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Mostrando postagens com marcador Miles Davis. Mostrar todas as postagens
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Podcast - O poderoso som e fraseado do trompete. Seis trompetistas: de Dizzy Gillespie à Dave Douglas!

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Woody Shaw
Dave Douglas
Dizzy Gillespie (Duets, 1957)
Miles Davis (Live at Lincoln Center, 1964)
Woody Shaw (Rosewood, 1977)
Wynton Marsalis ( Wynton Marsalis, 1981)
Roy Hargrove (Vibe, 1992)
Dave Douglas (Constellations, 1995)
+++++

Mais um dos nossos podcasts comentados, este que foi lançado no Portal MTV em meados de 2009. Desde o início da história do jazz o trompete -- um instrumento pequeno, mas muito agudo, e de intensidade poderosa -- é  considerado para muitos o instrumento que mais personifica o jazz, a começar pela sua posição de linha de frente dentro das bandas de New Orleans e nas big bands da Era Swing, enquanto os outros instrumentos eram incumbidos apenas de acompanhá-lo. Reza a lenda que um dos primeiros músicos de jazz, o trompetista Buddy Bolden, tinha o sopro tão forte que as pessoas conseguiam ouvi-lo tocar do outro lado do Rio Mississipi, em New Orleans. Depois vieram trompetistas como King Oliver, Louis Armstrong -- talvez, o trompetista mais conhecido de todos os tempos, ao lado de Miles Davis -- até chegar na era Bebop na década de 40 com o bochechudo Dizzy Gillespie. Assim, mesmo tendo mais saxofonistas do que trompetistas a partir de determinado momento, o trompete marcou o jazz através da figura desses grandes sopradores. Neste programa, apresentarei 6 trompetistas: partindo do chamado Jazz Moderno até o Contemporâneo. E é com Dizzy Gillespie e o saxofonista Charlie Parker que começa a onda do bebop, ou seja, o Jazz Moderno. O sopro de Dizzy era forte, seu dedilhado e articulação eram ágeis e ele ainda conseguia tocar as notas mais agudas do trompete -- um desafio que deixava todos os trompetistas da época frustrados e, claro, com inveja. Dizzy Gillespie foi um dos primeiros e maiores virtuoses da história do Jazz. A faixa que apresento neste programa é a  Wheatleigh Hall, do disco Duets de 1957 (com os saxofonistas Sonny Rollins e Sonny Stitt). Dizzy foi o pai do Bebop, subgênero que vamos ouvir na maioria das faixas deste programa, mas em estilos variados, de acordo os músicos e suas épocas.

Perfil - Podcast: o trompetista Miles Davis, o músico de jazz mais pop da história, um artista de várias fases e faces.

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Superestimado e alçado à categoria das personalidades artísticas mais influentes do século XX, o trompetista Miles Davis -- e não o gênero do jazz, infelizmente -- está na moda aqui em solo tupiniquim: pelo menos enquanto durar a mostra "Queremos Miles" (uma paráfrase ao álbum We Want Miles) elaborada pelo museu francês Cité de La Musique e bancada por aqui pelo Banco do Brasil e pelo SESC. Neste blog, contudo, Miles é apenas mais um dentre os tantos criadores do jazz já abordados. Sim, claro, Miles foi genial -- e não é difícil entender o porquê --, mas uma das mediocridades que combatemos aqui é, justamente, aquela coisa do cara resumir o jazz em  meia dúzia de músicos, como se o jazz não tivesse mais ninguém além de Miles, Coltrane, Shorter, Bill Evans, Herbie Hancock e etc.

Mas, enfim, considerando a repercussão da referida  mostra, e considerando nosso prazer e missão de propagar o jazz dentre os amantes do gênero -- iniciantes ou jazzófilos --, vos apresento aqui um programa de podcast que tenta traçar um perfil geral da obra do mestre.  Era julho de 2009, ano de aniversário de pelo menos três álbuns clássicos de Miles Davis -- Birth of the Cool (1949), Kind of Blue (1959) e Bitches Brew (1969) --,  quando eu tinha acabado de ser chamado para manter um blog dentro do Portal da MTV, onde fiquei até início de 2011. Eu também acabara de ler o livro "Kind of Blue: A História da Obra Prima de Miles Davis" de Ashley Kahn. Como eu já vinha desenvolvendo a idéia de produzir alguns podcasts comentados para este blog, aqui neste espaço, então levei a idéia para os responsáveis pela edição de música do Portal MTV  para fazê-lo no novo blog também: assim criei a série "Perfil" para relatar por meio de podcasts a obra de grandes mestres do jazz e da música instrumental brasileira, onde Miles Davis, naturalmente, teria de ser eventualmente abordado. Pois bem, ao produzir este programa, me deparei com a árdua tarefa de mostrar, em uma única vez, todas as fases de um músico que iniciou sua carreira no bebop dos anos 40, foi um grande melodista em sua fase "cool", passou pelo hard bop, lançou discos com big band no estilo "third stream", iniciou o jazz modal, criou o "jazz fusion" e flertou com o rock, com o pop e até com o hip hop em sua fase final nos anos 80 e início dos anos 90 -- isto é, o cara realmente deixou sua marca por quase todas as transformações acontecidas no jazz a partir do início da sua modernidade. Abaixo os álbuns abordados:


Sony Music lança os 70 CDs de Miles editados pela Columbia !!!

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Preview on JazzTimes MagazineBiografia de MilesDownloads de Miles Davis aqui no Blog Farofa ModernaVocê gosta de Miles Davis? Muito? O bastante para despender cerca de U$ 350 por uma caixa contendo todas as suas gravações feitas para a Columbia?. Soa como muito dinheiro, porque é muito dinheiro. Então faça suas economias porque a “Legacy”, a bem denominada divisão de reedições da Sony Music, anunciou o lançamento da coleção completa dos álbuns de Miles Davis lançados pela Columbia, disponíveis exclusivamente na “Amazon” ou diretamente na “Columbia/Legacy” a partir de 24 de Novembro. No pacote estão inclusos 70 CDs e algo mais. Os lançamentos abrangem um período de 30 anos, indo de 1955 até 1985, que inclui as mais significantes gravações do trompetista.

Leia resenha traduzida para o portugues no blog SoJazz! Links para pesquisa:


Site Oficial do Miles Tem o preview extendido e a relação de todos os títulos que compõe o box!

Site da Amazon Preço e um slide com as imagens do box!

Preview na JazzTimes Tem o preview em inglês sobre o box set!

Blog SóJazz Tem a resenha traduzida do preview da JazzTimes sobre o box!


Live Avignon - Miles Davis 1988

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Após um acidente automobilístico que lesionou suas pernas em 1972 e corroído pela heroína, Miles, cansado e debilitado, se retirou da cena do jazz de 1975 até 1981,(durante o período, muitos boatos ocorreram aos cantos de ponta a ponta). Em sua volta, explorou ritmos mais modernos tais como: funk, dance music, eletrônica e hip hop, irritando críticos e músicos mais puristas. É nessa época que acontece um dos bate-bocas mais notórios entre astros do jazz: o bafafá envolveu Miles Davis e o líder da nova geração de musicos denominados como neo-boppers, o então jovem trompetista Wynton Marsalis. Rotulado de neo-tradicionalista e dono de uma técnica e postura invejável, Marsalis criticou, em uma entrevista, os discos de Davis que, nessa época, andava a flertar com as variabilidades da música pop. Marsalis comentou "Ele é um velho querendo parecer jovem" - pronto! urgia um convite para a contenda. Miles, sem hesitar, deu o troco no mesmo tom: "Wynton é um jovem querendo parecer velho". Na verdade, esse episódio ocorreu aqui mesmo no Brasil, mais precisamente na cidade do Rio de Janeiro, em Agosto de 1986. Na época Miles fazia uma temporada no Canecão para divulgar o albúm "You're Under Arresten" (com releituras de "Time After Time" de Cyndi Lauper e "Human Nature" de Michael Jackson), enquanto o jovem Marsalis se apresentava no Festival Free Jazz, no Hotel Nacional, em São Conrado. Duelo procovado, briga montada. Até o estilo de vestir de cada um entrou na briga: "Quem é esse jovem vestido de velho executivo?", Miles provoca o garoto sem lembrar que no passado ele também passou boa parte da sua carreira se apresentando com terno, gravata e muita postura."Quem é esse velho fantasiado de hippie?", revida Marsalis. Resultado: em entrevista, Miles Davis disse que aquela intriga foi a gota d´água que o fez romper com a Columbia - sua casa por mais de 30 anos -, principalmente após o fato dos figurões da gravadora pedirem pra ele ligar pro jovem Marsalis - a nova estrela e sensação da casa - para felicitá-lo e parabenizá-lo por seu aniversário. Miles, que não costumava dar bom-dia nem pra sua mulher, ficou injuriado e pediu as contas, assinando com a Warner logo após o ocorrido.

