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Mostrando postagens com marcador Os maiores Combos do Jazz. Mostrar todas as postagens
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Os Maiores Combos do Jazz: Peter Brötzmann Chicago Tentet

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O Chicago Tentet é um encontro de gerações e nacionalidades diferentes do que há de melhor na música improvisada contemporânea. Sob a direção de Peter Brötzmann, todos os membros do tenteto contribuem com suas composições, gerando uma característica original à sonoridade do grupo que improvisa com absoluta liberdade e criação espontânea. E isso não significa, de maneira alguma, uma massa sonora inaudível e caótica. Pelo contrário, há diversas atmosferas sonoras ricas em detalhes, texturas e pulsantes rítmos abertos, como também momentos serenos e líricos. Cada músico possui sua originalidade e maestria em seus respectivos instrumentos, além das suas próprias concepções musicais que moldam e diversifica o coletivo.


Peter Brötzmann, em atividade no Free Jazz e Improvisação Livre desde os anos 60, completa 12 anos de trabalho com seu projeto Chicago Tentet, reunindo aqui alguns dos maiores improvisadores da atualidade: Johannes Bauer (Germany) - trombone, Jeb Bishop (USA) - trombone, Mats Gustafsson (Sweden) - saxofones, Per-Åke Holmlander (Sweden) - tuba, Kent Kessler (USA) - baixo, Fred Lonberg-Holm (USA) - cello, Joe McPhee (USA) - trompete, Paal Nilssen-Love (Norway) - bateria, Ken Vandermark (USA) - sopros, Michael Zerang (USA) - bateria, são os mebros da atual formação do grupo.


Be Music, Night foi gravado em Chicago no Wall to Wall, entre 5 e 6 de Novembro de 2004, com a colaboração da voz de Mike Pearson. Trata-se de uma homenagem ao poeta norte-americano Kenneth Patchen (1911-1972). Pearson recita poemas de Patchen em formato de soneto combinado ao tom de orquestra de câmara do tenteto (semelhantemente às experimentações de Jack Kerouac, Lawrence Ferlinghetti e Alan Ginsberg com os combos de Jazz no final dos anos 50), combinando momentos dramáticos e românticos com a torrente sonora característica do Free Jazz. Nesse meio de "arranjos" são notáveis as atuações de Fred Lonberg-Holm que utiliza pedais de efeito no cello para obter diferentes texturas, bem como a combinação do trombone de Jeb Bishop com a expansão de válvula e campana que cria uma parceria com a recitação de Pearson, assim como as brilhantes passagens de clarinete com Brötzmann, Vandermark e Gustafsson utilizando efeitos de palheta e chaves. Certamente, este é um trabalho que desfaz a reputação de Brötzmann como apenas o feroz e selvagem barulhento homem do Free Jazz: eis aí, então, Be Music, Night...

Grandes Combos do Jazz: Rova Saxophone Quartet

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Seguindo com nossa série de podcasts e resenhas sobre “Os Maiores Combos do Jazz” apresento-vos o Rova Saxophone Quartet, quarteto de saxofones do qual já até postei um disco aqui no blog intitulado “The Eletric Ascencion” (2006), uma interessante releitura experimental da grande obra Ascencion de John Coltrane que tem a participação de uma troupe de músicos da Free Improvisation européia e do cenário vanguardista americano. Fundado em 1977 (mesmo ano que o semelhante quarteto de saxofones World Saxophone Quartet), o ROVA é um “combo contemporâneo” de grande sucesso entre os circuitos vanguardistas dos EUA, Europa e Japão. Esse nome, ROVA, vem do acrônimo dos próprios nomes dos integrantes Jon Raskin, Larry Ochs, Andrew Voigt e Bruce Ackley, sendo que em 1988 o saxofonista Andrew Voigt foi substituído por Steve Adams, que já tinha participado de um quarteto semelhante em Boston, o Neighborhood Saxophone Quartet. Em 1977 ROVA Saxophone Quartet foi criado para a ocasião de um festival especial no Mills College, em Oakland, Califórnia. O concerto foi tão emocionante que os jovens do recém-formado quarteto decidiram que aquela formação não poderia acabar ali como sendo um grupo para se apresentar apenas em eventos ocasionais. Ao contrário, aquela ocasião mostrou ser apenas o momento inicial para uma grande história a ser construída. Após a decisão de dar continuidade, não demorou muito para que eles conseguissem gravar seu primeiro disco, intitulado Cinema Rovaté. Antes mesmo da conclusão da gravação, o Rova já tinha sido convidado a realizar concertos na Vancouver New Music Society em Canada e, em 1979, também foi convidado a participar do Moers International Jazz Festival na Alemanha Oriental. Respostas como estas deixaram claro que o ROVA poderia ser muito mais do que apenas mais um novo grupo de jovens apaixonados pelo jazz – sobretudo pelo free jazz, estética da qual partiram -, mas um dos mais fantásticos combos do jazz contemporâneo que, inclusive, não tardaria a receber status de grande ensemble nos holofotes e mídia especializada. De lá para cá o Rova já lançou discos por selos como Black Saint, Hat Art (da sueca Hat Hut), New Albion e Sound Aspects, discos dentre os quais a maioria são dignos de coleção em qualquer estante que preze o jazz de tino vanguardista ou contemporâneo.

