BandCamp - Música Independente!
Bandcamp!
Site do Vagner Pitta: Acervo de jazz: discos e fotos!
Site do Pitta
Siga-nos no twitter: dicas, vídeos, links gerais sobre música!!!
Twitter/Siga-nos!
Confira todos os links que indicamos no Farofa Moderna Links!
Best Albums
Facebook do Vagner Pitta
Grupo no Facebook
Last.Fm - Playlists de Vagner Pitta
last.fm - Playlists
Confira nosso acervo de vídeos!!!
Great Videos!
contato.vagnerpitta@hotmail.com
OBS: Produtores, músicos, escritores e outros que quiserem divulgar no Blog Farofa Moderna, consultem nossas políticas na página ABOUT US e contate-nos.
Para uma melhor visualização do blog, use o navegador Google Chrome/To better view the blog, use the Google Chrome browser

Welcome to Blog Farofa Moderna! Search bellow:

Highlights: ensaios, lançamentos, curiosidades, posts mais lidos e etc

Música Erudita!
Eric Dolphy
Eletronic+Jazz!
London Improvisers
Hamilton de Holanda
Mario Pavone
Lançamentos!
Max Roach!

Views since May/ 2010

Translate

Mostrando postagens com marcador Jazz e Artes Plásticas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jazz e Artes Plásticas. Mostrar todas as postagens

Jazz LPs: a tenacidade das cores e traços de David Stone Martin

0 Comentários


Movido pelas conexões que o jazz, a partir do estilo do bebop, estabeleceu com as artes em geral -- dado que de pintores modernos (Matisse) e vanguardistas (Pollock) à poetas beatniks (Ginsberg) usaram as intrincâncias sonoras jazzísticas como meio de inspiração para suas obras --, o Farofa Moderna tem reunido um conjunto de resenhas e amostragens sobre pintores e designers que se inspiraram no gênero ou trabalharam com ele diretamente -- como é o caso, por exemplo, do famigerado Andy Warhol (que antes de delimitar a pop arte, ilustrou capas de discos de jazz) e do fantástico designer e cartazista alemão Günther Kieser, vide postagem através do tag "Jazz e Artes Plásticas". Assim, de tempos em tempos -- e depois de algum tempo de pesquisa isolada --, sempre apresentamos alguma curiosidade interessante do mundo das artes que tenha alguma conexão com o jazz: neste post falo do ilustrador e designer americano David Stone Martin, que recentemente ganhou uma exposição no Jazz At Lincoln Center, Nova Iorque, sob a curadoria do Institute of Jazz Studies, da Rutgers University.


























David Martin (1913-1992) foi graduado ainda nos anos 30 no Art Institute of Chicago, trabalhando eventualmente para agências de publicidade governamentais, sendo responsável por murais do Federal Artists Project, diretor de arte no Tennessee Valley Authority, diretor de artes gráficas no Office of Strategic Services e diretor de arte no Office of War Information, onde trabalhou com o artista plástico e ilustrador Ben Shahn, uma das suas maiores influências. Logo depois, nos anos 50, David Martin enveredou-se, também, para a publicidade nas áreas musical e midiática, ilustrando capas de discos para gravadoras e selos como Verve, Mercury, Clef, Dial, Norgran, RCA Victor e, posteriormente, trabalhando para holofotes como o canal de TV CBS, as revistas Time e Life Magazine, dentre outros canais midiáticos. Com coleções expostas no Museu de Arte Moderna e Metropolitan Museum of Art, em Nova York, bem como no Art Institute of Chicago e no Smithsonian Institution, suas diversas obras, ao todo, incluem ilustrações em LPs e livros, além de inúmeros cartazes, outdoors e anúncios para cinema, televisão e teatro, incluindo o repertório de produções de teatro no Lincoln Center, nos anos 60 e 70. Ele também ganhou vários prêmios da Society of Illustrators e Art Directors Clubs de Nova York, Boston e Detroit.
