Mesmo depois de sua morte, Miles continou gerando polêmica. Em 2006 seu nome entrou para o Rock and Roll Hall of Fame. A decisão desagradou a roqueiros e jazzófilos. Miles foi um dos maiores e mais polêmicos gênios do jazz. Sua carreira compreendeu do bebop ao hip hop, passando pelo rock e o funk: ele ousou de tudo. Suas atitudes pessoais eram igualmente provocativas: ostentava riqueza, desafiava o público e se indispunha com a polícia. Enfim, aqui deixo um interessante concerto gravado em Avignon, cidade do Sul de França, com a mesma pegada pop que Miles vinha empreendendo desde que voltara ao cenário musical. Este album só foi lançado na Europa e com tiragens limitadas, não fazendo parte da discografia oficial de Miles por se tratar de uma compilação dos shows que ele fez durante sua turnê na cidade de Avignon.

01 - Tutu
02 - Movie Star
03 - Splatch
04 - Time After Time
05 - Wayne's Tune
06 - Full Nelson

Miles Davis - Trompete e Teclado
Kenny Garrett - Flauta(as-fl)
Foley McCreary - Guitarras
Robert Irving III - Sintetizadores
Adam Holzman - Sintetizadores
Darryl Jones - Bateria
Rudy Bird - Percurssão


Boa audição - Namastê.

Colaboração: Blog Borboletas de Jade

The Man With His Horn - Miles Davis 1981

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Depois de um período longe dos palcos e dos estúdios, passando por uma recuparação após sua saúde ter sido debilitada pelo do vício da bebida e cocaína, Miles Davis, triunfantemente, dá a volta por cima, regressando ao mundo da musica depois de assistir à evolução do fusion durante sua ausência através dos seus pupilos Herbie Hancock, Chick Corea, John Mclaughlin, Wayne Shorter e Joe Zawinul, tendo conseguido, com esses jovens músicos, alcançar sua meta de criar mais uma estética músical e traçar caminhos musicais diferentes. Com isso, Miles evidenciou uma nova geração de talentosos músicos que nascerem desse embrião, deixando um rico horizonte musical com muitos talentos que iriam dar um novo gaz ao fusion nos anos 80 e início dos 90. "The man with the horn", lançado setembro de 1981, trouxe a nova expectativa de que Miles não só voltava em plena forma e com excelente acompanhamento, mas continuava como um midas capaz de fazer um som modernizado, adaptando o jazz à realidade musical de sua época com perfeição. Este disco, apesar de não estar entre os mais famosos, mostra uma boa pegada, um trabalho que concretiza sua fase "Funk /Soul,Jazz,Rock". A produção ficou a cargo do dinossauro que acompanhou Miles em boa parte de sua carreira: Teo Macero. Gravado e mixado nos estudios da CBS Recording Studios, New York, "The Man With His Horn", apos ser lançado em 1981, recebeu críticas ruins, apesar de ter vendido razoavelmente bem.

01 - Fat Time
02 - Back Seat Betty
03 - Shout
04 - Aida
05 - The Man with the Horn
06 - Ursula


Miles Davis - Trompete
Robert Irving III - Sintetizadores
Al Foster - Bateria
Sammy Figueroa - Percussão
Bill Evans - Teclados, saxofones, Sintetizadores
Mike Stern - Guitarra
Marcus Miller - Baixo


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Boa audição - Namastê.

Uma Colaboração do Blog Borboletas de Jade

Miles in Berlin - Miles Davis Quintet 1964

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Gravado no dia 25 de setembro de 1964 durante o festival Berliner Jazztage, "Miles in Berlin" é um daqueles albuns que pode ser chamado de "um melhores registros gravados ao vivo" de Miles Davis, considerando desde as fases iniciais da sua carreira até este festival. É uma das primeiras gravações do Segundo Grande Quinteto de Miles: com o saxtenorista Wayne Shorter, o pianista Herbie Hancock, o contrabaixista Ron Carter e o baterista Tony Williams. O disco contém seis faixas (no bolachão original são apenas cinco, mas na reedição em CD, de 2005, foi incluída "Stella by Starlight", tema gravado na mesma época que acabou sendo ignorado), apresentando os primeiros momentos de formação das idéias e estilo desse grande quinteto que consolidou a composição modal, fechando a década de 60 com chave de ouro. Nasce aqui o quinteto que viria a estabelecer um novo patamar na carreira de Davis – e na história do jazz de um modo geral -, redefinindo conceitos de textura, harmonia, dinâmica e improvisação coletiva. Este show se resumiu em standards e temas originais de Miles que na época já eram clássicos tais como “Milestones”, “Autumn leaves”, “So what” (Shorter mostrando seu fraseado oblíquo bem perto do Free Jazz, Hancock respondendo com um solo cheio de dissonâncias), a versão de “Stella by starlight” e “Walkin’” adquirindo nova dimensão. Mais adiante Wayne Shorter seria o compositor oficial do grupo, tornando-se peça-chave em uma das melhores fases da multifacetada carreira de Miles. Outro fator importante foi o fato do disco ser gravado historicamente no suntuoso Berlin Philharmonie (teatro residente da colossal Orquestra Filarmônica de Berlin, onde poucos grupos musicais não eruditos teriam a honra de se apresentar).

1. Milestones
2. Autumn Leaves
3. So What
4. Stella by Starlight (Bonus track do Lp original)
5. Walkin´
6. Go-Go (Theme and Announcement)

Miles Davis - Trompete
Wayne Shorter - Saxofone
Herbie Hancock - Piano
Ron Carter - Baixo
Tony Williams - Bateria


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Boa audição - Namastê.

Uma Colaboração do Blog Borboletas de Jade

Circle in the Round - Miles Davis 1955-1970

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Este albúm traz uma antologia de varias gravações de Miles Davis a partir de 1955 a 1970, mostrando o gênio inquieto de fazer jazz de Miles com rápidas mudanças profundas que realizou durante este tempo e lançado em 27 de Outubro de 1955, Pelo selo Legacy, relançado em 04 de Janeiro de 2005 pela Sonny. "Two Bass Hit" e "Blues No. 2" foi gravado em sua primeira sessão pela Columbia com conturbado manejos de musicos e espaço na gravadora. "Love for Sale" apresenta uma antecedencia de Kind of Blue milimetrado com John Coltrane no sax. tenor, Cannonball Adderley no sax. alto, Bill Evans no piano, Paul Chambers no baixo e Jimmy Cobb na bateria. A faixa título "Circle in the Round" mostra Miles alongado em novos mundos conceituais sobre o tenor Wayne Shorter, Herbie Hancock em celeste (piano), Ron Carter no baixo, Tony Williams na bateria, e Joe Beck na guitarra. O conjunto fecha com Miles In fusan da banda tocando versões atmosférica em "Teo’s Bag", "Side Car I & II", "Splash", "Sanctuary" com George Benson estardalhando suas cordas e Tony Williams batendo sua baquetas em estilo. "Guinnevere" trazas algo incomum pelas maões de Khalil Balakrishna e sua sitar de 18 cordas, em inovação indiana num jazz em transição. Não se sabe o porque mas esse album são gravações rejeitadas por Miles ou pelos proprios produtores, acreditando que ficaram abaixo do esperado ou de qualidade indesejada. O que fez dele único - e vou usar o termo literalmente, para não dizer uma rivalled - era a sua capacidade de reunir músicos talentosos e tirar o melhor de si numa reunião onde o maetro da o tom. E como band leader, Miles conseguiu verdadeiras gravações que reflectia a música popular dos tempos e, ainda assim, semper subiu acima dela. Para obter uma amostragem de como Miles toca fora, este feito em "Circle in the Round" testemunha isso de uma forma unica e impar - mesmo se tratando de uma compilação. Este é um trabalho de recados, gravações inicialmente rejeitada por uma razão ou por outra, om clareza em sua trilha e um ponto fica claro, todas as música geralmente fica abaixo do normal, às vezes caíram no esquecimento por razões que nada tinham a ver com a sua qualidade. Casualmente as pessoas interessadas devem observar com senso forte e unificado, os valores criados pelo mito, espojado em cada faixa. Esmiuçando as gavetas dos estudios, encontramos bons motivos para o fato de "Circle in the Round" ter alcançado grandes exitos de execução.

