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Gênios do jazz na década 2000-2010: O trombonista Wycliffe Gordon, sua fluência e seu leque de tradições!!!

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Mais um breve post da série Gênios do jazz na década 2000-2010, que iniciei em meados de 2010 na intenção de mostrar os principais músicos do jazz contemporâneo. O extraordinário trombonista Wycliffe Gordon, músico nascido em Geórgia, foi descoberto pelo trompetista, compositor e bandleader Wynton Marsalis no final dos anos 80. Por mais de 10 anos, Gordon fez parte do legendário combo Wynton Marsalis Septet e da big band Lincoln Center Jazz Orchestra, sendo que, ainda hoje, ele é um dos colaboradores regulares nos projetos de Wynton e do Jazz at Lincoln Center, em Nova Iorque. Após lançar os últimos álbuns com o Wynton Marsalis Septet no final dos anos 90, o jovem trombonista deu um novo gás à sua carreira solo iniciada em 1996, passando a lançar, nesta década de 2000, excelentes álbuns pelos selos Nagel-Heyer e Criss Cross, além de participar de diversos projetos paralelos, dentre os quais projetos dirigidos pelo grupo progressista de compositores chamado Jazz Composers Collective (Ted Nash, Ben Allison, Michael Blake, Ron Horton, Frank Kimbrough). Sendo um dos principais trombonistas dos últimos tempos, Wycliffe Gordon, assim como o próprio Wynton Marsalis, é um adepto do tradicionalismo moderno, tocando, portanto, desde os velhos estilos do new orleans jazz, passando pelo gospel até abordagens de jazz mais contemporânos, com ênfase no neo-bop e no modern post-bop. Em sua discografia Wycliffe Gordon mostra uma vasta excelência musical: ora tocando tuba, ora se aventurando ao trompete e outrora se aventurando na voz, cantando e improvisando no melhor estilo do scatting vocal (improvisando frases jazzísticas com a voz) -- vide, por exemplo, o álbum The Joyride (Nagel-Heyer, 2003).

Gênios do jazz na década 2000-2010: O guitarrista Kurt Rosenwinkel e seu post-bop de som reverberante, único!!!

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O guitarrista Kurt Rosenwinkel, nascido em 1970, é um dos grandes e mais originais músicos do jazz contemporâneo a emergir em meados da década de 90, no meio da trupe de músicos como Mark Turner, Brian Blade, Brad Mehldau, Jeff Ballard e Joshua Redman. Quem foi no Festival Tudo é Jazz de 2008, em Ouro Preto (MG), pôde conhecê-lo. Inicialmente, ele cogitou por caminhar sobre os trilhos traçados pelos célebres guitarristas Pat Metheny e John Scofield. Mais adiante, Kurt passou a buscar seu próprio estilo de improvisar e sua prórpia sonorização de guitarra, incorporando em seus improvisos doses tênues de distorções, reverb, delay, efeitos de sintetizadores, trêmolos, dentre outros efeitos... -- porém, cada um desses efeitos são aplicados em dosagens suaves e com uma especialidade muito bem elaborada, o que lhe permite ter uma sonoridade pós-moderna de guitarra semi-acústica que é considerada totalmente única e, ao mesmo tempo, antenada com a tradição dos grandes guitarristas do jazz acústico.  Não sendo um músico velocista ou tecnicamente virtuose, Kurt Rosenwinkel pode ser considerado um dos principais jazzistas que ajudaram a definir as roupagens do estilo contemporâneo do "modern post-bop",  construindo uma aclamada reputação não só pelo seu som levemente reverberante e único, mas também por suas composições que trazem um lirismo ímpar.

Gênios do jazz na década 2000-2010: O pianista Matthew Shipp e seu free-jazz pós-moderno!!!