Em artigos arquivados em revistas de jazz e sites de revistas especializadas em artes gráficas diz-se que David Stone Martin captou como poucos a nostalgia, beleza e energia do jazz através da sua arte. Conhecido por suas silhuetas e caricaturas em álbuns de jazz -- quase sempre usando apenas uma, duas ou três cores primárias, às vezes imprimindo um estilo minimal com linhas finas, outras vezes imprimindo traços cheios e delineáveis --, David Martin ilustrou mais de 400 álbuns para grandes e pequenos selos, tendo estabelecido uma grande estadia sob a supervisão do legendário produtor suiço Norman Granz, fundador de, pelo menos, cinco selos: Clef, Norgran, Down Home, Pablo e Verve Records, sendo esse último a fusão de todos os outros anteriores e o único a ter conseguido sucesso, de modo que hoje é uma grande divisão da gigante Universal Music Group. Aliás, você, caro leitor que é aficcionado por jazz, talvez já tenha aí em sua estante alguma capa ilustrada por David Martin: digo isso porque, apesar de a maioria dos discos ilustrados pelo artista serem raros e escassos na versão digital nas lojas físicas e virtuais, a capa do álbum All Or Nothing At All (Verve, 1957) da cantora Bilie Holliday é conhecidíssima, sendo que o próprio álbum deve ser encontrado facilmente em CD -- lembrando que pra quem gosta da arte do vinil até há algumas vendas de LPs dessa estirpe em sites como e-Bay e Amazon, mas, por serem raridades, costuman ultrapassar a casa dos 100 dólares. Ademais, além das capas que David Martin ilustrou para as famosas séries especiais de Norman Granz, incluindo a legendária série Jazz at the Philharmonic, ele fez caricaturas e ilustrações em albuns de Stan Getz, Count Basie, Charlie Parker, Coleman Hawkins, John Coltrane, Ella Fitzgerald, Dizzy Gillespie, Jelly Roll Morton Duke Ellington, dentre muitos outros. Clique nas imagens para acessar outros meios de informações sobre David Martin.



Jazz & Art: Romare Bearden, Stuart Davis, Mondrian, Matisse, Pollock and others!

0 Comentários
O Jazz at Lincoln Center, de Nova York, sob a direção do trompetista, compositor e diretor artístico Wynton Marsalis, tem apresentado, nos últimos anos, uma série de concertos -- com músicos e compositores convidados atuando junto à sua magnífica Lincoln Center Jazz Orchestra -- chamada Jazz and Art, a qual mostra a intersecção das artes plásticas com o jazz: enfatizando tanto pintores que se inspiraram no jazz, como Henri Matisse, Stuart Davis e Romare Bearden, bem como em compositores do jazz que se inspiraram ou se inspiram em pintores, tais como Duke Ellington fez em "Degas' Suite" e Ted Nash fez Portrait in Seven Shades", uma suíte de sete peças inspiradas em Monet, Matisse, Van Gogh, Pollock, Chagall, Dalí e Picasso, obra encomendada pelo próprio Wynton e patrocinada por sua instituição a partir de 2007 (inclusive,  há uma resenha aqui no blog sobre o compositor e a obra, bem como vídeos e aúdios para escutar as peças). A série é um sucesso de público e crítica: além de apresentar novas composições, fomentando o universo lúdico e imaginário dos compositores encomendados, tem como base um propósito pedagógico de "educar" o público, traçando paralelos criativos entre as duas artes. Na sessão do Jazz at Lincoln Center Radio já foram colocados dois programas: Jazz and Art I -- programa dedicado estritamente para apresentar a mega composição Portrait In Seven Shades, de Ted Nash -- e Jazz and Art II -- esse apresentando composições inspiradas em outros pintores, tais como Mondrian, Romare Bearden, Stuart Davis, dentre outros. Clique nos links abaixo para ouvir tais programas. E, caso queira saber mais sobre esses e outros pintores, bem como sobre as relações entre a arte do jazz com a arte da pintura, clique na tag "Jazz e Artes Plásticas" e/ou clique nas imagens apresentadas neste post. Boa Viagem!

110 St. Harlem Blues - Romare Bearden (Collage)

Music is like a painting that exists in time; painting is like music that exists in space. Bill Frisell, Papo Vazquez, Doug Wamble and the Jazz at Lincoln Center Orchestra create musical portraits inspired by the paintings of Romare Bearden, Stuart Davis, Piet Mondrian and more. Join us for this exciting mediation on the art of creation. Hosted by Wendell Pierce.



Les Codomas ( for "Jazz") - Henri Matisse

From the "Utility Wild Man" of the Jazz at Lincoln Center Orchestra - saxophonist Ted Nash - a commission inspired by 20th century paintings from the Museum of Modern Art in New York. Nash renders Monet, Van Gogh, Dali, Matisse, and more in the language of jazz - from the canvas to the stage in seven movements. Hosted by Wynton Marsalis.