01 - Two Bass Hit
02 - Love For Sale
03 - Blues No. 2
04 - Circle in the Round
05 - Teo’s Bag
06 - Side Car I
07 - Side Car II
08 - Splash
09 - Sanctuary
10 - Guinnevere

Miles Davis - Trompete
John Coltrane Sax. Tenor (1-3)
Cannonball Adderley Sax. Tenor (2)
Hank Mobley Sax. Tenor (3)
Wayne Shorter sax. Tenor (4-10)
Bernie Maupin - Clarinete (10)
Khalil Balakrishna - Sitar (10)
Joe Beck - Guitarra (4)
George Benson - Guitarra (5,7,9)
John McLaughlin - Guitarra (10)
Red Garland - Piano (1-2)
Bill Evans - Piano (2)
Wynton Kelly - Piano (3)
Herbie Hancock - Piano (4-9)
Chick Corea - Piano (8,10)
Joe Zawinul - Piano (10)
Paul Chambers - Baixo (1-3)
Ron Carter - Baixo (4-7,9)
Dave Holland - Baixo (8,10)
Philly Joe Jones - Bateria (1,3)
Jimmy Cobb - Bateria (2)
Tony Williams - Bateria (4-9)
Billy Cobham - Bateria (10)
Jack DeJohnette - Bateria (10)
Airto Moreira - Percursão (10)


download Part. I

download Part. II


Uma Colaboração do Blog Borboletas de Jade

Boa audição - Namastê.

Round About Midnight - Miles Davis 1957

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"Quando toquei com Miles pela primeira vez, eu tinha muito o que aprender. Percebi que me faltava conhecimento de música em geral. Fico muito envergonhado por aquelas primeiras gravações que fiz com ele. Por que Miles me escolheu, eu não sei. Talvez tivesse algo no meu modo de tocar e achasse que aquilo pudesse crescer. Mas eram tantas conclusôes musicais a que eu ainda não tinha chegado que me sentia inadequado”. - John Coltrane, 1961.

O tom autodepreciativo de John talvez soe familiar. Dez anos antes, Miles havia sentido da mesma forma ao dividir os holofotes com Charles Parker. Agora era a vez de Coltrane se questionar. E Miles? Havia dois anos, ele tinha parado de se picar e voltado a se concentrar na profissão. Tudo estava muito bem. Ele mesmo disse: "Eu estava tocando meu trompete e liderando a melhor banda do mercado, uma banda criativa, imaginativa, soberbamente coesa e artistica". No final de 1955, amparado pela liberdade artística e financeira propiciada por um generoso adiantamento da Columbia Records e por uma consistente turnê arranjada pela Shaw Artis, Miles estava pronto para subir ao topo do mundo do do jazz. O novo quinteto aterrissou na Costa Oeste no inicio de 1956 para uma temporada de duas semanas na casa noturna Jazz City, em Los Angeles. Miles marcou a entrada do primeiro numero, e o som de Nova York - um hard bop funkeado com um sofisticado toque liríco - tomou de assalto o território cool onde Gerry Mulligan e Chet Baker haviam estrelado seu quinteto sem piano alguns anos antes. O compositor e arranjador de jazz Sy Johson, que freqüentava a casa toda noite, lembraria tempos depois, "Ninguém sábia o que pensar. Literalmente enlouqueceu todo mundo. Destruiu o jazz da Costa Oeste da noite para o dia". O quinteto logo se tornou um fenômeno pais afora. O empresário Jack Whittemore cumpriu á risca sua promessa, e, ao longo de 1956, o quinteto de Miles tocou constantemente numa série de shows em casas que variavam de pequenos clubes negros da Costa Leste a locais menos segregados e cidades como St. Louis, Chicago e São Francisco. Pela primeira vez em sua carreira, Miles conseguiu manter a alta qualidade das apresentações, noite após noite. Na exuberância e potência do auge, o grupo simplesmente tinha muito a oferecer; as ásperas, geniosas - ás vezes intermináveis - improvisações do Tenor de Coltrane. O trompete com surdina - e con mistero - de Miles. Os solos com arco de Chambers, competente e plenos de sentimento. Anos após a estréia do quinteto, escritores de jazz ainda estavam maravilhados com aquele som. "Na minha opinião, a intricada complexidade de ligação entre as mentes daqueles músicos jamais foi igualada por qualquer outro grupo", escreveu Ralph Gleason em 1972. As duas gravadoras de Miles - Prestige, ainda sem selo oficial, e a Columbia - vibravam igualmente com o novo grupo. O presidente da Prestige, Bob Weinstock, saudou-o como o "Hot Five de Louis Armstrong da era moderna". Ambas logo colocaram o quinteto em estúdio. As gravações realizadas nos dezoitos meses seguinte, as quais finalmente foram lançadas em seis albúns pelo primeiro selo (Miles, Cookin, Relaxin´, Miles Davis and the Modern JazzGiants, Workin´ e Steamin´) e um pelo segundo (´Round About Midnight), definem o ápice da improvisação de jazz para pequenas formações. Apesar da disparidade no numero de albúns lançados, foi a Columbia quem dispendeu mais em fitas de gravações e horas de estúdios com Miles. Quatro dos seis albúns da Prestige - Cookin´, Relaxin´, Workin´ e Steamin´ - foram gerados numa maratona de duas sessões, em que o quinteto simplismente executou seu muito bem ensaiado repertório de shows, sem necessidade de repetição.

Por outro lado, a estréia de Miles na Columbia foi resultado de três sessões com múltiplas gravações de material cuidadosamente selecionado. A versão final de cada faixa era resultado da colagem dos melhores momentos de duas ou mais gravação diferentes. A flexibilidade de Miles em estúdio - sua segurança tanto no trabalho meticuloso quanto na espontaneidade de um take único sem rédeas - lhe seria muito útil durante os nos na Columbia. Ao final da década, esses dois atributos convergiam, dando forma ao processo que iria gerar Kind of Blue. Em 1956, os discos de Miles e quinteto pela Prestige começaram a circular pelas receptivas mãos da crítica, que respondeu extasiada. A Down Beat, que conteve seus elogios ao albúm de estréia do grupo, Miles, deu incondicionais cinco estrelas para Cookin´, em 1957; - "A tremenda coesão, o swing impetuoso, a absoluta exaltação e a emoção controlada, presente nos melhores momentos do quinteto de Davis, foram captados nessa gravação. (Philly Joe) Jones disse que essas sessão...são as melhores já realizada por Davis. Estou inclinado a concordar". A combinação de apresentações ao vivo aclamadas universalmente com os albúns da Prestige garantiu a reputação do quinteto e também a de Miles. Mas as atenções se voltaram para além da música. Davis estava virando um simbolo uiniversal do cool. O que o trompetista vestia, o que dizia (ou não dizia) no palco, se ele votava ou não as costas para o publico, tudo isso recebia da imprensa tanto destaque quanto suas performances. Quando saia do palco depois de um solo, não 0 importava se estivesse concentrado na música ou tentando não ofuscar outros solistas. Miles pasou a ser bombardeado pela crítica por seu aparente distanciamento e desdém. A imagem escolhida pela Columbia para a capa do primeiro albúm de Miles com a gravadora, ´Round About Midnight, era impactante, mas, intencionalmente ou não, também serviu para sustentar sua imagem blasée. Tirada por Marvin Kuner no Café Bohemia, a foto mostra um Miles introspectivo, de óculos escuro , abraçando o trompete paternalmente, com uma mão no ouvido. Que retrato poderia mostrá-lo mais distante e introvertido? Na verdade - como várias outras fotos atestam - Davis estava simplesmente fazendo por puro hábito o que muitos cantores fazem quando se concentram na música: tapou os ouvidos para filtrar o ruído externo. Os mesmos modos silenciosos e atitude áspera que Coltrane tinha achado desconcertantes se tornaram parte da ascensão do mito. No ano anterior, sua voz ficara tão áspera quanto seus modos: enquanto se recuperava de uma cirurgia na garganta, Davis teve uma discussão aos berros com um executivo da música que causou danos permanentes ás suas cordas vocais. Pelo resto de sua vida a rouquidão seria seu cartão de visita vocal.

