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Trane, Shorter, Rollins, Miles, Hancock e a "Parábola da Pizza"


Uma crítica-comentário do Sonórica, blog com opiniões sobre política, arte e vanguarda, me chamou a atenção para o fato da não-variabilidade da nossa apreciação ou, pra ser mais simples, da nossa superestimação à músicos que se repetem insenssantemente nos holofotes, capas de revistas, livros de biografias, posts de blogues e nas estantes das lojas de discos. Ou seja, as pessoas costumam sintetizar o universo do Jazz - que, por si só, é de uma imensidão quase imensurável - em três, quatro, cinco nomes manjados, como por exemplo: Sonny Rollins, Wayne Shorter, Miles Davis e John Coltrane. A revista Downbeat, por exemplo, sempre coloca no pódio de Melhores Saxofonistas do Ano esses veteranos ativos desde 50 anos atrás como Wayne Shorter e Sonny Rollins, deixando novos jovens e brilhantes músicos e compositores na obscuridade. Pat Metheny, desde os anos 80, perdeu as contas de quantas vezes já esteve no topo da lista. O mesmo fato se repete com o trompetista Wynton Marsalis que parecia ser imbatível desde os anos 80, recentemente deixando o posto ora para Dave Douglas, outrora para alguns dos trompetistas já conhecidos como Terence Blanchard e Nicholas Payton, enquanto outros jovens brilhantes como Jeremy Pelt e Alex Sipiagin foram pouco ou nunca lembrados. Mas afinal quais são os critérios? O critério é técnica? O critério é criatividade? O critério é vendagem? Porque insistem em colocar em evidência sempre os mesmos veteranos, enquanto há novos e brilhantes músicos tentando conquistar o seu espaço? Não, na verdade não dá para aprofundar o julgamento à Revista Downbeat, já que ela nem sempre comete injustiças: novos e brilhantes músicos-compositores como Wycliffe Gordon, Jason Lindner, Vijay Iyer, Maria Schneider foram alguns que conseguiram boas colocações nos rankings da revista e, consequentemente, passaram a ser mais amplamente apreciados pelo grande público de Jazz, diversificando, assim, o leque para apreciação ao novo Jazz. Mas quanto à superestimação à veteranos como Sonny Rollins e Wayne Shorter, dá-nos a impressão que o que prevalece é o puxasaquismo dos delegados contratados pela "Bíblia do Jazz". Não que Shorter e Rollins não possam ser mais considerados expoentes do Jazz Contemporâneo apenas pelo fato de já serem veteranos desde os anos do Hard Bop - haja vista que eles são músicos que, ao invés de envelhecerem, atualizaram suas sonoridades e sintonizaram-se com as roupagens impostas pelos jovens das ultimas décadas -, mas os anos passam e novos e brilhantes músicos vão sendo esquecidos, ou ainda velhos músicos que poderiam ser lembrados ficam ainda mais afundados na obscuridade.

Outro fato problemático, é aqui mesmo no Brasil. Nas cidades urbanas como São Paulo, onde temos a oportunidade de assistir e compartilhar novas sonoridades, comprar discos variados e nos aventurar por novos dialetos do Jazz e da Música Instrumental Brasileira, as pessoas são infectadas pelo comodismo. A questão já começa a ficar clara pela falta de atenção que a mídia brasileira dá à musica instrumental: bandas pop como Cansei de Ser Sexy, Sandy & Júnior e NXZero têm total divulgação e respaldo da mídia onde quer que sejam os shows; já as apresentações de música instrumental que acontecem nos Sescs, nas poucas casas de Jazz e nos grandes festivais , raramente encontram espaços em jornais como o Folha de São Paulo ou Estado de São Paulo, ou ainda na popular Revista Veja, revista que tem uma abrangência nacional e de classes variadas. Quando há alguma divulgação, o espaço é tão pequeno que chega a ser insignificante como meio de incentivo à cultura e música bem elaborada.