Jazz & Arts: As geniais impressões de Ted Nash em Portrait in Seven Shades

2 Comentários











Bem vindo ao universo das grandes peças escritas para big bands contemporâneas. Nos últimos anos ao menos quatro álbuns com big bands ou grandes ensembles tiveram merecidos destaques: Sky Blue de Maria Schneider, Congo Square de Wynton Marsalis, a free improvisation Exploding Star Orchestra with Bill Dixon (projeto de Rob Mazurek) e Appearing Nightly de Carla Bley. Wynton Marsalis é, sem dúvida, o maior compositor de jazz das últimas décadas no que diz respeito à peças de grande porte – suas suítes temáticas, peças jazzísticas para balé moderno, ou até mesmo suas pioneiras peças eruditas para conjuntos de câmera e orquestra sinfônica são célebres e elogiadas por maestros exigentes e universais do porte do alemão Kurt Masur e do japonês Seigi Osawa. Contudo, quem gosta de trabalhos orquestrais ou para big bands, e esteve acompanhando os últimos realizados no âmbito do jazz norte-americano, há de concordar que a compositora Maria Schneider e sua orquestra vinham dominando os holofotes com álbuns muito bem elaborados e, por consequência, muito bem aclamados pela crítica especializada – tratando-se estritamente de big band, Maria foi, merecidamente, a “diva” dos anos 2000, a grande bandleader escolhida pela Downbeat para essa década. No mesmo período, o poderoso Wynton Marsalis, que nesse âmbito de peças extensas esteve mais focado em escrever obras para orquestras sinfônicas do que para combos de jazz, também lavrou dois álbuns extraordinários com a sua Lincoln Center Jazz Orchestra, mas sem monopolizar toda aquela grande atenção e unanimidade que ele detinha em torno de si na década de 90: um é o A Love Supreme, uma releitura fantástica para big band da icônica obra que Coltrane compôs originalmente para quarteto na década de 60 e o outro é, justamente, o Congo Square, uma composição que une a big band LCJO com o grupo africano Odadaa!, ensemble de Gana, numa moderna celebração às origens do jazz e da música afro-americana que já podiam ser vistos e sentidos desde o início do século XIX na praça Congo Square em New Orleans, o único lugar onde os negros escravos podiam celebrar sua música e dança, bem como mostrar o que tinham aprendido com a música protestante da época – e aí nesse álbum, tanto a composição em si como a interação entre big band e ensemble de tambores e vozes são, no mínimo, geniais. (Click nas tags no final do post para acessar as obras para big band de Wynton Marsalis e Maria Schneider)


