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Mostrando postagens com marcador André Mehmari. Mostrar todas as postagens
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Improvising with Numbers - Dez excelentes álbuns de Música Popular Brasileira do início do século 21

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Prezados colegas que visitam este blog, recentemente escrevi uma crítica onde lamentava o fato do comodismo, da letargia, da preguiça e do auto-aprisionamento engessar a maioria dos músicos e cantores brasileiros, assim como a própria conduta crítica do público, a chamada auto-crítica que cada um de nós temos de ter ao digerir música ou qualquer outra expressão artística -- leiam-na aqui. Neste post, porém, venho com uma seleção modesta de dez excelentes álbuns de MPB que trazem em si o que falta -- ou o que devia existir -- na música brasileira: renovação e inovação, ousadia e criatividade, atualidade e contemporaneidade, fluência musical e identidade própria, arranjos bem elaborados e letras inteligentes, performance e improvisação -- enfim..., estes dez álbuns mostram que é possível, sim, se produzir canções onde o decorativo seja a arte acima do artista, acima da fama. Sim, e por ora são apenas dez, pois, vias de fato, a MPB, além de estar sendo melecada pela mídia com equivocadas versões popularescas de música popular brasileira (como é quando querem sofisticar Ivete Sangalo como uma "cantora de MPB", por exemplo), não tem apresentado um cenário ousado ou criativo de si mesma -- e quando o fez, através de uns poucos cantores em raros momentos de espasmos criativos, isso ressoou apenas nos circuitos elitistas e nas mídias independentes, não chegando à população pela grande mídia, uma vez que a grande mídia, a propósito, está mais preocupada em obter lucros comercias através de material descartável e modinhas de verão, que são mais fáceis de vender. Outro fato resultante da desvalorização da MPB em solo tupiniquim é o êxodo de grandes artistas da música brasileira para solos americanos e europeus, onde a música criativa é mais apreciada. Uma pena, pois este seria o momento de surgirem artistas mais descompromissados com a fama pela fama e aquele glamour besta de cantores de (ou para) abertura de novelas e mais compromissados em fazer arte com a canção -- já que se trata de um momento onde os circuitos underground e independentes são os únicos que ainda apoiam uma MPB contemporânea e criativa, tal como era a música popular brasileira nos tempos da Tropicália. O problema, no entanto, não é de quantidade e coerência: há uma legião de novos artistas fazendo uma MPB até medianamente audível em termos de música e poesia (como é o caso de Maria Gadú e Marcelo Jeneci), mas na maioria das vezes o que se ouve destes é algo "bonitinho" demais, simplista demais, coerente demais, "universitário" demais, elitista demais, ou algo muito na onda do "coqueluche-brega-pop" -- em alguns casos até muito assumidamente comercial, letárgico, acomodado, quando não com aquele romantismo banal que não fica longe das letras presentes em canções de grupos de pagode. O problema, então, é de qualidade, criatividade, coesão e ousadia dos projetos: falta arranjos mais criativos e mais contemporâneos, falta uma boa e criativa instrumentação, falta o risco da improvisação e da performance, falta o risco de uma poética mais inteligente nas letras (aquela capaz de instigar as pessoas a refletir), falta identidade própria (há muitas cópias de Marisa Monte rolando por aí...) e, principalmente, falta uma postura mais compromissada com as realidades (políticas, econômicas, sociais, culturais...) do mundo atual -- aliás, essa tal postura do artista engajado realmente foi algo que se perdeu na música criativa ( a pergunta é: isso seria pelo fato das pessoas estarem ascendendo à classe média e, portanto, estarem apenas ocupadas com o entretenimento proporcionado por seus carros, notebooks, tablets e smartphones ou será que já evoluímos para um mundo perfeito e sem pobreza, um país de justiça ou democracia perfeitas?). Mas nem toda música no Brasil é sertanejo universitário ou "fanqui carioca", nem todos os novos artistas da MPB aderiram às facilidades e aos padrões estilísticos para tentarem se vender mais, e nem só de MC's de "fanqui carioca", Michéis Telós, Claudias Leites e Ivetes Sangalos a música brasileira está repleta. Neste post, seleciono alguns dos álbuns contemporâneos, de cantores mais famosos ou menos famosos, que, ao meu ver, contribuíram para a década de 2000 não ser uma década perdida em termos de MPB -- e o faço com audácia, sinceridade e com a visão de música enquanto arte: com estrelinhas, entrelinhas e tudo! Apesar de listar Djavan -- um meus favoritos entre os veteranos --, ficaram de fora meus preferidíssimos Tom Zé e Marisa Monte e outros panteões já a décadas massificados como Chico Buarque e Caetano Veloso. As resenhas estão repartidas entre minhas e as retiradas de outros sites jornalísticos. A ênfase está em discos autorais, mas também há espaço para discos de intérpretes especiais. Convido cada leitor a fazer sua lista com alguns dos seus álbuns e artistas preferidos no campo para comentários!