clique para ampliarA propósito, aconteceu um caso raro: a Revista Veja dedicou uma página de entrevista com seis perguntas para o grande saxofonista Sonny Rollins que veio se apresentar no Tim Festival de 2008. Pequenas dedicações como estas seriam importantes para ampliar o público do Jazz se acontecessem regularmente: ao menos iria despertar curiosidade em pessoas que estão em busca de conhecer mais o gênero ou que não ainda nunca tiveram contato com a música instrumental. Mas o que caracteriza o comodismo da mídia especializada em cultura e das pessoas em geral é que o jazz é resumido em três, quatro ou, no máximo, cinco nomes manjados do gênero. Contra esse fato, o grande Festival Tudo é Jazz de Ouro Preto é um dos eventos que mais têm procurado mostrar os novos músicos e as novas sonoridades que estão despontando no Jazz Contemporâneo e na Música Instrumental Brasileira. Mas as maiorias das pessoas, que dizem gostar de jazz, se limitam a comprar apenas clássicos de músicos conhecidos como A Love Supreme e Kind of Blue - e só estão comprando agora por causa de um incentivo impulsionado pelo marketing da editora que lançou as recentes biografias de John Coltrane e Miles Davis - pois, passado essa onda, as pessoas estacionam, não compram mais nada, não se dão ao luxo de conhecer músicos novos, ou mesmo músicos que ficaram na obscuridade (como a maioria dos músicos de Free Jazz), ou seja, não se dão ao luxo nem correm o risco de conhecer novas sonoridades, novas aventuras sonoras, novas esperiências e, por consequência, novas descobertas. E aí se encaixa a “Parábola da Pizza”: As injustiças na música chamada Jazz, sempre existirão, nunca terão fim, isto é fato. Mas a questão aqui não é sobre injustiça, mas sobre o comodismo, a rotina, a falta de interesse em buscar novas experiências, principalmente entre os paulistanos. É triste, pois a música oferece um amplo campo de apreciação, mas parece que muitos preferem passar décadas escutando só A Love Supreme e Kind Of Blue... Pegue um cardápio de qualquer pizzaria de bairro que entrega à domicílio, tem mais de 30 tipos de combinações e não é nada que seja gritante ao paladar do brasileiro, como partes intestinais de animais e insetos, como se vê na culinária chinesa, mas há muitas há muitas pessoas que sempre pedem muzzarella, calabreza, catupiry ou portuguesa, uma coca ou guaraná... e os anos passam...e as pessoas acabam se limitando e padronizando a vida em alguns poucos clichês" Conclusão: para a maioria das pessoas conhecer apenas Wayne Shorter, Miles Davis, Herbie Hancock, Sonny Rollins e John Coltrane, parece ser o essencial ( e os outros músicos como ficam?). Esse comodismo se constata até nos grandes foruns de Jazz que acontecem no Orkut: as comunidades paralisam depois de um certo tempo, pois as pessoas falam tanto nos mesmos músicos que depois já não têem mais o que discutir. E o tempo passa...e nada...apenas vemos que nós brasileiros nos costumamos com tão pouco... tão pouco em termos de arte, em termos de ambição profissional e educação, em termos de política, e por aí vai. Aqui no Brasil, por exemplo, a mídia e a maioria do público também estacionaram-se na Bossa-Nova, um gênero que revolucionou a música brasileira a 50 anos e, ainda hoje, é vista, por essa maioria desavisada, como o modelo definitivo de modernidade. E só tem essa atenção porque esteve, desde o início, ligada mais à canção e boemia carioca do que à música instrumental em si: Stan Getz, que Deus o tenha! Os discos e nomes seminais da Música Instrumental Brasileira Contemporânea não costumam aparecer aos fascículos na TV nem nos Jornais e nem nas revistas; e as pessoas, por sua vez, também não se interessam em novas descobertas.