Ted Nash, o músico e compositor

Enfim, se você gosta de big bands e já curtiu os trabalhos citados, irá gostar da boa notícia que esse post traz. Na verdade, o que quero com esse post é glorificar o último projeto do, até então, subestimado compositor e saxofonista Ted Nash, um dos 15 membros da Lincoln Center Jazz Orchestra e um dos cinco componentes do grupo progressista de compositores nova-iorquinos chamado Jazz Composers Collective. Quem esteve antenado na carreira de Maria Schneider e Wynton Marsalis e ouviu os últimos trabalhos de ambos para big band, pode se arriscar sem medo à adquirir o último disco de Ted Nash chamado Portrait in Seven Shades, uma obra constituída de sete movimentos que une a arte do jazz -- do bebop ao free jazz -- com impressões de sete dos maiores mestres das artes plásticas: Chagall, Dali, Matisse, Monet, Picasso, Pollock e Van Gogh. Já na casa dos cinqüenta anos de idade, Nash nunca foi um saxtenorista “estrela” ou uma “celebridade” do jazz como era Michael Brecker ou como são Branford Marsalis e Joe Lovano: até o final da década de 90, por exemplo, sua repercussão se resumia na atuação como um dos grandes solistas da Lincoln Center Jazz Orchestra, de Wynton Marsalis. Após a fundação do Jazz Composers Collective – que além de Nash, é composto pelo contrabaixista Ben Allison, pelo pianista Frank Kimbroug, pelo saxofonista Michael Blake e pelo trompetista Ron Horton – Ted Nash iniciou uma sequência primorosa de projetos peculiares e álbums muito bem compostos – a começar pelo fabuloso álbum Rhyme & Reason (Arabesque, 1999), que traz composições super modernas numa interação entre um quarteto convencional de jazz -- sax-piano-baixo-bateria -- com um quarteto de cordas, tendo a violinista Miri Ben Ari e o próprio Wynton Marsalis como convidados especiais. Pois bem, daí em diante álbuns e projetos cada vez mais distintos e requintados viriam a surgir: dentre eles, destaca-se o quinteto Still Evolved (registrado pela Palmetto Records num disco homônimo em 2003, também com a participação de Wynton), o quinteto Odeon constituído por sax/clarineta, acordeon, tuba, violino e bateria (registrado pela Palmetto Records no disco La Espada de La Noche, de 2005) e o Mancini Project (um projeto, também pela Palmetto, que revisita as composições de Henry Mancini em formato de quarteto sax-piano-bateria-baixo). Com trabalhos de tanto requinte e distinção, Ted Nash não demorou para ser considerado umas das grandes revelações do início do século, conquistando críticos da mídia nova-ioquina e formando seu público de admiradores. O próprio Wynton Marsalis, como excelente descobridor de talentos que sempre foi, já mostrava admiração pelo saxofonista desde seus primeiros trabalhos, dispondo-se a ser um “sideman de luxo” em seus discos. Aliás, foi através da sua elegância e distinção como solista e compositor, que Nash ganharia a confiança de Wynton Marsalis. Além de ser um convidado especial em seus discos, Wynton passou a lhe encomendar arranjos para sua big band. E o fruto dessa amizade de confiança é justamente essa peça chamada Portrait in Seven Shades: talvez por estar focado em composição para orquestra sinfônica (ou em outros projetos) e não estar mais disposto a escrever novas obras para a Lincoln Center Jazz Orchestra num primeiro momento, Wynton Marsalis chamaria Ted Nash em particular para solicitar uma nova composição para sua big band – “Gostaria que você escrevesse, para gravar num futuro próximo, uma nova composição para a LCJO, mas preciso de um bom tema”, solicitou. Daí o tema que Nash escolheu foi a pintura moderna, universo que tanto lhe fascinou desde suas primeiras visitas nos museus de Nova Iorque, quando se mudou para a cidade aos 17 anos. Com recentes audições públicas no Jazz at Lincoln Center, a Portrait in Seven Shades é a primeira peça registrada em álbum com a Lincoln Center Jazz Orchestra que não foi escrita por Wynton Marsalis, mas sim por um membro da big band. Ted Nash, se continuasse a sofrer o ostracismo que vinha sofrendo na década de 80 e 90, até poderia ser visto, daqui uns 50 anos, como um daqueles saxofonistas célebres que não chegaram a ser grandes líderes, mas se eternizaram por serem grandes solistas de big bands como as de Duke Ellington ou Count Basie: falo de saxofonistas como o tenor Paul Gonçalves ou o alto Johny Hodges, por exemplo. No entanto, seus já citados trabalhos como líder à frente de combos e, agora, sua obra escrita para a big band LCJO, mostram o quanto ele ainda pode contribuir para o jazz: ou seja, no futuro Nash poderá ser visto não só como um dos grandes solistas da legendária Lincoln Center Jazz Orchestra, mas também como um dos maiores compositores que o jazz do início do século 21 produziu. A peça Portrait in Seven Shades é a principal obra em cartaz no Jazz at Lincoln Center para ser apresentada na série de concertos “Jazz and Art” onde também serão apresentadas obras de compositores que fazem alusão ao universo das artes como Duke Ellington (em “Degas Suite”), Coleman Hawkins (em “Picasso”), Maria Schneider (em “Some Circles”, para Kandinsky) e Jim McNeely.



Portrait in Seven Shades, a obra

Portrait in Seven Shades é uma peça em sete movimentos escrita para big band. Cada movimento é dedicado a um grande mestre da pintura. São eles Picasso, Van Gogh, Monet, Matisse, Chagall, Dalí e Pollock. Envolto na extrema dificuldade de escolher apenas sete pintores – já que o saxofonista é um amante inveterado da pintura moderna e conhece muito sobre vários pintores –, Ted Nash limitou sua escolha em artistas principais que viveram num período de cem anos, fazendo uma alusão aos cem anos de idade do jazz: ou seja do fim do período impressionista com Monet, passando pelo surrealismo de Dalí até o expressionismo abstrato dos anos 50 e 60 com Jackson Polock – Nash acredita, enfim, que é possível fazer uma alusão desse período com o período entre o nascimento e desenvolvimento do jazz, no qual o idioma musical sofreu transformações similares às das artes. Com essa peça genial o compositor tenta captar, portanto, todo o universo sentimental e lúdico de cada um desses pintores, transformando essas impressões em música no âmbito do jazz. Por exemplo: no movimento Van Gogh, Ted Nash expressa, através de uma balada convencional na voz de Yola Nash, a tristeza de um pintor genial não reconhecido que vendeu apenas um quadro em vida e era apaixonado por uma prostituta; em Monet, Nash imprime uma harmonia impressionista com solos divididos entre alguns membros da big band, tentando captar as pinceladas do mestre francês; em Pollock mostra uma conexão entre o bebop, da época “beatnik” do início da carreira do pintor, com o free jazz, que capta tão bem sua fase expressionista e abstrata – é um dos pontos altos da peça, onde Nash mostra essas impressões através de frases e improvisos fragmentados – onde se destacam os improvisos de Wicliffe Gordon ao trombone e Bill Schimmell ao acordeão –, improvisos e arranjos os quais tentam captar os jorros e espirros de tinta que Pollock aplicava sobre suas telas; para Chagall, Nash compôs uma peça que capta um pouco da música erudita e da klezmer music (música judaica), fazendo alusão à influência judaica na vida e obra enigmática de Marc Chagall – destaque para Wicliffe Gordon na tuba, Natalie Bonin no violino, Bill Schimmel no acordeão e o próprio Ted Nash na clarineta (conjunto que, aliás, lembra a banda Odeon do disco La Espada de La Noche); já em Dalí, outro ponto alto da peça, Nash capta bem o surrealismo do pintor através de um groove contemporâneo e solos de sax e trompetes sobrepostos que criam efeitos até então inimagináveis (aí só ouvindo mesmo pra se ter uma idéia); já Matisse, por sua vez, expressa a dança e o swing com melodias e harmonias que imprimem bem o realismo de cores característico da pintura do mestre fauvista; por fim, o movimento denominado Picasso tenta expressar a origem espanhola do pintor cubista através de um clima espanho com um “flamenco” no início, seguido de “arpejos quadrados” sobrepostos e um desenvolvimento no swing do bop – onde Wycliffe Gordon, ao trombone, e Wynton Marsalis, ao trompete, aplicam solos no mínimo estonteantes – para, depois, voltar ao clima espanhol no fim do movimento.