Os 10 Melhores Álbuns de 2011 compreendidos em gêneros diversos.

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Gary Burton
 Passou o ano de 2011, no qual tivemos muitas surpresas -- shows, álbuns, debates, a cena de São Paulo com uma pá de bons músicos (novos e veteranos) e em sintonia com outras cenas internacionais e etc --, e agora o que nos resta é fazer restropectivas e torcer para que o ano de 2012 não seja tão apocalíptico como alguns "nostradamus" já pressuporam. Neste post, dou uma pincelada acerca dos possíveis melhores álbuns do ano, alguns dos quais foram resenhados aqui -- mas, claro, também vou indicar álbuns que foram resenhados em outros holofotes: jornais, portais e blogs que acompanhamos através dos links aqui dispostos e da página "MIDIA", com menu disposto no topo deste blog. Lembro, antes de mais nada, que nossas escolhas para os 10 Melhores Álbuns do Ano compreende, além do nosso gosto pessoal, outros álbuns relacionados às estéticas música instrumental brasileira, improvisação livre e música erudita contemporânea, bem como a repercussão de outros álbuns indicados por amigos que acompanhamos ou que nos acompanham. Uma pena que devido ao nossos empregos não dê para resenhar devidamente todos os álbuns que temos contato auditivo, mas isso é compensado com o pouquinho que cada blogueiro, jornalista e amigo nos passa. Adiantando um pouco, algumas das surpresas desta compilação é a volta esplêndida do vibrafonista Gary Burton ao topo dos holofotes, o álbum de parcerias do contrabaixista Christian McBride, o álbum de Steve Reich em memória ao 11 de Setembro e o estonteante álbum do avant-garde-trompetista Peter Evans, de quem falarei mais em breve. Acessem aí! Para ler a resenha dos álbuns basta apenas clicar em suas imagens. Boa Viagem!

Miramari, de André Mehmari: lirismo ímpar com suaves temperos italianos e brasileiros!

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Clique aqui para comprar este disco!No ar que um pinça o outro pedala.
Um é mio bambino, o outro é meu guri.
Mira unge o solo brasileiro com óleo da Umbria
Mari adoça o mediterrâneo com apátrida garoa
Miramari
Lacrimari
Mira
Baci

Guinga

Participações: André Mehmari - piano; Gabrielli Mirabassi - clarinete; Guinga - violão; Luiz Tatit - composição; Zé Alexandre Carvalho - contrabaixo; Ricardo Mosca - bateria; e etc...

Não foi sempre - digo ano a ano e até década a década - que a humanidade presenteou a história da música com músicos e compositores exepcionalmente criativos e originais. Exemplos? Pois bem, vamos aos exemplos: pra surgir um compositor inventivo como Duke Ellington passou-se anos até a ascensão de Charles Mingus, sua extensão; da mesma forma, não foi sempre que surgiram compositores norte-americanos como Charles Ives, Aaaron Copland, Leonard Berstein e Wynton Marsalis; e falando do Brasil, há décadas que não surgem novos "Heitores Villa-Lobos", novos "Tom Jobins", novos "Hermetos Pascoais" ou novos "Miltons Nacimentos". Atualmente, no entanto, a música instrumental e popular brasileira tem alguns nomes a que se orgulhar. Neste post cito dois deles: o cancionista Guinga e o jovem pianista e compositor André Mehmari.

Sim, claro! Você, desavisado, poderá dizer: "Guinga já é um aclamado veterano, mas André Mehmari eu nem conheço!". Ora, então, essa é a função deste post: apresentar o trabalho de um dos mais fantásticos pianistas e compositores da atual Música Instrumental Contemporânea. E para isso deixo a indicação de um dos seus mais novos discos: trata-se de Miramari, recém-lançado no Brasil e Itália numa parceria do pianista brasileiro com o clarinetista italiano Gabrielli Mirabassi. Lembro, ainda, que eu já tinha discorrido sobre André Mehmari aqui no blog Farofa Moderna: na ocasião deixei disponível as faixas em mp3 do fantástico disco Premio Visa MPB Instrumental, resultado do prêmio que revelou Mehmari em 1998 ao lado de seu amigo contrabaixista Célio Barros, também um jovem promissor da época.

