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Mostrando postagens com marcador Rob Mazurek. Mostrar todas as postagens
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Improvising with Numbers - O instigante formato do duo: seis excelentes e variados duetos contemporâneos!!!

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Dando uma remexida nos meus CDs, arquivos com MP3 e músicas armazenadas no meu site no Multiply, constatei que um dos formatos presentes na minha modesta "coleção" é o duo. Na minha opinião, eu acho que formato de duo tem um fator muito interessante que nem sempre é frequente em outros formatos onde há colaboração em grupo, com pessoas de diferentes mentalidades e linguagens: trata-se, quase sempre, de um encontro afetivo bem pensado entre dois artistas que compartilham de uma idéia e, portanto, o resultado é feito mais de diálogo -- aliás, tenho a impressão de que raramente uma gravação em duo será um encontro casual. Na história do jazz, o formato de duo começou a ser popularizado com os duetos de John Coltrane ao sax tenor e Rashied Ali na bateria no álbum Interstellar Space (gravado em 1967 e lançado pela Impulse! em 1974). Mas aqui evito citar alguma das tantas gravações com este dueto de saxofone e bateria -- talvez num outro post exclusivo o farei -- para citar seis outros tipos de duetos com diferentes instrumentos -- e, claro, não só do jazz ou de livre improvisação, mas, também, de diferentes estéticas. Sorte, também, que consegui encontrar algumas faixas no Youtube -- o que seria da gente sem ele?!!


Free Improvisation: orquestras de improvisação livre no contexto contemporâneo!

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O Free Jazz ou Avant-Garde Jazz, que deu origem à Free Improvisation, é uma estética de arte musical, a princípio oriunda da radicalização do jazz norte-americano, de mais ou menos 50 anos de existência -- isso, se contarmos dos primeiros registros lançados no final dos anos 50 e início dos anos 60 por músicos como Ornette Coleman, Cecil Taylor, Paul Bley, John Coltrane, Albert Ayler e etc. Portanto, trata-se de uma vertente musical que, apesar de iniciar-se como pregadora da rebeldia, da liberdade e da contracultura musical americana, conseguiu ser uma expressão artística que, como várias outras vertentes de arte duradouras, também passou por seus altos e baixos, também passou por suas evoluções e crises de identidade: já no início da década de 70, com exceção das novidades reveladas por expoentes criativos ligados a instituição AACM (como Anthony Braxton, Art Ensemble of Chicago e alguns outros raros exemplos), essa música já não tinha muito o que mostrar dentro dos limites EUA -- algo que foi piorado ainda mais com a ênfase que o mercado americano passou a dar nas estéticas e modismos comerciais da época -- e, portanto, ela começou a se radicalizar na Europa, onde atingiu um caráter ainda mais rebelde e experimental, afastando-se das suas associações jazzísticas e desembocando-se na seara do noise puro. Essa "desassociação" ficou muito clara a partir dessa fase européia, pois o termo "free jazz" parecia se tornar um rótulo limitante, e outros rótulos mais vagos ou mais genéricos como "avant-garde", "free improvisation", "improvised music" e "creative music" foram sendo usados para denominar essa música que atingia seu ápice libertário. Nos anos 80 e na primeira metade dos anos 90, o mundo assistiu os EUA retomar a cultura do jazz na forma de resgate dos valores culturais e tradicionais fincados pelos primeiros mestres do swing e do jazz moderno -- e foi nessa época, que a maioria dos músicos da nova geração de então passou a rejeitar a radicalização do free jazz e a free improvisation européia como fatos importantes ou influenciadores para o desenvolvimento do jazz, reivindicando a autenticidade estética e cultural do gênero. Na segunda metade dos anos 90, porém, evidenciou-se mais uma outra nova geração de músicos, mas esses já estavam se desprendendo do tradicionalismo da geração anterior através projetos mais ecléticos, o que contribuía, agora, para uma retomada, também, dos valores e das inovações deixadas pelos vanguardistas da segunda metade do século XX: foi aí que o free jazz e a free improvisation começou a passar por um processo de resgate e de renovação das suas estéticas através desses novos e jovens músicos e dos muitos veteranos que aguardavam por momentos melhores, os quais, juntos, começaram a explorar a revitalizar essa música através da exploração de "novos" processos como, por exemplo, o uso da condução, da composição escrita e da manipulação eletrônica em interação com a livre improvisação e o entrelace com outros gêneros musicais como o pop, rock e hip hop. Para além das performances em combos -- em solo, duo, trio, quarteto, quinteto e etc --, houve uma revalorização muito razoável das orquestras de free improvisation, assim como nos anos 60 e 70 os primeiros conjuntos orquestras desse estilo atingiram sua efervescência -- vide, por exemplo, álbuns gravados por conjuntos orquestrais ou coletivos pioneiros como o Free Jazz - A Collective Improvisation de Ornette Coleman, Ascension de John Coltrane, os registros da Globe Unity Orchestra, do alemão Alexander Von Schlippenbach, e da Brotherhood of Breath, do sul africano, naturalizado inglês, Chris McGregor. Neste post, então, lhes apresento e indico alguns álbuns de algumas dessas grandes orquestras contemporâneas, tanto européias como americanas. Leiam e ouçam:

Tortoise & Chicago Underground Trio - Live in Frankfurt 1999

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Tortoise é um quinteto de rock instrumental que rotulam como sendo uma banda de post-rock, um genero que costuma mostrar uma gama de influências que vêm da música eletrônica, indie rock, rock alternativo dos anos 80, rock experimental e jazz fusion. No caso específico da banda Tortoise - que é uma das mais bem sucedidas bandas do gênero - as abordagens também mostram claras influências da música minimalista e do cenário musical de Chicago, especialmente pela preferencia ao free jazz. Aqui neste bootleg - uma gravação de 23 de Outubro de 1999 - a banda está acompanhada do Chicago Underground, um moderno combo liderado por Rob Mazurek, distinto músico que, desde o final dos anos 90, vem sendo pioneiro na conexão do free jazz com a manipulação de recursos eletrônicos, tecnologia digital e performances multimídia. O Chicago Underground é um dos primeiros e bem sucedidos projetos de Rob Mazureck que veio dando nome a formações distintas ao logo dos anos: primeiro foi Chicago Underground Orchestra, depois se compartimentou no Chicago Underground Quarteto, Chicago Undergrond Trio e, recentemente, chegou a um duo definitivo com Rob Mazurek na corneta e eletrônicos e o baterista Chad Taylor que também toca vibrafone. Junto ao saxofonista Ken Vandermark, Rob Mazurek é um dos contribuintes pela reerguida no cenário do free jazz em Chicago. Mas Mazurek também estendeu sua atuações ao Brasil, fundando com o baterista Maurício Takara o São Paulo Underground baseado no primeiro projeto de Chicago. Enfim, tanto os discos da banda Tortoise como os trabalhos de Rob Mazurek (lançados pela Delmark e Thrill Jockey) são indispensáveis pra quem que estar por dentro da música instrumental contemporânea. Aqui no Brasil uma banda de post-rock mais ou menos nos moldes da Tortoise é a Hurtmold ( banda do baterista Maurírio Takara), com a qual Rob Mazurek tocou em alguns recentes shows do cantor Marcelo Camelo (ex-Los Hermanos). Curiosidade: a banda Tortoise já acompanhou o irreverente cantor brasileiro Tom Zé em uma das suas turnês aos EUA.

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