Encomendada por Wynton Marsalis, diretor artístico do Jazz at Lincoln Center e líder da Lincoln Center Jazz Orchestra, a obra foi gravada em 2007 e lançada no íncio de 2010. Ted Nash conta que, para desenvolver os temas e arranjos, teve que pedir para que Wynton Marsalis, junto à presidência do Jazz at Lincoln Center, contatasse o Museu de Arte Moderna de NY , o MoMA, para permitir que ele tivesse acesso ao acervo e aos registros da biblioteca, onde poderia estudar as características de cada pintor. Gravado e lançado pelo selo inédito do próprio Jazz at Lincoln Center – já que Wynton Marsalis rompeu com as majors fonográficas para lançar seus trabalhos independentemente, trabalhos esses que serão distribuídos pela Orchard em lojas e no formato digital na internet (postura inovadora já adotada por músicos de sucesso como Maria Schneider e Ken Vandermark), Portrait in Seven Shades é um dos principais e maiores lançamentos de jazz do ano e, por que não, o melhor trabalho para big band de 2010. Vale a pena adquirir! Eu ia fazer o upload de duas faixas para colocar na audição de Maio aqui no Blog Farofa Moderna, mas um cidadão usuário do Youtube já disponibilizou as faixas para audição com slides de imagens em cada vídeo. Ouçam e assistam!


Clique nas imagens para ver e ouvir.

DalíPicasso






MatisseChagallVan GoghPollock

Andy Warhol, um renegado do jazz? Ele veio à São Paulo...

1 Comentários
Andy Warhol, o mito...


Você é sério com a arte? De jornalistas sérios à músicos sérios, de boêmios sérios -- leia-se: um tipo quase extinto de intelectual um tanto vagabundo que não sai dos botecos de jazz -- à filósofos, historiadores e críticos de arte sérios...todos apreciadores, enfim, que são sérios e que fomentam o fascínio pela evolução das artes já questionaram a arte pretensiosa do multiartista americano Andy Warhol (1928-1987), o expoente maior da chamada Pop Art, uma veia artística tão questionável quanto. Inclusive, falando das minhas próprias indagações, a questão que ainda ecoa em minha cabeça, e que deve ser a mesma questão que não quer calar na cabeça de ninguém, é essa:

"Sob quais argumentos reproduzir a imagem de um frasco de sopa Campbell's ou do rosto de um artista famoso -- fazendo, inclusive, apologia ao consumismo, à ícones e marcas do universo pop -- representa uma arte inovadora, propriamente dita, senão pelo viés daqueles já manjados engodos conceituais que tentaram -- e ainda tentam -- explicar vanguardices e, o pior de tudo, tentam dissociar a importância da técnica e da criatividade do processo artístico nas artes modernas?" Mas, se por um lado sua arte é polêmica e questionável, por outro lado seu nome e sua representatividade dentro do universo das artes plásticas e do showbusiness do século XX é, dessa vez sem engodo, bem maior que sua própria obra. Ou seja, há de se convir que a repercussão e influência de Andy Warhol são inquestionáveis dentro e fora do universo artístico -- isso é um fato até mesmo para os que, como eu, questionam a superficialidade das suas pinturas e gravuras em termos estritamentes artísticos.