O clarinetista Gabriele Mirabassi, um entusiasta da música brasileira, conheçeu André Mehmari através do seu então parceiro violonista Guinga, no lançamento nacional do álbum Graffiando Vento (2004), gravado pelos dois em parceria e lançado pelo selo europeu Egea. Tanto Mehmari como Mirabassi se impressionaram um com o outro e, no decorrer dos anos, passaram a "trocar figurinhas" sobre suas concepções de música contemporânea. O resultado foi esse disco chamado Miramari. Gravado de forma independente no próprio estúdio de Mehmari, o Stúdio Monteverdi, o disco é um exemplo da "música popular de câmera", ou seja, com união de aspectos da música erudita cameristica com características do cancioneiro popular, tendo um leve tempeiro jazzístico aí no meio. Das 17 músicas (todas instrumentais), 12 são assinadas pelo pianista, sendo uma delas, Brilha o Carnaval, em parceria com o excelente compositor paulistano Luiz Tatit. Algumas delas ele escreveu nitidamente influenciado pela viagem recente que fez à Itália na companhia de Mirabassi: caso de Um dia em Assis, Perugia Notturna e Quando em Gubbio, todas referências a cidades ou regiões do país – as outras, Mirabilis Mirabassi e Rondoletto Per i Bambini, sugerem a mesma fonte de inspiração. Já o clarinetista responde com Chove na Minha Valsa, Disarmati e Subindo a Cantareira. Completam o repertório duas músicas de Guinga, que se tornou padrinho do duo: Canção Desnecessária (com Mauro Aguiar) e Rasgando Seda (com Simone Guimarães). Os sidemans são Zé Alexandre Carvalho (contrabaixo) e Ricardo Mosca (bateria): eles participam em cinco das dezessete faixas do disco.

Miramari, assim como todos os discos de Mehmari - não é um disco pra se baixar em blogs, mas sim um disco pra ser comprado! E digo isto porque os discos desse pianista é a mais atual referência da excelência em composição musical brasileira e, lógico, daqui a alguns anos serão clássicos imprescindíveis nas estantes de qualquer colecionador e amante do gênero. Miramari - com nome que surge da junção dos acrônimos do sobrenomes Mehmari e Mirabassi - é um disco que une dois músicos de nacionalidades diferentes, mas com uma compreensão única: a ecleticidade e pluralidade da música instrumental contemporânea, sem perder a noção histórica da música. Essa tal compreensão permite com que Mehmari trabalhe um estilo que é todo seu, mesclando a sua noção de estilos históricos como o choro, as canções e as valsas brasileiras com sua sensibilidade e lirismo erudito, bem como também evidencia uma inventiva introspectividade caracterizada pela sua compreensão do improviso jazzístico contemporâneo. Ou seja: é um estilo único no atual cenário da Música Instrumental Brasileira. Ora, o que dizer de um músico que une influências tão distantes como o lirismo barroco do compositor veneziano Claudio Monteverdi (1567 - 1643) com as características harmônicas das canções de Clube da Esquina e a sensibilidade pianística e improvisacional do piano jazzístico contemporâneo?  Às vezes errôneamente comparado com o pianista americano Brad Mehldau, só há uma coisa a dizer quando o assunto é André Mehmaru: a partir dessas e outras influências da música erudita e da música popular brasileira, este pianista criou um estilo único de tocar e compor marcado por um lirismo ímpar que por muito tempo será só seu, sem risco de imitadores. Sem querer exagerar ou fazer comparações, digo que trata-se, realmente, de uma espécie de "Milton Nascimento da Música Instrumental Brasileira" ou, por que não?, de um "Brad Mehldau do piano brasileiro" e, também, não seria exagero dizer que Mehmari, se continuar a elevar a sua arte, estará para se transformar numa espécie de "Heitor Villa-Lobos contemporâneo", haja vista que ele vem sendo super aclamado por suas composições encomendadas por grandes orquestras como a Banda Sinfônica e Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP), composições nas quais ele mistura, com maestria impressionante, elementos da cultura popular com a escrita e interpretação erudita.

André Mehmari: Orquestrando a MPB, "popularizando" o Erudito ?