7 comentários:

akirarw disse...

Pois é, neste ponto o Jazz tem muita similaridade com as seitas islâmicas, judaicas, hinduístas, onde qualquer atitude fora dos conceitos fundamentalistas gera a punição de morte. No Jazz pode não haver a morte ou assassinato físico em sí, mas a morte no sentido da negação, ostracismo, banimento representam tal morte. Mas o que morre de fato é o contemporâneo. Aqui em São Paulo a maioria dos grupos de "jazz" se expõem ao ridículo de imitarem os solos dos músicos do passado, dizendo que estão improvisando. Como a maioria dos ouvintes carece de informação musical, não percebe isto e consomem uma arte cadaverizada como se fosse a cereja do bolo. E aqui o jazz parou nos anos 50! O brasileiro não entende que o jazz está na vida dos norte-americanos, existe uma tradição, não uma mumuficação. O New Orleans não é mais o mesmo, nem o Congo Square. Muita coisa é preservada por questão de documento histórico e turístico, mas o jazz continua caminhando, sempre em frente, seja com o Neo-Bop, o M-BASE, a Free improvisation, o Free jazz. Eles usam os elementos ditos tradicionais não por referência estética, mas porque são parte de sua essência e não soa como uma coisa de parque temático, como grupo de jazz "New Orleans" paulistano.

akirarw disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Vagner Pitta disse...

...


concordo em certo aspectos: não vejo nenhum problema em tocar standards, pois eles tbm são importantes para aprender improvisar e para educar o público iniciante. Mas é verdade que há músicos que estacionam! Ficam tocando sempre as mesmas coisas: bossa nova, standards, balladas e repertórios de fácil aceitação; ou seja, muitos dos músicos não se preocupam em adquirir técnica, nem em buscar um estilo próprio,um estilo pessoal, não se preocupam em compor algo pessoal, em trilhar por novos e desafiadores caminhos. Aqui no Brasil, quando as pessoas falam no dito "jazz Brasileiro" dão alguns exemplos manjados como Tom Jobim, Milton Banana, Stan Getz, Zimbo Trio...aí a pessoa fica escutando esse som por décadas e já acha que conhece música instrumental brasileira. Raramente o grande público busca por conhecer trabalhos de músicos e bandas brasileiras como dudu lima, michel leme, hamilton de holanda, Gabriel Grossi, Trio Azimuth, Cama de Gato, Mente Clara, Mauro Senize, Carlos Malta, Ivo Perelman, Zé Eduardo Nazário, Léa Freire, Caíto Marcondes, e músicos afins que realmente trabalham as brasilidades através de formas pessoais, únicas e inovadoras...


...o blog Farofa Moderna tem esse papel de tentar mostrar coisas difererentes dos clichês habituais: sejam discos de músicos "unsung heroes", seja discos de músicos novos que estão despontanto agora, independente de serem da linha mainstream ou da vanguarda...o importante é abrir o leque para a apreciação do Jazz e Música Instrumental Brasileira...porque esses idiomas não educa só os nossos ouvidos: o Jazz e a música instrumental nos educa para a Vida, haja vista que, através de escutar e entender os movimentos e contra movimentos do jazz, aprendemos a lidar com os vários níveis de arte, com as várias raças, com as várias personalidades...é tudo uma questão de relação e diálogo entre pessoas diferentes na raça, na fé, na ideologia... do mesmo modo que músicos de vertentes distintas se juntam pra tocar numa jam session...


abrax!

Johnny Griffin disse...