Ora, por que? Andy Warhol transitou entre fashionistas, fez sua carreira em torno de polêmicas, apareceu entre personalidades da política e do mais alto escalão da mídia americana, criou e financiou artistas de renome mundial -- sendo Jean-Michel Basquiat (esse, sim, um gênio da pintura) e a banda The Velvet Underground, dois dos maiores exemplos) --, se embrenhou na produção de vários filmes conceituais que se tornaram preciosidades para cinéfilos e colecionadores vanguardistas e até criou bordões futuristas que ficaram célebres, tais como o "In the future everyone will be famous for fifteen minutes (No futuro, toda a gente será famósa durante quinze minutos)" -- e daí, eu pergunto aos leitores: Essa frase, aliás, não vos lembra era dos reality shows que presenciamos nesse início de século 21, onde meras pessoas comuns são transformadas em "artistas" de um dia para o outro? Pois então, são por essas e outras que eu concordo que Andy Warhol tem, sim, sua relevância e merece estar, sim, pregado na história do século 20 -- mesmo sua obra não tendo 1/3 da relevância -- em termos de se prezar a arte pela arte -- que têm obras magníficas de outros gênios da história das artes plásticas como, por exemplo, Henri Matisse e o próprio Jean-Michel Basquiat, seu protégé. Ademais, na minha opinião, revelar ao mundo o grande talento de Basquiat, foi a maior contribuição de Andy Warhol à arte, propriamente dita. A tese de que Warhol é o artista mais superestimado do século 20 é defendida, inclusive, por um dos maiores especialistas em artes plásticas do planeta, o crítico australiano Robert Hughes.


"Warhol foi uma das pessoas mais chatas que já conheci, pois era do tipo que não tinha nada a dizer. Sua obra também não me toca. Ele até produziu coisas relevantes no começo dos anos 60. Mas, no geral, não tenho dúvidas de que é a reputação mais ridiculamente superestimada do século" Robert Hughes à Veja

Exposição de Warhol em São Paulo em 2010

Quem realmente gosta de Andy Warhol -- e também quem não gosta, mas quis presenciá-lo -- não deve ter perdido a maior exposição das suas obras já promovida na América Latina e que passou com louvor pelo Brasil: trata-se da mstra chamada Andy Warhol, Mr. América, exposição que a Pinacoteca do Estado de São Paulo mostrou a partir do dia 20 de Março de 2010 no espaço Estação Pinacoteca, na Estação da Luz, em São Paulo. Organizada pelo The Andy Warhol Museum, de Pittsburgh, nos Estados Unidos, as obras de Warhol passou por  países da como Colômbia e Argentina antes de desembarcar no Brasil. A mostra incluiu um total de 170 obras variadas do artista -- que também fotografava e dirigia filmes. Os destaques, lógico, foram as serigrafias que incluem retratos de Marilyn Monroe, produzidos por Warhol em 1967, das famosas sopas Campbell's, de 1968. Um pouco antes do início da exposição, o MUBE - Museu Brasieiro de Esculturas - promoveu o Ciclo de Filmes de Andy Warhol. As sessões aconteceram todos os sábados do mês de Maio, totalizando oito filmes conceituais do artista, dois longas por sessão. E tentando desmentir as já manjadas impressões que a exposição poderia proporcionar às pessoas, o curador da mostra, o canadense Philip Larratt-Smith, chegou a dizer que "ainda que muitos pensem que o autor da expressão "15 minutos de fama" só retratava a superficialidade do mundo da fama, suas obras refletem a ideologia norte-americana e fazem uma crítica ao narcisismo e ao consumo". O pior, talvez, foi que Andy Warhol, ao apelar para uma arte tão mercadológica e tão superficial em termos artísticos, apenas recriando imagens de ícones e marcas do mundo moderno, acabou por provocar mais apologia ao consumismo e ao narcisimo do que propriamente por combatê-los. Essa mostra mostrou, enfim, o quanto o Brasil -- ainda mais São Paulo -- tem promovido grandes e diversas exposições nesses últimos anos, considerando o grande sucesso que foi a exposição de Henri Matisse em 2009, mostra que incluiu o admirável ciclo de obras chamado Jazz, um trabalho de colagem que faz alusão ao gênero musical, composto na fase final da carreira do mestre fauvista. Quem, enfim, foi mais visitado: o jazz de Henri Matisse ou o pop de Andy Warhol? Eu prefiro Matisse...

