação e acessar o site da Fnac!.

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