Rova Saxophone Quartet - Beat Kennel (Black Saint 1987) Para além da telepática performance interacional, os membros do ROVA desenvolvem um aguçado estilo de composição e livre improvisação. Dos anos 80 para cá o Rova criou dezenas de obras para quarteto de saxofones, envolvendo, em suas composições, uma mistura de escrita musical com livre improvisação ou improvisação estruturada. Ou seja, entre as sessões de livre improvisação o grupo sempre utiliza a composição escrita e elaborada por meio da notação musical, sem destoar, contudo, o aspecto da imprevisibilidade improvisativa. Com essa proposta, eles passaram a se apresentar em centenas de concertos nos EUA, Canadá, e em dezenas de circuitos europeus, incluindo concertos na França, Grã-Bretanha, Alemanha, Suécia, Finlândia, Noruega, a República Checa, Eslovénia e Croácia. Em 1983, o Rova tornou-se o primeiro grupo musical dos Estados Unidos a realizar uma turnê na ainda socialista URSS. Saxophone Diplomacy, o vídeo-documentário da turnê, chegou a ser exibido com sucesso em muitas estações de TV nos Estados Unidos desde a sua estréia em San Francisco em 1983. Repetindo a dose, o quarteto visitou a URSS novamente em Novembro de 1989, lançando, a apartir dos tapes da turnê, o disco This Time We Are Both sob a produção e edição do selo New Albion.

Em paralelo aos seus projetos solos o Rova estendeu os seus interesses musicais para inúmeros projetos colaborativos. Entre os seus parceiros e colaboradores estão a Margaret Jenkins Dance Company, Kronos String Quartet, Terry Riley, John Zorn, Fred Frith e Henry Kaiser, Richard Teitelbaum e David Rosenbloom, Lawrence "Butch" Morris, Anthony Braxton, Alvin Curran, dentre muitos outros. Sob a direção do Rova também é notório o Pré-Ecos Séries, um projeto sem fins lucrativos que visa divulgar grupos e músicos através de um festival de concertos anuais: o Ganelin Trio, grupo russo de jazz avant-garde, foi a banda que inaugurou a série em San Francisco, em Junho de 1986. Este projeto também proporcionou um espaço para que muitas composições fossem divulgadas, a maioria delas obras escritas especialmente para Rova: entre os compositores encomendados estão Henry Threadgill, Jack DeJohnette, John Carter, Robin Holcomb e Chris Brown. Encerrando, aqui deixo links para informações do Rova e um respectivo disco – na faixa - como incentivo para quem ainda tem dúvida de que seria muito interessante adquirir todos os outros discos do quarteto, os quais estão disponíveis em sites de compras on line como E-Bay, CD Universe e Amazon! Clique sobre a capa do álbum para baixá-lo!