Andy Warhol e o Jazz

Mas, considerando o título desse post, qual a ligação que o famigerado Andy Warhol já teve com o jazz? Teria sido ele uma espécie de músico branco renegado que tentou tocar bebop em um trompete, mas não teve sucesso diante das estripulias de negões como Dizzy e Clifford Brown? Não. Muitos não sabem, mas Warhol, antes de entrar na onda da Pop Art, ilustrou várias capas de álbuns de jazz para gravadoras como RCA Victor, Prestige e Blue Note. Quer dizer, ele já estava se destacando no circuito artístico de Nova York desde 1952, quando realizou a sua primeira exposição na Hugo Gallery, os "15 Desenhos baseados nos escritos de Truman Capote", mas como estava num início de carreira, sua tentativa de ganhar algum dinheiro com a arte o levou a se diversificar, trabalhando não só com oportunas exposições, mas criando anúncios para revistas como a Vogue e ilustrando álbuns para gravadoras de jazz. As primeiras capas teriam sido de alguns discos gravados pela RCA Victor: a compilação Booth Feet In The Groove (1959), do clarinetista Artie Shaw; o album I’m Still Swinging do trompetista Joe Newman, com um septeto que incluíam os saxofonistas Al Cohn, Gene Quill e o trombonista Urbie Green; uma outra compilação chamada Progressive Piano, dedicada a mostrar a evolução do piano através de oito pianistas (entre eles Art Tatum e Lennie Tristano); o album Cool Gabriels que trazia uma série de trompetistas ao lado do trio do pianista Elliot Lawrence (entre eles Conte Candoli, Nick Travis, Don Stratton, e Bernie Glow ), gravado pela Groove Records, pequena subsidiária da RCA; e também um album homônimo de Count Basie, gravado no período de 1946 à 1949, numa fase em que o mercado já não era tão receptivo em relação às big bands de Swing: tanto que neste disco, lançado mesmo em 1956, Count Basie aparece com algumas abordagens novas tanto em termos de repertório, arranjos e composição como em termos de formação instrumental, já que ele também aparece com um grupo pequeno, onde se destaca os improvisos do saxtenorista Paul Gonsalves.


Count BasieCool Gabriels
Blue Lights Vol 2
Progressive PianoKenny Burrell - Blue Lights Vol 1
Thelonious Monk with Sonny Rollins
The CongregationTrombone By Three






Kenny BurrellJá para a Prestige, Warhol trabalhou em pelo menos em dois álbuns que se tem notícia: um é o disco Trombone by Three, com os trombonistas J.J. Johnson, Kai Winding e Bennie Green; o outro é o album homônimo de Thelonious Monk com a participação de Sonny Rollins e Frank Foster: e o curioso neste trabalho foi que, trabalhando em conjunto com o designer alemão Reid Miles, Warhol solicitou que sua mãe, Julia Warhola, se encarregasse de criar a caligrafia impressa no disco -- há outras capas, inclusive, onde Julia imprime sua caligrafia sob o comando de Miles.

Reid Miles
Em 1956, Reid Miles assumiu o cargo de diretor de arte da Blue Note, levando consigo Andy Warhol. Na legendária gravadora do produtor Alfred Lion e do fotógrafo Francis Wolff, ele trabalhou as capas dos álbuns do guitarrista Kenny Burrell, o homônimo Kenny Burrell e os dois volumes de Blue Lights, lançado em 1958; em paralelo, ilustrou a capa do disco Congregation (1957), último disco de Jhonny Griffin na Blue Note, inspirado no album The Preacher, de Horace Silver. Foi depois dessa fase, então, que o jovem Warhol antenou-se de vez com o movimento da Pop Art, inicialmente uma tendência inglesa. Em 1961, ele realizou a sua primeira obra em série usando as latas da sopa Campbell's como tema, continuando com as garrafas de Coca-Cola e as notas de Dólar; depois, ele pintaria e reproduziria séries de pessoas famosas: de Jacqueline Kennedy a Marilyn Monroe, passando por Mao Tse-tung, Che Guevara ou Elvis Presley. Já com um estúdio chamado The Factory (A Fábrica), a técnica de Andy Warhol baseava-se em pintar fotos em grandes telas com fundos, lábios, sobrancelhas e cabelo berrantes, transferindo depois por serigrafia essas fotografias para outras telas ou outros planos, sugerindo, assim, meios de reprodução em massa ou uma suposta "reprodução industrial" da arte: paródia à massificação das marcas e à fama de pessoas do showbusiness mundial. A partir do final dos anos 60 e seguindo nos anos 70 e 80, voltaria a trabalhar com ilustrações em capas de albuns de rock e pop: além dos primeiros álbuns do The Velvet Underground, Warhol ilustrou capas para os Rolling Stones, para Aretha Franklin, John Lennon, Madonna, dentre outros ícones da música pop.