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André Mehmari: tao sofisticado quanto Brad Mehldau

Geralmente, quando se trata de MPB, o apreciador de música instrumental escolhe a dedo esses cantores e compositores dito populares, na intenção de pôr em sua estante apenas cancioneiros e compositores que prezam por um desenvolvimento mais artístico da canção, ou seja, aqueles que moldam suas canções através de muita sofisticação harmônica e uma instrumentação cheia de belos arranjos. Mas, de fato, existe muitos artistas da música popular que merecem atenção e respeito pelo que fazem. Não podemos julgar a música popular, enfim, pelo estigma dos muitos sucessos comerciais e palatáveis moldados para o lucro e a fama, haja vista que ainda podemos apreciar artistas geniais e sinceros, muitos deles de uma nova geração que preza por tratar a composição popular com a mesma rigidez artística de um Jazz ou de uma Música Erudita. E em São Paulo temos mais um gênio: André Mehmari. Poucos artistas, aos seus 20 e poucos anos de idade, chegaram a alcançar tanto reconhecimento entre os colegas e a crítica especializada como André Mehmari. Multiinstumentista, Mehmari é hoje uma referência quando se fala em técnica: ele é um virtuose do piano da mesma forma em que é proficiente em composição e arranjo. Sua música, que vai do popular ao erudito, divide seu tempo entre trabalhos relacionados à música instrumental com seus dois trios, apresentações solo, à composição de peças populares e eruditas, além de experiências em parcerias como os duos com as cantoras Mônica Salmaso e Ná Ozetti, os quais chegaram a ser lançados em CD com grande sucesso de crítica. Além disso, Mehmari foi escolhido arranjador da Orquestra Jazz Sinfônica e, agora com apenas 30 anos de idade, conseguiu a façanha de receber encomendas pra compor para a grande OSESP (Orquestra Sinfônica de São Paulo), do maestro John Neschling. Segue uma breve resenha postada no espaço musical da Veja on line, onde Mehmari também dá uma entrevista muito interessante:

" pianista fluminense André Mehmari segue duas grandes escolas musicais. Mehmari tem uma sólida formação de música popular brasileira, especialmente a produção do Clube da Esquina – movimento liderado por artistas como Milton Nascimento e Lô Borges. Ele também se aventura pela música erudita (seu compositor predileto é o russo Igor Stravinsky), tendo escrito obras para a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp) e Banda Sinfônica do Estado.

Mehmari iniciou os estudos aos cinco anos de idade. Ele aprendeu com a mãe, que era professora de piano em Ribeirão Preto – cidade para qual a família de Mehmari mudou pouco tempos depois do seu nascimento. Três anos depois, ele foi estudar num conservatório musical da cidade. Mehmari começou a trabalhar com música quando tinha onze anos de idade. Uma de suas primeiras profissões foi tocar nos bailes de Ribeirão Preto – o repertório, acredite se quiser, era composto de sambas e lambadas. Em meados da década passada, Mehmari mudou-se para São Paulo, a fim de estudar na USP. Desde então, ele tem se destacado em várias vertentes. Tocou ao lado de cantoras como Mônica Salmaso e Ná Ozzetti. Venceu o Prêmio Visa de MPB instrumental e ganhou concursos de composição erudita.

André Mehmari tem seis discos lançados. O último foi ...De Árvores e Valsas, primeiro composto somente de material autoral. No final deste ano, ele terá uma composição sua executada pela Osesp." - Sergio Martins


Confira André Mehmari em entrevista com Sergio Martins na Veja Musica: ouça o pianista interpretando Lullaby e Nasce um Anjo, duas de suas requintadascomposições.


Com apenas 20 anos de idade, André Mehmari conquista o primeiro lugar no Prêmio VISA de MPB Instrumental (1998) em ambito nacional, sendo, a partir daí, amplamente elogiado pela crítica e público. É assim que grava seu primeiro disco, pela Gravadora Eldorado, ao lado do contrabaixista Célio Barros, também premiado no certame. O disco é um instrumental totalmente baseado na MPB, mas fazendo uso de uma tênue improvisação livre: uma sacada de gênio precoce que apenas abriu as portas para uma torrente de idéias que se libertariam nos próximos anos.Pouco depois, os dois se juntam ao baterista Sergio Reze e lançam o CD “ Odisséia” (1998), também baseado na improvisação livre.

André Mehmari: piano, flauta, violão, clarinete, sinth, piano Rhodes, viola, violino, percussão.
Célio Barros: Contrabaixo acústico, Baixolão e Guitarra.
Sérgio Reze: Bateria
Renato Martins: Pandeiro e Caxixi
Luca Raele: Clarinete

Outros Excelentes Sites Informativos (mais sites nas páginas de mídia e links)