O que era controverso para o público branco tinha significado positivo junto a comunidade negra. Era um tanto incomum nos anos 50, para um negro da estatura de Miles, adotar uma postura pública intransigente e sem concessões. Sua taciturna, porem determinada, autoconsciência em meio a uma sociedade agitada pela tensão racial, era um exemplo a outros afro-americanos. Para eles dar as costas para as platéias em sua maioria branca, tinha um significado simbólico bastante claro. Em meados dos anos 50, poucos heróis negros - Nat King Cool, Jackie Robinson, Sugar Ray Robinson, Ralph Ellison, Sidney Poitier - pareciam tão fortes, tão modernos ou (a partir de 1957) tão bem sucedidos quanto Miles Davis. McCoy Tyner lembra que, para músicos e fans afro-americanos, era "uma espécie de guru para muita gente". Bill Cosby relembra... "Na década de 50, o simbolo de status para certos grupos de adolecentes no norte da Filadélfia era gostar de Miles Davis. Ou seja, se você dissesse "Miles Davis" , já era cool, se tivesse seus albúns, era o máximo, por isso digo que o homem era mais do que apenas um músico". Nos primeiros anos do Apartheid na Africa do Sul, Hugh Masekela, encontrou o modelo que tanto lhe faltava ouvindo discos de Miles..."Não foi apenas na música, mas Miles influenciou o meu modo de vestir, influenciou minhas atitudes diante das autoridades: sua perspectiva da vida, seu desdém pela autoridade que cerceia a liberdade do povo. Ele era verdadeiramente honesto. Se não gostava de alguma coisa, dizia "Foda-se", em vez de usar linguagem elaborada". A condição de Miles como modelo era conseqüência de um respeito conquistado nos seus primeiros dias de astro do bebop. Jimmy Cobb se lembra de ver colegas músicos imitando a atitude a postura de Miles no final dos anos 40: "Alguns caras andavam por ai tentando se vestir com Miles, segurando e carregando o trompete como ele. Foi assim até o final de sua vida, sabe?. Os sujeitos tentando imitá-lo". Quincy Jones admite abertamente que foi um deles no começo dos anos 50..."Eu tinha de fazer um solo num negocio que compus para (Leonel) Hampton chamado "Kingfish" (em 1951). Era um solo baseado em um único acorde. Era muito influenciado por Miles, aquela coisa dele com Gil Evans, (John) Carisi. Naquela época todo mundo freqüentava o mesmo lugar, e certa noite, Oscar Pettiford e Miles estavam conversando atrás de mim, e (Miles) disse que tinha ouvido a música no rádio, "Algum filho-da-puta tentando tocar como eu".

PS: Registrado entre outubro de 1955 e setembro de 1956, foi o álbum oficial de estréia de Miles Davis na Columbia. Iniciava-se, assim, uma associação de três décadas com a gravadora, que alavancou a carreira do trompetista, ampliando sua popularidade. O intervalo entre o início e o final das gravações teve um motivo burocrático: o acordo entre a CBS e a Prestige permitia o início das gravações, mas o lançamento do material só poderia ocorrer depois de cumprida a obrigação contratual com a Prestige. Miles se tornou, pública e oficialmente, um artista da Columbia com o lançamento de "Round About Midnight" em 18 de março de 1957. Em 2005 foi relançado em um duplo álbum , com o titulo "Round About Midnight: Legacy Edition". Produção: George Avakian.

Para saber mais: Kind of Blue: The Making of the Miles Davis Masterpiece (Ashley Kahn - Da Capo Press, 2000) pp. 57-61.


01 - 'Round Midnight
02 - Ah-Leu-Cha
03 - All of You
04 - Bye Bye Blackbird
05 - Tadd's Delight
06 - Dear Old Stockholm
07 - Two Bass Hit
08 - Little Melonae
09 - Budo
10- Sweet Sue, Just You


Miles Davis – Trompete
John Coltrane – Sax. Tenor
Julian ‘Cannonball’ Adderley – Sax. Alto
Bill Evans – Piano
Paul Chambers – Baixo Acústico
James Cobb – Bateria
Wynton Kelly – Piano (Faixa: “Freddie Freeloader”)


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Boa audição - Namastê.

Uma Colaboração do Blog Borboletas de Jade


With The Lighthouse All Stars - Chet Baker & Miles Davis 1953

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Este arquivo de 1952 é o registro de uma lendária sessão no famoso clube Farol em Hermosa Beachpara. Para os amantes que gostam de Cool jazz, esse é o único dos álbuns que mostra o mais raro e inesperado encontro de Chet Baker -- um branco que caminhava nas molduras do Cool -- e Miles Davis -- um negro que, apesar de ter sido um dos catalizadores desse estilo calmo e elaborado em 1949, estaria prestes a participar do virtuoso hard bop na essência de sua criação. Além de ser uma ponte que liga Miles Davis com Chet Baker, um dos mais novos e requintados músicos da criação jazzística na primeira metade dos anos 50, esse álbum também traz participações do clarinetista Jimmy Giuffre e do pianista Russ Freeman, músicos representantes da vanguarda na esfera dos progressos da época. Enfim, o disco se resume no raro encontro desses dois jovens trompetistas que, à época,  trabalhavam na linha do Cool Jazz. Na verdade Chet e Miles foram parceiros de banda, ainda que por um período curto. Tudo acontece no lendario Lighthouse Café, clube localizado em Hermosa Beach - Califórnia, onde, ainda hoje, continua ativo: após a II Guerra Mundial, o músico Howard Rumsey, cansado de tocar em sua big bands no fim de uma noite, resolveu passear pela cidade e foi dar de cara no Lighthouse, encontrando uma casa literalmente vazia. Rumsey pediu ao dono do local uma oportunidade para tocar naquele espaço. A banda que se formou e passou a tocar no Farol Club era a Lighthouse All-Star, um grupo que, em sua maioria, consistia de músicos brancos da costa oeste da Califórnia. Até Max Roach apresentou-se, nessa época, numa curta temporada de apresentações no local, e, posteriormente, trouxe o seu amigo Miles Davis para ingressar ao conjunto, no qual também chegaria Chet Baker para completá-lo.

O resultado é esse antológico album "With The Lighthouse All Stars", gravado em 13 de Setembro 1953 . O album apresenta nove faixas de altissima qualidade e uma interação de musicos de estrema inquietude. "At Last" abre o album norteando um belo arranjo cool, sendo seguida por "Winter Wonderland" com clichês-chave, onde Miles sola em seu trompete quase um sussuro. Seguem-se "Loaded", "I'll Remember April", "Pirouette", "Witch Doctor", "Infinity Promenade", 'Round Midnight', e "A Night in Tunisia", sendo essa ultima composta de um belo solo de Bud Haste, mostrando aos outros como um bom solo de saxofone deve ser feito, construindo declarações pautadas e claras em uma estrutura coesa que complementa o tema-canção. Chet Baker apresenta um trompete ascendente do West Coast que aparece simpaticamente mostrando o caminho que Miles completa. De certa maneira, é um trabalho histórico e interessante para os amantes deste período de início da carreira do Miles, época em que tentava quebrar o seu vício adquirido no início dos anos 1950. Realizada em 13 de setembro de 1953, e gravado pelo selo Contemporary Jazz, época em que Miles Davis estava na Califórnia para se livrar das "más" influências de Nova Yorque. Procurem esta pérola no buscador Captain Crawl.