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Mais um post da série Gênios do jazz na década 2000-2010 sobre os maiores músicos que ajudaram a renovar e inovar o jazz nesta primeira década do século 21.  Para saber mais sobre a lista de músicos que contribuíram para inovar ou renovar esta forma de arte chamada jazz nesta década, acesse a resenha Jazz Contemporâneo - Retrospectiva 2000-2010: os principais músicos da década (e do século 21)!!!. Neste, falo do pianista Matthew Shipp que, ao lado dos pianistas Jason Moran e Vijay Iyer, foi um dos mais instigantes e inventivos músicos do jazz contemporâneo nesta década. O que Shipp tem feito, praticamente, é a proeza de reinventar, ao seu modo -- e baseado em suas diversas preferências musicais  --, o jazz de linhagem avant-garde (jazz de vanguarda ou de corrente experimentalista), começando a partir das suas influências adquiridas no estilo do free jazz -- lembrando que ele iniciou a carreira com freejazzers como Roscoe Mitchell, William Parker e David S. Ware -- e terminando em suas mais atuais e experimentais abordagens com uso de efeitos de eletroacústica, batidas de hip hop e afins. Mas, ao contrário de muitos experimentalistas adeptos ao abstracionismo, Shipp sempre soa lindamente atonal e peculiar, sempre prezando por lançar trabalhos diferentes que imprimam sua indentidade e contribuição para a evolução do jazz contemporâneo.

Gênios do jazz na década 2000-2010: O guitarrista Nels Cline e suas viagens criativas pelos territórios do noise e da livre improvisação!!!

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Poucos fãs do Wilco, excelente banda americana de rock alternativo, sabem da trajetória do seu atual guitarrista e arranjador principal: o multifacetado Nels Cline. Poucos sabem, por exemplo, que Cline não começou sua carreira musical em uma banda de rock, mas sim no cenário da livre improvisação em Los Angeles, no final dos anos 70. Ora, sabemos que o termo e o estilo da “livre improvisação” ou “free improvisation” advêm da estética do Free Jazz, estilo de jazz cacofônico fundado pelo saxofonista Ornette Coleman nos anos 60; e Nels Cline, desde sua adolescência, passou à cultivar o gosto não só pelo rock da sua época – época essa que trouxe ao mundo a fúria e a frieza do punk, da new wave e do hardcore –, mas também foi atraído pelos ruídos e pela cacofonia dessa música totalmente improvisada que fora originada da experimentação jazzística. A sua primeira aparição como guitarrista e sideman, por exemplo, foi aos 22 anos no disco Openhearted, lançado em 1978 pelo vanguardista saxofonista Vinny Golia. Desde então, Cline já participou de mais de 70 discos – com destaque para as suas colaborações com o saxofonista Tim Berne e a Liberation Music Orchestra, do contrabaixista Charlie Haden – e vem imprimindo uma carreira que aborda do já conhecido free jazz ao experimental gênero do noise, passando também pelo rock alternativo, pelo pop e pela country music.

Gênios do jazz na década 2000-2010: O baterista John Hollenbeck e sua rica composição minimalista!!!

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Seguindo aqui com nossa retrospectiva, uma série de posts sobre os principais músicos – e seus respectivos melhores álbuns – da década de 2000, eu vos apresento o grande baterista e excelente compositor americano John Hollenbeck, um dos criadores mais originais e inovadores do jazz contemporâneo! Expoente do reduto da Downtown nova-iorquina (reduto underground de Manhattan) e líder de dois dos combos mais interessantes dos últimos anos, o The Claudia Quintet (com o qual trabalha um jazz camerístico, baseado no minimalismo) e o Large Ensemble (com o qual reiventa o formato 'big band', fazento uso de inspirações em diversos gêneros musicais pós-modernos), John Hollenbeck vem trabalhando um estilo próprio de composição que é quase um amálgama instrumental de toda a música pós-moderna, só que com a gênese e o foco no jazz e na improvisação livre – ou seja, há a preocupação de fazer uma música que se possa chamar de jazz e que, por consequência, possa ditar os rumos deste gênero, mas, aí, a contemporaneidade é expressada através da adição de vários elementos de outros gêneros musicais tais como klezmer music (música judaica), música erudita de vanguarda (atonalismo e música serial dos anos 50 e 60), música minimalisma (uma estética pós anos 70, ainda tida como um sub-gênero da música erudita contemporânea), a art rock e o post-rock (estéticas ligadas ao rock vanguardista, com ascendência instrumental), a world music até rítmos afros como o funk e o raggae ou quaisquer outros elementos que possam ser trazidos para dentro do plano contemporâneo do jazz.