Os Maiores Combos do Jazz: The Vandermark 5

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O The Vandermark Five é um dos mais importantes quintetos do jazz contemporâneo. Trata-se de um quinteto liderado pelo multiinstrumentista e compositor Ken Vandermark, um dos reavivadores da escola jazzística de Chicago. Para quem ainda não sabe, 'combo' é um termo que denomina pequenas bandas e grupos de jazz formados por dois ou mais músicos, tendo um limite que chega à mais ou menos 9 integrantes: são nada mais do que duos, trios, quartetos, quintetos, sextetos...octeto e noneto, limitando-se aí, já que um número elevado de instrumentistas em um grupo já poderia caracterizar uma big band ou, como dizem atualmente, um coletivo. Além disso, desde os primódios, a maioria dos combos costumam ser mencionados com os nomes dos líderes: podemos mencionar, por exemplo, combos importantes como o Gerry Mulligan/Chet Baker Quartet, Dave Brubeck Quartet , Miles Davis Quintet, Oscar Peterson Trio ou Wynton Marsalis Septet, dentre tantos outros combos que caracterizaram épocas, estilos e inovações. E o The Vandermark 5 (ou The Vandermark Five) é um dos combos mais instigantes e inovadores do jazz contemporâneo. Apesar de Ken Vandermark ser produtor, curador de concertos e líder de inúmeros projetos importantes, foi através deste quinteto que ele alcançou grande notoriedade e se projetou como um dos mais importantes músicos do jazz norte-americano: tanto que, em meados da década de 90, ele foi condecorado como um MacArthur Fellowship (condecoração dada a gênios e revelações das artes e ciências nos EUA) e foi proclamado pela revista americana Downbeat como um dos mais importantes músicos para o futuro do Jazz. (Leia a entrevista com Ken Vandermark realizada por Rubens Akira em 2006)


O estilo de composição e arranjo de Ken Vandermark é baseado em arranjos escritos e na livre improvisação, com fortes influências do núcleo AACM. Em 1996 ele forma este seu quinteto com o saxofonista-alto Mars Williams, o trombonista e guitarrista Jeb Bishop, o contrabaixista Kent Kessler e o baterista Tim Mulvenna; depois, em 2001, o saxofonista-alto Dave Rempis substituiu Mars Williams e, mais recentemente, o violoncelista Tim Daisy substituiu Jeb Bishop. Trata-se, portanto, de um quinteto de configuração inusual, com o qual Ken Vandermark usa e abusa de várias influências, partindo do Free Jazz - que é a sua essência - ele faz uso de várias adjacências em suas colagens: a Livre Improvisação Européia, o swing característico do Hard Bop e Post-Bop, elementos do barulhento Noise japonês, o Funk americano, as distorções psicodélicas, o minimalismo, até elementos da música erudita de vanguarda, além de também explorar o contemporâneo post-rock. O interessante, então, é a forma como Vandermark junta todos esses elementos em colagens magníficas, ou seja, em arranjos bem elaborados, sem fugir da proposta da espontaneidade e imprevisibilidade - lembrando que a maioria das suas composições e arranjos são escritos à mão, o que o caracteriza como um músico de grande tino composicional.


Faixas e discos indicados:

STHLM (do disco Simpatico de 1999)
Telefon (do disco Elements of Style de 2004)
Fever Dream (do disco Target or Flag de 1998)
Full Deck (do disco Simpatico de 1999)
Further from the Truth (do disco Beat Reader de 2008)
Outside Ticket (do disco Elements of Style de 2004)
Knock Yourself Out (do disco Elements of Style de 2004)
Sucker Punch (do disco Target or Flag de 1999)


Os maiores Combos do Jazz: World Saxophone Quartet

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Na história do Jazz não houve tantos grupos pequenos que fossem tão representativos como alguns poucos que já conhecemos: fala-se em Dave Brubeck Quartet, em Miles Davis Quintet, nos Hot Fives e Hot Sevens de Louis Armstrong, em quarteto sem piano de Gerry Mullighan, no Modern Jazz Quartet e mais alguns poucos grupos seletos. Aliás, falando em Gerry Mulligan, aquele quarteto sem piano com Chet Baker foi um dos mais importantes da história do jazz, já que o "desprezo" ao piano representou uma novidade - surpreendendo tanto os negros de Nova Iorque como os brancos da Costa Oeste - e a sonoridade "macia" de Baker e Mulligan, bem como o a forma contrapontística de como interagiam e improvisavam, impulsionou o aparecimento de muitos grupos exóticos apartir dos anos 50.