Chet Baker - Trompete
Miles Davis - Trumpete
Rolf Ericson - Trumpete
Jimmy Giuffre - Clarinete
Bud Shank - Sax. Alto
Bob Cooper - Sax. Tenor
Russ Freeman, Lorraine Geller & Claude Williamson - Piano
Max Roach - Bateria

01 - At Last
02 - Winter Wonderland
03 - Loaded
04 - I'll Remember April
05 - Pirouette
06 - Witch Doctor
07 - Round Midnight
08 - Infinity Promenade
09 - A Night in Tunisia

Miles Davis na Europa - Miles Davis 1963

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Ele foi chamado de o Príncipe da Escuridão. Um homem mítico que atravessou diversas vezes o inferno e de lá saía cada vez mais surpreendente e inovador. Se tivesse sido apenas um extraordinário músico com uma carreira de quase 50 anos e uma discografia tão extensa e dificil de enumerar, ele já teria seu lugar mais do que reservado no mundo do jazz e da música como um todo. Miles pertenceu à uma classe tradicional de trompetistas de jazz que começou com Buddy Bolden e desenvolveu-se com Joe "King" Oliver, Louis Armstrong, Roy Eldridge passando por Dizzy Gillespie. Mas ao contrário desses músicos ele nunca foi considerado detentor de um alto nível de habilidade técnica. Seu grande êxito como músico, entretanto, foi ir mais além do que ser técnico; ele foi distinto em seu instrumento, moldando estilos inteiros do Jazz através das suas pessoais maneiras de fazer música através dos trabalhos com seus famosos grupos, dos quais se tornaram grandes legendas do Jazz, berços de importantes músicos que fizeram seus nomes na segunda metade do século XX. Este album é uma pequenina amostra disso e mais um lembrete ao navegantes (e pescadores de fim de semana) de como a arte é diferente do autor e vice e versa, como muitos tem comparado. Gravado ao vivo na França no Festival Mundial du Jazz Antibes, "Miles Davis na Europa" traça um novo perfil do trompetista no final de 1963 ja com um novo embrião para a formação definitiva do seu segundo grande quinteto (64-68). Miles Davis na Europa é uma convite a explorar novos talentos que incluíu o saxofonista tenor George Coleman (premiado pela Jazz Foundation of America em 1997 com o premio "Life Achievement Award"), o pianista Herbie Hancock (inovador e um dos pioneiros do uso de teclados eletrônicos no jazz), o baixista Ron Carter (veterano com uma extensa lista de gravações e parcerias) e o jovem e brilhante baterista Tony Ruption Williams. Embora Coleman seria afastado do grupo em menos de um ano, ele revelou-se um desejoso improvisador que merecia mais atenção em uma carreira solo do que na condição de sideman. Nada menos do que três álbuns foram gravados com essa formação - "Miles Davis na Europa", "My Funny Valentine", e "Four and More". A produção desse album ficou a cargo do então cherife e empresario de Miles,Teo Macero.

01 - Introduction (by Andre Francis)
02 - Autumn Leaves
03 - Milestones
04 - I Thought About You
05 - Joshua
06 - All Of You
07 - Walkin'

Miles Davis - Trompete
Ron Carter - Baixo Acustico
George Coleman - Sax. Tenor
Herbie Hancock - Piano
Tony Ruption Williams - Bateria


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1974 - Dark Magus - Miles Davis (Live)

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Principe das Trevas ou Dark Magus conhecido álbum ao vivo do icone maximo do jazz Miles Davis lançado em 1974 em um LP duplo pela Columbia Records e desde então foi re-lançado em um formato de CD duplo em 2001 sendo conciderado pela revista Q como um dos 50 álbuns mais pesado de todos os tempos (Opiniões a parte). A coisa começa com Miles bagunçando de vez o coreto jazzístico implodindo os alicerces do gênero com o monstuoso albúm "Bitches Brew", incrementando o impacto de sua última e mais estupenda revolução estilística disco após disco até chegar ao ápice da subversão elétrica of all things jazzy durante o biênio 1974-75 cujo primeiro resultado seria justamente o álbum que doravante passaremos a considerar. O que dizer portanto a propósito de mais esta devastadora desorientação sônica surdina pelo infernal Miles, o insuperável e único 'Dark Magus'? À semelhança de seu congênere Agharta (albúm anterior) com Dark Magus (apresentação ao vivo no Carnegie Hall em NY) é mais um maremoto de galáxias circuncidada de psych jazz colidindo com vudu percussivo funk e estratosféricas alucinado de acid rock diretamente Mefistófeles (diabolico-sarcastico) saturnália pagã conjurada por Miles em íncubos demorados sob o eflúvio (perda de cabelos decorrente de um distúrbio no ciclo de vida capilar) de miasmas (modo de reagir) lunares na floresta na arena transpsicodélica. Como acontece com obras deste jazzmam, uma análise faixa a faixa revela um mister de criatividade e superação em novo estilo e forma; assim sendo o que se pode fazer é uma tentativa de evocar a atmosfera que emana deste blasfemo e inebriante ritual cabalístico-musical contido neste albúm ao vivo em N. York. Capitaneando a fuzilaria de metais o anfetamínico Maldoror do jazz converte seu trompete em sirene hipercinética despejando rajadas sucessivas de uivos eletromagnéticos enquanto o oceano radioativo de drones magmáticos emitidos por seu órgão elétrico levanta uma muralha orquestral; os saxofones de Lawrence e Liebman incrementa o psicossônica vociferando de todos os lados numa miríade de exclamações assimétricas; Reggie Lucas opera suas guitarras elétricas como uma implacável cortina de lança-chamas em rajadas espasmódicas, incinerando tudo à sua volta; por fim, Henderson emoldura esta estraçalhante usina de força com seu baixo borbulhante, e Al Foster e James Mtume seguram tudo no fundo disparando morteiros percussivos aos borjões para propelir a frenética garage hermetica mileiana à frente "sedenta de horizontes e presas siderais" em direção às mais ignotas e inauditas paragens.
Então: apertem os cintos, coloquem seus capacetes e cruzem os dedos e boa audição!

Faixas:
01 - Moja (Pt. I)
02 - Moja (Pt. II)
03 - Wili (Pt. I)
04 - Wili (Pt. II)
05 - Tatu (Pt. I)
06 - Tatu "Calypso Frelimo" (Pt. II)
07 - Nne "Lfe" (Pt. I)
08 - Nne (Pt. II)

Músicos:
Miles Davis - Trompete & Órgão Elétrico
Azar Lawrence - Sax. Tenor
Dave Liebman - Flauta, Sax. Soprano & Sax Tenor
Pete Cosey - Guitarra Elétrica
Dominique Gaumont - Guitarra Elétrica
Reggie Lucas - Guitarra Elétrica
Michael J. Henderson - Baixo Elétrico & Baixo Acústico
Al Foster - Bateria
James Mtume - Percussão


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Boa audição - Namastê


Jazz At The Plaza - Miles Davis 1958

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Em minha humilde opinião, não há músico mais importante no jazz do que Miles Davis, mas há quem discorde eu sei. Há quem diga, por exemplo que o supracitado não figura entre os melhores trompetes e que é cultuado com falso idolo de fé paga para os fundametalistas cegos de crença. Mr. Davis já foi assunto de fumegantes discussões no Clube dos pescadores de fim de semana e continuará sempre despertando paixões efusivas e ódios convulsivos - mas nunca desprezo. E tudo que é bom tem gosto de bis, diz o letreiro da propaganda na caixinha que os pescadores carregam e outro momento de uma simple mudança guardou para sempre um dos melhores... jazz at The Plaza Vol. I, registo gravado em 28 de Julho de 1958 num dos melhores e mais prestigiados hotéis de Manhattan no Condado de Nova Iorque, no antológico Hotel Plaza numa festa da Columbia Records com o The Miles Davis Sextet, os mesmos músicos que gravariam um ano depois o mítico "Kind of Blue", que viria ser um clássico de Miles, eternizando nas mentes de todo apreciador de Jazz com excepção dos fundamentalistas. São apenas quatro faixas: If I Were a Bell, Oleo, My Funny Valentine e Straight, No Chaser. Três delas (as últimas) são clássicos imortais, gravados e regravados por músicos cujo talento se incumbirá de torna-las eternas. A Producão ficou a cargo do já conhecido produtor e "amigo" Teo Macero, uma aguia que tudo vê e Irving Townsend para uma Reedição da serie "I love jazz série" de Henri Renaud, que contaria com outras gravações de musicos para o selo virgente da Serie. Era a primeira vez que o jazz se fez ouvir no luxuoso Plaza, onde a nobreza desfilava pelas escadarias e corredores de perfeito gosto. O hotel abriu suas portas em 01 de Outubro de 1907, fruto do sonho de três homens ambisiosos: Bernhard Beinecke um financeiro, Fred Sterry um hoteleiro e Harry S. Black o presidente de uma empresa de construção. Edifíado com 19 andares e dois anos para ser erguedo a partir do projecto original de Henry Janeway Hardenbergh; custou na época 12 milhões de dólares. Por mas que me atenho ao sideman Bill Evans e a John Coltrane com seu sopro pessoalíssimo, abro um parenteses a Jimmy Cobb, cuja performance na bateria é inacreditavelmente segura, certeira, intensa. Sem contar Cannonball (no sax alto) e o magnífico Paul Chambers, no contrabaixo. Por quê? E só ouvir My Funny Valentine e você entenderá, de imediato a perfeita razão. Mas proponho que você vá mais longe - e ouça todo o disco. Curioso o que Irving Townsend explica nas liner notes que acompanham o disco: "The bandstand consisted of carpeted risers facing 58th street and was cluttered with the baggage of the Ellington bus. There the Miles Davis Sextet , like six stragglers from a larger band, took up the cause, while Plaza waiters took up the orders".