É, meus amigos, inúmeras instâncias regulam essas "escolhas". Uma estrutura ampla e complexa que envolve gravadoras, selos, revistas, críticos, agências de publicidade, público, entre outros fatores, determinam a eleição de ícones representativos de setores específicos da produção artística - isso porquê, esse problema não é restrito ao "mundo" do jazz.
O fato é que não estamos mais na era do standards, mas dos pastiches que, muitas vezes, são "vendidos" como produtos resultantes da genialidade artística - como isso pudesse existir algum dia!
A grande alternativa tem sido espaços como os blogs que procuram dar um enfoque diferenciado às produções e que procuram fugir às leituras formatadas da grande indústria do entretenimento - esta que afirma que Kind of Blue ou A Love Supreme são suficientes para se compreender as respectivas obras de Miles e Coltrane, ou até do próprio jazz, como um todo.
Sabemos que isso é uma generalização primária; e daí o papel importante desses núcleos de produção (e difusão) de conhecimentos alternativos que recapitulam tais questões e às recolocam a partir de uma leitura mais acurada dos fatos.
Enfim, sigamos em frente!
Abraço a você Vagner e a você Akira!

BORBOLETAS DE JADE disse...

Tudo se resume nas escolhas que fazemos ao longo da existencia do que chamamos de vida. E o jazz e sua derivações nao seria diferente sem antes analizar o seu conteudo que resula em escolhas como Johnny Griffin resaltou.Existe o musico e a musica, a revista e o leitor, o fundamenntalista e a ideologia, o jazz e a arte de transpor limites com instrumentos entre outras coisas.Belo comentario Pitta,traduz um pouco as sobras do que abastece na chanmada diferenças.

akirarw disse...

Sobre a matéria de Sonny Rollins na Veja, tem o lado positivo de colocar uma matéria relevante. O negativo é que Sonny Rollins está sendo tratado de forma um tanto equivocada, explico. Tendo por base no que está na boca das pessoas que se dizem apreciadoras de Jazz(não são todas), estão tratando Sonny como um fetiche museológico, pois como eu postei no meu blog, a maioria nem liga para que o Sonny tem feito nos últimos 30 anos, inclusive as novas gravações de Rollins são semelhantes aos novos artístas que os moderninhos falam mal ou ignoram, como James Carter, Greg Osby, etc. É muito mais pelo fato de Sonny ser um dos últimos sobreviventes do Hard-Bop, não pelo que tem produzido atualmente. Fica aquele fetiche das gravações e capas de disco da Prestige, Blue Note, Impulse. Um exemplo, tinha uma loja de discos que eu frequentava e os moderninhos também e eles só compravam os LP's com as famosas capas feitas por Reid Miles(designer e fotógrafo da Blue Note e Prestige) por exemplo e mesmo tendo discos até melhores do mesmo artísta, só que com capas meio "cafonas"(mera questão estética de época, como no anos 70 e 80), nem se interessavam. Resultado, eu me beneficiei disto e pude adquirir ótimos discos de Rollins, Bobby Hutcherson dos anos 70, com capas que não eram lá muito atraentes, mas só que com um conteúdo espetacular. Outro exemplo, meu amigo queria comprar algo do Lee Morgan e acabou encomendando sem saber o último disco dele, com o Billy Harper. Ele reclmou achando que deveria ser um disco ruim(?!) meramente pela capa ser o Lee todo de azul, naquele típico design dos anos 70. Ele queria a capa da Blue Note, como o Leeway, que é um ótimo disco, mas Lee Morgan ainda estava dividido na sua personalidade musical, pois ainda tinha forte influência de Clefford Brown( não que isso seja ruim). Justamente depois, dos anos 60 até sua morte no início dos 70, é que ele amadureceu e fez grandes gravações. Muita gente confessa que compra o disco pela capa, mesmo tendo a oportunidade de ouvir antes. O que eu coloquei aqui é um dos fatores que acarreta este digamos, problema.

Pablito Barros disse...

Já estava me preparando para descer a lenha nesse artigo. Mas ao terminar, não tive como não aplaudir de pé (jeito de falar, claro). Especialmente, no final, em que em poucas linhas, disse tudo o que penso sobre a bossa nova. Parabéns!
Obrigado por manterem esse blog.
Um abraço!

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