Depois do advento do Free Jazz em 1959 - imposto também por um quarteto sem piano, que tinha como líder o grande Ornette Coleman que documentou seus primeiros registros pela Contemporary, mesmo selo onde tinha sido a casa de Gerry Mulligan e Chet Baker em 1952 (coincidência?) - o surgimento de grupos exóticos foi ainda mais impulsionado pela nova onda liberdade improvisativa. Daí começaram a surgir grupos que "desprezavam" não só o piano, mas a seção rítmica: como duos de um sax com contrabaixo (Julius Hemphill e Abdul Wadud), com gravações contendo apenas um instrumento solo ( For Alto de Anthony Braxton) e muitas outras formações inusitadas que vinham com a inteção de criar novas interações improvisativas e novas sonoridades.


Hamiet Bluiett - baritone saxophone, alto clarinet, alto flute
Julius Hemphill - alto saxophone, soprano saxophone
Oliver Lake - alto saxophone, soprano saxophone, flute, tenor saxophone
David Murray - tenor saxophone, bass clarinet


selo: Black Saint

Ano: 1981



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Na década de 70 o Free Jazz alcançou uma liberdade tão grande, que essas buscas por novas sonoridades geraram uma série de novidades e experimentos medíocres sem resultados relevantes, onde foram abandonados não só as tradições do Jazz, mas todo e qualquer vestígio de harmonia, melodia e ritmo. No entanto, se há um grupo dessa fase do Free Jazz onde podemos encontrar representativadade e coesão, esse é o World Saxophone Quartet, fundado em 1976 pelos saxofonistas Julius Hemphill (sax-alto), Oliver Lake (sax-alto), David Murray (sax-tenor) e Hamiet Bluiett (sax-barítomno). A idéia era trabalhar formas de improvisação baseadas em conjuntos camerísticos de sopros, já bem manjados nos meios da música erudita (Inclusive, o nome World Saxophone Quartet foi uma substituição ao Real New York Saxophone Quartet, já que existia um quarteto erudito com um nome bem parecido, New York Saxophone Quartet). Conclui-se, então, um experimento feliz que atravessaria as últimas décadas não só como um grupo exótico de grande sonoridade e improvisadores magníficos, mas um grupo coeso e representativo que equilibra sua atenção entre as formas livres da vanguarda e as tradições jazzísticas como o apego ao blues, releituras de grandes mestres (como no disco Plays Duke Ellington, de 1986) e até uma sofisticação composicional considerável, já que os seus componentes também são bons compositores. O primeiro disco "Point of no Return" é uma obra de livre improviso do começo ao fim, mas a transição para essa sofisticação fica evidente nas gravações posteriores do final da década de 70 para a Black Saint, onde os membros mostram composiçoes próprias baseadas em suas experiências: nas técnicas européias, na música livre, no rhytmn'blues e funk.

World Saxophone Quartet perform on Night Music



O grupo que teve sua formação inalterável até 1989, quando o grande cérebro, o compositor e altoísta Julius Hemphill se ausentou, se mostrou muito flexível e versátil no decorrer dos seus anos e de suas formações. Há, inclusive, outras abordagens além do Jazz (como o recente projeto onde o grupo abordou a música de Jimmy Hendrix), o que não apaga o valor que esse grupo acrescentou ao jazz criativo dos anos 70 até hoje. Assim, pode-se dizer que, no início dos anos 90 para cá, o grupo sofreu uma relevante perda de indentidade e muitas substituições temporárias, principalmente no posto de sax alto: Arthur Blythe, Eric Person, James Spaulding,John Purcell, Bruce Williams e, recentemente, o fenomenal tenorista James Carter engrossou o caldo do grupo com algumas colaborações. Mas, mesmo dos anos 90 para cá, ainda se encontra bons discos como "Selim Sivad, a Tribute to Miles Davis" (1998) e " Requiem for Julius" (2000), dentre outros. Desde o aclamado disco "Plays Duke Ellington" (Nonesuch) que foi votado no New York Times como o album do ano em 1986, o WSQ vem acarretando prêmios, honrarias e aparições importantíssimas em grandes festivais, na revista Down Beat e até em canais da TV americana. Conclusão: para os que ainda não conhecem o grupo, basta ter em mente que seus componentes foram e são os mais requintados saxofonistas e compositores das últimas décadas e que se trata do grupo de avant-garde com mais sucesso desde os grupos de Ornette Coleman.

Outros Excelentes Sites Informativos (mais sites nas páginas de mídia e links)