Faixas:
01 - If I Were A Bell (8:31)
02 - Oleo (10:38)
03 - My Funny Valentine (10:18)
04 - Straight, No Chaser (10:57)

Músicos:
Miles Davis - Trompete
John Coltrane - Sax. Tenor
Julian "Cannonball" Adderley - Sax. Alto
Bill Evans - Piano
Philly Joe Jones - Bateria
Paul Chambers - Baixo


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Boa audição - Namastê.


Bitches Brew - Miles Davis 1969

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Em meados dos anos 60, existia uma rixa (indireta) entre o Jazz e o Rock. Enquanto os músicos de Jazz se ressentiam de perder sua estabilidade nas paradas pelos grupos de Rock (com os Beatles e os Stones só como exemplos óbvios), os músicos de Rock se ressentiam pelo que os jazzistas se colocavam diante deles, chamando-os de músicos de segunda classe ou de inexperientes demais. Se a partir de 1966/67, o rock começa a incorporar (muito lentamente) elementos jazzísticos em seu som, dando o pontapé inicial para o nascimento do que iria ser o Rock Progressivo, o jazz sofria com uma espécie de bloqueio em incorporar melodias ligadas ao Rythm n´blues e do folk em seu som, principalmente por acharem que assim, estariam dando uma espécie de atestado de que esse estilo precisava de mudanças. Muitos achavam que essa união de estilos seria longa, gradativa e dolorosa. Porém coube a Miles a tarefa de fazer essa união, e a mesma se deu de forma radical, grandiosa e genial. Davis, um conservador nato, cansado da mesmice estética do qual o jazz se encontrava, começou a estudar uma forma de criar um novo estilo, ou uma nova forma de se apresentar o mesmo ao público. Em agosto de 69, juntou um grupo de talentosíssimos músicos e decidiu juntar o jazz com elemento africanos, com o blues, com funk negro americano e batidas latinas. A partir daí nasceria um dos discos mais influentes, geniais e polêmicos da história da música, "Bitches Brew" , o nascimento de um novo estilo de jazz, o fusion, que seria uma das principais influências sonoras de boa parte do rock Progressivo na primeira metade dos anos 70. Em seus quase 100 minutos, o que vemos é um artista desconstruindo e reconstruindo um estilo de forma genial. Temos a bombástica "Pharaoh´s Dance" e a antológica musica título, altamente introspectiva com algumas explosões sonoras. Miles utiliza o talento de seus músicos de forma quase obsessiva, seja pela empolgante "Sanctuary" ou mais especificamente em "Miles Runs the Voodoo Down", que mescla de forma impressionante o blues, o jazz e uma pitada de musica africana em seus 14 minutos de duração(percebam os solos de sax de Wayne Shorter e o de teclado de Corea de forma arrasadoras). O grande prazer de ouvir esse album é perceber que Miles além de só chamar músicos de primeira linha, fazia de bom usos deles, utilizando suas capacidades as vezes a exaustão (dizem que na faixa John McLaughlin, o excelente guitarrista ouvia poucas e boas de Davis por não utilizar todo o seu talento, aliás, também excelente). Ao ser lançado, o disco causou um estardalhaço, tanto pela crítica como pelo público. Ambos ficaram extremamente divididos, chamando o trabalho tanto de inovador e brilhante como de pretensioso e desnecessário, mesmo assim o album alcançou o top 10 americano, feito impressionante para um disco de Jazz. Para o rock Progressivo, o impacto não foi menor, muitos músicos de prog rock (Fripp, Wyatt, Wetton, Brufford, Collins, entre outros) afirmam que esse álbum influenciou e muito a direção musical que seguiriam posteriormente, e o próprio Meio progressivo viria a ser muito influenciado pelo fusion, com bandas incorporando esse estilo ao seu som (o Crimson de 1972-74 e o Soft Machine pós 1970). Miles após esse álbum, cairia em extremos ao explorar as possibilidades desse novo estilo, lançando os excelentes On the Corner (1972) e Get Up With (1974), mas sem o mesmo impacto comercial. Muitos afirmam que Sgt. Pepper´s foi o disco que mais influenciou o Rock Progressivo, mas esse album sem duvida não ficou atrás. "Bitches Brew", álbum duplo no qual dentro da transformação que marcava a música contemporânea na época, Davis não se assustou com a parafernália eletrônica e eletrificou sua banda, ao mesmo tempo que incluía um percussionista recém-chegado aos Estados Unidos, o catarina-curitibano Airto Guimorvan Moreira. "Bitches Brew", tal como o disco seguinte - "Live at the Fillmore East" (gravado no hoje desaparecido teatro-templo musical de San Francisco) foram álbuns de ruptura em sua carreira, separando-o de uma fase anterior, com raízes no bebop dos anos 40. Após cinco meses de gravação e estudo minuscioso de uma infinidade de rolos de fita, o resultado expressou o que Miles desejava: tornar “Pharaoh´s Dance”, “Bitches Brew”, “Spanish Key”, “John McLaughlin”, “Miles Runs The Voodoo Down” e “Sanctuary” obras abertas, sujeitas à novos diálogos. Essência do improviso jazzístico que é fundamento da música do século XXI. As gravações durante apenas três dias - 19, 20 e 21 de agosto - e foi impressionante a quantidade de música gravada. Sem contar, as discussões entre Miles e o produtor Teo Macero. Ao longo dos anos, Bitches Brew recebeu várias reedições. A primeira, em CD, trazia apenas uma canção extra: "Feio", de Wayne Shorter. Mas foi em 1998 que os fãs urraram de prazer quando foi editado - primeiro em um lindo estojo e depois em uma caixa retangular - Miles Davis - The Complete Bitches Brew Sessions que postarei em breve.

Musicos:
Miles Davis - Trumpete
Chick Corea - Teclados, piano
Wayne Shorter - Saxofone
John McLaughlin - Guitarra
Dave Holland - Baixo
Billy Cobham - Bateria
Airto Moreira - Percussão
Jumma Santos - Percussão

Faixas:
Disc - I
01 - Pharaoh's Dance
02 - Bitches Brew

Disc - II
01 - Spanish Key
02 - John McLaughlin
03 - Miles Runs the Voodoo Down
04 - Sanctuary
05 - Feio (Bonus Take)


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On The Corner - Miles Davis 1972

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Miles Davis - Trumpete
Chick Corea - Teclados
Herbie Hancock - Teclados
Dave Liebman - Saxofones
John Mclaughlin - Guitarra
Micheal Henderson - Baixo
Jack Dejonhette - Bateria
John Mtume Foreman - Percussão

Faixas:
01 - On the Corner
02 - Black Satin
03 - One and One
04 - Helen Butte / Mr. Freedom X