Gênios do jazz na década 2000-2010: O saxofonista Ivo Perelman e seu free-jazz inspirado na pintura!!!

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Seguindo com mais um post da série "Os principais músicos de jazz da década de 2000-2010", apresento-vos o brasileiro Ivo Perelman, um amante da estética do free jazz, estilo onde o músico improvisa livremente sem padrões de melodia, harmonia ou ritmo. Ivo Perelman é considerado um dos mais conhecidos freejazzers brasileiros: ele já conta com mais de 30 discos lançados e é reconhecido internacionalmente como um saxofonista de grande fôlego e expressão. Tamanho é seu reconhecimento em solo americano que, em 1996, Ivo  foi fotografado e documentado pela revista Life ao lado de ícones como Eliane Elias, Wynton Marsalis, Lionel Hampton, Bill Evans, Chick Corea, Al Jarreau e outros 150 nomes de ponta do cenário jazzístico atual americano: a foto, produzida Gordon Banks,  ilustrou a capa da revista norte-americana  para atualizar a imagem que, em 1958, reuniu os grandes nomes do jazz da época, como Count Basie, Dizzy Gillepsie e Gerry Mulligan. Ivo já trabalhou tanto com artistas brasileiros como com internacionais: alguns deles foram Naná Vasconcelos, Airto Moreira, Flora Purim, Matthew Shipp, Billy Hart, Andrew Cyrille, Fred Hopkins, Peter Erskine, Reggie Workman, John Patitucci, Duo Nazario, Dom Salvador, entre outros

Seguindo a estética do free jazz e atuando nos EUA desde o início dos anos 90, o saxtenorista Ivo Perelman não chega a ser um pseudo-inovador --  um inventor ou pregador de novas tendências jazzísticas --, mas é, de fato, um continuador expressivo da arte da improvisação livre com influências de John Coltrane e Albert Ayler (ainda que sua música nada tenha do espiritualismo e do misticismo de Ayler e Trane, respectivamente). Consequentemente, Ivo pode ser considerado -- ao lado de Charles Gayle, David Murray, Matthew Shipp, William Parker, Fred Anderson,  Ken Vandermark e etc -- uma das vozes mais importantes que contribuíram para que essa estética fosse retomada com grande ímpeto entre meados dos anos 90 e início dos anos 2000 -- e, de fato, houve mesmo um "boom" tanto do free jazz na sua forma bruta e autêntica como também houve exemplos de assimilações e de formas destiladas do uso da improvisação livre, o que mostrou que essa estética passou não só por um resgate, mas passou a ser, sobretudo, uma  grande influência para muitos jazzistas da nova geração que viriam a trabalhar numa abordagem mais eclética e pós-moderna (uma abordagem que ficou rotulada como modern creative, um estilo de colagens jazzisticas no qual os músicos de jazz passaram a se influenciar por  uma diversidade de outros estilos musicais contemporâneos como o pop, o neo-soul, o indie rock, o hip hop, a música minimalista e etc).

Gênios do jazz na década 2000-2010: O contrabaixista Ben Allison e suas sacadas vindas do pop e rock!!!