A arte gráfica de Günther Kieser, um gênio dos pôsteres de Jazz e Rock !

3 Comentários















Neste post, destaco as criações de Karl Georg Günther Kieser, um grande designer gráfico alemão. Ele é conhecido desde a década de 60, especialmente por seus pôsteres para os festivais Deutsche Jazz Festival Frankfurt e Berliner Jazz Tage, bem como pelo seu trabalho em uma das primeiras agências de concertos de jazz da Europa: a Lippmann & Rau. Kieser é renomado como um artista de grande talento e criatividade; ele é considerado o mais importante designer alemão no que diz respeito à anúncios e posteres de jazz e rock -- tanto que ele chegou a ser chamado para trabalhar com a gravadora Blue Note e seus trabalhos já foram expostos em museus e galerias de renome internacional, como o Museu de Arte Moderna de Nova York. Mas, o trabalho de Kieser -- apesar de ter uma forte identidade com os pôsteres de jazz e rock -- também abrange anuncios políticos, publicidade para empresas privadas, shows de funk, gospel e soul music, bem como festivais de blues: vide, por exemplo, seus cartazes para o festival americano denominado American Folk Festival. Assim, como a arte do grafitti, seus cartazes passaram a fazer parte do visual de bares, muros, universidades e clubes de jazz nas cidades de Frankfurt e Berlim nas décadas de 60 e 70, vindo a se institucionalizar como arte bem valorizada em galerias e museus de arte moderna nas décadas posteriores.
Nascido em 1930, Günther Kieser iniciou seus estudos de arte aos 16 anos, em 1946, na Werkkunstschule (atualmente Hochschule für Gestaltung / College of Design), Offenbach, onde ficou até 1949. Em 1952, ele fundou um estúdio com o designer Hans-Michel, com o qual manteve colaboração até 1962 -- a dupla, que assinava M+K, trabalhou não só para instituições públicas e privadas -- como o serviço de correios alemão Deutsche Bundespost e a rede de rádio Hessischer Rundfunk -- como também elaborou cartazes para muitos dos primeiros grandes concertos europeus de jazz promovidos pela Lippmann & Rau após o término da 2ª Guerra Mundial, evocando os alemães a assistirem shows de gente como Duke Ellington, Ella Fitzgerald, Count Basie, Oscar Peterson, Jimmie Smith, John Coltrane e etc. Após, essa fase com Hans-Michel, Kieser continuou a fazer cartazes para a Lippmann & Rau, mas, agora, já atarefado com outros projetos paralelos que englobavam o rock e a soul music.
















Um dos seus trabalhos mais criativos e memoráveis, por exemplo, é o pôster Jimmi Hendrix Experience, elaborado para o show de Hendrix no festival Festhalle Frankfurt em 1969 -- nesse pôster, Hendrix está ligado em vários fios coloridos, o que dá a conotação das experiências psicodélicas que o guitarrista realizava na época. Igualmente interessante é pôster do rosto negro de Miles Davis com espécies de pingos de tintas coloridas e sincronizadas, bem como o pôster do rosto do bluesman John Mayall no meio de uma árvore - como se os galhos da árvore fossem os cabelos de Mayall; há, também, um pôster com duas caricaturas de Frank Zappa barbudo na altura da região peniana da estátua de David de Michelangelo que foi um tanto impactante, assim como a própria postura artística de Zappa sempre foi.


Mas é preciso salientar também, os trabalhos de Kieser relacionados ao grande trombonista e vanguardista alemão Albert Mangelsdorff: a capa do excelente disco Folk Mond & Folk Dreams de 1968 é um dos exemplos. Em todos seus trabalhos, as técnicas utilizadas por Günther Kieser foram as da montagem, desenho, colagem e arte gráfica; enquanto seu amigo Hans-Michel se destacava por sua maestria com a fotografia e a colagem. Jazzófilos aficcionados em artes podem adquirir algumas das criações de Kieser relacionadas a capas de discos e concertos de jazz site do E-Bay, onde tem alguns lances que vão de U$ 250 a U$ 500 por um cartaz original, ou seja, um cartaz impresso na época em que foi criado pelo designer. Abaixo alguns trabalhos de Kieser: inclusive o cartaz da exposição de Bossa Nova em Berlin de 1966, no qual tem uma mão negra com uma pintura de traços coloridos.

Outros Excelentes Sites Informativos (mais sites nas páginas de mídia e links)