Após dar o pontapé inicial do movimento fusion com os álbuns "In A Silent Way" e "Bitches Brew", ambos de 1969, Miles passou dois anos e meio testando novas sonoridades, adaptando seu som a novos estilos e caindo ainda mais de cabeça em novos ritmos e sons totalmente diferentes ao estilo ligado ao Jazz. Suas perfomances ao vivo entre 1970-72 eram verdadeiros laboratórios sonoros, onde Miles, muito bem acompanhado (incluindo dois músicos Brasileiros, Airto Moreira e Hermesto Paschoal) criava verdadeiros colossos sonoros com essas misturas e experimentos. Ao entrar em estúdio em junho de 1972, muito influenciado pela black music de Sly and Family Stone, Funkadellic, Steve Wonder e Isaac Hayes, decidiu fugir da temática experimentalista de seu antecessor Bitches Brew e colocou uma sonoridade altamente dançante, negra e de impacto. Chamou (como sempre) um time impecável de músicos, entre eles Herbie Hancock, que também estava trilhando um caminho parecido em juntar o jazz com a musica negra (no qual lançaria outro marco fusion, o álbum Head Hunters no ano seguinte) e após rápidos jam sessions, surgia um de seus melhores trabalhos, On the Corner. Na primeira música, a faixa-título On The Corner, percebemos a intenção de Miles de colocar o jazz um caráter altamente rítmico e de impacto. Nessa canção, altas doses de batidas africanas se misturam a solos de teclados, saxofones e de trumpete, criando às vezes a sensação de estarmos num ritual africano ou numa sessão de magia, tamanha a força musical da faixa. Já Black Satin, tem um ritmo altamente dançante, nitidamente inspirado no Funk (Com boa dose de qualidade do grupos como Sly e Funkadelic), destacando-se aqui o ótimo baixo de Micheal Henderson e as deliciosas pitadas da guitarra de John Mclaughlin. A ótima One and One brinda com uma deliciosa performance de Jack Dejonette na bateria e John Mtume na percussão, dando base aos ótimos solos que Miles realiza nessa canção. Helen Butte/ Mr. Freedom X (na verdade uma alusão ao líder negro Malcom X e ao grupo político panteras Negras) realça o caráter de Miles de imprimir uma sonoridade negra em seu trabalho. Aqui, o funk, o blues, a musica africana e o soul se alternam de forma eficiente e empolgante em seus mais de 20 minutos de duração. Esse Álbum ao ser lançado, foi impiedosamente massacrado pela crítica, que acusou Miles de denegrir o jazz e na verdade ter feito um disco apenas para ganhar dinheiro. Miles demonstrou desprezo pelas críticas e continuou indo cada vez mais ao extremo em suas misturas musicais até se retirar temporariamente do cenário artístico por problemas de saúde em 1976. Um disco excelente da excelente fase Elétrica desse excelente músico.

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Live Evil - Miles Davis 1970

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Hermeto Pascoal morou alguns anos nos Estados Unidos, a convite do amigo de percussão Airto Moreira – várias vezes considerado o melhor percussionista do mundo, abandonou o Quarteto Novo no início da carreira em 1969, indo para a terra do Tio Sam e encerrando a trajetória do grupo. Em Nova York, 1971, Hermeto apresentou-se para uma seleta platéia que incluía Miles Davis, Wayne Shorter e Gil Evans, impressionando a todos, tanto que Miles o convidou a participar do álbum Live-Evil. O trabalho traz duas composições de Hermeto (Capelinha - Little Church) e Nem um Talvez. (nota canina: são três composições, com Selim; e nenhuma foi creditada.) Ele conta que, enquanto não estavam tocando, costumava lutar boxe com o trompetista. Mas como exatamente Miles Davis e Hermeto Pascoal se conheceram? Conta Hermeto, numa entrevista recente: “Eu fui ver um show dele, levado por um tradutor. Antes do show começar, vi aquele crioulão - apesar de ele não ser muito alto, mas sempre bem vestido, gostava muito de couro, impressionava - se quando aproximava. Chegou pertinho de mim e sussurou com aquela voz rouca no meu ouvido. Não o reconheci e achei que era um cara me passando uma cantada. Como não falava inglês, o tradutor que estava do meu lado me disse que era o Miles e que ele queria saber quem eu era. O tradutor respondeu ao Miles e marcamos de nos conhecermos depois. Mostrei a ele umas 12 músicas, que eram bem diferentes de tudo aquilo que ele fazia. Disse que queria colocar algumas no disco dele e eu me senti à vontade para brincar e dizer que eu veria quantas músicas deixaria ele colocar no disco dele. Aí o Miles continuou a brincadeira dizendo: “Esse albino é mais louco que eu”. Tínhamos mais um CD engatilhado, mas ninguém imaginou que ele fosse morrer tão cedo.”
(…) Diz ele, sobre o que acha de Miles, hoje: “Um eterno gênio. Digo isso pela sua essência, pela sua contribuição. Claro que ele teve seus erros. Tivemos um amizade espiritual, maravilhosa. Deus me deu um presente ao conhecer o Miles. Acredito que nada acontece por acaso. Ele era um sujeito que não gostava de passar as mãos nas costas. Se ele não gostava de você logo dizia “vamos interromper nossa conversa por aqui” e era isso, direto.”

Diz a lenda que Miles jamais despediu um músico (um item para desmentir que Coltrane fora demetido) ; eles simplesmente sabiam a hora de sair. As formações em constante mutação, como vocês podem ver abaixo junto ao nome das músicas, são recorrentes - e com vantagem para o ouvinte. Miles, se não era um excelente gestor de Recursos Humanos, tinha um olho inigualável para talentos e para ajustar as melhores formações. Nestes registros, temos só craques. Meio estúdio (duas sessões em fevereiro, uma em junho, 1970), meio ao vivo (faixas 1, 4, 7 e 8 gravadas em 19 de dezembro daquele ano), é sucessor de Bitches Brew; se o som segue o fusion iniciado na obra-prima anterior, aqui ele vem ainda mais miscigenado - cheio de funk e grooves, além do rock. Diz-se que é um disco para iniciados; eu o considero um grande iniciador ao fusion, também. Esperem destreza técnica, trumpete com filtros (notadamente um wah-wah) e muitos efeitos eletrônicos - sendo as composições de Hermeto os interlúdios leves. Suas participações nas músicas (e também nas de Airto Moreira) descrevem-se sozinhas, e provocam sorrisos no ouvinte. Produzido por Teo Macero para a Columbia.

Dica:Pra quem deseja se aprofundar na literatura do jazz com boa informação, curiosidades e dicas o ideal é: O Jazz - do rag ao rock (Joachim E. Berendt - Ed. Perpectiva). Leitura obrigatoria para os neofitos. Recomendo.

Tracks:
1. Sivad (Miles Davis)
2. Little Church (Hermeto Pascoal)
3. Medley: Gemini/Double Image (Miles Davis/Joe Zawinul)
4. What I Say (Miles Davis)
5. Nem Um Talvez (Miles Davis)
6. Selim (Miles Davis)
7. Funky Tonk (Miles Davis)
8. Inamorata and Narration by Conrad Roberts (Miles Davis)

Pessoal:
Miles Davis - Trompete
Gary Bartz - Sax. Soprano e Alto nas faixas 1, 4, 7, 8
John McLaughlin - Guitarra nas faixas 4, 7, 8
Keith Jarrett - Piano e Orgão na faixas 1, 2, 4, 8
Michael Henderson - Guitara Base nas faixas 1, 4, 7, 8
Jack DeJohnette - Bateria
Airto Moreira - Percursão
Steve Grossman - Sax. Soprano nas faixas 2, 5, 6
Chick Corea - Piano nas faixas 2, 3, 5, 6
Herbie Hancock - Piano nas faixas 2, 5, 6
Dave Holland - Guitarra bas e Contabaixo nas faixas 2, 3
Hermeto Pascoal - Percursão, Piano e Vocais nas faixas 2, 5, 6
Wayne Shorter - Sax. Soprano na faixa 3
Joe Zawinul - Piano na faixa 3
Khalil Balakrishna - Citarra Eletrica na faixa 3
Billy Cobham - Bateria na faixa 3
Ron Carter - Contabaixo nas faixas 5, 6

Download - Here Part. I
Download - Here Part. II


Esta postagem é uma cortesia do blog www.borboletasdejade.blogspot.com
Boa audição - Namastê


1964 - My Funny Valentine

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Prezados amigos do Farofa

Miles, miles, miles... o que dizer de um gênio que, por si só, já vale sem comentários ou outra forma de expressão que o traduza de sua criatividade.Trago esse albúm como marca d´agua na carreira visionária de Miles em sua fase inventiva. A primeira versão é de 56 entitulada "Cookin' with the Miles Davis Quintet DCC" (que posteriormente colocarei aqui), gravado com a primeira grande formação Miles Davis Quintet com Miles no trompete, John Coltrane no sax tenor, Red Garland no piano, Paul Chambers no baixo, e Philly Joe Jones na bateria. A segunda versão é gravado oito anos mais tarde, em 1964, no Lincoln Center's Philharmonic Hall, com George Coleman ao sax, Herbie Hancock no piano, Ron Carter no baixo, e Tony Williams na bateria e o próprio Miles no Trompete. Ambas as versões são magníficas, e as diferença entre eles são os bons exemplos criativos entre os dois quintetos. Li numa entrevista que Herbie Hancock, elogiou essa formação e conta uma história sobre Miles. Quando Hancock trocava o tempo, Miles disse: não joga a manteiga nas notas. Hancock não intendeu aquilo e muito menos seu significado, sabendo depois que Miles dava instruções para a banda em críptico de metáforas. A fugacidadde dos músicos completa a belaza e a leveza deste albúm memoravel e inquestionavel. Produzido por Teo, pelo selo Columbia.