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Seguindo com nossa série retrospectiva de posts sobre os principais músicos de jazz desta primeira década do século 21, eu vos apresento o versátil contrabaixista e compositor Ben Allison, um dos principais músicos a transitar entre as vertentes jazzísticas conhecidas como modern post-bop e  modern creative. Residente em Nova Iorque, e nascido em 1966, Allison é um daqueles músicos que, apesar de estarem saindo dos 40 para a casa dos 50 anos de idade, ainda permanecem joviais tanto na aparência física quanto na musica a que se propõe criar. Apesar dele ser pouco conhecido fora dos EUA, ele é indubitavelmente um dos mais notáveis músicos de Nova Iorque, um instigante inovador do jazz contemporâneo, um músico e compositor de voz e estilo únicos que, ano a ano e a cada disco que lança, mostra como e o quanto é possível produzir um jazz jovem, com o rosto do século 21, usando, como influência, resquícios elementares da música popular moderna e pós-moderna: isto é, além dos arranjos e improvisos genuinamente jazzísticos (que vão do estilos post-bop à livre improvisação), suas composições também trazem elementos do rock (vide sonoridades que vão de Beatles até Coldplay e Radiohead, por exemplo), do pop contemporâneo de vertente mais sofisticada (vide sonoridades que se aproximam dos arranjos pop da cantora Björk, por exemplo) e, em alguns álbuns,  até tênues citações sonoras de estilos musicais afros, étnicos ou urbanos (rhythm'n'blues, world music, funk, hip hop e reggae, por exemplo). Mas é preciso frisar, contudo, que Ben Allison toca e compõe em favor unicamente do desenvolvimento do jazz: embora em álbuns mais recentes, como Action-Refraction (Palmetto, 2011), ele trabalha em cima de temas de artistas do pop e rock -- temas como "Philadelphia", do roqueiro e cantor folk Neil Young, "We've Only Just Begun", da dupla de soft-rock The Carpenters, e "Missed" da criativa cantora do pop-rock britânico PJ Harvey --, sua contribuição ao jazz contemporâneo não se resume apenas em criar meras releituras instrumentais de temas alheios; o barato dele é compor temas originais onde ele usa, como já citado, elementos musicais modernos e pós-modernos do pop e do rock contemporâneos, mas os quais, ao final do processo de arranjo e improviso, convertem-se em temas genuinamente jazzísticos, com fraseados e grooves (pegadas rítmicas) que desafiam classificações.

Gênios do jazz na década 2000-2010: O trio The Bad Plus e seu jazz-pop vanguardista!

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Se eu fizesse uma enquete neste blog perguntado aos nossos visitantes quais os dois maiores pianistas da história do jazz que trabalharam com o formato de banda composto por piano, baixo e bateria, uma grande maioria citariam, lógico!,  os supremos Bill Evans e Keith Jarrett. Por isso mesmo, seria até pedante e desnecessário se eu publicasse algo no blog sobre Bill Evans ou Keith Jarrett que não fosse uma informação inédita, algum lançamento relevante ou alguma observação que ficou obscura em suas carreiras -- haja vista, a quantidade de publicações que estão disponíveis em português na internet, para qualquer curioso pesquisar e ler. E por isso mesmo, o blog Farofa Moderna, quando abrange o jazz, atua basicamente em duas frentes: buscando curiosidades da história que ainda não foram amplamente reveladas e atualizando nossos leitores acerca do que está acontecendo no âmbito contemporâneo. E o assunto deste post é sobre um trio de piano, contrabaixo e bateria que é enveredado pelo jazz de linhagem pós-moderna, o mais contemporâneo jazz possível. Desde o final da década de 90, quando o seminal pianista Brad Mehdau começou a lançar sua série "The Art of  the Trio" -- baseado neste tradicional combo chamado de piano-trio --, o jazz contemporâneo foi atacado por um surto de inúmeros e distintos pianos-trios: dentre eles, os mais peculiares, ao meu ver, são o próprio Brad Mehdau Trio, o trio Bandwagon do pianista Jason Moran, o Vijay Iyer Trio, o sueco Esbjorn Svensson Trio e o iconoclasta trio The Bad Plus -- cinco combos legendários que, aliás, não apenas são os principais dentres os principais piano-trios da atualidade, como também são alguns dos principais agentes transformadores do jazz nesses últimos tempos. E dentre estes cinco citados, o mais polêmico e iconoclasta é, justamente, o The Bad Plus, banda com a qual retomo nossa série chamada "Gênios do Jazz na década de 2000-2010", que iniciei no Portal MTV em fins de 2010.


Outros Excelentes Sites Informativos (mais sites nas páginas de mídia e links)