Tracks:
My Funny Valentine (Hart-Rogers)
All of You (Porter)
Stella By Starlight (Washington- Young)
All Blues (Davis)
I Thought About You (Mercer-Van Heusen)

Pessoal:
Miles Davis - Tompete
George Coleman - Sax tenor
Herbie Hancock - Piano
Ron Carter - Baixo
Tony Williams - Bateria

Download - Here

Boa audição - Namastê

Ascenseur pour L'Échafaud (Soundtrack) - Miles Davis 1957

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Miles sempre amou Paris (cidade que visitava desde 1949), e em 1957 recebeu um convite para fazer alguns shows na Europa, acompanhado apenas por músicos franceses. Foi ali que surgiu uma inusitada oportunidade de fazer a trilha-sonora de um filme de Louis Malle, com a estrela Jeanne Moreau, no papel principal...Tudo começou quando Miles Davis recebeu uma proposta de Marcel Romano, para uma pequena excursão de três semanas pelo continente europeu. Miles foi convidado para ir sozinho, sem sua banda, e tocaria ao lado dos franceses Barney Wilen (sax tenor), René Urtreger (piano) e Pierre Michelot (baixo). Na bateria estava um velho conhecido de Miles radicado há anos em Paris: Kenny Clarke. Miles amava Paris e lembrava-se, com saudades, dos períodos em que saía com Jean-Paul Sartre e Juliette Grecco, mesmo sem falar uma palavra de francês: "eu não sabia francês, eles mal falavam inglês, mas ainda assim adorava vê-los conversarem. Adorei muito aquele período de 1949. Eles eram muito gentis." Por isso mesmo, Miles aceitou o convite para ir à Europa sem banda e ficou surpreso quando o chamaram para fazer a trilha sonora do filme do jovem diretor Louis Malle, que era grande fã de seus discos. Os shows pela Europa não foram muitos e ele teve uma semana inteira de intervalo e nesse período conversou com Malle, que mostrou o que tinha sido filmado e pediu que ele fizesse a música baseada nas cenas escolhidas. Segundo Romano, Miles Davis adorou o convite e discutiram sobre o projeto quando teve uma sessão particular do filme e ficou combinado que usaria os mesmos músicos da excursão. Ele solicitou um piano e começou a trabalhar. As gravações ocorreram rapidamente, nos dias 4 e 5 de dezembro de 1957, começando de noite e acabando nas mandugadas do dia seguinte. As músicas eram apenas pequenos fragmentos, mas foram gravadas de um modo nada peculiar: Miles e sua banda acompanhante gravaram todas as faixas de forma totalmente improvisada, sem pauta musical, apenas com base nas cenas que assistiam enquanto tocavam -- algo inédito na história do cinema.

A trilha de Ascenseur pour L'Échafaud era composta de 10 pequenas faixas e foi lançada primeiro no formato de 10 polegadas na França e, meses depois, nos Estados Unidos, em 12 polegadas, já no tamanho de um LP. Este albúm mostra a mesma personalidade cool de Miles vista em álbuns anteriores e posteriores da sua carreira, tais como os incônicos Birth of the Cool (1949) e Kind of Blue (1959) : um clima intimista, mais calmo e distante do convencional. Pierre Michelot conta que nas gravações o clima foram muito calmas e Miles estava perfeitamente à vontade, tendo inclusive saído para tomar alguns drinques com os músicos e com a prória Jeanne Moreau. Esse registro não teve grande repercussão em sua carreira, embora seja um trabalho interessante e desenvolvido tão rapidamente, o que se tornaria uma marca regristrada do trompetista. Em lançamentos recentes lançados em CD o material contem todas as 26 músicas gravadas no estúdio, contra apenas 10 do disco original -- neste, as faixas extras abrem o disco e deixam a trilha original, para o final. Abaixo dois vídeos sobre o filme a música:




01 - Nuit Sur Les Champs - Elysees (Take 1)*
02 - Nuit Sur Les Champs - Elysees (Take 2)*
03 - Nuit Sur Les Champs - Elysees (Take 3) (Generique)*
04 - Nuit Sur Les Champs - Elysees (Take 4) (Florence sur les Champs-Elysees)*
05 - Assassinat (Take 1) (Visite Du Vigile)*
06 - Assassinat (Take 2) (Julien Dans L'Ascenseur)*
07 - Assassinat (Take 3) (L'Assassinat De Carala)*
08 - Motel(Diner Au Motel)*
09 - Final (Take 1)*
10 - Final (Take 2)*
11 - Final (Take 3) (Chez Le Photographe Du Motel)*
12 - Ascenseur (Evasion De Julien)*
13 - Le Petit Bal (Take 1)*
14 - Le Petit Bal (Take 2) (Au Bar Du Petit Bac)*
15 - Sequence Voiture (Take 1)*
16 - Sequence Voiture (Take 2) (Sur L'Autoroute)*
17 - Generique**
18 - L'Assassinat De Carala**
19 - Sur L'Autoroute**
20 - Jullien Dans L'Ascenseur**
21 - Florence Sur Les Champs-Elysees**
22 - Diner Au Motel**
23 - Evasion De Julien**
24 - Visite Du Vigile**
25 - Au Bar Du Petit Bac**
26 - Chez Le Photographe Du Motel**

1961 - Miles Davis At Carnegie Hall - The Complete Concert

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Disc 1: First Half Of Concert.
1. So What
2. Spring Is Here
3. Teo
4. Walkin'
5. The Meaning Of The Blues/Lament
6. New Rhumba

Disc 2: Second Half Of Concert.
1. Someday My Prince Will Come
2. Oleo
3. No Blues
4. I Thought About You
5. En Aranjuez Con Tu Amor (Adagio From 'Concierto De Aranjuez')


Em 1998, a gravadora Columbia reeditou este álbum Miles Davis at Carnegie Hall, um duplo no quai se pode ouvir as músicas que foram captadas no concerto ao vivo realizado a partir de 19 de maio de 1961. Miles Davis, que se encontra com seu quinteto transitório -- apresentando Hank Mobley, Wynton Kelly, Paul Chambers e Jimmy Cobb -- também tem o suporte do seu velho amigo Gil Evans e sua orquestra. Foi um dos dois únicos shows Davis e Evans realizado em conjunto, e que por si só torna o álbum necessário para colecionadores -- sm contar que  a música em si é espetacular!


Miles Davis (trompete)
Gil Evans (arrangador e maestro)
Hank Mobley (saxofone tenor)
Ernie Royal, Bernie Glow, Johnny Coles, Louis Mucci (trompete)
Jimmy Knepper, Dick Hixon, Frank Rehak (trombone)
Julius Watkins, Paul Ingrahan, Bob Swisshelm (Corne Frances)
Bill Barber (tuba)
Romeo Penque, Jerome Richardson, Eddie Caine, Bob Tricarico, Danny Bank (Palhetas)
Janet Putnam (harpa)
Wynton Kelly (piano)
Paul Chambers (Baixo)
Jimmy Cobb (Bateria)
Bobby Rosengarden (percurssao)

Recorded live at Carnegie Hall, New York, New York on May 19, 1961. Includes liner notes by Bob Blumenthal. Digitally remastered by Mark Wilder (Sony Music Studios, New York, New York). This two-CD set makes the entire Carnegie Hall concert of May 19, 1961.

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